A todos, Namaste!

 Um estudo sobre os SEIS GRANDES CONCÍLIOS BUDDHISTAS está pronto e poderá ser postado na caixa de mensagens dos eventuais interessados, bastando que solicitem a postagem.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

 Dear all, Namaste!

A study (in Portuguese only) about the Six Great Buddhist Councils is ready and can be posted in the mail-boxes of those interested in it, as soon as the posting is requested.

May all of you be in Peace and protected!

   

hindu_primer-alpha-Para os iniciantes no Buddhismo, cabe aqui esclarecer que o Buddha nunca deixou por escrito nem ao menos uma palavra, dos 84.000 (oitenta e quatro mil) discursos e Ensinamentos que transmitiu durante os 45 anos entre a Iluminação e sua morte, esteve entre nós, ensinando incessantemente a todo tipo de ouvintes, sobre os mais variados temas possíveis.

Aos discípulos – principalmente os monges já iluminados que acompanhavam o Mestre – coube a difícil tarefa e grande responsabilidade de manter na memória os Ensinamentos, preservando-os para as gerações futuras. O sucesso de uma missão tão importante vemos hoje, no chamado Cânone Páli, a coletânea das Escrituras Buddhistas que são o guia de nossas vidas, a herança nos deixada pelo Buddha.

A história de como tais Ensinamentos foram preservados e, sobrevivendo à própria História da Humanidade, chegaram à nossa era moderna, passa pelos chamados Concílios Buddhistas. É sobre isto que fala a matéria abaixo:

 Concílios Buddhistas já realizados no mundo

 Seis Grandes Concílios Buddhistas já foram realizados desde o “Mahá Parinirváña” (morte) do Buddha, no ano de 2.600 da antiga história Buddhista (ou 600 anos antes do nascimento de Jesus Cristo). Eles foram realizados para manter protegidos os Ensinamentos originais do Buddha, contra pressões internas e externas. Isto ajudou a lidar com todo tipo de gente mal intencionada, erros e distorções nos Ensinamentos e dispersão deles.

 Devemos gratidão e respeito aos devotados e virtuosos monges que transmitiram adiante os Ensinamentos originais do Buddha, na forma de Tradição Oral, desde a morte do Mestre.

Os grandes disciplinadores e educadores do Dharma entre os monges se reuniram para esclarecer quais os Ensinamentos Originais (Sutras), as regras verdadeiras do Código de Disciplina Monástica (Vínaya) e as determinações do Buddha, durante esses Concílios. Isto ajudou a preservar o verdadeiro Buddhismo e passa-lo oralmente para as gerações futuras, com uma quantidade mínima de adulterações. Todos os monges que participaram dos Concílios, tinham a certeza absoluta de que a disciplina na vida monástica era a vida do Buddhismo e, portanto, enquanto as regras disciplinares fossem mantidas, a vida do Buddhismo estaria garantida. Assim sendo, mesmo tendo recebido permissão do próprio Buddha para alterar ou até mesmo abolir determinadas regras menores, os monges decidiram que todas deveriam ser preservadas do modo como o Buddha as instituiu.

Certa vez, o Buddha disse ao Venerável Ánanda (seu primo e Atendente Pessoal) que, após o Parinirváña (a morte do Buddha) seus Ensinamentos e as regras do Código de Disciplina Monástica seriam os únicos guias dos monges. Portanto, preservar a ambos, passou a ser a maior missão de todos os monges. O Buddha não nomeou ninguém como seu sucessor, deixando apenas os Ensinamentos e o Código Disciplinar a serem rigorosamente seguidos.

 Os três primeiros Grandes Concílios Buddhistas foram realizados na Índia. O quarto se passou no Sri Lanka e o quinto e sexto Concílios foram realizados em Mianmar (antiga Birmânia).


1) O primeiro Grande Concílio Buddhista. Realizado em 486 antes da Era Cristã.

 Foi realizado três meses após a morte do Buddha, na entrada de uma caverna chamada “Sapthapárni”, em Rajguir (Rajagriha ou Rajagaha), na Índia, sob o patrocínio do Rei Ajassatta (Adjatassáthu, em Páli). O Concílio foi presidido pelo monge idoso, Venerável Mahá Kashyápa, um Iluminado (o termo para Iluminado é ARAHÁNT ou Arhát) e estavam presentes 500 monges, todos igualmente Arahants.

Diz a Tradição que, até a véspera deste primeiro Concílio, o Ven. Ánanda estava triste e muito preocupado! O problema é que ele, mesmo sendo Atendente Pessoal do Buddha, ainda não tinha atingido a Iluminação – não era um Arahant! Ele se sentia frustrado com isso e sabia que a condição para participar do Concílio era já ser um Arahant.

O Venerável Ánanda andava de um lado para outro, meditava, se esforçava – inutilmente!

Sabendo do que se passava na mente do Ven. Ánanda, o Arahant Mahá Kashyápa foi procurá-lo. “Ánanda,! – disse ele. Você me parece cansado e preocupado… O dia está quase amanhecendo. Por quê não vai se deitar e descansar um pouco?” O Ven. Ánanda aceitou o conselho. No momento que deitou a cabeça para descansar, atingiu a Iluminação!

No dia seguinte, para sua surpresa, o Ven. Ánanda chegou ao local do Concílio e viu que já havia um assento aguardando por ele.

Desde que o grande Buddha começou a ensinar o Dharma e estabeleceu regras monásticas, cada vez que a oportunidade surgiu, nada havia sido organizado ou registrado por escrito. O objetivo do Primeiro Concílio Buddhista foi separar os Ensinamentos e organizá-los.

Os grandes discursos do Buddha, os Sutras, foram todos repetidos oralmente pelo recém-iluminado Venerável Arahánt Ánanda. Ele, que antes de se tornar o Atendente Pessoal do Buddha, havia imposto como condição para assumir a função, que o Mestre repetisse para ele todos os discursos que fizesse, estando o Ven. Ánanda presente ou ausente. Então, era o único monge que, já tendo adquirido a memória de um Iluminado, podia se lembrar de todos os Sutras.

Os Sutras foram então separados em cinco Grupos (a palavra em Páli é NIKÁYA). Estes cinco formaram o SUTRA PITÁKA (a palavra Pitaka, significa cesto ou vaso – os três (TI ou TRI) recipientes onde foram guardadas as Escrituras buddhistas). Porém, as Escrituras continuaram sendo preservadas oralmente apenas – NADA FOI ESCRITO. Elas foram repassadas a cinco grupos de monges, todos Iluminados, para serem preservadas e transmitidas oralmente, mantendo a Tradição.

São os seguintes, os Grupos que formam o Sutra Pitáka, o Cestos de Escrituras:

 1 – DIGHA NIKÁYA – A palavra Digha significa “longo”. Portanto, Digha Nikáya significa Grupo dos Sutras Longos. Este grupo foi entregue ao Ven. Arahánt Ánanda e seus alunos, para que tomassem conta e o transmitissem oralmente.


2 – MAJJHIMA NIKÁYA (se pronuncia “madj-djhíma”) – A palavra significa “de tamanho médio”. Portanto, é o Grupo de Sutras de Médio Comprimento” e este grupo foi entregue ao Venerável Shariputra (ou Sariputta) e seus alunos, para serem transmitidos oralmente às gerações futuras.


3 – ANGUTHARA NIKÁYA – São discursos que foram separados um a um, numericamente, em ordem crescente.
Esse Grupo foi confiado ao Ven. Arahánt Anuruddha e seus alunos, para preservação e transmissão às futuras gerações.


4 – SAMYUTHA NIKÁYA – Forma o Grupo de discursos interconectados, sobre o Dharma. Esse Grupo foi entregue aos cuidados do Ven. Arahánt Mahá Kashyápa e seus alunos.

 

5 – KHÚDDAKA NIKÁYA – A palavra, em Páli, significa “curto”, portanto, esse é o Grupo formado por discursos curtos. Nele estão incluídos vários discursos que “sobraram” por não se enquadrarem nos outros Grupos e também está o famoso DHAMMAPÁDA (ou Dharmapada). O Khuddaka Nikáya ficou a cargo de todos os monges, para ser preservado, não sendo entregue a nenhum Arahánt em particular.


Estudiosos acreditam que o “ABHIDHAMMA PITÁKA”, o Tratado de Psicologia Buddhista, no qual o Buddha analisa minuciosamente o funcionamento e comportamento da mente humana, também foi recitado como Dharma, neste mesmo Concílio.

 O Venerável Arahánt Upáli recitou todas as regras do Pratimôksha, o Código Disciplinar Monástico e as Diretrizes dele. Esses dois formaram, após divididos em Cinco Grupos, o chamado “VÍNAYA PITÁKA” do Cânone Páli. O Cesto do Vínaya é voltado para nós monges e monjas, porque trata das regras, estabelecidas pelo próprio Buddha, que devemos que seguir, na vida monástica:

Os Quatro PARAJIKÁ (se pronuncia “paradjiká”) são as quatro regras do Pratimôksha que, quando quebradas por um monge ou monja, significam que ele ou ela, imediatamente, está expulso da Comunidade Monástica, não podendo nunca mais se tornar monge.

Todas as demais regras do Pratimôksha, quando quebradas, são sujeitas a julgamento, confissão, punições, afastamento etc.

 PATCHITTIYÁ, CHULLAWAGGA, MAHAWAGGA e PARIVÁRA – São capítulos com regras monásticas que nós monges e monjas devemos seguir, tanto para a preservação individual quanto coletiva da vida monástica.

2) O Segundo Grande Concílio Buddhista (aproximadamente 386 Antes da Era Cristã)

 Foi realizado cem anos após a morte do Buddha, no Templo Valukárama, na cidade de Vessali – Índia, sob o patrocínio do Rei Kalassôka.

O Venerável Rêvata Therô foi o presidente desse Concílio, do qual participaram 700 monges altamente instruídos.

 Um grupo de monges, chamados “Vajjians” estava quebrando regras monásticas e um certo monge visitante, chamado Ven. Yássa, notou isso. As regras quebradas foram:

Guardar sal em chifres de animais, usados como saleiro, para melhorar o sabor da comida, sempre que achassem necessário.

 Fazer refeições após o meio-dia.

 Terminar uma refeição e, então, sair de novo para mais uma ronda de coletar alimentos.

 Realizar a Cerimônia da Lua Cheia (Upôssatha) no mesmo prédio onde os monges habitam (em vez de usarem a Sala do Altar para isso).

 Realizar a Cerimônia de Vínaya (recitação do Código Monástico – Pratimôksha), quando alguns monges ainda não estavam presentes.

 Realizar certas práticas determinadas por outros monges ou tutores.

Comer coalhada após a refeição do meio-dia.

 Beber vinho.

 Usar tapetes ou assentos fora do tamanho padrão. (passam a ser considerados como artigo de luxo e ostentação)

 Aceitar e usar dinheiro, ouro ou prata.

  Quando, mesmo após serem advertidos, os Vajjians não deram ouvidos, o Venerável Yassa foi denunciá-los ao monge superior, na época, o Venerável Rêvata, que decidiu formar um novo Concílio. As regras que haviam sido desobedecidas foram consideradas como ilegais e isso não foi aceito pelos Vajjians. Como eles se recusaram a aceitar a decisão do Concílio, houve o primeiro “GRANDE CISMA” no Buddhismo e os Vajjians se separaram da Comunidade Monástica, fundando seu próprio grupo.

 Os monges radicais do grupo Vajjian foram expulsos da Comunidade Monástica (Mahá Sangha) original e fundaram sua própria ordem monástica, à qual chamaram de MAHÁ SANGHIKÁ (a “Grande Comunidade”), enquanto que os que respeitaram as regras criadas pelo Buddha, defendidas pelo Ven. Rêvata, passaram a ser chamados de STHAVARIVADIM, ou “COMUNIDADE DOS SÁBIOS ANCIÂOS”, conhecida também como TRADIÇÃO THERAVADA. (á qual eu pertenço)

 3) O Terceiro Grande Concílio Buddhista

(aproximadamente 250 Antes da Era Cristã)

Foi realizado cerca de 200 anos após a morte do Buddha, no Templo Assokárama, em Pataliputra – Índia, sob o patrocínio do Imperador ASHÔKA, O GRANDE. Ele é considerado como o maior Imperador de todos os tempos e o maior divulgador do Buddhismo em toda a História. Antes um sanguinário, que unificou a Índia, formando um grande Império, às custas de destruição, inclusive do Clã ao qual o Buddha pertencia, o Imperador Ashôka converteu-se ao Buddhismo e mudou sua vida.


O Terceiro Grande Concílio foi presidido pelo Venerável Moggaliputtatissa Therô e 100 monges altamente instruídos estiveram presentes.

A grande generosidade do Imperador Ashôka com a Comunidade Buddhista e, especialmente, para a Mahá Sangha (Comunidade Monástica), despertou inveja e preconceito de outras pessoas contra os monges. Ao mesmo tempo, muita gente queria se infiltrar na Comunidade Monástica, buscando regalias e conforto. Outros achavam que, infiltrando-se na Comunidade Monástica, seriam capazes de enfraquece-la até que terminasse destruída. Assim, havia cerca de 60 mil falsos monges e impostores, espalhando visões distorcidas dos Ensinamentos Originais do Buddha.

Percebendo o imenso dano que isso estava causando ao Buddhismo verdadeiro, o Imperador Ashôka pediu a interferência do Venerável e famoso Moggaliputttatissa Therô, para por fim a essa triste situação.

 Todos os impostores foram chamados, arguídos, expostos publicamente e expulsos da Comunidade Monástica.

O “KATHAVATHTHU PAKÁRANA”, um documento que analisa e contradiz os pontos de vista errados, criados pelos impostores, foi redigido pelo Venerável Moggaliputtatissa Therô e anexado ao “ABHIDHAMMA PITAKA” em forma de Quinto Livro.

Monges missionaries foram enviados às nove regiões da Índia, por ordem do Imperador Ashôka, para divulgar o verdadeiro Buddhismo, no programa chamado de “Dharma Widjáya”.


4) O Quarto Grande Concílio Buddhista (cerca de 29 Antes da Era Cristã – Ano 100 da Era Cristã)


Foi realizado durante o reinado do Rei Walagamba (Vattagamini Abháya), sob o patrocínio de um governador local, no “Alu Vihara” em Matale, no Sri Lanka.

O Venerável Maharakkhitha Therô foi o presidente e 500 monges, altamente instruídos, participaram.

Aconteceu logo após uma invasão estrangeira e uma enorme epidemia de fome, que quase destruiu a economia do país e o Buddhismo. A maioria dos monges já tinha deixado o país e o Buddhismo transmitido apenas por Tradição Oral estava em risco de extinção. Isto levou os monges buddhistas do “Mahá Vihara”, que vinham preservando os Ensinamentos e protegendo a Árvore da Iluminação, uma descendente da árvore original, levada ao Sri Lanka, a tomar medidas necessárias e urgentes.

Pela primeira vez na História do Buddhismo, decidiram que os Ensinamentos não mais poderiam permanecer de forma oral, mas deveriam ser registrados por escrito.

 Com o retorno do Rei Walagamba ao poder, o fim da fome e da invasão estrangeira, os monges que estavam no exílio retornaram ao país e 500 dos mais altamente instruídos se reuniram em Assembléia para formar o Quarto Grande Concílio Buddhista. Eles, pela primeira vez na História, redigiram todos os Ensinamentos do Buddha – o Tripitáka, do Cânone Páli, em folhas ÔLA (um tipo de palmeira daquela região). Foi o maior passo dado em toda a História do Buddhismo.

Assim, foi preservado o Ensinamento Original do Buddha. Diz a Tradição, que, por não haver na época tinta disponível para escrever, os monges fizeram cortes em seus dedos polegares e usaram o próprio sangue para escrever sobre as folhas. Não há confirmação histórica de tal fato, tampouco se sabe em que lingual o Tripitaka original foi redigido.

Atualmente, as Escrituras Buddhistas Originais (O Tripitáka), no Cânone Páli, encontram-se traduzidas em vários idiomas e disponíveis ao mundo todo.

5) O Quinto Grande Concílio Buddhista (em 1871 da Era Cristã)

 Foi realizado em Mandalei, em Mianmar (antiga Birmânia), sob o patrocínio do Rei Mindon. O Venerável Djagarabhivamsa Therô foi o presidente e 2.400 monges, altamente instruídos, participaram.


Foi um Concílio especificamente burmês, no qual todos os Ensinamentos foram recitados e revisados, para assegurar que não estavam sendo distorcidos ou mal-interpretados em sua transmissão e nenhum estava sendo esquecido ou desprezado.

Após a revisão dos Ensinamentos, o Tripitaka completo (Cânone Páli) foi todo inscrito em 729 pedras de mármore que ainda podem ser vistas no Kuthodaw Pagoda, ao pé da Colina de Mandalei..

6) O Sexto Grande Concílio Buddhista (em 1954) – o último realizado até os dias de hoje.

Também foi realizado em Mianmar, na capital Yangon, sob patrocínio do governo burmês e conduzido pelo Primeiro Ministro U Nu.

O Venerável Mahassi Sayadó Therô foi o presidente e 2.500 monges, altamente instruídos, de vários países: Mianmar, Sri Lanka, Índia, Camboja, Nepal, Laos, Tailândia e Vietnã, participaram.

 O Concílio teve como objetivo confirmar e preserver o Dharma e o Vínaya (Código Monástico) da Ordem Buddhista. Dois anos de meticulosa inspeção e correção chegaram ao rascunho final, que foi aprovado por unanimidade pelo Concílio e impresso por métodos modernos.

Ao final do Concílio, todos os países participantes, menos a Índia, tiveram o Cânone Páli traduzido para suas línguas nativas.

 

Trabalho de pesquisa realizado por Bhantê Sunanthô Bhikshú