२५५४ ०८ ११ Bihibár 2554-08-11

 A todos, Namaste!

ariando entre extremamente exótica e inesperadamente identificável, a Ásia surpreende todos os nossos conceitos ocidentais e, se muitas vezes parece impossível viver lá, em outros momentos nos sentimos confortavelmente em casa!

Kuala Lumpur é uma cidade moderna, com imensos shopping centres, um bonito parque em volta das famosas Twin Towers da Petronas – companhia de petróleo nacional – onde há uma imensa piscina em forma de lago, com lindas esculturas de golfinhos e baleias de alumínio, saltando das águas!

Perto dali, uma enorme mesquita e, do parque, se ouve claramente a multidão de muçulmanos, testa no chão, voltados para Meca, rezando cinco vezes ao dia… Uma cidade de arquitetura moderna, reunindo as principais grifes do mundo e restaurantes de todos os tipos de culinária e muitos Cafés com mesinhas na calçada surpreendem quem espera algo primitivo e subdesenvolvido – esteriótipo que muitos de nós ocidentais temos a respeito da Ásia. Para completar, a baixa criminalidade dá uma sensação de segurança à qual não estamos acostumados.

Passei mais de um ano na Malásia e, no período em que estive na pequena e interiorana Nibong Tebal, bem longe da capital Kuala Lumpur, tive que me adaptar ao inglês falado por quase toda a população daquele reino. Grande parte dos malaios consegue se comunicar em inglês. A população, dividida entre malaios originais – todos muçulmanos, malaios de origem chinesa – normalmente buddhistas Mahayana, alguns Theravada e ambos misturados a fortes tradições Taoístas e um grande número de indianos, quase sempre de etnia Támil, que praticam o Hinduísmo, Catolicismo, seguem as Igrejas Evangélicas (cada vez mais presentes do país) e o Sikhismo, que tem presença forte e templos gigantescos. Com uma mistura dessas, nada mais fascinante para um ocidental curioso por aprender coisas novas!

O inglês, falado por toda a população chinesa e de origem indiana, mas, nem sempre comum entre os malaios originais, tem diversas peculiaridades que o torna às vezes engraçado, às vezes tão simples quanto o de uma criança com poucos meses de aula! Orgulhosos de terem sido colônia inglesa, nunca diga a um malaio que o inglês deles é estranho ou errado! Para eles, é tão bonito e correto quanto o da Rainha da Inglaterra! Mas, vejam só:

 Já jantou? – Have you had dinner? na Malásia fica: “Dinner had lah?”

 Onde você está agora? – Where are you now? fica: “You where now?”

 Faz tempo que não lhe vejo! – Long time no see! fica “Long time lah!”

 Aonde você vai? – Where are you going? fica: “You go where?”

 Após algum tempo, se a pessoa tem bom conhecimento de inglês, vai se acostumando a algo tão diferente e é sempre bom saber que eles entendem perfeitamente o inglês correto e parecem não se importar com o fato de falarem de um modo tão estranho (talvez achem que o inglês correto é que é estranho!)

A língua nacional, de ensino obrigatório nas escolas e presente na TV, jornais e toda a mídia oficial do país, é uma salada mista de idiomas e está em constante estado de modificação e adaptação! Já se chamou Bahasa Melayu (Báhassa significa idioma), Bahasa Malaysia, simplesmente Bahasa e agora voltou a se chamar Bahasa Malaysia (língua Malásia). Tem inúmeras palavras do inglês, sânscrito, PÁLI (do tempo em que o país era todo buddhista), hindi, holandês e outras línguas minoritárias. Embora pareça extremamente fácil, tem um complexo sistema de palavras radicais, às quais são acrescentados prefixos e sufixos, formando outras palavras:

 TELEFON – telefone – SAYA MELEFON – eu telefono!

 Os plurais, chega a ser engraçado, são formados pela simples repetição da palavra!

 BUKU – livro BUKU-BUKU – livros!

 Mais conveniente ainda, para nós brasileiros, é o fato de a Malásia ter passado por um período de colonização portuguesa, o que lhes deixou como herança uma comunidade que fala um dialeto português e, mais que isso, um vocabulário incorporado à língua nacional, com QUATROCENTAS palavras em nosso idioma! Assim, embora a grafia não seja exatamente a nossa, na língua falada entendemos perfeitamente:

 MENGTEGA – se pronuncia “MANTÊGA” – manteiga!

GARFU – se pronuncia “GARFÚ” – garfo!

SKOLAH – se pronuncia “ESCÓLA” – escola!

(o ônibus escolar é “BUS SKOLAH”)

 Há algumas que, embora vindas do português, não são tão óbvias:

 KERETA – se pronuncia “kretá”, vem de “carreta” e signfica CARRO.

 Como eu disse, a língua da Malásia está em constante mutação e adaptação, assim, algumas palavras podem ser usadas de maneiras diferentes:

 TREN – é trem, mas se encontra também a palavra KERETAPI, combinação de KERETA + API (fogo) = “carro de fogo”.

 Para encerrar esta matéria, aqui vai um caso que aconteceu comigo sobre o uso da língua. Eu cheguei a aprender um vocabulário bastante grande para me comunicar nas ruas e já conseguia me virar bem em Bahasa Malaysia, mas, por comodidade, sempre usava o inglês nas mais diversas situações. Porém, antes de voltar para o Brasil, resolvi comprar uma bandeira da Malásia como recordação. Assim, entrei num shopping centre e perguntei à vendedora, uma muçulmana, malaia original: “Excuse me, do you have the national flag?” (com licença, vocês têm a bandeira nacional?)

A moça me olhou, parecendo confusa e eu repeti a pergunta em inglês. Ao ver que ela ainda não tinha entendido a palavra “flag”, tentei fazer a mímica de uma bandeira ao vento… Foi inútil!

Só então me veio à mente a frase correta e, rindo de mim mesmo, eu perguntei:

“BANDEIRA NACIONAL, ADÁ (tem)?” na grafia deles seria “BENDERA NASIONAL

 Imediatamente a moça entendeu e, sorridente e gentil, como normalmente são os malaios, me trouxe a bandeira de seu país!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

 सुनन्थो भिक्षु

 Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

UMA CIDADE GRANDE, MODERNA E SEGURA – KUALA LUMPUR