२५५४ ०८ २२ Sombár 2554-08-22

A todos, Jwajalapá!

s incensários (recipientes para queimar incenso) dos templos chineses têm três pés. Esse tripé simboliza a chamada Jóia Tríplice do Buddhismo (Trirátana): O Buddha, o Dharma e a Sangha. Toda vez que temos um tripé, se faltar ou quebrar apenas um dos pés, não há sustentação, não é possível manter o objeto de pé. Assim como o incensário, o Buddhismo também não se sustenta sem os três fatores inseparáveis da Jóia Tríplice.
Para a grande maioria dos praticantes do Buddhismo e talvez até para quem só o conheça superficialmente, uma matéria falando especificamente de Sangha pode parecer falta de assunto ou discertar sobre o óbvio e notório, mas, se assim fosse, não haveria tantos grupos Buddhistas e templos (aqui incluindo o meu) tão necessitados de ajuda em vários sentidos. Por isso decidi redigir esta matéria.
Durante muitos anos, a definição de Sangha era apenas “Comunidade de Monges Buddhistas”, iniciada pelos Cinco Ascetas, os primeiros seguidores do Buddha, desde antes da iluminação dele. Aqueles cinco se multiplicaram rapidamente, formando uma enorme Comunidade Monástica e, somente aqueles vestidos com o manto monástico – Bhikshús e Bhikshunís (monges e monjas) – eram considerados Sangha.
Com o passar dos tempos e o abrir da mentalidade das pessoas, passou-se a entender que, sem a ajuda valiosa, o suporte financeiro dos seguidores do Buddhismo que optam por continuar em suas casas, trabalhando, se casando, criando filhos etc. não seria possível a sobrevivência da Comunidade Monástica. Então, tal dependência passou a incluir os leigos como Sangha. Para diferenciar leigos de nós monges, toda vez que nos referimos à Comunidade Monástica, usamos o termo MAHÁ SANGHA, onde “mahá” significa superior, grande, mais elevada etc. e, simplesmente Sangha, dependendo do contexto, pode referir-se aos leigos ou aos buddhistas, tanto leigos quanto monges.
Uma Sangha é, portanto, fundamental para a continuidade da existência do Buddhismo! Sempre foi graças à Sangha Leiga que nós monges pudemos ter conforto, alimentação, remédios, abrigo, mantos e, consequentemente, tranquilidade para nos aprofundarmos nos estudos das Escrituras e, na forma de interação e expressão de gratidão, transmitindo-as aos leigos em forma de Ensinamento, conselho, orientação e meio de aliviar as inquietações mentais dos leigos.
Em vários Sutras o Buddha enfatizou a importância da Sangha em sustentar a Mahá Sangha e os inúmeros benefícios adquiridos da prática de tamanho bom karma! Portanto, para os seguidores do Buddhismo, não é algo “OPCIONAL” ou “FACULTATIVO” dar apoio à Mahá Sangha, mas sim uma condição fundamental, tradicional e claramente especificada pelo próprio Buddha. Fazer contínuas e comprometidas doações a nós monges buddhistas, no entendimento do próprio Buddha, é algo natural e que nem ao menos deveria ser lembrado ou explicado, porque é parte integrante do fato de alguém ser buddhista! Da mesma forma que os leigos pagam a taxa do clube onde são sócios, o condomínio do prédio onde moram e a mensalidade da academia onde fazem exercícios, todo templo ou grupo buddhista tem uma taxa fixa, uma mensalidade (geralmente em torno de R$30), que todos os leigos devem pagar e uma pessoa responsável pela cobrança (nunca o monge!!), se encarrega de lembrar os “esquecidinhos” e inadimplentes. A Mahá Sangha, como qualquer ser humano, vai ao banheiro, toma banho, escova os dentes, tem dor de cabeça, se alimenta, bebe água, consome energia elétrica e tem todas as despesas normais de qualquer pessoa, porém, é “prisioneira” do Preceito de não poder trabalhar e tem que viver unicamente de doações, da generosidade dos leigos. Portanto, contribuir financeiramente para que nada falte aos monges e monjas é algo que deve sempre estar na mente de todos os leigos.
É importante, porém, saber que a Sangha Leiga não é uma “conta bancária ou caixa eletrônico” para monges… Há várias finalidades importantes para a existência e fortalecimento da Comunidade de Leigos Buddhistas! Toda vez que nós monges realizamos um Púja (ritual buddhista) e a Mahá Sangha se reúne com a Sangha, fortalecemos nossa prática, renovamos nossas forças para continuarmos praticando o Buddhismo, trocamos idéais, os leigos ouvem Ensinamentos que nós monges temos que preparar com antecedência e, portanto, temos que estudar e estarmos preparados para responder às perguntas e sanar as dúvidas dos leigos, o que enriquece culturalmente a nós monges.
A Sangha leiga, por sua vez, sempre que se reúne no templo ou centro de Buddhismo, tem a oportunidade de rever ou conhecer pessoas, passar momentos num ambiente saudável e harmonioso, propiciar aos filhos uma atmosfera segura e saudável onde desenvolvam amizades virtuosas, aprendem novos aspectos do Dharma, aumentam o conhecimento sempre necessário para dar continuidade à prática e diminuem a sensação de que o Buddhismo é uma prática solitária e difícil, porque convivem com pessoas que acreditam nas mesmas coisas e vivenciam as mesmas experiências como buddhistas.
Nos países asiáticos e, espera-se que também no Universal Dhamma Vihara, a Sangha Leiga é a responsável pela organização de diversos eventos, geralmente com a finalidade de arrecadar fundos, mas também de cunho sócio-cultural. Assim, nos templos e grupos buddhistas, é normal que haja bazares beneficentes, jogos de bingo, corais de músicas buddhistas, grupos de teatro, cursos de arranjos florais, culinária, palestras sobre saúde, educação e muitas outras atividades. Nessas ocasiões, todos os membros da Sangha se reúnem, planejam, preparam os eventos e, na data marcada chegam cedo, cozinham, arrumam e se mobilizam incansavelmente pelo sucesso do evento. Com isso, todos se sentem úteis, parte importante de uma comunidade sólida e bem estruturada e, ao final do evento, todos vão para casa cansados, mas com uma enorme sensação de bem estar, por terem feito algo útil e benéfico a muita gente, em nome do Buddhismo!
Isso tudo é SANGHA e sem ela, não existe MAHÁ SANGHA. Espero que, com esta matéria, um tanto mais longa que as habituais, todos se concientizem da necessidade de ser generoso, ativo, participativo e otimista em relação à responsabilidade que cada um tem em formar uma Sangha forte e capaz de manter – sem medo nem sacrifício – a Comunidade Monástica Buddhista no Brasil.
Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ