A todos, Namastê!

o início do Buddhismo, ou seja, no tempo em que o Buddha ainda estava vivo e as pessoas conviviam com ele, não havia templos, nem Centros de Buddhismo ou qualquer local formal onde se fizesse reuniões. Embora muita gente já praticasse à distância, simplesmente por ter ouvido os Ensinamentos e, muitas delas nunca tinham visto o Buddha, a maior parte dos praticantes tinha convívio com ele. Assim, tinham a magnífica e única experiência de se beneficiarem do Ensinamento diretamente do Mestre.

O Buddha SEMPRE fez questão de dizer que não devemos acreditar em absolutamente nada sem antes termos certeza de que é aplicável e totalmente real na vida prática. Portanto, tudo aquilo que ele dizia, devia ser analisado pelos ouvintes, experimentado por eles no dia a dia e, somente depois de totalmente certos de que o Ensinamento realmente valia na prática, o aceitavam. Então, em momento algum o Buddha iludiu seus ouvintes, muito menos exigiu deles a perigosa “Fé cega”, onde o seguidor simplesmente segue uma doutrina onde tem que acreditar em coisas que não podem ser comprovadas.

Há 2555 anos, o Buddha MORREU. Não vai mais voltar, não nos ouve, não atende preces, não faz milagres, não tem nada mais a dizer ou fazer pela Humanidade. Tudo o que tinha a ensinar, nos foi deixado como herança. Os protetores de tais Ensinamentos, somos nós monges buddhistas – poucos são considerados iluminados (?), alguns são brilhantes e com imenso cultivo mental, outros nem tanto (é o meu caso) e, como em qualquer atividade humana, há também grande quantidade de picaretas, oportunistas e “metidos a espertos”, para se valerem da ingenuidade dos seguidores em busca de fama e enriquecimento ilícito. Enfim, o fato é que, para aprender e praticar Buddhismo, na ausência do Buddha, o método continua sendo o mesmo: conviver com um monge, na qualidade de “transmissor oficial” da Mensagem do Buddha, ouvir, questionar SEMPRE, aplicar no cotidiano e, somente então, se beneficiar do Ensinamento. Não há outro modo!

Claro que muita gente vai dizer que nós monges não somos necessários, afinal, atualmente a internet está cheia de material buddhista e, felizmente, muitas livrarias têm livros buddhistas. Muito bem… Seria tolice tentar negar isso, mas, igualmente tolice é sair de casa e sair comprando livros ou entrar em uma Lan House e simplesmente usar o Google como “mestre de Buddhismo”, esperando que ele lhe sirva de monge substituto! Seria como deixar uma criança numa sala, cercada de livros de todas as matérias e níveis didáticos e achar que, com isso, ela não precisa nunca mais ir à escola, porque já pode ler tudo o que precisa para sua educação!

A internet, com certeza, é muito útil e tem uma grande quantidade de material – inclusive este meu Blog – mas ainda é o velho e tradicional método do Buddha a melhor e mais segura forma de praticar o Buddhismo. Portanto, as pessoas interessadas (não as curiosas e especuladoras) devem dedicar um certo tempo semanal – ainda que seja uma vez por semana – para se reunirem em torno de um monge, ouvirem o Ensinamento, estudarem a fundo. Em seguida, devem estar alertas para a comprovação do que estudaram, para a veracidade dos fatos em suas vidas e, somente assim, se sentirão motivadas para continuarem praticando. Tudo o que lerem nos livros ou na internet, que não puder ser confirmado, pode ser chamado de crendice, superstição, fé cega ou até picaretagem e, consequentemente, pode e DEVE ser descartado!

É importante ressaltar que o Buddha NUNCA incentivou o misticismo, a devoção, a veneração de coisa alguma. Portanto, quanto mais realista e objetiva for a prática, maior a chance de alcançarmos o objetivo. E qual é o objetivo de praticar o Buddhismo? – Nos livrarmos de tudo o que nos deixa inquietos! Nos libertar de um milhão de coisas que nos incomoda, de modo gradativo, nada ansioso, FELIZ e sem pressa, porém, com muita DISCIPLINA e comprometimento com os princípios da prática, conforme nos foram deixados pelo Buddha.

Quanto mais o praticante se sentar com outras pessoas e interagir com o monge, questionando, investigando, ouvindo e conversando, mais fácil será seu desenvolvimento no Caminho que o Buddha nos mostrou. Inversamente, quanto mais afastado do convívio com outros buddhistas e do monge, quanto mais se sentir como dono da verdade, desprezando a oportunidade de estar em um grupo de prática, por achar que só ler livros é o bastante, mais cansativa e desestimulante será a caminhada.

Estudo contínuo, investigação constante, questionamento e interação com o monge e, claro, a prática das virtudes – compaixão, amor incondicional por todos os seres, paciência, desapego às coisas materiais, aos conceitos e sentimentos egoístas, equanimidade e alegria de praticar o bem – como agentes purificadores mentais, juntamente com a continuidade da MEDITAÇÃO, a fim de fortalecer todas as outras etapas da prática. Ser buddhista é estar de bem com a vida, é ser educado no modo de tratar todos os seres, usando palavras boas e evitando a linguagem vulgar e suja. O praticante do Buddhismo não tira, intencionalmente, a vida de outros seres vivos. Tampouco se apropria do que não lhe foi dado pelo dono.

Um verdadeiro buddhista, não se envolve sexualmente com outras pessoas, quando já assumiu com alguém um compromisso de vida a dois. Também não faz uso de linguagem vulgar, suja, ilusiva, agressiva ou simplesmente desnecessária e inconveniente, afinal, um buddhista verdadeiro sabe que, se não ha nada de importante a ser dito, é sábio manter o silêncio e a observação do que acontece em torno de nós!

O verdadeiro buddhista não consome drogas, não ingere nenhuma substância que altere o estado puro da mente, porque já compreendeu e aceitou para si mesmo o fato inegável de que somente quando em estado puro e natural a mente está alerta, atenta e, assim, não comete atos tolos, pelos quais terá que responder quando voltar ao seu estado normal.

Quem segue este método, com confiança, alegria de viver, certeza de estar trilhando o Caminho certo e ajudado por companheiros de prática, só tem a se beneficiar com o Buddhismo e, assim, sempre estará beneficiando, também, a todos os seres do planeta.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

भन्थो सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÙ

“Ninguém tem tão pouco a ponto de não poder doar nada. Toda e qualquer doação é fundamental para a continuidade de minha missão no Brasil – informe-se sobre como colaborar.”