२५५४ ०९ १५ Bihibár 2554-09-15

A todos, Jwajalapá!

ue tal convidar seus amigos mais queridos e especiais para uma (e somente uma!) rodada de NINHO DE ANDORINHA? Sim! Isso mesmo… Literalmente o ninho daqueles passarinhos preto e branco que vemos em bando voando e pousados nos fios elétricos!

Se lhe parece estranho, saiba que é uma iguaria finíssima, cara e digna de ser dada como presente a pessoas muito queridas, em ocasiões especiais… Pelo menos, é o que acontece nas comunidades chinesas do sul da Tailândia, por toda parte da Malásia e, acredito eu, em vários outros locais da Ásia onde haja grupos de chineses, pois é parte da cultura deles crer que os ninhos de andorinha são extremamente saudáveis e, portanto, faz muito bem comê-los.

Provavelmente, você está imaginando um monte de palha e folhas secas, cheio de cocô de passarinho, sendo servido num prato, não é? Não se preocupe, o ninho de andorinha nem ao menos se parece com algo nojento! Na verdade, está muito mais próximo dos nossos conhecidos “fios de ovos”, aquele doce fininho e amarelo que vemos enfeitando alguns bolos e outros doces. Agora, imagine algo no mesmo estilo, pórém, ainda mais fininhos, brancos, transparentes e servidos com uma caldinha, muito sem graça para nossos padrões, já que quase não tem açúcar… Quem pensa que vai comer até se fartar, está enganado, porque o ninho de andorinha vem em doses únicas, dentro de potinhos iguais àqueles que as mães compram nos supermercados, com comida pronta para bebês! Quanto ao preço, é equivalente a uma refeição completa e variada… Na Tailândia, por exemplo, onde os chineses também consomem potinhos de ninho de andorinha, pode-se fazer uma refeição por TB$ 35 (R$1,00 = 18 Baht Tailandês), já um único potinho não sai por menos de TB$ 90 (noventa baht!!).

Mas, onde matar a curiosidade e degustar um ninho de andorinha? Em locais especializados. Tanto na Tailândia quanto na Malásia, é bem fácil encontrar restaurantes exclusivos, que só servem ninhos de andorinha. São sofisticados, decorados com painéis e murais com andorinhas voando, mesas redondas com pequenas colheres e pratinhos de porcelana… Tanto luxo para algo que dura apenas alguns minutos. Certa vez eu e alguns colegas fomos convidados por um leigo a um desses locais. Logo que nos sentamos, o garçom preparou a mesa e, em poucos minutos estávamos despejando em pequenas cumbucas o potinho de ninho de andorinha. Tão rápido quanto fomos servidos, já tínhamos acabado! A operação toda não durou nem 10 minutos! Cheguei a pensar que aquilo era a entrada de uma refeição e fiquei surpreso quando o leigo, muito satisfeito por nos proporcionar tamanha honraria, pagou a conta, nos levantamos e saímos!! Só nos restou agradecer…

Também tive a oportunidade – bastante interessante – de visitar na Malásia a casa de um produtor de ninhos. Assim, pude entender como são extraídos os ninhos de andorinha que são enviados para as fábricas. Por toda parte da Malásia há os criadouros de andorinha. São galpóes de concreto, com vários buracos estratégicos na parede. Por eles as andorinhas entram e constroem seus ninhos. Não me perguntem do que são feitos, porque nunca vi nada parecido! Um ninho de andorinha é pequeno, em forma de cone, branquinho e feito de algo que se parece muito com o casulo do bicho da seda. Imagino que a andorinha produza o material.

No galpão, o proprietário instala uma parafernália de fios e caixas de som e, constantemente toca um CD reproduzindo o pio das andorinhas. Com isso, elas são atraídas e começam a aninhar no local. Há o período certo de recolher os ninhos, que ficam espalhados por todos os cantos, grudados nas paredes e frestas do galpão. Eles são recohidos antes da postura dos ovos e as andorinhas, desnorteadas ao perceberem o sumiço dos ninhos, se apressam em construir outro! Obviamente, esse meio de vida do produtor não é correto, já que causa Dukkha a um ser vivo. Toda forma de ganhar dinheiro às custas da inquietação de outros seres, não está de acordo com o Ensinamento do Buddha.

Algo tão pequeno e leve, exige uma produção enorme para se tornar rentável. Os ninhos de andorinha são vendidos às fábricas e pagos por peso. Conseguir um quilo deles é uma tarefa difícil mas, segundo os produtores, vale uma fortuna e o sonho de todo produtor é conseguir alcançar tal marca.

Para quem não quer ou não pode ir até um restaurante especializado, há embalagens lindas, em caixas de madeira com enfeites dourados, com um ou mais potinhos de ninho de andorinha, que podem ser compradas e presenteadas às pessoas queridas. Alguém se aventura?

Fiquem todos em Paz e protegidos!

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ