A todos, Namaste!

O Venerável Bhikkhú Bôdhi é um monge Theravada americano, treinado e ordenado no Sri Lanka. Atualmente, é uma das maiores e mais sérias autoridades dentre os monges que se destacam no cenário mundial. O texto a seguir foi traduzido por mim para o Português.

BUDDHISMO SEM RENASCIMENTO?

Por Venerável Bhikkhú Bôdhi

m alguns círculos onde se pratica o Dharma, a doutrina buddhista do renascimento tem sido apresentada como algo a ser reexaminada rigorosamente, em resposta à pressão de hoje em dia de que o ensino religioso seja relevante para a pessoa e diretamente comprovável. Ainda que só alguns poucos pensadores buddhistas contemporâneos tenham ido tão longe a ponto de sugerir que esta doutrina seja descartada como anticientífica, outra opinião tem ganho terreno, no sentido de que o renascimento sendo ou não real, a “doutrina” do renascimento não é essencialmente relevante para a prática do Dharma (Ensinamento Buddhista) e, portanto, não pode exigir um lugar nos Ensinamentos Buddhistas. Diz-se que o Dharma se preocupa unicamente com o aqui e agora, com o ajudar a resolver nossos problemas pessoais mediante o aumento da consciência e honestidade interna. Todo o resto do Buddhismo poderia ser considerado como alegoria religiosa de uma cultura ancestral, absolutamente não apropriada para o Dharma de nossa era tecnológica.

Mas, se deixássemos em suspenso, por um momento nossas preferências e fôssemos diretamente a nossas fontes, nos encontraríamos o feito indiscutível de que o Buddha realmente ensinou sobre o Renascimento e o fez como um princípio básico de seu Ensinamento. Os discursos do Buddha, vistos em totalidade, nos mostram que, longe de ser uma mera concessão às crenças prevalecentes em seu tempo, ou uma invenção da cultura asiática, a doutrina do Renascimento tem implicações muito grandes para a prática total do Dharma, afetando-a em dois aspectos: sua finalidade e a motivação com a qual se segue até o seu fim.

A finalidade do Caminho buddhista é a liberação da inquietação mental (Dukkha) e o Buddha esclarece em várias ocasiões, que a inquietação mental da qual se necessita liberação é o sofrimento do apego ao Samsara – o constante ciclo de renascimentos e mortes. Certamente, o Dharma tem um aspecto que é diretamente visível e pessoalmente verificável. Ao examinar diretamente a própria experiência, podemos ver que a tristeza, tensão, medo e pena sempre afloram da avidez, aversão e ignorância e, portanto, aquelas podem ser eliminadas ao removermos as impurezas. A importância deste aspecto visível da prática do Dharma não pode ser subestimada, por servir para confirmar nossa confiança na eficácia libertadora do Caminho buddhista. Sem dúvida, se menosprezarmos a importância da doutrina do Renascimento e explicarmos o sentido completo do Dharma como alívio da inquietação mental, através do aumento da consciência, privaremos o Dharma de suas amplas perspectivas das quais deriva sua profundidade. Ao fazermos isto, seriamente arriscamos de reduzi-lo finalmente a pouco mais que um sistema antigo e sofisticado de psicoterapia humanista.

O mesmo Buddha indicou claramente que a raiz do problema da existência humana não é simplesmente o fato de que somos vulneráveis à pena, aflição e medo, senão que nos prendemos ao apego egoísta, a um patrão contínuo que se regenera em nascimento, envelhecimento, enfermidade e morte, dentro do qual experimentamos formas mais específicas de aflição mental. Ele também nos mostrou que o perigo principal das nossas impurezas é o papel que desempenham sendo as causas que nos mantêm nos ciclos dos renascimentos. Enquanto permanecerem sem atenção, nos níveis mais profundos da mente, nos arrastam através do ciclo de renascer, no qual derramamos um dilúvio de lágrimas, “maior que as águas do oceano.” Quando estes aspectos são considerados cuidadosamente, então vemos que a prática do Dharma não tem a finalidade de levar-nos a uma reconciliação cômoda com nossas personalidades atuais e situação no mundo, mas sim de iniciar uma transformação interior muito mais ampla que nos dirigirá até a completa liberação dos ciclos de existências mundanas.

Concordemos que, para a maioria de nós, a motivação principal para entrarmos no Caminho do Dharma tenha sido um corrosivo sentimento de insatisfação com o rumo de nossas pouco iluminadas vidas, em vez de uma afiada percepção dos perigos que existem na roda dos renascimentos. Sem dúvida, se vamos seguir o Dharma até seu fim e extrair todo seu potencial de paz e Sabedoria superior, é necessário que cresça a motivação de nossa prática mais além do que nos induziu, no início, a entrarmos no Caminho. Nossa motivação subjacente deve crescer até essas verdades essenciais reveladas pelo Buddha e, compreendendo-as, devemos usá-las para alimentar a capacidade que têm de guiar-nos até a realização do objetivo.

 Nossa motivação adquire a maturidade necessária mediante o cultivo do entendimento correto, o primeiro elemento do Nobre Caminho Óctuplo (a Quarta Nobre Verdade), o qual, segundo explicado pelo Buddha, inclui o entendimento dos princípios do Karma e do Renascimento como fundamentais na estrutura da existência. Ainda que contemplar o momento seja a chave paa o desenvolvimento da meditação penetrante, seria um extremo erro sustentar que a prática do Dharma consiste em, unicamente, manter a atenção no presente.

O Caminho buddhista enfatiza o papel que põe a Sabedoria como instrumento de liberação e a Sabedoria não só deve compreender a penetração das profundidades do momento, como também uma compreensão dos horizontes do passado e do futuro dentro dos quais se desenvolve nossa existência presente. Tomar pleno conhecimento do princípio do Renascimento nos oferece essa perspectiva panorâmica a partir da qual poderemos examinar nossas vidas em seu contexto mais amplo e a totalidade da rede de relações. Isto nos estimulará em nossa busca do Caminho e nos revelará o significado profundo da meta para a qual se dirige nossa prática, ao fim dos ciclos de renascimentos, que a mente finalmente se liberte da inquietação mental (Dukkha).

भन्तो सुनन्थो भिक्षु

 Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

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