A todos, Namastê!

 

costumadas às Religiões cristãs, na maioria encumbidas da árdua missão de converter pessoas às suas doutrinas, transformando-as em novos seguidores, muitas pessoas não conseguem entender como isso não ocorre no Buddhismo. O fato é que o Buddha NUNCA teve a intenção de “fazer a cabeça” de ninguém. Aliás, nem ao menos queria estar sempre acompanhado por uma multidão de seguidores – muito pelo contrário!

Às pessoas que, com sinceridade e confiança absoluta que queriam ser ensinadas, o Mestre, com toda paciência e compaixão, transmitia Ensinamentos. Se, em algum momento, o ouvinte mudasse de ideia ou, após algum tempo, se desviasse do Caminho e não buscasse ajuda, o Buddha simplesmente o ignorava, jamais foi atrás de alguém, pedindo para a pessoa voltar a segui-lo…

O Sutra abaixo mostra claramente esse posicionamento que é a postura correta de nós monges, como herdeiros diretos do Ensinamento do Buddha e protetores da mensagem dele. O texto deixa claro que não temos a missão, muito menos obrigação de sair por aí, tentando salvar pessoas a qualquer custo! No Buddhismo, nossa tarefa é de cuidar bem de nós mesmos, dando o melhor exemplo que pudermos. Se, com isto, atrairmos outras pessoas, interessadas em nos ouvir e serem orientadas por nós – EXCELENTE! Nada tem que ser feito além disso. Vamos ao Sutra…

 

AN 4.111

Kessí Sutra

O Ensinamento para Kessí,

o Domador de Cavalos

Traduzido para o Português em Linguagem Simples

e com explicações entre parênteses

Por Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

Assim me foi transmitido oralmente. Certa ocasião, Kessí, o domador de cavalos, foi até o Bhagaván e, ao encontrá-lo, fez três prostrações em respeito e sentou-se na posição respeitosa. O Bhagaván então disse a ele: “Você, Kessí, é um domador de cavalos, um homem treinado, capaz de domar cavalos que podem ser treinados. Então, como você treina um cavalo que pode ser treinado?”

 “Vantê, eu treino um cavalo que pode ser treinado, às vezes com gentileza, às vezes com rigidez, às vezes com ambos – gentileza e rigidez.”

 “E se um cavalo que pode ser treinado não se submete nem a um treinamento gentil nem a um treinamento rígido, nem a um treinamento gentil e rígido ao mesmo tempo, Kessí, o que você faz?”

 “Se um cavalo que pode ser treinado não se submete nem a um treinamento gentil nem a um treinamento rígido, nem a um treinamento gentil e rígido ao mesmo tempo, Vantê, eu o mato. Por quê faço isso? Eu, penso assim: “Não deixarei que isso se torne uma desgraça para minha linhagem de treinadores.” Mas o Bhagaván, Vantê, é um excelente treinador de pessoas que podem ser treinadas. Como Vantê treina uma pessoa que pode ser treinada?”

“Kesi, eu treino uma pessoa que pode ser treinada, às vezes com gentileza, às vezes com rigidez, às vezes com ambos – gentileza e rigidez.”

“Kessí, ao usar a gentileza, eu ensino: “Assim é a boa conduta do corpo. Assim é o resultado da boa conduta do corpo. Assim é a boa conduta verbal. Assim é o resultado da boa conduta verbal. Assim é a boa conduta da mente. Assim é o resultado da boa conduta da mente. Assim são os Dêvas (seres renascidos em dimensões paralelas à nossa). Assim são os seres humanos.”

 “Ao usar a rigidez, eu ensino: “Assim é a má conduta do corpo. Assim é o resultado da má conduta do corpo. Assim é a má conduta verbal. Assim é o resultado da má conduta verbal. Assim é a má conduta da mente. Assim é o resultado da má conduta da mente. Assim é o inferno. Assim é o renascimento no ventre de um animal. Assim é o Reino das Sombras Famintas.”

 “Ao usar a gentileza e a rigidez, eu ensino: “Assim é boa conduta do corpo. Assim é o resultado da boa conduta do corpo. Assim é a má conduta do corpo. Assim é o resultado da má conduta do corpo. Assim é a boa conduta verbal. Assim é o resultado da boa conduta verbal. Assim é a má conduta verbal. Assim é o resultado da má conduta verbal. Assim é a boa conduta da mente. Assim é o resultado da boa conduta da mente. Assim é a má conduta da mente. Assim é o resultado da má conduta da mente. Assim são os Dêvas. Assim são os seres humanos. Assim é o inferno. Assim é o renascimento no ventre de um animal. Assim é o Reino das Sombras Famintas.”

 “E se uma pessoa que pode ser treinada, não se submete nem ao treinamento gentil nem ao treinamento rígido, o que Vantê faz?”

“Se uma pessoa que pode ser treinada, não se submete nem ao treinamento gentil nem ao treinamento rígido, então, EU A MATO, Kessí.”

 “Mas não é permitido ao Bhagaván tirar vidas! E, ainda assim, o Bhagaván diz que mata a pessoa.”

 “É verdade, Kessí, que ao Tathágata (título que o Buddha usava para si mesmo) não é permitido tirar vidas. Mas, se uma pessoa que pode ser treinada, não se submete nem ao treinamento com gentileza, nem ao treinamento com rigidez, então, o Tathágata passa a tratá-la como alguém que não vale a pena que se diga nada, nem repreenda. Este é o significado de totalmente destruir alguém no Dharma (Ensinamento do Buddha) e na Disciplina. Quando o Tathágata considera que alguém não vale a pena nem que se diga algo nem que se repreenda, também os amigos dessa pessoa passam a vê-la desta forma: não vale a pena falar com ela nem repreendê-la.”

 “Sim, Vantê, a pessoa seria totalmente destruída se o Tathágata a considerasse como alguém que não vale a pena falar nem repreender e os amigos e pessoas que a cercam, pensariam do mesmo modo.”

 “Magnífico, Vantê! Magnífico! Como se alguém desvirasse algo que estava de cabeça para baixo, ou revelasse o que estava oculto, mostrasse o caminho para alguém que estava perdido ou carregasse uma lamparina para alguém que estava na escuridão para que os olhos possam ver as formas, do mesmo modo, o Bhagaván – através de muitas linhas de raciocínio – tornou o Dharma claro. Eu vou para o Bhagaván como refúgio, para o Dharma e para a Mahá Sangha (a Comunidade de Monges Buddhistas). Possa o Bhagaván sempre se lembrar de mim como um seguidor que o tem como refúgio, de agora até o fim de minha vida.”

भन्ते सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ