२५५४ ०७ २५ Bihibár 2554-08-25

A todos, Namaste!

ouca gente no Brasil deve saber que o Reino da Malásia é um SULTANATO, ou seja, uma forma de monarquia onde o Sultão ou Yang di Pertuan Agong, na língua local, governa o país. No caso da Malásia, há um Primeiro Ministro, deputados e uma série de títulos de nobreza com denominação própria, num complicado sistema de hierarquia. Um interessante sistema de revezamento entre NOVE monarcas da mesma família (apenas 9 governantes dos 30 estados da Malásia são de família nobre) faz com que, depois de cinco anos, o Sultão regente ceda o trono ao próximo da fila e assim sucessivamente. Mais curioso ainda é o fato do Primeiro Sábado de Junho ser feriado nacional, celebrando o “Aniversário do Sultão”, não importa qual deles, nem a data real de seu nascimento!

Como ocorre em outras monarquias asiáticas, a Malásia não chega a ser totalmente democrática, porém, a liberdade de expressão é bem maior que em muitos outros países da região e, os estrangeiros vivendo lá, não chegam a se sentir reprimidos ou tolhidos no dia a dia. Como em outras monarquias da região, é expressamente proibida qualquer brincadeira, piada ou crítica ao Sultão vigente ou qualquer outro membro da realeza, sob pena de prisão e outras punições. Quando eu morava na Malásia, li sobre um caso de censura através da internet porque alguns políticos estavam usando redes sociais para fazer comentários desfavoráveis à realeza. Foram censurados, presos e tiveram que pagar uma multa gigantesca para fugir à pena de 20 anos de prisão…

A Malásia, como país muçulmano, é o que se chama de país moderado. Embora grande número de mulheres usem o véu, poucas são vistas totalmente de preto, usando a burka. Na verdade, a maior parte anda de jeans e camiseta, andam de moto, dirigem carros, trabalham e, embora seja uma minoria, algumas nem usam o véu. As mais tradicionalistas usam o traje nacional, que é um conjunto de saia longa, até o tornozelo, com uma blusa de manga comprida. São de seda colorida, com lindas estampas, geralmente florais. Já os homens, em ocasiões festivas, também vestem seus trajes típicos, com camisas de seda colorida, manga comprida, gola alta redonda, os tradicionais chapéus, que se assemelham aos da aeronáutica brasileira e, sobre as calças também de seda, usam uma espécie de avental.

A liberdade religiosa também segue regras próprias que a limita. O Buddhismo é tolerado, desde que todo material buddhista – livros, CDs, DVDs etc. tenha escrito na língua da Malásia e Inglês o seguinte aviso: “Material para uso de não-muçulmanos apenas!” Isso significa que um muçulmano não tem permissão de comprar material buddhista, hinduísta, cristão ou sikh – as principais crenças seguidas na Malásia. Todo praticante de outro ensinamento é muito bem-vindo a se tornar muçulmano a qualquer momento! Já se um muçulmano quiser deixar de lado a crença no Islamismo para seguir qualquer outra, IMEDIATAMENTE perderá seus direitos de cidadão, o que tornaria sua vida num inferno e seria melhor deixar o país. Como eu disse, a Malásia não é exatamente uma democracia, mas isso não chega a afetar diretamente a vida dos turistas ou moradores temporários.

Por toda parte vê-se mesquitas gigantescas e muito bonitas. Ao lado delas, muitos templos hindus e, aqui e ali, templos buddhistas, majoritariamente Mahayana Chinês, pois é enorme a quantidade de chineses no país. Os hindus e sikhs são da etnia TÁMIL, vindos do sul das províncias do sul da Índia e também do Sri Lanka. São milhares! É comum ver letreiros escritos na língua da Malásia, Inglês e na curiosa escrita Támil.

Os templos indianos são bonitos mas têm a fama (bem verdadeira) de serem extremamente sujos! Alguns, além de terem valas expostas saindo dos banheiros públicos, costumam alimentar pombos, que, como sabemos, são transmissores de várias doenças e notórios sujadores de ambiente! Outro fato lamentável, diretamente ligado à religiosidade hindu é o sacrifício de animais, principalmente cabritos, que são criados no terreno dos templos, aguardando o momento de morrerem e é comum ouvir os berros deles ao serem sacrificados. Tais práticas, inutilmente combatidas e condenadas pelo Buddha, depõem contra o Hinduismo e obscurecem a beleza arquitetônica dos Nandir (nome dos templos hinduistas)

É crescente o número de igrejas evangélicas na Malásia e seus seguidores, invariavelmente, são Támil, com raras exceções entre os chineses. Estes seguem o Buddhismo, distribuídos da seguinte maneira: os que foram educados em língua inglesa, seguem a Tradição Theravada e procuram os templos do Sri Lanka. Já os que foram educados em língua chinesa, seguem as Tradições Mahayana – tanto o Buddhismo Chinês quanto o cada vez mais popular Buddhismo Tibetano. É comum, porém, uma grande mistura, indiscriminadamente, porém sempre “em segredo”. Assim, nos dias em que o Buddhismo Chinês homenageia a Bodhissattva KWAN YIN, seguidores da Tradição Theravada (que não considera a existência dessa Bodhissattva), comparecem em massa aos Templos Theravada, porém nunca admitem que estão lá por causa de Kwan Yin!

Os chineses da Malásia falam, predominantemente o dialeto HOKKIEN. Dependendo da região onde moram, têm comunidades que falam CANTONÊS, TEOCHEW (se pronuncia como “teu tio”, em português) e usam como língua comum o inglês e o mandarim. É comum que mudem de um dialeto para outro durante os diálogos, formando uma verdadeira confusão linguística!

Cheios de superstição, os diferentes povos que formam a Malásia convivem em harmonia. É comum, nos bairros mais afastados do centro de Kuala Lumpur, ver vacas andando calmamente no meio da rua, obrigando os carros a redobrar a atenção e desviar delas. Isso é um forte sinal da presença hindu na vida diária do país. Ao mesmo tempo, cinco vezes por dia, ecoa por todos os cantos o chamado muçulmano para as preces nas mesquitas. A isso se mistura os sinos dos templos buddhistas enquanto que, de paletó e gravata, com a Bíblia debaixo do braço, os indianos evangélicos entram e saem de suas igrejas!

A Malásia é realmente um país de grandes misturas, de muitas variações culturais e de uma sociedade que consegue se adaptar às mudanças do mundo, com as diferentes classes sociais mantendo seus lugares e funções específicas. Eu, com o pouco tempo que morei naquele país (do qual gosto muito!), dividiria a sociedade da seguinte forma:

Os chineses são os ricos, donos das lojas, os comerciantes poderosos que sustentam o país.

Os malaios muçulmanos, o povo original, trabalha nas lojas, prestam serviços públicos e mais desejados em termos competitivos.

Os hindus, de etnia Támil, prestam os serviços braçais e que ninguém quer fazer! São os limpadores de banheiro público, varredores de rua, garçons de lanchonete, lixeiros etc.

Mesmo assim, tudo parece funcionar numa lentidão de cidade de interior, mesmo numa capital agitada como Kuala Lumpur! Essa divisão social, tão óbvia e visível, não parece perturbar as pessoas, sempre simpáticas, sorridentes e receptivas aos estrangeiros! Todos parecem fazer o possível e o impossível para manter vivo o lema nacional: “MALAYSIA BOLEH!” (malêijia bulê) = A Malásia Pode!

Fiquem em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

 MIZAN ZAINAL ABIDIN , 45 anos,

desde 2007 ocupa o trono do Sultanato, como Yang di Pertuan Agong