A todos, Namastê!

É impossível não ser rotulado de “careta”, “chato”, “estraga prazer” e outros rótulos impublicáveis, quando alguém fala mal do Carnaval. Mas, também seria pedir para ser rotulado de “omisso” e “desinteressado” se um orientador de qualquer forma de cultivo mental deixasse de se manifestar sobre essa ocasião. Isto porque o Carnaval, principalmente no Brasil, onde é considerado “a maior festa popular do planeta”, é o oposto a tudo aquilo que as Religiões, Seitas e Ensinamentos pregam, visando o desenvolvimento da moralidade, ética e virtudes do Ser Humano.

Na ótica buddhista, já que não pretendo ser o porta-voz de todas as crenças, o Buddha nos ensinou a contenção de nossas vontades, a moderação e controle de nossas emoções, à luz da realidade da vida, sem ilusões, sem exageros nem devaneios, porque só a mente habilidosamente treinada e contida, empenhada no cultivo das virtudes, é capaz de nos conduzir à felicidade verdadeira e, em última instância, ao Estado Mental do Nirváña. Pois bem, o Carnaval, como eu disse, é exatamente o contrário de tudo o que o Buddha aconselhou e, com tanta paciência e compaixão, se dedicou a nos ensinar! É como se, de repente, se abrissem os portões do descontrole, da anarquia, da imoralidade, da libertinagem e todos os demais obstáculos mentais que impedem a purificação da mente humana fugissem. Abertos esses portões, as pessoas vêm correndo abraçar as delícias das proibições, agora libertas… De repente, todo tipo de loucura se torna, por alguns dias, permitido. Assim, não é de se admirar que urinem nas ruas, que mostrem seus corpos, abusando da sensualidade, liberando seus instintos sexuais, entregando-se ao excesso de bebida.

Como consequência natural, vemos o aumento dos acidentes de trânsito, dos crimes passionais, das brigas nas ruas, o excesso de internações hospitalares por causa da violência e consumo de álcool e outras drogas… Enfim, um descontrole – generalizado e oficializado pelas autoridades do país.

Inegavelmente, essa baderna generalizada atrai uma grande quantidade de turistas, que geram renda para as grandes capitais, lotando os hotéis e bares e, só isto já justificaria que os governantes defendam “com unhas e dentes” a perpetuação do Carnaval. Então, se jamais vai acabar, não há como lutar contra ele! A mim, portanto, resta apenas tentar orientar as poucas pessoas de bom senso, para que evitem excessos, não se deixem levar pelos perigos das delícias ilusórias do mundo, com seus prazeres enganosos. Se há tantos dias de feriado, nos quais as pessoas podem parar de trabalhar e diminuírem a correria de seus dias, elas deveriam aproveitar para buscar lugares mais isolados onde pudessem desfrutar do convívio familiar, em paz e silêncio, usando o tempo de folga para coisas nobres, puras e serenas, em vez de chafurdarem nas impurezas, muitas vezes sem nem saberem onde estão seus filhos nem o que estão fazendo.

Seria muito bom se, após o Carnaval, a TV desse a notícia de que, neste ano, houve um aumento de pessoas que passaram este período em Retiros, seja lá de que Religião ou Ensinamento for! Eu ficaria realmente contente se mais e mais pessoas aproveitassem o Carnaval para, em família, buscarem a Meditação e o Estudo do Dharma. Por mais utópico que isso pareça, com certeza, não é impossível! Fiquem todos em Paz e protegidos – se possível, longe do Carnaval!

भन्ते सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ