A todos, Namaste!

Iniciamos o estudo deste Sutra, no qual um Bhikshú (monge buddhista) chamado Arittha, declara a seus colegas que o Buddha está equivocado ao afirmar que é impossível ser monge e continuar apegado aos prazeres deste mundo. Segundo Arittha, com sua visão distorcida dos Ensinamentos, os prazeres sensuais não dificultam o cultivo mental.

Após tentarem, inutilmente, mudar a opinião de Arittha, os monges decidem levar o caso ao Buddha. Assim, com base na visão errada daquele monge, o Bhagaván começa a usar uma série de símiles (comparações) para reforçar a importância de entender corretamente o Ensinamento, sem distorções e sem fé cega, mas através da prática na vida diária. Vamos ao Sutra, lembrando que BUDDHISMO É QUESTIONAMENTO, AVERIGUAÇÃO, INVESTIGAÇÃO. ESTUDAR UM SUTRA É, NECESSARIAMENTE, PERGUNTAR, COMENTAR E INTERAGIR COM O MONGE QUE O ESTÁ TRANSMITINDO.

Majjhima Nikaya 22

Alagaddúpama Sutra

O Ensinamento da Símile da Cobra

Traduzido para o Português em Linguagem Simples,

com explicações entre parênteses e comentário

Por Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

 Assim me foi transmitido oralmente (एवं मया श्रुतम्).

  

m certa ocasião uma idéia perniciosa havia surgido na mente de um Bhikshú (monge buddhista) chamado Arittha, que antes havia sido um matador de abutres: “Da forma como eu entendo o Dharma (Ensinamento do Buddha) ensinado pelo Bhagaván, aquelas coisas que o Bhagaván chama de obstruções (que atrazam o cultivo mental) não são capazes de obstruir alguém que se ocupa com elas.”

Outros Bhikshús, ao saberem disso, foram até o Bhikshú Arittha e perguntaram: “Amigo (Ávussô, em Língua Páli) Arittha, é verdade que essa idéia perniciosa surgiu na sua mente?”

“Exatamente, amigos. Da forma como eu entendo o Dharma (Ensinamento do Buddha) ensinado pelo Bhagaván, aquelas coisas que o Bhagaván chama de obstruções não são capazes de obstruir alguém que se ocupa com elas.”

Então aqueles Bhikshús, na tentativa de que ele mudasse de idéia, o pressionaram, questionaram e examinaram da seguinte maneira: “Amigo Arittha, não diga isto. Não deturpe as palavras do Bhagaván; não é bom deturpar o Ensinamento do Bhagaván. O Bhagaván jamais teria dito tal coisa. Porque, várias vezes o Bhagaván declarou como as coisas obstrutivas são obstruções, e como elas são capazes de obstruir quem se ocupa com elas. O Bhagaván ensinou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile do osso o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental (DUKKHA, em língua Páli – veja matérias no Blog), muito desespero e quanto perigo contêm.  Com o símile do pedaço de carne  o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da tocha de capim   o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da cova de carvão em brasa  o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile dos sonhos o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm.  Com o símile das mercadorias emprestadas o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da árvore cheia de frutos o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm.  Com o símile do matadouro o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm.  Com o símile da espada o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da cabeça da cobra, o Bhagaván declarou como os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm.

Mesmo tendo sido pressionado, questionado e examinado, o Bhikshú Arittha, anteriormente um matador de abutres, ainda assim, obstinadamente manteve sua idéia perniciosa e continuou insistindo nela.

Visto que os Bhikshús não conseguiram fazer com que ele se livrasse dessa idéia perniciosa, se dirigiram ao Bhagaván e depois de demonstrarem respeito, fazendo três prostrações, sentaram a um lado e relataram o que havia ocorrido: “Vantê (Venerável Senhor), visto que não conseguimos fazer com que o Bhikshú Arittha, anteriormente um matador de abutres, se livrasse dessa idéia perniciosa,  estamos reportando este assunto ao Bhagaván.”

Então o Bhagaván falou assim a um dos Bhikshús: “Venha, Bhikshú, diga em meu nome, ao Bhikshú Arittha, anteriormente um matador de abutres, que o Mestre o chama.” “Sim, Vantê,” ele respondeu e foi até o Bhikshú Arittha e lhe disse: “O Mestre o chama, amigo Arittha.”

“Sim, Amigo,” respondeu, foi até o Bhagaván e após demonstrar respeito, fazendo três prostrações, sentou a um lado. O Bhagaván então lhe perguntou: “Arittha, é verdade que a seguinte idéia perniciosa surgiu em você: ‘Da forma como entendo o Dharma (Ensinamento do Buddha) ensinado pelo Bhagaván, aquelas coisas que o Bhagaván chama de obstruções do cultivo mental não são capazes de obstruir alguém que se ocupa com elas?’

“Exatamente, Vantê. Do modo como entendo o Dharma (Ensinamento do Buddha) ensinado pelo Bhagaván, aquelas coisas que o Bhagaván chama de obstruções não são capazes de obstruir alguém que se ocupa com elas.”

 “Homem tolo, para quem você me viu ensinar o Dharma (Ensinamento do Buddha) dessa forma? Homem tolo, várias vezes não declarei como as coisas obstrutivas são obstruções, e como elas são capazes de obstruir quem se ocupa com elas? Declarei que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile do osso o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo  contêm.  Com o símile do pedaço de carne  o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da tocha de capim o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da cova de carvão em brasa  o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile dos sonhos o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm.  Com o símile das mercadorias emprestadas o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Com o símile da árvore cheia de frutos o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm.  Com o símile do matadouro o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm.  Com o símile da espada o Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo eles contêm .Com o símile da cabeça da cobra, o Bhagaván declarou como os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo eles contêm. Mas você, homem tolo, deturpou o Ensinamento com o seu entendimento incorreto, causou prejuízo para si mesmo e acumulou muito mau karma; pois isto lhe causará dano e inquietação mental por um longo tempo.” 

Então, o Bhagaván falou assim aos Bhikshús: “Bhikshús, o que vocês pensam? Este Bhikshú Arittha, anteriormente um matador de abutres, foi capaz de demonstrar alguma Sabedoria sobre este Dharma (Ensinamento do Buddha) e Disciplina?

“Como poderia ele, Vantê? Não, Vantê.”

Quando isto foi dito, o Bhikshú Arittha, anteriormente um matador de abutres, permaneceu sentado em silêncio, consternado, com os ombros caídos e a cabeça baixa, deprimido e sem saber o que dizer. Então, vendo isso, o Bhagaván lhe disse: “Homem tolo, você será reconhecido por sua própria idéia perniciosa. Eu questionarei os Bhikshús sobre este assunto.”

 O Bhagaván falou assim aos Bhikshús: “Bhikshús, vocês compreendem o Dharma que eu ensino da mesma forma como este Bhikshú Arittha compreende, deturpando com o seu entendimento incorreto e causando dano para si mesmo e acumulando muito mau karma?”

“Não, Vantê. Pois diversas vezes o Bhagaván declarou como as coisas obstrutivas são obstruções, e como elas são capazes de obstruir quem se ocupa com elas. O Bhagaván declarou que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm.”

“Muito bem Bhikshús. É bom que compreendam dessa forma o Dharma que eu ensino. Pois em muitos discursos declarei como as coisas obstrutivas são obstruções, e como são capazes de obstruir quem se ocupa com elas. Declarei que os prazeres sensuais trazem pouca gratificação, muita inquietação mental, muito desespero e quanto perigo contêm. Mas este Bhikshú Arittha deturpa o Ensinamento, com o seu entendimento incorreto e causa prejuízo para si mesmo, acumulando muito mau karma; pois isso levará esse homem tolo ao dano e inquietação mental duradouros.”

“Bhikshús, que alguém possa se ocupar com prazeres sensuais sem ter desejos sensuais, sem a percepção de desejos sensuais, sem pensamentos de desejos sensuais – isso é impossível.” (O Buddha afirma que as pessoas não podem conviver com prazeres e desejos do corpo sem se envolverem emocionalmente com eles. A única maneira de não se deixar envolver é se afastando deles.)

O símile da Cobra

 “Aqui Bhikshús, homens tolos aprendem o Dharma  – resumos, prosa e verso, análises, versos, exclamações, símiles, histórias de vidas passadas, eventos maravilhosos, perguntas e respostas – mas tendo aprendido, examinam seu significado usando de Sabedoria.Não examinando o significado desse Ensinamentos com Sabedoria, não o aceitam através da reflexão. Ao invés disso, aprendem o Dharma somente com o propósito de criticar os outros e de se saírem vitoriosos em discussões e não experimentam o benefício pelo qual aprenderam o Dharma. Esses Ensinamentos, tendo sido aprendidos da forma incorreta, conduzem ao dano e inquietação mental (Dukkha) duradouros.

“Imagine um homem que precisa de uma cobra, procura uma cobra, anda em busca de uma cobra, vê uma cobra grande e a agarra da forma correta pelo tronco ou pela cauda. Ela o ataca mordendo a mão, braço, ou qualquer outra parte do corpo e por causa disso ele vai morrer ou se ferir gravemente. Por que isso? Porque agarrou a cobra da maneira incorreta. Da mesma forma, homens tolos aprendem o Dharma somente com o propósito de criticar os outros e de se saírem vitoriosos em discussões e não experimentam o benefício pelo qual aprenderam o Dharma. Esses Ensinamentos, tendo sido aprendidos da forma incorreta, conduzem ao dano e inquietação mental por muito tempo.

“Aqui Bhikshús, alguns membros de um clã aprendem o Dharma  – resumos, prosa e verso, análises, versos, exclamações, símiles, histórias de vidas passadas, eventos maravilhosos, perguntas e respostas – e o tendo aprendido, examinam seu significado usando de Sabedoria.  Agindo assim, os aceitam através da reflexão. Não aprendem o Dharma a fim de criticar os outros e de se saírem vitoriosos em discussões, eles experimentam o benefício pelo qual aprenderam o Dharma. Esses Ensinamentos, tendo sido aprendidos da forma correta, conduzem ao benefício e felicidade duradouros.

“Imagine um homem que precisa de uma cobra, procura uma cobra, anda em busca de uma cobra, vê uma cobra grande e a agarra da forma correta com uma forquilha, a agarra da forma correta, pelo pescoço. Então, mesmo que ela enrole o seu tronco em volta da sua mão, braço, ou qualquer outra parte do corpo, ele não vai morrer nem se ferir gravemente. Por que isso? Porque agarrou a cobra da maneira correta. Do mesmo modo, membros de um clã aprendem o Dharma – resumos, prosa e verso, análises, versos, exclamações, símiles, histórias de vidas passadas, eventos maravilhosos, perguntas e respostas – e tendo aprendido o Dharma, examinam seu significado usando de Sabedoria. Agindo assim, os aceitam através da reflexão (NÃO EXISTE fé cega no Buddhismo!! Só aceitamos aquilo que pode ser comprovado em nossa vida diária!!). Não aprendem o Dharma a fim de criticar os outros e de se saírem vitoriosos em discussões, testam na vida diária o benefício pelo qual o aprenderam. Esses Ensinamentos, tendo sido aprendidos da forma correta, conduzem ao benefício e felicidade duradouros.

Portanto Bhikshús, quando entenderem o significado do Dharma que eu ensino, lembrem-se dele da forma correta; e quando não entenderem o significado, então perguntem a mim ou aos Bhikshús que são Sábios. (os monges já iluminados)

 

MEU COMENTÁRIO: O monge (bhikshú) Arittha achava que é possível viver a vida monástica sem abandonar os prazeres sensuais: música, dança, sexo, bebidas intoxicantes etc. Pensando dessa maneira errada, certamente estava divulgando, através de ensinamento e do mau exemplo, um buddhismo errado e diferente do que o Buddha nos ensinou. Com isto, estava pondo em risco a missão do Buddha, prejudicando não só a si próprio, mas também a todo o Dharma.

Infelizmente, há muitos “Aritthas” por aí e as pessoas, inadvertidamente, os seguem e até os chamam de iluminados, deliciando-se com as tolices que eles ensinam em nome do Buddha. É preciso muita cautela e discernimento antes de chamar alguém de mestre!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

भन्ते सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

(CONTINUANDO O ESTUDO DESTE SUTRA, NA PRÓXIMA MATÉRIA VEREMOS A SÍMILE DA BALSA ATRAVESSANDO UMA CORRENTEZA)

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