LEITURA DA MENTE

“Com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexível, maleável, estável e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige e a inclina para compreender a mente dos outros seres. Ele compreende as mentes de outros seres, de outras pessoas, abarcando-as com a sua própria mente. Ele compreende uma mente afetada pelo desejo como afetada pelo desejo e uma mente não afetada pelo desejo como não afetada pelo desejo; Ele compreende uma mente afetada pela raiva como afetada pela raiva e uma mente não afetada pela raiva como não afetada pela raiva; Ele compreende uma mente afetada pela delusão como afetada pela delusão e uma mente não afetada pela delusão como não afetada pela delusão; Ele compreende uma mente contraída como contraída e uma mente distraída como distraída; Ele compreende uma mente transcendente como transcendente e uma mente não transcendente como não transcendente; Ele compreende uma mente superável como superável e uma mente não superável como não superável; Ele compreende uma mente concentrada como concentrada e uma mente não concentrada como não concentrada; Ele compreende uma mente libertada como libertada e uma mente não libertada como não libertada.

Tal como um homem ou uma mulher – jovens, plenos de juventude e que apreciam ornamentos – ao verem a imagem do seu próprio rosto num espelho claro e brilhante ou numa tigela com água limpa, saberiam se existe alguma mancha assim: ‘Ali está uma mancha’ ou saberiam se não existe mancha assim: ‘Não há nenhuma mancha’. Da mesma forma – com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexível, maleável, estável e atingindo a imperturbabilidade – o Bhikshú a dirige e a inclina para o conhecimento da consciência de outros seres. Ele compreende as mentes de outros seres, de outras pessoas, abarcando-as com a sua própria mente. Ele compreende uma mente alterada pelo desejo como alterada pelo desejo e uma mente não alterada pelo desejo como não alterada pelo desejo … Ele compreende uma mente libertada como libertada e uma mente não libertada como não libertada.

“Este, também, Grande Rei, é um fruto da vida contemplativa, visível aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

VISÃO DAS VIDAS ANTERIORES

“Com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexível, maleável, estável e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige para o conhecimento da recordação de vidas passadas. Ele se recorda das suas muitas vidas passadas, isto é, um nascimento, dois nascimentos, três nascimentos, quatro, cinco, dez, vinte, trinta, quarenta, cinqüenta, cem, mil, cem mil, muitos KALPAS (ciclos cósmicos) de contração, muitos kalpas de expansão, muitos kalpas de contração e expansão, ‘Lá eu tinha tal nome, pertencia a tal clã, tinha tal aparência. Assim era o meu alimento, assim era a minha experiência de prazer e dor, assim foi o fim da minha vida. Falecendo daquele estado, eu renasci ali. Ali eu também tinha tal nome, pertencia a tal clã, tinha tal aparência. Assim era o meu alimento, assim era a minha experiência de prazer e dor, assim foi o fim da minha vida. Falecendo daquele estado, eu renasci aqui.’ Assim ele se recorda das suas muitas vidas passadas nos seus modos e detalhes.

Tal como se um homem fosse de sua aldeia a uma outra aldeia e dessa a mais uma outra e então, dessa aldeia de volta à aldeia onde mora. Um pensamento lhe ocorreria, ‘Eu fui de minha aldeia para aquela aldeia ali. Ali eu fiquei em pé de tal forma, sentei de tal forma, falei de tal forma e permaneci em silêncio de tal forma. Daquela aldeia, fui para outra aldeia e lá eu fiquei em pé de tal forma, sentei de tal forma, falei de tal forma e permaneci em silêncio de tal forma. Daquela aldeia, voltei para a aldeia onde moro.” Da mesma forma – com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexível, maleável, estável e atingindo a imperturbabilidade – o Bhikshú a dirige para o conhecimento da recordação de vidas passadas Ele se recorda das suas muitas vidas passadas … nos seus modos e detalhes.

“Este, também, grande rei, é um fruto da vida contemplativa, visível aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

O PODER SOBRENATURAL DA VISÃO

“Com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexível, maleável, estável e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige para o conhecimento do falecimento e reaparecimento dos seres. Por meio da visão sobrenatural, que é purificada e ultrapassa o humano, ele vê seres morrendo e renascendo, inferiores e superiores, bonitos e feios, afortunados e desafortunados. Ele compreende como os seres prosseguem de acordo com as suas ações desta forma: ‘Esses seres – dotados de má conduta com o corpo, linguagem e mente, que insultam os nobres, com o entendimento incorreto e realizando ações sob a influência do entendimento incorreto – com a dissolução do corpo, após a morte, renasceram num estado de privação, num destino infeliz, nos reinos inferiores, até mesmo no inferno. Porém estes seres – dotados de boa conduta com o corpo, linguagem e mente, que não insultam os nobres, com o entendimento correto e realizando ações sob a influência do entendimento correto – com a dissolução do corpo, após a morte, renasceram num destino feliz, nas dimensões paralelas mais puras.’ Dessa forma – por meio do poder sobrenatural da visão, que é purificada e ultrapassa o humano, ele vê seres morrendo e renascendo, inferiores e superiores, bonitos e feios, afortunados e desafortunados, e ele compreende como os seres prosseguem de acordo com as suas ações (com a energia do karma que produzem em cada existência).

Tal como se houvesse duas casas com portas e um homem com boa visão parado entre elas visse as pessoas entrando nas casas e saindo, indo e vindo. Da mesma forma – com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexível, maleável, estável, e atingindo a imperturbabilidade – o Bhikshú a dirige para o conhecimento do falecimento e reaparecimento dos seres. Por meio do poder da visão sobrenatural, que é purificado e sobrepuja o humano, ele vê seres falecendo e renascendo, inferiores e superiores, bonitos e feios, afortunados e desafortunados … de acordo com as suas ações.

“Este, também, grande rei, é um fruto da vida contemplativa, visível aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

A ELIMINAÇÃO DAS IMPUREZAS MENTAIS

“Com a sua mente dessa forma concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexível, maleável, estável e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige para o conhecimento do fim das impurezas mentais. Ele compreende, da forma como na verdade é que: ‘Isto é Dukkha’ (todo e qualquer tipo de inquietação mental); ele compreende, da forma como na verdade é que: ‘Esta é a origem de Dukkha ; ele compreende, da forma como na verdade é que: ‘esta é a cessação de Dukkha’; ele compreende, da forma como na verdade é que: ‘este é o caminho que conduz à cessação de Dukkha’; ele compreende, da forma como na verdade é que: ‘essas são impurezas mentais’; ele compreende, da forma como na verdade é que: ‘esta é a origem das impurezas’; ele compreende, da forma como na verdade é que: ‘esta é a cessação das impurezas’; ele compreende, da forma como na verdade é que: ‘este é o caminho que conduz à cessação das impurezas.’ Ao conhecer e ver, a sua mente está livre da impureza do desejo sensual, da impureza da existência, da impureza da ignorância. Quando ela está libertada surge o conhecimento, ‘Libertada.’ Ele compreende que ‘O nascimento foi destruído, a vida do cultivo mental foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, não há mais vir a ser a nenhum estado.’ (atinge-se o Nirváña, nunca mais tornando a renascer).

Tal como se houvesse uma lagoa num vale em uma montanha – clara, límpida e cristalina – em que um homem com boa visão, em pé na margem, pudesse ver conchas, cascalho e seixos e também cardumes de peixes nadando e descansando, isso lhe ocorreria, ‘Esta lagoa tem a água clara, límpida e cristalina. Ali estão aquelas conchas, cascalho e seixos e também aqueles cardumes de peixes nadando e descansando.’ Da mesma forma – com a sua mente dessa forma concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexível, maleável, estável e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige para o conhecimento do fim das impurezas mentais. Ele compreende, da forma como na verdade é que: ‘Isto é Dukkha … Esta é a origem de Dukkha … Esta é a cessação de Dukkha … Este é o caminho que conduz à cessação de Dukkha … Estas são impurezas mentais … Esta é a origem das impurezas … Esta é a cessação das impurezas … Este é o caminho que conduz à cessação das impurezas.’ Ao conhecer e ver, a sua mente está livre da impureza do desejo sensual, da impureza de ser/existir, da impureza da ignorância. Quando ela está libertada surge o conhecimento, ‘Libertada.’ Ele compreende que ‘O nascimento foi destruído, a vida santa foi vivida, o que devia ser feito foi feito, não há mais vir a ser a nenhum estado.’

“Este, também, grande rei, é um fruto da vida contemplativa, visível no aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime. E quanto a outro fruto visível da vida contemplativa, maior e mais sublime do que isto, não existe.”

Quando isto foi dito, o Rei Adjatassáttu disse ao Bhagaván: “Magnífico, Vantê! Magnífico! Como se colocasse em pé o que estava virado, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para alguém perdido, ou segurasse uma lâmpada no escuro de forma que aqueles que possuem olhos possam ver as formas, da mesma forma o Abençoado – através de muitas linhas de argumentação – esclareceu o Dharma. Eu busco refúgio no Abençoado, no Dhamma e na comunidade de Bhikshus. Que o Bhagaván se lembre de mim como o discípulo leigo que tomou Refúgio deste dia em diante para o resto da sua vida.

“Uma transgressão foi cometida por mim, Vantê, em que eu fui tão tolo, tão confuso e tão inábil que matei meu pai – um homem justo, um rei justo – para obter o domínio do reinado. Que o Bhagaván por favor aceite esta confissão da minha transgressão como tal, de forma que eu possa me controlar no futuro.”

“Sim, Grande Rei, uma transgressão foi cometida, em que o Grande Rei foi tão tolo, tão confuso e tão inábil que matou o próprio pai – um homem justo, um rei justo – para obter o domínio do reinado. Porém, porque o Grande Rei vê sua transgressão como tal e faz correções de acordo com o Dharma, nós aceitamos sua confissão. Pois é motivo de crescimento no Dharma e Disciplina dos que praticam a purificação da mente quando, vendo uma transgressão como tal, o praticante faz correções de acordo com o Dharma e pratica a contenção no futuro.”

Quando isto foi dito, o Rei Adjatassáttu disse ao Bhagaván: “Bem, então, Vantê, eu partirei agora. Muitas são minhas tarefas, muitas minhas responsabilidades.”

“Agora é o momento, Grande Rei, faça como julgar adequado.”

Então, o Rei Adjatassáttu, tendo ficado satisfeito e contente com as palavras do Bhagaván, levantou-se do seu assento, fez três prostrações diante do Bhagaván e dando três voltas em torno dele, mantendo-o à sua direita partiu. Não muito tempo depois que ele havia partido, o Bhagaván dirigiu-se aos Bhikshus: “ O rei está derrotado, Bhikshus, a sua sorte está selada. Não tivesse ele matado seu pai – aquele homem justo, aquele rei justo – o olho do Dharma, [ límpido, sem qualquer distorção de visão. teria surgido nele enquanto ele estava sentado neste assento.”

Isso foi o que disse o Bhagaván. Os Bhikshus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Bhagaván!

FIM DO SAMAÑÑAPHALA SUTRA

Assim terminamos mais um Estudo de Sutra neste Blog. Espero que tenha sido útil a alguém. Se pelo menos uma pessoa tiver se beneficiado deste Sutra e seu estudo tiver sido útil para o Cultivo Mental que conduz ao Nirváña, terá sido também válido meu esforço em divulgar este Sutra. Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु
Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ