A todos, Namastê!

 m resposta à pergunta: “Na ótica do Buddhismo, como é encarado o Sofrimento?” vem sendo veiculada num poderoso canal de TV a seguinte resposta: “No Buddhismo, o sofrimento é chamado de Duhka, é A FELICIDADE CÍCLICA…”

“DUHKA” em Sânscrito, ou DUKKHA, o equivalente em língua Páli, falada pelo Buddha, NUNCA foi felicidade, nem cíclica nem de outro modo qualquer! Tampouco devemos traduzir o termo como “sofrimento”, porque Dukkha é muito mais amplo e profundo do que sofrimento (vejam matéria de minha autoria, no Blog).

Dukkha é a primeira das Quatro Nobres Verdades, o coração, o alicerce do Ensinamento Buddhista (também no Blog). Portanto, quando o Buddha declarou que “Tudo no Universo foi, é ou será DUKKHA”, ele não estava se referindo à “felicidade cíclica”, mas sim à INQUIETAÇÃO MENTAL, o que é exatamente o oposto!

Chama-se SUKHA os momentos de felicidade, a trégua, a alegria momentânea que vai e vem, intercalada com Dukkha. Quando nossa mente está calma, despreocupada, aproveitando belos momentos em família, apreciando a natureza ou aproveitando a alegria de receber uma boa notícia, estar recuperado de uma doença grave… Enfim, tudo isso é SUKHA. A isto, sim, podemos chamar de “felicidade cíclica”, porque sabemos que tal sentimento é temporário, não é permanente e, logo logo teremos Dukkha de volta em nossas vidas. Considerando que Dukkha vai desde uma simples dor de barriga durante a madrugada até a morte súbita de uma pessoa amada, podemos constatar que há mais Dukkha do que Sukha em nossa rotina, portanto, chamar Dukkha de “felicidade cíclica”, demonstra falta de conhecimento em língua Páli, do Ensinamento verdadeiro deixado pelo Buddha ou, pior ainda: dos dois.

Espero que esteja clara a diferença entre Dukkha e Sukha. Caso contrário, estou à disposição para maiores explicações! Fiquem todos em Paz e protegidos!

भन्ते सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ