Budhabár 2554-09-07

 A todos, Jwajalpa!

empre que perguntamos à maioria dos meninos de comunidades carentes o que querem ser quando crescer, ouviremos a mesma resposta: “jogador de futebol”.

Quando se fala sobre os caminhos para mudarmos para melhor o futuro de nossa nação, é sempre a mesma conversa: esporte e educação como salvação de nossos jovens! Mas, vejamos bem – não é possível que uma nação inteira seja feita somente de atletas, ainda que diversificássemos a formação dos jovens em todas as modalidades esportivas… E, se formos analisar com cuidado os atletas atuais, veremos que há exemplos de cidadania, esforço, dignidade e outros valores, porém, quando focamos na mais cobiçada carreira, a de jogador de futebol, a coisa muda. Atualmente, poucos são exemplos dignos de serem seguidos! A mídia já não se interessa mais pelo tal “Caso Bruno”, Ronaldo já está liberado para fazer o que quiser, pois não joga mais, então, pode beber e fazer quantas farras quiser… O fato é que vemos jogadores semianalfabetos, vindos de comunidades carentes e que só se preocupam em encher os bolsos para comprar carrões, gastar com mulheres e/ou travestis, usar brincos de diamantes e frequentar bailes funk onde são protegidos por “seguranças” com metralhadora. Obviamente não são a maioria, mas um número suficiente para questionarmos se o esporte é realmente a solução mais viável para nossos jovens.

Falando sobre Educação, se isso significa acesso à escola, o problema é maior ainda! Sabemos que a qualidade do ensino em nosso país está muito longe de ser bom. Professores mal formados e pior ainda remunerados, tentam ao máximo transmitir aos alunos algum conhecimento. Como se isso já não fosse lastimável, vivemos numa época em que o terror está presente às salas de aula. Por tudo ou por nada, um aluno é capaz de incendiar as cadeiras, depredar uma sala de aula e, pior que isso, agredir e até matar um professor e até a diretora da escola…Não estamos lidando com casos isolados ou fatalidades, mas de algo cada vez mais comum, em todos os cantos do país!

Podemos ser mais otimistas, alegando que nas escolas particulares, acessíveis à classe mais alta da sociedade, o ensino é muito melhor e esses casos de violência, mais raros. Sim… Pode ser… Mas se o mero acesso a uma educação de qualidade fosse suficiente para formar cidadãos dignos e honrados, não haveria tantos engravatados e “tailleurizadas” enfiando dinheiro nas cuecas e sutiãs… Essas pessoas, acredito eu, tiveram acesso a uma educação de qualidade – pelo menos não lhes faltou dinheiro para que tivessem.

Então, se não é só jogando futebol nem somente através do acesso à escolaridade, como então formar uma sociedade onde haja o mínimo de valores para vivermos nela? A resposta, até onde vai meu entendimento, é: FAMÍLIA!! Nos tempos quase jurássicos em que frequentei a escola, havia matérias como EMC – Educação Moral e Cívica, cantávamos o Hino Nacional antes de começar as aulas – no pátio de colégio, com os alunos todos perfilados e havia inspeção dos uniformes e se os sapatos estavam engraxados! Regime ditatorial? Militarismo? De certa forma sim… Mas o fato é que nunca ninguém atacou um professor durante toda a minha formação escolar… Aprendíamos na escola que “A FAMÍLIA É A CELULA MATER DA SOCIEDADE” – bonito isso, não? Uma verdade cada vez mais decadente e ausente no nosso mundo atual.

Não quero ser retrógrado nem falso moralista, mas o fato é que somente com uma família estável e com bases sólidas se formam filhos e netos com valores verdadeiros. Reconstruir o sistema familiar é uma tarefa dificílima, porque chegamos a um grau de abandono e destruição da instituição familiar que seriam (se houvesse interesse nisso) necessários muitos anos para começarmos a obter bons resultados.

Resgatar a família como bem mais valioso de uma sociedade, exige uma série de esforços, um “ataque por todos os lados”, começando com controle da natalidade, conscientização coletiva da necessidade do uso de preservativos (um planeta com 7 bilhões de habitantes não pode continuar no “Crescei-vos e multiplicai-vos” indiscriminadamente!!). A seriedade – há muito perdida – do compromisso de uma vida a dois tem que ser recuperada urgentemente! Não é possível que os casais continuem se casando após alguns meses de relacionamento, fazendo filhos com menos de um ano vivendo juntos e depois, em casas separadas, convivendo nos fins de semana com os filhos da atual, da ex-esposa, da segunda, terceira e quarta ex-esposas!! Não sei como os filhos modernos conseguem conviver quando visitam seus pais nos fins de semana… Será que sabem ao certo de quem seus meio-irmãos são filhos???

Recentemente, ouvi um diálogo mais ou menos assim, numa novela de audiência nacional: – “Eu não sei se estou preparada para me casar!” dizia a moça cheia de incertezas e a amiga: “Casa!! Casa sim!! Tenta e, se não der certo, você se separa e arranja outra pessoa!”  Esse é o tipo de conselho da melhor amiga, num programa transmitido até para vários países do mundo!!

A ética, a moralidade, a honestidade, o compromisso com a verdade e outras virtudes, vêm de uma família sólida, estruturada, onde haja amor, carinho, confiança mas também haja DISCIPLINA, hierarquia, severidade ao exigir o cumprmento das tarefas! É preciso que os pais estejam presentes, saibam onde os filhos esttão, com quem estão e o que estão fazendo! Tem que haver tempo nas 24 horas do dia para o diálogo, para a conversa franca, para rirem juntos, brincarem juntos e, tudo bem: jogarem vídeo games juntos – pais e filhos.

É inadmissível que os pais só se deem conta de que os filhos estão usando drogas quando eles já se tornaram caso de desintoxicação! É inconcebível que os pais durmam tranquilamente enquanto seus filhos espancam homossexuais na rua ou depredam uma casa noturna…

Uma família sólida forma não somente atletas campeões, mas também cidadãos que jamais roubarão o próprio povo nem serão motivo de escândalo televisivo! O Buddhismo tem todos os elementos necessários para formar famílias de verdade. Sem ser repressor, sem falso moralismo, sem discursos de demagogia irreal! De forma prática, consistente e atual, o Ensinamento do Buddha é perfeito para a formação de uma sociedade ativa, dinâmica, moderna e harmoniosa! Seria ótimo se, através do Universal Dhamma Vihara pudéssemos ser um centro de formação de famílias do futuro. Com certeza essa seria a melhor contribuição a darmos para o nosso país! O convite está feito, desde já. Cabe a cada um de vocês aceitar ou não…

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ