A todos, Namaste!

 

proxima-se, cada vez mais, a data em que São Chico terá seu Vihara – Templo Buddhista. É uma novidade não somente na cidade, mas, principalmente, na cultura local e, portanto, muito natural que alguns olhem com desconfiança, outros com temor e, a grande maioria com curiosidade.

Longe de ser uma cidade com contato com o Buddhismo, a população tem total direito de receber esclarecimentos e orientação sobre o que veio se instalar nela. Com base nisto, hoje vou falar sobre a interdependência entre um monge e as pessoas que se propõem a receber dele os Ensinamentos do Buddha, aos quais chamamos de DHARMA.

Desde que o Buddha idealizou a formação de uma Comunidade de Monges, começando por seus Cinco Primeiros Seguidores, ele pensou na prática do desapego aos bens materiais, na humildade e na total dependência da ajuda das pessoas que o quisessem ouvir. Assim, decidiu que, tanto ele quanto todos os que se tornassem monges, seriam BHIKSHÚS. O termo BHIKSHÚ, que acompanha meu nome, significa “aquele que mendiga o próprio alimento”. Portanto, o próprio Buddha determinou que sua Comunidade seria de MONGES QUE MENDIGAM ALIMENTO.

Na Ásia, assim como em TODOS os países onde o Buddhismo original (a Tradição que eu pratico) está presente, as pessoas interessadas em aprender e seguir o Dharma, aos poucos passam a entender como funciona esta coisa de MENDIGAR ALIMENTO e que relação elas têm com isso.

Monges não devem trabalhar. Por mais estranho que isso possa parecer, é assim que nós monges vivemos há quase 3.000 anos! Quando um monge não trabalha, ele se torna totalmente dependente da generosidade dos outros. Ele não produz renda para se manter, portanto, não pode se entregar ao consumismo, ao luxo, às vontades e desejos que a mente cria pelas coisas atraentes do mundo! Ao contrário, ele tem que receber de coração tudo aquilo que lhe for doado, sem reclamar, sem pedir nada, sem desenvolver preferências, limitando-se a aceitar com humildade e mantendo em mente que as pessoas se esforçaram para lhe dar algo que, portanto, deve ser bem aproveitado, cuidado e nunca desperdiçado!

Ao mesmo tempo, nós monges devemos sempre ter em mente o seguinte posicionamento: “Esta pessoa veio aqui me doar algo. Isto é porque ela confia na minha vida monástica. Ela espera que eu continue sendo um bom monge, seguindo uma vida simples e sem ostentação. Portanto, eu tenho o DEVER de me esforçar cada vez mais para ajudar as pessoas, mantendo atualizados meus conhecimentos sobre Buddhismo, para sempre ser humilde, grato e capacitado para continuar minha missão!”

Tudo o que nós monges recebemos, estamos prontos para retribuir através de ENSINAMENTOS. Assim, as pessoas que doam coisas a nós, não estão DANDO ESMOLA, nem “sustentando vagabundo” mas sim realizando uma troca, mantendo uma interdependência! O Dharma, o Ensinamento do Buddha, é precioso, de valor incalculável e inegociável. Portanto, quem doa a nós monges, está, antes de mais nada, praticando o DESAPEGO dos bens materiais, criando méritos para si próprio, no processo de Purificação da Mente e, ao mesmo tempo, permitindo que nós monges – detentores do Treinamento Monástico para servir aos outros, estejamos em condições físicas e mentais para continuarmos beneficiando a quem nos faz as doações! Entendem como funciona esta interdependência? Os leigos nos doam seus bens materiais e nós retribuímos com a transmissão de Ensinamentos que beneficiam a todos. Isto os ajuda, os fazem sentir bem, resolvem seus problemas, diminuem a inquietação mental, melhora suas vidas e os estimula a continuar doando, para que nós monges continuemos ensinando e assim por diante! Nesse sistema perfeito e bem elaborado, Monges e Leigos se beneficiam mutuamente e assim o Buddhismo se mantém ativo no mundo, para o bem de todos os seres.

Há várias formas de doação e todas elas ajudam na prática do desapego! Por exemplo, algumas pessoas gostam de doar alimentos, que elas mesmas compram no supermercado. Outras já preferem preparar algum prato em casa e o oferecer ao monge, levando a comida ao Vihara (templo). Também tem gente que prefere fazer doações em dinheiro, algumas até especificando o que deve ser feito com a quantia doada: para pagamento da conta de luz ou para compra de gás etc. Algumas pessoas vão mais além e decidem doar uma quantia determinada, todos os meses!

Produtos de higiene pessoal, remédios, todo tipo de doação é necessária e muito bem vinda! Na verdade, há um pequeno ritual que deve ser feito toda vez que nós monges recebemos qualquer doação. Se chama TRANSFERÊNCIA DE MÉRITO, ou seja, nós monges transmitimos mentalmente para o doador, toda e qualquer energia positiva que temos, do BOM KARMA que praticamos, como forma de agradecimento. Além disso, quem vem nos fazer qualquer doação, tem TOTAL DIREITO de pedir uma explicação sobre determinado tema ou esclarecimento, dentro da ótica buddhista, sobre qualquer assunto que desejarem! Da parte de nós monges, não é favor algum, sentar e conversar com a pessoa. ISTO É A NOSSA MISSÃO e nossa forma de retribuir pela doação que estamos recebendo. Portanto, o ideal é que o doador venha até o Vihara praticar sua generosidade, em vez de nós monges irmos apanhar a doação onde quer que seja. No Vihara, haverá espaço apropriado e calmo onde quem fizer a doação poderá se sentar, tomar chá (ou chimarrão!) e ouvir a mensagem do Buddha. Na casa onde estou no momento, isso ainda não é possível por falta de espaço e privacidade.

A vida monástica não é fácil. Requer estudo, aprofundamento, cultivo mental, paciência, compaixão, tolerância, gentileza e o desenvolvimento constante de várias virtudes, ao mesmo tempo que temos que combater os desejos e devaneios que toda mente humana ainda mantém! Quanto mais nós monges sentimos que as pessoas estão aceitando e entendendo nosso modo de viver. Quanto mais notamos que as doações estão sendo o reconhecimento de nosso esforço, menos difícil se torna nossa vida monástica, nosso contínuo Treinamento e, portanto, mais pessoas irão se beneficiar de nossa escolha de vida.

Espero que esta matéria seja esclarecedora para o povo de São Chico e todos os que a lerem, possibilitando que o Vihara que agora começo a construir, seja sempre um refúgio de Paz e Harmonia para todos – buddhistas ou não – que o procurarem. Se mais pessoas se conscientizarem da importância de DOAR, minha missão terá continuidade, mais monges poderão ser ordenados aqui mesmo no Brasil ou trazidos da Ásia e, mesmo após minha morte, o Buddhismo continuará presente em São Chico, para o bem de todos, somando – nunca dividindo. Unindo, jamais separando. Que todos possam entender isso e participar deste processo!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

  भन्ते सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

TODO TIPO DE DOAÇÃO é sempre muito bem-vindo e necessário. Qualquer pessoa pode exercitar a prática da virtude da generosidade, doando alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal etc.

Doações financeiras, de qualquer valor, podem ser feitas através do sistema PAYPAL do Blog, ou depósito bancário:

BANCO BRADESCO

(SÃO FRANCISCO DE PAULA – RS)

AGÊNCIA: 0932 6

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