A todos, Namaste!

sta estória a seguir, eu ouvi do Venerável amigo Ajahn Brahm, provavelmente o mais famoso monge Theravada ocidental, em uma das palestras dele que tive a honra de participar. É uma estória simples, tipicamente ocidental e que bem poderia acontecer em nosso país, assim como qualquer outro lugar do mundo! Vamos a ela:

“Um casal de meia idade, sempre envolvidos com seus afazeres profissionais, estavam se vendo e se falando cada vez menos! Ao tomarem consciência disso, decidiram que, no dia seguinte, o primeiro que chegasse do trabalho aguardaria a chegada do outro e, juntos, sairiam para um passeio no parque, como há muito tempo não faziam!

No dia seguinte, já estava anoitecendo quando o marido chegou em casa e, pronta, a mulher o aguardava para o tão esperado passeio. Finalmente teriam a oportunidade de caminhar, relaxar e estarem juntos, como nos tempos de namoro!

Abraçados e andando lentamente pelos caminhos do parque, vendo as árvores e arbustos e respirando o ar puro de um anoitecer agradável, os dois estavam felizes até que, do meio do mato saiu um som… “Ouça, querida” – disse o marido – “Há muito tempo eu não ouvia um pato selvagem!”

Surpresa com a afirmação do marido, a mulher retrucou: “Querido, aquilo foi uma galinha!”

– “Claro que não, meu amor, com certeza foi o QUÁ-QUÁ de um pato selvagem!”

– “O som foi CÓ-CÓ e, é claro, que só pode ter sido uma galinha!”

– “Ora! Então você acha que eu não seria capaz de reconhecer o som de um pato???”

– “Talvez não, afinal, você não foi capaz de reconhecer uma galinha cacarejando….”

A discussão foi ficando quente, ambos estavam se exaltando quando ouviram novamente aquele som… Sábia e paciente, a esposa parou, respirou fundo, sorriu e, mesmo certa de ter ouvido pela segunda vez a galinha, disse calmamente: “É, meu amor… Eu estava enganada e você totalmente certo! Realmente é um PATO SELVAGEM!”

Há infinitas coisas mais importantes do que provar a alguém que estamos certos! Discutir é uma forma de combate, no qual a ilusão de que temos um EGO nos leva a forçar os outros a acreditarem no que queremos…

Claro que muitas vezes realmente temos razão e a outra pessoa está errada, mas, especialmente quando se trata daqueles aos quais amamos, abrir mão de nossa razão em função da paz e harmonia é muito mais sábio… Então, da próxima vez que sentir que uma briga está prestes a começar, pensem no PATO e na GALINHA!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ