A todos, Namaste!

Na Tailândia, principalmente na área rural, é comum encontrarmos muitos búfalos. Enormes, muito fortes e lentos, são iguais aos encontrados na Ilha de Marajó, já que, também lá, são originários da Índia.
As casas dos agricultores, plantadores de arroz, são de madeira, construídas sobre quatro grandes pilastras e é no vão debaixo da casa que costumam deixar os búfalos, quando não estão trabalhando. Assim, todo dia, ainda de madrugada, o agricultor se levanta, se prepara, desce da casa e, amarrando uma corda à argola que o búfalo tem no nariz, o puxa para os campos alagados, onde cultivam o arroz. Chova ou faça sol, com o frio e neblina do inverno ou com o calor tropical, a mesma rotina se repete durante o ano todo! Obviamente, o búfalo acaba entendendo que todo dia fará as mesmas coisas, porém, continua esperando ser puxado para o trabalho e, se o dono não o puxar, permanecerá imóvel debaixo da casa! Se o dono adoecer ou até morrer, o animal continuará lá, até que a fome o motive a andar e buscar comida…
Quando comecei a dar aulas de inglês no Templo-escola onde morei e conheci meu filho Kauan, os alunos tinham que ser chamados para a sala de aula. Lerdos e sonolentos, levavam muitos minutos para se sentar… Daí, esqueciam seus cadernos, ou os livros, ou os lápis e, até que fossem aos dormitórios apanhar o material e voltassem, muitos minutos se perdiam. Quando, finalmente, estavam prontos para começar a aula, adormeciam na carteira ou passavam a aula toda bocejando! Logo, minha vontade de lecionar e meu entusiasmo por estar fazendo algo útil a todos foram vencidos pela indolência dos noviços e, irritado, eu os comparei aos búfalos, que têm que ser puxados para trabalhar ou só se movem quando açoitados!
Chamar os noviços de búfalos foi motivo de grande irritação no templo! A tal ponto que fui chamado para explicações ao diretor da escola que me disse: “Venerável Sunanthô… Sei que os noviços são lerdos e insubordinados… Entendo que não seja fácil para o Venerável, como ocidental, dar aula a eles! Pode bater neles com a vara, ou dar bofetadas neles, como fazemos sempre… Porém, o Venerável não deve insultá-los verbalmente! Chamar um noviço de búfalo é uma grande ofensa que o Venerável não deve repetir!”
Hoje em dia, no Brasil, venho me esforçando para divulgar o Buddhismo. As pessoas ouvem (ou parecem ouvir) o Ensinamento do Buddha. Sabem (ou deveriam saber) que é algo importante, precioso, liberador, que devem praticar todos os dias e, somente colaborando com quem transmite o Ensinamento, poderão continuar usufruindo dele… Mesmo assim, parecem não se sentir motivadas, não demonstram a menor intenção de se movimentar!
A cada semana, o monge tem que mandar mensagens, lembrando, incentivando, tentando motivar para que interajam, que participem, que se mobilizem… Fica a sensação de que, se por um único mês eu não mandar mensagem alguma, será o bastante para que se esqueçam de mim e nunca mais pratiquem nada, ou, talvez, simplesmente procurem outro monge, lamá ou coisa parecida que as guiem, sem nem ao menos notarem minha ausência…
É impossível que não me venha à memória a imagem do búfalo tailandês, imóvel, debaixo da casa, esperando pelo agricultor para arrastá-lo para algo que ele está cansado de saber que deve ser feito! Meus caros, JANEIRO já chega quase à metade… Quantos de vocês estão realmente dispostos a fazer com que seja um ano diferenciado dos demais que já viveram? Quantos já conseguiram ao menos COMEÇAR a realizar as promessas feitas ao estourar dos fogos??? O quê cada um de vocês realmente pretende realizar neste ano e onde o Buddhismo vai se encaixar nele, se é que realmente estão preocupados com isto?
Não se trata aqui de “dar bronca” em quem quer que seja, muito menos estou sendo injusto com os que continuam fazendo doações! O grande problema é que ainda são as mesmas pessoas, sobrecarregadas e já desanimando de “carregar nas costas o piano” que no caso se chama Sunanthô! Sem que haja a devida importância na vida de vocês para minha missão no Brasil, realmente é melhor que ela seja “abortada” evitando o fracasso… Mas o momento divisor de águas é este! A hora de ver quem é quem e com quem pode-se REALMENTE contar. Caso contrário, estarei com um problema disfarçado, como uma doença que se espalha silenciosa pelo corpo até que seja tarde demais para curá-la.
Realísticamente falando, os búfalos são tailandeses, mas nada têm a ver com o Buddhismo… Fiquem todos em Paz e protegidos!

Vantê SUNANTHÔ