A todos, Jwajalapá!


lgumas vezes, na tentativa de sensibilizar as pessoas, expliquei como funciona a manutenção e sobrevivência de um Templo (Vihara) Buddhista, não somente na Ásia, mas em todos os países do mundo onde o Buddhismo já esteja presente. É SOMENTE através de doações que nós monges conseguimos levar adiante nossa missão (nem sempre fácil) de divulgar o Ensinamento (Dharma) do Buddha. É para isto que estudamos, nos preparamos e passamos por tantas dificuldades em um treinamento rígido, com situações muito além do que os ocidentais em geral possam imaginar.

A compensação e reconhecimento é em forma de generosidade, quando os ouvintes, interessados em aprender o Buddhismo, vêm a nós monges e fazem doações, deixando claro que confiam em nossa missão e que nosso esforço não é em vão, ou seja, não estamos “falando para as paredes”. Quando tais doações não ocorrem ou se limitam a dois ou três doadores, que acabam se sacrificando por estarem “carregando nas costas” as despesas para a manutenção do monge, moradia, contas, aluguel, alimentação etc. e, muitas vezes tais pessoas acabam se afastando do Buddhismo, por conta de não mais conseguirem sustentar tal situação… Por outro lado, se diversas pessoas, CONSTANTEMENTE, fazem doações, por menores que sejam, quando somadas, são suficientes para dar a nós monges condições dignas de sustentabilidade.

Por PRECEITO, nós monges não podemos PEDIR ALGO a vocês leigos. Seguindo o Ensinamento do Buddha, só poderíamos pedir qualquer ajuda financeira, abertamente, a nossos pais ou irmãos. No entanto, se algum leigo vem a um monge e pergunta: “Reverendo, o que o senhor está precisando? Quero doar o que lhe for necessário!” Neste caso, o monge pode, dentro dos limites do bom senso e da necessidade real, dizer ao leigo o que ele pode doar.

O casal Claudio e Jeannine, a Sra. Célia Plácido, o Dr. Enio Burgos e o jovem José Antonio Maciel não têm medido esforços para me manter, fazendo doações regulares e vultuosas, o que, com certeza, se tornará por demais oneroso a todos eles e isto me preocupa muito! Como continuam me perguntando o que preciso e o que podem doar, decidi fazer alguns esclarecimentos gerais sobre doações e seus tipos mais comuns, não só para conhecimento dos doadores acima mencionados, mas, principalmente, numa nova tentativa de que mais pessoas, através do exemplo, se unam a eles.

DOAÇÕES FINANCEIRAS POR DEPÓSITO E PESSOALMENTE

1 – O doador pode simplesmente utilizar o sistema PAYPAL do Blog, caso queira utilizar cartão de crédito. Este sistema, considerado prático, vem se mostrando eficiente e seguro.

2 – O doador pode mandar uma mensagem, manifestando sua vontade de fazer uma doação. Eu o encaminho à Sra. Célia Plácido, para detalhes da conta bancária onde o depósito pode ser feito.

3 – Doação pessoalmente, em visita ao Vihara (templo). Por Tradição, não se entrega NUNCA o dinheiro nas mãos de um monge! Qualquer que seja a quantia, deve ser entregue num envelope (geralmente vermelho), fechado. Normalmente, se entrega segurando o envelope com as duas mãos, fazendo “añjalí” (o gesto de “namaste”) após a entrega. Melhor ainda, seria entregar o envelope ao atendente pessoal do monge. É considerado falta de educação e de respeito entregar dinheiro diretamente, sem o envelope.

EM TODOS OS CASOS, A DOAÇÃO PODE SER FEITA DE MODO GERAL, OU, CASO O DOADOR PREFIRA, PODE ESPECIFICAR; “ESTA DOAÇÃO É PARA A COMPRA DISTO OU DAQUILO, OU, ESTOU FAZENDO ESTA DOAÇÃO PARA A COMPRA DE ALIMENTOS, PARA PAGAR A CONTA DE LUZ ETC.

NA ÁSIA, É COMUM QUE OS LEIGOS FAÇAM DOAÇÕES ALÉM DAS COMUNS, NAS DATAS DE ANIVERSÁRIO, DATA DE CASAMENTO, EM MEMÓRIA DE PARENTES FALECIDOS ETC. NESTES CASOS, A RAZÃO ESPECIAL DA DOAÇÃO, PODE SER MENCIONADA E O MONGE FAZ UMA RECITAÇÃO EM PÁLI, TRANSFERINDO MÉRITOS PELA OCASIÃO.

O QUE PODE SER DOADO?

Basicamente, TUDO. O melhor, em caso de doações especiais, é perguntar diretamente ao monge o que ele precisa. Considerando que, como qualquer outra instituição, o Vihara tem as mesmas contas a pagar e despesa mensal de aluguel, é claro que sempre há necessidade de dinheiro para essas despesas. Assim, o doador pode ser generoso e doar especificamente para o pagamento desses compromissos mensais. Como eu disse, se um número certo e constante de pessoas fizesse uma pequena doação mensal, os doadores que agora se sentem sobrecarregados, ficariam mais tranquilos. Por exemplo: se 10 pessoas doassem, na mesma data, apenas R$30, o aluguel do Vihara seria pago! O mesmo poderia acontecer se 30 pessoas doassem mensalmente apenas DEZ REAIS…

Móveis velhos, panelas, panos de prato e outros utensílios também são uma forma de se livrar de coisas que estão sobrando na casa dos leigos e são sempre úteis ao Vihara.

DOAÇÃO DE ALIMENTOS

Para quem mora em “São Chico” ou para pessoas que venham de outras cidades próximas e venham visitar o Vihara, outra alternativa é a doação de alimentos ou dinheiro especificamente destinado para comprá-los.

Já que a culinária do Vihara é basicamente asiática, alguns ítens são sempre muito bem aceitos:

CEBOLA, ALHO, SALSINHA, GENGIBRE, CEBOLINHA, LOURO, PIMENTAS, CURRY, AÇAFRÃO, COENTRO, MOLHO SHOYU, MOSTARDA, CANELA, CRAVO DA ÍNDIA, MOLHO DE TOMATE.

FARINHA DE TRIGO (FAZEMOS PÃO INDIANO E MOMÔ, UM PRATO NEPALÊS), FERMENTO EM PÓ, LENTILHAS, ERVILHA EM LATA, OVOS, FEIJÃO, ARROZ (MUITO CONSUMIDO), COUVE, BRÓCOLIS, COUVE-FLOR, BATATA, BATATA DOCE.

CAFÉ SOLÚVEL, CAIXAS DE LEITE, ERVA CHIMARRÃO, AÇÚCAR


TAMBÉM PRODUTOS DE HIGIENE E DE LIMPEZA SÃO ACEITOS COM TODA GRATIDÃO!

PAPEL HIGIÊNICO, LÂMINAS DE BARBA (PARA A BARBA E RASPAR A CABEÇA), SABONETE, CREME DENTAL ETC.

TAMBÉM A DOAÇÃO EM ESPÉCIE PÁRA A TROCA DO BUTIJÃO DE GÁS DE COZINHA É MUITO NECESSÁRIA.

Como todos podem ver, não é algo absurdo ou caro manter um Vihara, quando há colaboração, união e interesse DE TODOS. Não se trata de despesas caras, mas sim da prática da generosidade e conscientização de que, ao doar algo com regularidade e comprometimento, todos estão praticando a Atenção Plena, o desapego e a virtude da generosidade para o bem comum.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ