A todos, Namastê!

ARAHANT? ARHAT? BODHISSATTVA? BODHISSATTA?

 

RAHAN SAMMASAMBUDDHÔ BHAGAWÁ BUDDHAM, BHAGAWANTAM, ABHIWATÊMI

– É assim que começa todo Púja (ritual ou cerimônia) na Tradição Theravada. A tradução é: “Esse Homem totalmente Iluminado, o que se tornou um buddha sem auxílio de ninguém, totalmente preenchido pela energia do bom karma, ao Buddha eu faço prostrações em respeitoso agradecimento.”

Arahant, a primeira palavra da Recitação, portanto, significa – em língua Páli, usada pelo próprio Buddha – uma pessoa que atingiu o Estado Mental do Nirváña, a Iluminação completa, um BUDDHA. A palavra “Arhat” é o equivalente em Sânscrito, a língua indiana usada no Hinduísmo e também no Buddhismo Mahayana, que surgiu muitos anos após a morte do Buddha. Portanto, um “Arahant” é uma pessoa que, após praticar virtudes e cultivar a Purificação Mental, finalmente atingiu a Iluminação completa, total e irreversível, tornando-se um buddha, tal como aconteceu com o Príncipe Siddhartth Gáutam.

Podemos dizer, então, que um Arahant tem a mente do Nirváña, mas tal mente iluminada ainda está “presa” a um corpo físico, que, como toda matéria, está sujeita a dores, doenças, frio, calor, fome, sede, envelhecimento e todo tipo de dificuldades, desconforto etc. Porém, a grande diferença e que, para um Arahant, nada disso causa inquietação mental. Por já ser um iluminado, o Arahant, embora vivendo entre nós, neste mundo, não mais se altera com coisa alguma: nem boa nem ruim, porque a mente iluminada é livre e desprovida de qualquer conceito!

Na época do Buddha, muitos dos monges que conviveram com ele eram Arahants, totalmente iluminados e com mentes capazes de entender plenamente todos os fenômenos do Universo, sem que isso causasse neles qualquer tipo de alteração, qualquer tipo de inquietação mental! Para nós, que ainda temos um longo caminho a percorrer, isso parece quase impossível, quase inacreditável, mas é assim o fenômeno da Iluminação, ou seja, atingir o Estado Mental de Nirváña.

Mas, então, o que vem a ser o tal BÔDHISSATTVA? A palavra BÔDHI (o “o” é sempre fechado e longo!!), vem do radical “bôdh”, o mesmo de “buddha”, significando “Sabedoria”. “Sattva” é a palavra para “ser vivo”, pessoa ou criatura. Portanto, Bôdhissattva é uma pessoa que tem Sabedoria. O termo “Bôdhissatta” é exatamente a mesma coisa, porém em Língua Páli, usada na Tradição Theravada.

Assim, qualquer pessoa que pratique o cultivo mental, que desenvolva as virtudes nobres de um ser humano digno, é, em maior ou menor grau de desenvolvimento, um Bôdhissattva! Vocês leitores, são Bôdhissattvas, eu sou Bôdhissattva, a Venerável Monja Coen e S.S. o Dalai Lamá são Bôdhissattvas e o mendigo da esquina, se realmente cultivar virtudes, também está no time dos Bôdhissattvas!

Acho que até aqui, está tudo bem definido e esclarecido, não é? Muito bem! Só que, para complicar as coisas, o Buddhismo Mahayana (todas as Tradições que não são Theravada) interpretou errado isso tudo e inverteu o nome das coisas… No Mahayana se ensina que Arahant é alguém que não está iluminado, sendo, portanto, “menos” que Bôdhissattva. Para complicar ainda mais a situação, criaram vários seres imaginários: Bôdhissattva da Compaixão, da Sabedoria, da Luz Infinita e tantos outros, num panteão de Bôdhissattvas quase igual aos santos da Igreja Católica ou as divindades do Hinduísmo!

Para o ser humano, que já vive à procura de figuras superiores às quais adorar, transferir a culpa por seus fracassos e encher de pedidos, isso é uma invenção perfeita e bastante conveniente, porém, nada tem a ver com o que o Buddha realmente nos ensinou: “Tudo depende unicamente de nosso próprio esforço e de nenhuma força superior externa!”

Quanto aos Veneráveis Arahants – Ven. Shariputra, Ven. Maudgalyalyana, Ven. Mahá Kashyapa e tantos outros monges totalmente Iluminados que conviveram com o Buddha e eram líderes da Comunidade Monástica (Mahá Sangha), o Buddhismo Mahayana os trata como se fossem pessoas normais, na busca da Iluminação, inferiores aos Bôdhissattvas, do modo como esse tipo de Buddhismo os conceitua.

O objetivo de um buddhista seguidor do Ensinamento Original do Buddha, ou seja, da Tradição Theravada, é se tornar um ARAHANT, um Iluminado em vida, aguardando apenas a morte física, para nunca mais renascer de forma alguma. Já o ensinamento Mahayana, prega que devemos nos tornar Bôdhissattvas e, uma vez atingido este objetivo, teremos que “atrasar” nossa própria Iluminação, em função de salvar todos os seres e, só então, alcançarmos o Estado Mental do Nirváña. Eu, através de tantos anos de estudo e vivência do Buddhismo em suas várias formas, continuo certo de que a Tradição Theravada é o Caminho que o Buddha nos deixou explicado e claro. Cabe a cada um investigar e decidir o que acha correto.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

 भन्ते सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ