A todos, Namastê!

ada mais natural que haja bastante dúvidas quando alguém, aqui no Brasil, tente se referir a um monge buddhista… Num país basicamente cristão, tradicionalmente católico, lidar com uma cultura tão distante e diferente da que as pessoas estão acostumadas, é realmente confuso!

Quando ando pelas ruas de “São Chico” ou mesmo nas raras ocasiões em que vou ao Rio de Janeiro, é comum ser abordado por pessoas, que se dirigem a mim de vários modos. Umas dizem: “Buddha”, posso falar com você? – É realmente estranho e chega a ser engraçado. É como se alguém se aproximasse de um padre e perguntasse: “Jesus Cristo, posso falar com você?” Eu sempre procuro esclarecer que sou SEGUIDOR do Buddha e apenas um monge, muito longe de me tornar como ele.

Há pessoas que se dirigem a mim como “Seu monge”. Bem… Nada mais natural, já que para um sacerdote católico, provavelmente usariam “Seu padre”. Sendo uma respeitosa questão de referencial, eu apenas sorrio e dou ouvidos a quem está me interpelando.

Sempre que me perguntam: “O senhor é um LAMÁ TIBETANO?” Minha resposta é: “Não! Sou um monge buddhista.” Isto porque não somente não sou tibetano, sou brasileiro, como também minha ordenação monástica não foi através das Tradições Tibetanas e sim THERAVÁDA, portanto, não seria correto me chamarem de LAMÁ…

BHANTÊ (se pronuncia B’hantêêê) é uma palavra em língua Páli, significando “Venerável Ser” ou “Venerável Senhor”. É o termo mais correto, dentro da Tradição à qual pertenço e mesmo entre nós monges, chamamos uns aos outros por este termo, nunca usando somente o nome da pessoa.

Já a pronúncia VANTÊ, é a forma simplificada, na pronúncia do povo do Nepal, onde o BH é substituído por V. Portanto, Bhantê e Vantê são exatamente a mesma coisa, variando somente a pronúncia.

Venerável é um termo pouco comum na língua portuguesa, onde os brasileiros costumam demonstrar muito pouco respeito, não poupando da informalidade nem mesmo o presidente da república e outras autoridades. Portanto, não é de se esperar que alguém me chame de “venerável” e mesmo que acontecesse, eu não me sentiria à vontade com o termo. Em geral, só sou “venerável” fora do Brasil, onde passo a ser até “Your Most Venerable” – Venerabilíssimo, na tradução direta…rsrsr

“Mestre” é uma palavra que carrega consigo um comprometimento muito intenso! Ser chamado de Mestre, implica que a pessoa segue meus ensinamentos, me tem como um Guru, um orientador. Somente alguém que tenha a sincera intenção e confiança em outra pessoa deveria chamá-la de Mestre! Não sendo este o caso, não acho apropriado que alguém me chame assim, deixando o termo para pessoas muito mais elevadas, como o Buddha ou Jesus Cristo! Realmente não me considero próximo deles o suficiente para ser chamado de Mestre!

Assim, esperando que esteja claro o modo como posso ser chamado sem achar engraçado, estranho ou indigno de mim, sugiro que os seguidores do Buddhismo me chamem de VANTÊ, mantendo o termo usado na Ásia, Europa e América. Para os não-buddhistas, “monge” ou “seu monge”, são suficientes, já que um é o que realmente sou – um monge, e o segundo remonta à velha forma do brasileiro se referir a um sacerdote, aplicando a expressão ao Buddhismo!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ