२५५४ ०८ १९ Sukrabár 2554-08-19

A todos, Jwajalapá!

ue nós monges devemos viver da generosidade dos leigos, já foi dito e deve ser do conhecimento dos frequentadores deste Blog. Mas, para que sejamos sempre merecedores de receber doações, é necessário que tenhamos consciência do valor das coisas e o quanto as pessoas se esforçam para ganhar dinheiro e usar parte dele para nos manter.

Na Ásia, onde o Buddhismo tem sido o Ensinamento predominante durante centenas de anos, os monges começam a vida monástica muito cedo e, portanto, vivem desde pequenos nos monastérios. Com isso, a maioria deles NUNCA trabalhou na vida e, portanto, nunca pagaram contas, nem têm consciência real do quanto custa pagar pela água, eletricidade, supermercado e todos os impostos aos quais os leigos estão sujeitos. Com isto, é comum, embora triste, ver o desperdício espalhado por toda parte! Luzes acesas o dia todo, ventiladores ligados em ambientes vazios, comida raspada dos pratos diretamente para a lata do lixo e, pasmem: até torneiras esquecidas totalmente abertas nos banheiros, jorrando litros d´água!

Para muitos monges, era estranho que eu andasse pelo monastério onde morei, apagando luzes, fechando torneiras e desligando ventiladores… Como ocidental, tendo começado a trabalhar aos 18 anos e morando sozinho ou dividindo apartamentos ao longo da vida, sei o quanto as pessoas “suam a camisa” para pagar todas as contas e sobreviver até o fim do mês.

Ter consciência do valor das coisas e evitar desperdício não é só uma questão de economia pessoal, mas, muito além disso, uma conscientização da situação GLOBAL, do futuro de nosso planeta! Não é preciso ser membro do Green Peace para saber que a água é um bem precioso que, sem falso alarmismo, vai faltar para muitas nações num futuro não muito distante… A energia elétrica, a produção de alimentos, a emissão de poluentes, tudo isso são questões que dizem respeito a todos nós e, mais uma vez, como Ocidental, têm que interessar a mim!

Certa vez tentei conversar sobre estas questões com um monge de Mianmar (antiga Birmânia), afirmando que nós monges deveríamos conversar com os leigos, alertando-os sobre estas questões tão importantes. Ele me ouviu com uma mistura de espanto, como se eu estivesse dizendo tolices e ceticismo… Quando eu terminei me disse: “Venerável amigo… Nós não devemos nos preocupar com estas questões! Somos monges e acreditamos no Buddha! O mundo sempre existiu e sempre teve problemas! O Buddha vai proteger o mundo e não deixar que ele se acabe! (!!!!) Foi o bastante para perceber que eu estava perdendo meu tempo. Apenas sorri e não insisti na conversa…

Agora que estou de mudança para um contato direto e, espero, permanente, com a Sangha Leiga do sul, que, desde já vem demonstrando generosidade e compaixão, tenho obrigação de estar atento para evitar todo tipo de desperdício – meu e de meu filho, nos locais por onde passarmos e nos instalarmos. Peço aos leigos que não se acanhem em nos REPREENDER, caso vejam luzes esquecidas ligadas, torneiras mal fechadas etc. Fazendo isto, não estarão sendo grosseiros ou desrespeitosos, mas sim colaborando com minha prática de Cultivo Mental e a educação de meu filho!

Fiquem em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ