A todos, Namaste!

Antes de começar a ler, aconselho a leitura da matéria imediatamente anterior a esta.

Bhadantācariya Buddhaghoṣa – se pronuncia “buddhag´hôssa”(em Tailandês: พระพุทธโฆษาจารย์,  Chinês: 覺音)foi um monge indiano do século V, da Tradição Theravada, catedrático e comentarista das Escrituras Buddhistas. Seu trabalho mais famoso é o Vissuddhimagga, o Caminho da Purificação, uma análise do Ensinamento (Dharma) do Buddha, segundo a Tradição Theravada.

Até o século XII, a interpretação do Ven. Buddhaghosa foi considerada como o mais perfeito e verdadeiro estudo do Buddhismo e muitas pessoas até hoje o consideram um Iluminado e não admitem qualquer crítica a respeito dele ou de sua obra.

Na opinião do Ven. Buddhaghosa, que nunca havia sido contestada, os sucessivos renascimentos, aos quais todos os seres prisioneiros do Samsara (a Roda da Existência) estão sujeitos, têm como fator determinante o mau karma praticado nas vidas anteriores. Durante esta vida presente, o mau karma novamente determina nosso destino na vida seguinte e assim sucessivamente. Isto permaneceu inquestionável, uma verdade absoluta, da qual nenhum monge jamais resolveu questionar e, se algum chegou a discordar, certamente permaneceu em silêncio – por respeito ou, mais provavelmente, por medo!

A “verdade absoluta” do Ven. Buddhaghosa prevaleceu até o século XX, quando um monge, também Theravada, porém da Tailândia, despertou para a realidade do Ensinamento do Buddha e, de modo totalmente revolucionário, causou um escândalo nos meios tradicionais monásticos. Seu nome era Venerável Buddhadasa (se pronuncia “buddha-dássa) Bhikkhu (Tailandês: พุทธทาสภิกขุ, 27 de Maio, 1906 – 25 de Maio, 1993).

O Ven. Buddhadasa, sem medo da opinião e ataque dos tradicionalistas, afirmou o seguinte: “Não sei, nem me interessa saber se Buddhaghosa foi um Iluminado. O que posso afirmar é que o ponto de vista dele sobre o renascimento, está totalmente errado!” Obviamente, tal declaração chocou a todos e não faltaram protestos contra o Ven. Buddhadasa.

A base para defender seu ponto de vista era simples: Se renascêssemos por causa do karma cometido na vida anterior – da qual não nos lembramos – e, após esta vida, no nascimento seguinte, também não nos lembraremos do karma que cometemos nesta vida, como poderemos, então, nos libertar do Samsara? Se fosse do modo como Buddhagosa explicou, seria impossível realmente cultivarmos a mente a ponto de atingirmos a Iluminação!

O Ven. Buddhadasa estudou a fundo todos os Sutras no qual o Buddha explica a Lei da Originação Dependente – PRATITYASSAMYUTPÁDA. Ele verificou que o karma é produzido toda vez que há contato DESATENTO entre uma ou mais das Seis Portas dos Sentidos (tato, olfato, paladar, visão, audição e mente) com um ou mais de seus respectivos objetos: corpo físico ou pele, aromas e maus cheiros, gostos bons ou ruins, imagens e objetos bonitos ou repulsivos, sons agradáveis ou barulhos e lembranças, memórias e formações mentais que nossa mente acumula.

Toda vez que, sem usarmos de Atenção Plena e Sabedoria, nos deixamos envolver emocionalmente por qualquer um desses contatos, formamos APEGO  tanto ao bom contato, quanto AVERSÃO a ele. Se o contato foi bom, queremos mais e mais… Se foi ruim, queremos que aquilo nunca mais se repita e mantemos em nossa mente um conceito de rejeição ou até ódio pelo objeto do contato. Assim se forma o KARMA.

É entendendo isso profundamente e cultivando a Atenção Plena e a Sabedoria que, segundo o Ven. Buddhadasa, somos capazes de ADMINISTRAR nossa formação ou não de karma e, somente desta forma, podemos determinar que tipo de renascimento teremos após esta vida, caso não sejamos capazes de nos Iluminar nesta mesma existência.

Quanto mais neutros forem nossos contatos das Portas dos Sentidos com seus respectivos Objetos dos Sentidos, menor será a formação de karma, portanto, mais fácil se tornará a Purificação Mental. Foi isto que o Buddha quis dizer, quando afirmou: “Quem vê Pratityassamyutpáda, vê o Dharma e quem vê o Dharma, vê Pratityassamyutpáda!”

Certa vez, o Ven. Ánanda, que era primo, cunhado e Assistente Pessoal do Buddha disse uma de suas muitas tolices (ele ainda não era Iluminado!): “Mestre, Pratityassamyutpáda é um tema fácil de entender e superficial!”  O Buddha imediatamente o repreendeu: “Ánanda! Ánanda! NUNCA MAIS repita esta tolice! Pratityassamyutpáda é O CORAÇÃO do Ensinamento do Buddha! Se pelo menos poucas pessoas pudessem entender na profundidade este Ensinamento, já seria de grande benefício para o mundo!”

Esta matéria apresenta apenas o histórico de Pratityassamyutpáda em sua interpretação verdadeira, que devemos ao Ven. Buddhadasa. Se não fosse por ele, ainda estaríamos estagnados, mergulhados na escuridão do conceito errado do Ven. Buddhaghosa, que devemos ver com compaixão e demonstrar gratidão e respeito, pelo grande trabalho que fez pelo Buddhismo, mesmo que tenha sido infeliz em seu ponto de vista sobre a Lei da Originação Dependente.

Minha intenção é, desde que não fique “falando com as paredes virtuais deste Blog”, dar continuidade ao Estudo de Pratityassamyutpáda, com traduções dos demais Sutras onde o Buddha o menciona e explicações detalhadas, baseadas na obra do Ven. Buddhadasa. Entendam por ESTUDO, no entanto, o debate, questionamento INTERESSADO, envio de comentários e perguntas e não o silêncio que faz surgir a dúvida desanimadora se as pessoas sequer estão lendo a matéria. Espero, assim, poder beneficiar ao maior número possível de interessados mas, se apenas alguns poucos puderem me dar atenção, já terá sido recompensado o meu esforço.

Abaixo, o primeiro Sutra tratando deste tema:

 

SN 12.2

Pratityassamyutpáda-vibhanga Sutra

 Análise da Originação Dependente

Traduzido do Páli para o Inglês, pelo Ven. Thanissarô Bhikshú

Traduzido do Inglês para o Português, em Linguagem Simples

 e Com Explicações

Por Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

 

“Assim me foi transmitido oralmente.” Certa ocasião, o Bhagaván (o Buddha) estava passando um tempo em Shrásvatthi. Então, ele falou aos Bhikshús (monges buddhistas): “Bhikshús, eu vou descrever e analisar a Originação Dependente (Pratityassamyutpáda, em Sânscrito) para vocês.”

“E o que é a Originação Dependente? Tendo a ignorância como condição obrigatória, surge o renascer (tornar a ser). A partir do renascer como requesito, forma-se a consciência (não é alma!!). Tendo a consciência como condição obrigatória, surgem o nome e a forma (física). Tendo nome e forma física como condições obrigatórias, surgem as Seis Portas dos Sentidos (tato, olfato, paladar, visão, audição e mente). Tendo as Seis Portas dos Sentidos como condição obrigatória, surge o contato (com seus respectivos objetos). Tendo o contato como condição obrigatória, surge o sentimento. Tendo o sentimento como condição obrigatória, surge o apego. Do apego como condição obrigatória, surge a delonga em deixar ir. Tendo a delonga em deixar ir como condição obrigatória, surge a existência. Tendo a existência como condição obrigatória, surge o nascimento. Tendo o nascimento como condição obrigatória, são inevitáveis o envelhecimento e morte, tristeza, lamentação, dor, estresse e desespero. Assim é a origem de toda massa de estresse e inquietação mental.

“Agora, o que são o envelhecimento e a morte? O que quer que envelheça, se torne decrépito, envergue, perca a cor, enrugue, decline em força, enfraqueça as faculdades nos vários tipos de seres deste ou de qualquer outro grupo de seres vivos, a isto se chama envelhecimento. O que quer que deixe de viver, parta desta vida, se quebre, desapareça, esteja morrendo, morra, complete seu tempo, desfaça os elementos agregados que o mantêm vivo, perca a força física, interrompa as faculdades de vida de qualquer grupo de seres vivos, a isto chamamos de morte”

E o que é nascer? O que quer que surja, passe a ser, ganhe vida, descenda de algo, se torne, continue a existir, passe a agregar elementos vitais, adquira as Seis Portas dos Sentidos, nos vários grupos de seres vivos, a isto chamamos de nascer.

E o que é passar a existir? Estes três, são passar a existir? O passar a existir da sensualidade, o passar a existir da forma e o passar a existir que não tem forma. A estes, chamamos de passar a ser.

E o que é delonga em deixar ir? A estas quatro, chamamos de delonga em deixar ir: Delonga em deixar ir a sensualidade, delonga em deixar ir os pontos de vista, delonga em deixar ir os Preceitos e Práticas e a delonga em deixar ir o falso conceito de eu existe um “Eu”. A estas quatro, chamamos de delonga em deixar ir.

E o que é apego? Há seis tipos de apego: apego à forma física, apego aos sons, apego aos aromas, apego ao paladar, apego às sensações táteis, apego às idéias. A estes, chamamos de apego.

E o que é sentimento? Há seis tipos de sentimento: Sentimento surgido do contato visual, sentimento surgido do contato auditivo, sentimento surgido do contato olfativo, sentimento surgido do contato lingual, sentimento surgido do contato físico, sentimento surgido do contato mental. A estes seis, chamamos de sentimento.

E o que é contato? Há seis tipos de contato: contato visual, contato auditivo, contato nasal, contato lingual, contato físico e contato mental. A estes seis, chamamos de contato.

E o que são as Seis Portas dos Sentidos? Há seis Portas dos Sentidos: A Porta dos Sentidos do Olho, a Porta dos Sentidos do Ouvido, a Porta dos Sentidos do Nariz, a Porta dos Sentidos da Língua, a Porta dos Sentidos do Corpo (ou da Pele) e a Porta dos Sentidos da Mente (que controla as outras cinco). Estas são as chamadas Seis Portas dos Sentidos.

E o que são o nome e a forma? Sentimento, Percepção, Intenção, Contato e Atenção – a isto se chama nome. Os Quatro Grandes Elementos (que compõem todos os corpos físicos: água, terra, fogo e ar) e a forma física que depende dos Quatro Grandes Elementos – a isto se chama forma. A estes, chamamos de nome e forma.

E o que é a consciência? Há seis tipos de consciência: Consciência do Olho, Consciência do Ouvido, Consciência do Nariz, Consciência da Língua, Consciência do Corpo (ou da Pele) e Consciência da Mente. A estas, chamamos de consciência.

E o que é o renascer? Estes três, são renascer: Renascer físico, renascer verbal, renascer mental. A estes três, chamamos de renascer.

E o que é a ignorância? Não conhecer a inquietação mental, não conhecer a origem da inquietação mental, não conhecer a cessação da inquietação mental, não conhecer a prática do Caminho que conduz à inquietação mental. A isto, chamamos de ignorância. (Aqui, o Buddha se refere exatamente aos que não conhecem ou não praticam as Quatro Nobres Verdades e o termo “inquietação mental” é DUKKHA. Estes são os ignorantes)

Agora, com a decadência e cessação desta mesma ignorância, vem a cessação do renascer. Da cessação do renascer, vem a cessação da consciência. Da cessação da consciência, vem a cessação do nome e forma. Da cessação do nome e forma, vem a cessação das Seis Portas dos Sentidos. Da cessação das Seis Portas dos Sentidos, vem a cessação do contato (com seus respectivos objetos). Com a cessação do contato, vem a cessação do sentimento. Com a cessação do sentimento, vem a cessação do apego. Com a cessação do apego, vem a cessação da delonga em deixar ir. Com a cessação da delonga em deixar ir, vem a cessação do tornar a ser. Com a cessação do tornar a ser, vem a cessação do renascimento. Com a cessação do renascimento, vem a cessação do envelhecer e morrer, tristeza, lamentação, dor, estresse, desespero – todos cessam. Assim é a cessação da inteira massa de estresse e inquietação mental (Dukkha).

Fim do Pratityassamyutpáda Vibhanga Sutra

 Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

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