२५५४ ०८ २६ Sukrabár 2554-08-26

A todos, Jwajalapá!

ão tenho intenção alguma de que alguém acredite no tema desta matéria… Nem penso que as pessoas tenham que acreditar nela para seguirem o Buddhismo. Mas, como monge, acho que todo tipo de cultura sobre o Buddhismo, incluindo a parte mitológica e irreal, é importante, formando um conjunto de elementos necessários para a formação de uma mentalidade verdadeiramente buddhista. Além disto, se alguém tiver a oportunidade de viajar para o Sudeste Asiático e visitar dezenas de Templos Theravada, cada qual mais bonito que o outro, certamente verão neles painéis, estátuas, pinturas e inúmeros detalhes das criaturas mitológicas mostradas aqui. Portanto, para apreciar ou criticar, BEM VINDOS À FLORESTA DE HIMMAPAN!

Uma mitologia compartilhada do Hinduísmo com o Buddhismo, criou uma floresta imaginária onde dezenas de animais e seres de forma humana ou misturada com animais habitam. Segundo a lenda, muito presente na Tailândia, Laos, Camboja e Mianmar, Himmapán, a floresta mágica, fica em torno do MONTE SUMERÚ. Diz a Tradição que ele é o “Centro do Universo” e, sobre ele, tudo o que existe está apoiado. Em torno do Monte Sumerú só há oceanos de profundidade incalculável e, nas praias que limitam as florestas, com as raízes mergulhadas na água, há árvores gigantescas onde estranhos pássaros fazem ninhos! Um mundo fantástico, fruto da imaginação asiática – tão fértil – que faria inveja ao mais perfeito filme de ficção científica!

Por mais irreal que tudo isso possa parecer, esses seres mitológicos estão presentes no cotidiano de monges e leigos, em todos os locais, não somente templos. Quem desembarca no Aeroporto Swanbhumi, o internacional de Bangkok, passa por uma alameda de seres fantásticos, todos dourados, recepcionando os passageiros. Prestando atenção às fachadas dos prédios, vê-se uma criatura alada, com cabeça de pássaro e corpo humano, acima das portas de muitos edifícios. Então, quem são e o que representam tais criaturas? Vamos ver:

GARUDA: Com seu corpo humano e cabeça de ave de rapina, este ser é considerado como o meio de transporte do deus Vishnú. Os Garudas moram em ninhos no alto das árvores gigantescas que têm as raízes dentro das águas, nas praias limítrofes da Floresta de Himmapan.

O alimento favorito do Garuda é o NÁGA, as serpentes gigantes. Em muitas imagens vemos o Garuda segurando um ou dos Nagas em suas garras.

Até bem pouco tempo, o Rei da Tailândia era considerado como “um deus vivo”, a reencarnação do deus Vishnú. Por causa disto, até hoje todos os bancos estatais e prédios governamentais têm a imagem do Garuda na fachada, como se ele estivesse ali à disposição, esperando para transportar o rei.

A Indonésia, que foi buddhista antes de se tornar majoritariamente muçulmana, também tem muitas imagens do Garuda e este também é o nome das linhas aéreas daquele país.

 NAGAS são serpentes gigantes ou dragões. São vistos em TODOS os templos Theravada! Estão nos jardins, no alto dos telhados ou servindo de lateral para as muitas escadarias dos templos na Tailândia, Camboja, Laos etc.

Alimento principal dos Garudas, que as caçam sem piedade, os Nágas são considerados como protetores do Dharma e gostam do Buddhismo. Diz a Tradição que, quando o Príncipe Siddhartth Gáutam, o futuro Buddha, nasceu, foi levado aos céus por dois Nagas e banhado por eles – um com água quente, outro com água fria. Na foto acima, vemos dois Nagas num templo, junto com a bandeira da Tailândia.

Com toda certeza é a KINNARÍ, corpo de pássaro com tronco e cabeça de mulher, a queridinha do povo tailandês! Encontrada em vários templos famosos, retratada em painéis e murais, ela também é facilmente encontrada nas ruas, nos altos dos postes e segurando luminárias, como na foto ao lado.

Em algumas avenidas famosas de Bangkok, com grande concentração de museus e templos visitados por milhares de turistas, os postes são dourados e, no topo de cada um deles, lá estão as Kinnarís, segurando as luzes!

Nem sempre representado com asas como na foto ao lado, o SINGHA é um leão bastante popular nas figuras mitológicas da floresta. Lamentavelmente, um dos meios mais fáceis de encontrá-lo é nos bares, pois está no rótulo e propagandas de uma cerveja com o nome dele! Aliás, dizem os turistas que a cerveja tailandesa tem um teor alcoólico muito superior ao das européias! Nada bom para um país buddhista onde nem deveria haver bebida alcóolica alguma!

Para terminar, abaixo uma foto com alguns exemplares da “fauna mitológica” da imaginação tradicional buddhista:

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ