A todos, Jwajalapá!

m bonito lago, aberto à visitação pública, fica no fundo do templo chinês onde morei dois anos, na cidade de Zhong-Li, Taiwan. Cercado por um belo jardim chinês e, tendo como destaque uma enorme estátua de louça branca da Bodhissátva Kwan Yin, o lago abriga uma grande quantidade de traíras e também muitas, muitas tartarugas da água.

Os tailandeses as chamam de TAO, os chineses de U-GWÊI, os cambojanos as chamam de ANDÁK e os monges do Sri Lanka dizem UBÁ… O fato é que nadam pelas águas escuras e sujas do lago e é comum vê-las andando em terra firme, à procura de um lugar seguro onde porem seus ovos. Chegam a ir bem longe da água, considerando a velocidade de uma tartaruga e o risco de serem pisadas, numa área com bastante movimento!

Nós sempre temos a tendência de vermos as coisas unicamente pelo nosso ponto de vista, guiados por nossos conceitos, motivados por nossas próprias experiências e pelo que rotulamos como certo ou errado! Qualquer coisa fora disso, rejeitamos imediatamente. É esse tipo de visão distorcida e dualista que nos afasta do Nirváña! Se pudéssemos, todos, ver tudo com clareza e sem dualidade, estaríamos há muito tempo iluminados e não mais no Samsara…

Foi exatamente movido pelo conceito dualista (PERIGO X SEGURANÇA) que me deixei levar certo dia, ao sair da aula de chinês e notar, num cantinho do movimentado corredor, uma tartaruguinha, talvez do tamanho de uma moeda de um real! Ela estava caminhando, mas muito longe do lago e, a meu ver, levaria horas, talvez um dia inteiro para alcançar a água! “Cheio de compaixão no coração”, me abaixei, peguei aquela criaturinha tão pequena e, caminhando em direção ao lago, fui conversando com ela: “Pronto! Eu te dou uma carona… Assim, rapidinho você vai estar segura, no lago, sem risco de ser esmagada!”

Cheguei à beira do lago, me abaixei e, com todo cuidado larguei a tartaruguinha dentro da água. Não levou um segundo para uma enorme tartaruga, já de boca aberta, por o pescoço para a superfície e engolir, INTEIRA E SEM MASTIGAR a pequenina que, diante de minha expressão de estupefação, foi devorada…

Mesmo quando tentamos agir com compaixão, nossos conceitos e dualidades são capazes de nos trair!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ