A todos, Namaste!

esta época de final de ano, a TV costuma exibir diversos filmes bíblicos, narrando a vida de Jesus Cristo. Uns mais próximos do que foi narrado na Bíblia, outros se perdem em supostas “liberdades de adaptação”. O fato é que neles podemos ouvir a mensagem de Jesus e o quanto ela é comparável ao que, 600 anos antes, o Buddha já havia tentado ensinar ao mundo…
“Amai aos vossos inimigos”, “Amai ao próximo como a ti mesmo”, “Não julgueis para não serdes julgados”, são algumas das centenas de mensagens do Cristianismo que os cristãos parecem não se importar em não seguir e até ignorar totalmente, embora continuem se entitulando SEGUIDORES do Cristianismo! Acho que, se alguém se diz botafoguense, flamenguista, colorado, gremista ou qualquer outro time, deve, pelo menos, gostar de futebol, conhecer o time, suas cores e, ainda que seja pela TV, acompanhar os jogos do time. Então, por quê seria diferente com a prática de um ensinamento religioso? Como as pessoas podem se entitular algo que desconhecem ou nem ao menos tentam praticar? Também me parece estranho que alguém se diga “Sou GRENAL” ou “Torço pelo Flamengo e Fluminense”. Como então conseguem conviver bem com a idéia de misturar diferentes ensinamentos?? Isso não é coerente!
No Buddhismo, infelizmente, as coisas não ficam muito atrás do posicionamento dos colegas cristãos… Já conversei com pessoas que se aproximaram de mim, se dizendo buddhistas, enquanto saboreavam um copo de chopp!! Outras não conseguem formar uma frase inteira sem pelo menos um palavrão!! Mas se entitulam buddhistas, porque acham que esses “meros detalhes” sobre purificação mental podem ser dispensados! Assim, enquanto é para recitar “om mani padme hum” de vez em quando, ler livro do Dalai Lama e andar com “rosário buddhista” pendurado no pescoço, tudo bem! Claro que também acendem incenso pra imagem do Buddha (mesmo que seja aquele gordão que NUNCA foi realmente buddha!). Mas, quando se trata de seguir os Cinco Treinamentos da Atenção Plena, que são indispensáveis para quem quer seguir o que o Buddha ensinou, daí nem sabem quais são ou, se já os leram em algum lugar, não se preocuparam em torná-los um guia de suas vidas.
A coisa piora ainda mais quando se fala em estudar e praticar os Sutras, praticar a generosidade mantendo um Grupo Buddhista ou Templo e praticar a Atenção Plena… Quando lembradas de tais práticas, as pessoas parecem até se ofender, como se estivessem sendo convidadas a fazerem algo ilícito, pornográfico ou patético! Pulam fora tão rápido que até me lembram dos meus tempos de “rato de praia”, em Copacabana quando, descalço, eu pisava no asfalto escaldante e, rapidamente buscava a sombra de uma árvore!
Praticar seriamente um ensinamento, não é nada fácil. Simplesmente dizer que é isso ou aquilo não necessariamente é coerente com o que a Religião ou Ensinamento querem realmente dizer!  Sinceramente, eu admiro os “ateus de carteirinha” porque, pelo menos, não mentem para si mesmos, que é o pior tipo de mentira.
Seria bom que, nesta passagem de ano, menos “cristãos” pulassem sete ondinhas. Seria bom que deixassem apenas para os seguidores das Religiões Afro-brasileiras as oferendas para Iemanjá. Se não perdessem tempo com tolices como sementes de romã, nota de dólar na carteira e tantas outras infantilidades…
Os que se dizem buddhistas, poderiam dedicar pelo menos alguns minutos da passagem de ano para cultivarem a mente, desenvolvendo a Atenção Plena, conscientes da respiração, conscientes do MOMENTO PRESENTE, o único que realmente temos como REAL.
Nada além do cultivo mental vai nos trazer um futuro melhor… Nem as roupas brancas, menos ainda o borbulhar dos espumantes. Um ano novo melhor ou pior está diretamente ligado ao que NÓS FIZERMOS por nós mesmos. Somente assim seremos coerentes com nossa prática e, por conseguinte, coerentes com o que esperamos do futuro – nosso e de nosso planeta!
Fiquem todos em Paz e protegidos!