A todos, Namaste!

OS PRECEITOS FAZEM O MONGE (PRECEPTS MAKE THE MONK)

hindu_primer-alpha-Quando o Buddha idealizou sua Comunidade Monástica (chamada de Mahá Sangha) ele não se preocupou muito – apenas chamava para que o acompanhassem, aquelas pessoas nas quais via interesse sincero em praticar o Ensinamento transmitido por ele. Para o Bhagaván, parecia bastante natural que todos raspassem a cabeça, se vestissem somente com os mantos, que eram trapos sujos e rasgados, comessem somente na parte da manhã e mendigassem o próprio alimento… Enfim, ele achava que isso estava claro para todos e que não precisaria mais que isso. Vivendo somente o MOMENTO PRESENTE, sem usar de seus poderes paranormais para visualizar o futuro, ele não se preocupou, de início, em criar regras. Mas, com o passar do tempo, viu que a mente humana era mais perigosa do que parecia e, à medida que os monges foram aumentando de número – nem todos com a mesma disposição de renunciar aos prazeres mundanos, surgiu a necessidade de estabelecer um Código de Disciplina, que fosse seguido por todos, sem exceção! Assim surgiu o que hoje conhecemos como PRATIMÔKSHA ou PATTIMÔKHA, que regula nossa vida monástica – tanto para monges quanto para monjas.

Foi graças ao Pratimôksha que o Buddhismo chegou aos nossos tempos! Embora as várias Tradições tenham alterado e anulado várias das 227 regras para homens e 311 para mulheres, o Código Disciplinar, em sua essência, foi mantido, preservando a integridade da Mahá Sangha e, se hoje o Dharma (Ensinamento) é acessível a vocês leigos, estejam certos: foi somente graças ao Pratimôksha, ou a Comunidade Monástica teria se extinguido ao longo dos quase 3000 anos, desde a morte do Buddha!

Os Preceitos nos protegem! Eles não existem para nos escravizar, mas sim para nos lembrarem, a todo tempo, do que somos, de quem somos, de como somos! Eles são um constante lembrete da diferença que há entre leigos e nós monges, que OPTAMOS por uma vida diferente, afastada das coisas que vocês tanto gostam e das quais muitas vezes até dependem para se sentirem felizes!

Seguindo os Preceitos, estamos garantindo a nós mesmos e a vocês leigos, a QUALIDADE do Dharma que está sendo transmitido e isso é de importância fundamental, porque, se essa qualidade começar a decair, certamente chegará ao fim em curto prazo! Por que??? Porque o ser humano, em geral, tem uma forte tendência a gostar do vulgar, do baixo, do mundano, do sujo e inferior! Poucos são os que não se deixam atrair por prazeres sensuais, muito poucos são os que realmente cultivam a mente, na busca da Purificação, do Nobre, do elevado. Assim, se nós monges nos deixarmos atrair e envolver pelos prazeres, em vez de alertarmos a vocês leigos sobre o perigo deles, estaremos nos afastando do Dharma!

Para quem está envolvido com as coisas do mundo, cego por elas, com a mente iludida por elas, pode parecer muito natural que um monge ou monja se entregue também às coisas vulgares e mundanas. A idéia inicial (e compreensível) é: “Bah! Aquele monge (ou monja) é tri legal! Vem conosco para o bar, toma uma cervejinha… É que nem a gente! Buddhismo é muito legal mesmo… Não pensei que fosse assim!” Para quem pouco ou nada sabe sobre Preceitos Monásticos, aparentemente é muito natural que um monge buddhista dance, beba, fume e talvez até faça sexo! Portanto, cabe a nós monges assumir o controle de nossas vidas, guiando-as pelos Preceitos que juramos seguir!

Mas, se são tão envolventes os prazeres do mundo e tão rígidos os nossos Preceitos, como então segui-los e fazer com que eles preservem nossa integridade monástica? É exatamente aí que entra a importância da participação de vocês LEIGOS na nossa vida!! Mesmo o Buddha, já totalmente iluminado, sem qualquer risco de se envolver com prazeres sensuais, ainda assim, sempre viveu perto de aldeias, de vilas e cidades, onde pudesse receber alimentos para manter a si próprio e às centenas de monges que o acompanhavam. A Mahá Sangha, desde o início, sempre foi, é e será DEPENDENTE dos leigos para sobreviver e preservar o DHARMA.

Se for rejeitada, mal interpretada, abandonada à própria sorte, nós monges cada vez mais teremos que nos envolver com as coisas do mundo, na tentativa de sobrevivência! Para nos alimentarmos e mantermos nossos templos, teremos que procurar modos de ganhar dinheiro que, cedo ou tarde não estarão de acordo com o Pratimôksha e, inevitavelmente, estaremos quebrando cada vez mais Preceitos, até perdermos nosso rumo, até sujarmos nosso manto com as coisas do mundo.

Só o “Mestre Google” não vai sustentar o Dharma. Por mais que as pessoas possam achar que têm todas as respostas facilmente encontráveis, sem a Mahá Sangha, o Dharma se torna desconfiável, incerto, sujeito a falsas interpretações. Nós monges – e aqui me refiro aos verdadeiros e sinceros – somos os protetores do Dharma, porque abandonamos a vida mundana com o objetivo de nos dedicarmos a ele. Porém, sem a interação, sem a constante generosidade de vocês leigos, que, por direito e justiça, passaram a ser chamados de SANGHA (Comunidade Leiga), não teremos opção a não ser o constante DESRESPEITO ao Pratimôksha, num esforço para continuarmos nossa missão.

Na medida em que vocês forem capazes de manter isso em mente e continuarem praticando a generosidade, continuarão recebendo o mais puro DHARMA, capaz de ajudar a todos – monges e leigos – no Caminho seguro e confiável para o fim de Dukkha e alcance do objetivo final: a mente em Estado de Nirváña.

Fiquem todos em Paz e protegidos!