A todos, Namaste!

 

ala-se muito, dentro do Buddhismo, na figura do BODHISSATTVA, praticantes do Ensinamento do Buddha que, ao estarem prontos para atingirem a Iluminação, por vontade própria, abrem mão de se tornarem definitivamente buddhas, optando por ajudarem a todos os seres do Universo e, até que o último deles se ilumine, não querem libertar-se da prisão do ciclo de renascimentos, atingindo o Estado Mental de Nirvana!

Muito nobre, poético e inspirador mas, desde meu primeiro contato com o Buddhismo, nunca acreditei nisso e, de modo prático e realista, acho que, se já foi possível algum dia, no mundo moderno e voraz em que vivemos isso é cada vez mais utópico!

Prefiro crer em Bodhissáttvas modernos, palpáveis, encontráveis e visíveis ao longo de nossa caminhada por este mundo, reais e não utópicos. Estes sim, são exemplos, são inspiradores, são incentivadores e o que podemos chamar de KALIYÁNA MITTRA, que significa – Companheiro Sincero de Jornada, o amigo que nos fortalece através de seu bom exemplo.

Há muitos tipos de generosidade. Várias formas de doação. Há quem doe alimentos, outros podem doar medicamentos, poucos são os que doam dinheiro e, mais raros ainda são os que doam TEMPO e FORÇA FÍSICA, no reino do capitalismo onde “tempo é dinheiro” e o maior esforço físico que as pessoas fazem é “apertar teclas de computador”… É por estas razões que me impressionaram muito, nesse período que tenho estado preocupado com a construção de meu pequeno Vihara, as atitudes de dois cidadãos gaúchos, o Prof. RODRIGO CAMBARÁ e o Sr. JÚLIO STELMACH. Eles não são buddhistas. Não são meus amigos de longa data, aliás, nem me conhecem bem! Poderiam até mesmo duvidar de meu caráter ou de minha personalidade mas, sem cobrar absolutamente NADA de mim, nem ao menos um “obrigado”, de repente, os vi totalmente entregues ao trabalho de preparar o terreno onde será erguido o Vihara!

Correndo atrás da documentação necessária, fazendo tudo rigorosamente dentro da lei, subindo em árvores, cortando galhos, replantando xaxins que foram carregados em seus ombros, “se transformando” em mudas de árvores que já foram doadas para replantio. Fazendo de graça e sem qualquer interesse oculto, o que muita gente não faria nem recebendo um bom dinheiro!

Inútil e lerdo diante de tanta atividade, enquanto suavam suas camisas, resolvi observa-los e tirar alguma lição buddhista que pudesse servir aos outros, em minha missão monástica de transmitir a Mensagem do Buddha. Foi assim que me veio à mente: Não é essa a característica do Bodhissáttva? Doar-se em benefício da Iluminação alheia, sem esperar nada em troca? Não é isso que se espera de tais seres, aptos a se tornarem Iluminados?

De repente, quando mais precisei de ajuda, quando mais estive sozinho diante de situações com as quais não lidei antes – nunca tive que construir uma casa, numa terra ainda nova para mim – a vida aqui é bastante diferente da que tinha em Copacabana – aparecem duas criaturas incrivelmente boas e generosas, surgidas sabe-se lá de onde, para me ajudar tanto, tão rápido e tão desinteressadamente!

É grande a generosidade de doar alimentos. Também a de doar medicamentos e, com certeza é muito generoso quem doa dinheiro! Mas, quem doa seu precioso tempo (e foram muitas horas doadas!) e a força física, para a construção de um local de Paz, de harmonia e Sabedoria, onde muitas gerações “da gauchada” poderá se beneficiar dos Ensinamentos do Buddha, alcança um mérito incalculável, a energia positiva de um bom karma de imenso valor, pelo qual não tenho palavras para expressar minha gratidão! Seja o próprio Caminho ao longo da vida o portador do agradecimento pela generosidade de vocês, Prof. Rodrigo Cambará e Sr. Júlio Stelmach. Enquanto monge, só tenho a dizer três palavras, no modo da Tradição Theravada agradecer: “Sádhu! Sádhu! Sádhu!” (Eu entendo que é bom para mim e, por isso, recebo!)

Fiquem em Paz e protegidos!

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ