Estudo de Sutra


Kālāma Sutra (também chamado: o Kālām Sutta; Sânscrito: Kālāma Sūtra;  Tailandês: กาลามสูตร, Kalama Sut, or Kesamutti SuttaPāliKesamuttisuta), é um Ensinamento do Buddha, encontrado no Aṅguttara Nikaya of the Tripiṭáka, a coletânea de Escrituras Buddhistas, equivalente à Bíblia para os Cristãos. É um Ensinamento aceito por todas as Tradições do Buddhismo, como um exemplo dado pelo próprio Buddha da liberdade de questionamento.

O  Kālāma Sutta também é usado para mostrar a necessidade de prudência, cautela, através do uso da razão para questionar a prática que conduz à busca da verdade, Sabedoria e conhecimento, seja ele religioso ou não. Ou seja, o Kālāma Sutra mostra claramente o quanto o Buddhismo é contrário à fé cega, dogmatismo e crença sem questionamento.

Este Ensinamento foi transmitido ao povo da aldeia de Kessaputra, numa das ocasiões em que o Buddha e seus discípulos visitaram aquele lugar.

Anguttara Nikaya 3 – 65

Kálámá Sutra

O Ensinamento aos Kálámás

“Assim me foi transmitido oralmente.”

hindu_primer-alpha-Certa ocasião, o Bhagaván (O Buddha) estava passando um tempo no Reino de  Kossalá com um grande número de Bhikshús (monges) e juntos andaram até a aldeia de Kessaputra, habitada pelo povo do Clã dos Kálámás. Eles já sabiam que o Bhagaván, de nome Gáutam, que largara o Clã dos Shakyas para tornar-se um mendigo, estava em Kessaputra, junto com muitos Bhikshús.

Também sabia que o Bhagaván era totalmente iluminado, um verdadeiro Mestre de seres humanos e celestiais, insuperável em seu Ensinamento, perfeitamente iluminado por esforço próprio. Então, o povo de Kessaputra foi ver o Bhagaván e seus monges.. Alguns prestaram respeito a ele e se sentaram, outros o cumprimentaram e se sentaram, outros ainda, com as palmas das mãos juntas prestaram respeito antes de se sentarem. Alguns preferiram anunciar seus nomes e a que Clã pertenciam. Outros, porém, sentaram-se em silêncio. Após se acomodarem, dirigiram-se ao Bhagaván, dizendo: “Bhantê, há muitos brâmanes (Sacerdotes hinduístas) e praticantes do cultivo mental que vêm a Kessaputra. Ensinam e exaltam suas próprias doutrinas, mas, em relação às dos outros, as criticam, desaprovam, depreciam e desdenham. Então, outros brâmanes e praticantes do cultivo mental também chegam a Kessaputra. Eles ensinam e exaltam suas próprias doutrinas, mas, em relação às dos outros, as criticam, desaprovam, depreciam e desdenham. Com isto, ficamos confusos e em dúvida sobre quais dizem a verdade e quais têm uma visão incorreta.

Então, o Bhagaván disse aos Kálámás: “Por certo vocês estão confusos, Kálámás. Porque é natural que haja dúvida em qualquer tema que cause perplexidade. Neste caso, Kálámás, não se deixem influenciar por relatos, tradições, boatos, pelo que está nas antigas Escrituras, pela razão ou pela inferência, nem pela analogia, pela confiabilidade da pessoa que ensina, nem pelo respeito por ela ou pelo pensamento dela. Vocês não devem simplesmente dizer: “Este praticante do cultivo mental é meu mestre.” Toda vez que souberem por si próprios que “Essas qualidades não são habilidosas, são censuráveis, podem ser criticadas pelos Sábios, quando postas em prática levam ao mal e à inquietação mental!” Sempre que isto acontecer, vocês devem rejeita-las.

 O que vocês pensam, Kálámás? Quando surge a cobiça em alguém, ela faz a essa pessoa mal ou bem?”

“Faz mal, Bhantê!”

“Então, quando a pessoa que se deixou dominar pela cobiça, tem a mente obcecada por ela, mata outros seres vivos, se apropria do que não lhe foi dado, tem desejo sexual pela mulher dos outros, mente e leva os outros a mentirem, pratica somente o que é danoso e causa inquietação mental por muito tempo.”

“Sim, Bhantê!”

O que vocês pensam, Kálámás? Quando surge a raiva em alguém, ela faz a essa pessoa mal ou bem?”

“Faz mal, Bhantê!”

“Então, quando a pessoa que se deixou dominar pela raiva, tem a mente obcecada por ela, mata outros seres vivos, se apropria do que não lhe foi dado, tem desejo sexual pela mulher dos outros, mente e leva os outros a mentirem, pratica somente o que é danoso e causa inquietação mental por muito tempo.”

“Sim, Bhantê!”

O que vocês pensam, Kálámás? Quando surge a ilusão em alguém, ela faz a essa pessoa mal ou bem?”

“Faz mal, Bhantê!”

“Então, quando a pessoa que se deixou dominar pela ilusão, tem a mente obcecada por ela, mata outros seres vivos, se apropria do que não lhe foi dado, tem desejo sexual pela mulher dos outros, mente e leva os outros a mentirem, pratica somente o que é danoso e causa inquietação mental por muito tempo.”

“Sim, Bhantê!”

O que vocês pensam, Kálámás? Essas situações são habilidosas ou sem habilidade?”

“Sem habilidade, Bhantê!”

“Censuráveis ou isentas de censura?”

“Censuráveis, Bhantê!”

“Quando praticadas, conduzem ou não ao mal e à inquietação mental?”

“Conduzem ao mal e à inquietação mental, Bhantê!”

 “Portanto, Kálámás, conforme lhes disse, não se deixem influenciar por relatos, tradições, boatos, pelo que está nas antigas Escrituras, pela razão ou pela inferência, nem pela analogia, pela confiabilidade da pessoa que ensina, nem pelo respeito por ela ou pelo pensamento dela. Vocês não devem simplesmente dizer: “Este praticante do cultivo mental é meu mestre.” Toda vez que souberem por si próprios que “Essas qualidades não são habilidosas, são censuráveis, podem ser criticadas pelos Sábios, quando postas em prática levam ao mal e à inquietação mental!” Sempre que isto acontecer, vocês devem rejeita-las.

 “De agora em diante, Kálámás, não se deixem influenciar por relatos, tradições, boatos, pelo que está nas antigas Escrituras, pela razão ou pela inferência, nem pela analogia, pela confiabilidade da pessoa que ensina, nem pelo respeito por ela ou pelo pensamento dela. Vocês não devem simplesmente dizer: “Este praticante do cultivo mental é meu mestre.” Somente quando vocês souberem por si próprios que “Essas qualidades  são habilidosas, não são censuráveis, não são criticadas pelos Sábios, quando postas em prática levam ao bem e à tranquilidade mental!” Sempre que isto acontecer, vocês devem acolhe-las e permanecer com elas.

O que vocês pensam, Kálámás? Quando surge a ausência de cobiça em alguém, ela faz a essa pessoa mal ou bem?”

“Faz bem, Bhantê!”

 “Então, quando a pessoa que não se deixou dominar pela cobiça, não tem a mente obcecada por ela, não mata outros seres vivos, nem se apropria do que não lhe foi dado, não tem desejo sexual pela mulher dos outros, não mente e tampouco leva os outros a mentirem, pratica somente o que é bom e causa tranquilidade mental por muito tempo.”

 “Sim, Bhantê”

O que vocês pensam, Kálámás? Quando surge a ausência de raiva em alguém, ela faz a essa pessoa mal ou bem?”

 “Para o bem, Bhantê!

“Então, quando a pessoa que não se deixou dominar pela raiva, não tem a mente obcecada por ela, não mata outros seres vivos, nem se apropria do que não lhe foi dado, não tem desejo sexual pela mulher dos outros, não mente e tampouco leva os outros a mentirem, pratica somente o que é bom e causa tranquilidade mental por muito tempo.”

 “Sim, Bhantê”

“O que vocês pensam, Kálámás? Quando surge a ausência de ilusão em alguém, ela faz a essa pessoa mal ou bem?”

 “Para o bem, Bhantê!

 “Então, quando a pessoa que não se deixou dominar pela ilusão, não tem a mente obcecada por ela, não mata outros seres vivos, nem se apropria do que não lhe foi dado, não tem desejo sexual pela mulher dos outros, não mente e tampouco leva os outros a mentirem, pratica somente o que é bom e causa tranquilidade mental por muito tempo.”

 “Sim, Bhantê”

“Então Kálámás o que vocês pensam. Essa qualidades são habilidosas ou não habilidosas?”

“Habilidosas, Bhantê.”

“Censuráveis ou isentas de censura?”

“Isentas de censura, Bhantê!”

 “Criticadas ou elogiadas pelos Sábios?”

“Elogiadas pelos Sábios, Bhantê.”

“Quando praticadas, conduzem  ao mal e à inquietação mental ou conduzem ao bem e à tranqüilidade mental?”

“Conduzem ao bem e à tranquilidade mental, Bhantê!”

 “Portanto, Kálámás, conforme lhes disse, não se deixem influenciar por relatos, tradições, boatos, pelo que está nas antigas Escrituras, pela razão ou pela inferência, nem pela analogia, pela confiabilidade da pessoa que ensina, nem pelo respeito por ela ou pelo pensamento dela. Vocês não devem simplesmente dizer: “Este praticante do cultivo mental é meu mestre.” Toda vez que souberem por si próprios que “Essas qualidades são habilidosas, não são censuráveis, não podem ser criticadas pelos Sábios, quando postas em prática levam ao bem e à tranquilidade mental!” Sempre que isto acontecer, vocês devem aceita-las “Agora Kálámás, aquele que é um nobre praticante do cultivo mental – portanto livre da cobiça, livre da má vontade, não mais iludido, com Atenção Plena e plena consciência – permanece com a mente repleta de Amor Incondicional por todos os seres, percorrendo o primeiro quadrante com a mente repleta de Amor Incondicional por todos os seres, e assim também percorre o segundo,  o terceiro, o quarto; também acima, abaixo, em volta e em todas as direções, com Amor Incondicional por todos os seres e também por si mesmo,  ele expande pelo mundo todo a mente repleta de Amor Incondicional por todos os seres, infinito, insuperável, imensurável, livre de inimizade e de maus pensamentos .

“Ele permanece com a mente repleta de Compaixão por todos os seres, percorrendo o primeiro quadrante com a mente repleta de Compaixão por todos os seres, e assim também percorre o segundo,  o terceiro, o quarto; também acima, abaixo, em volta e em todas as direções, com Compaixão por todos os seres e também por si mesmo,  ele expande pelo mundo todo a mente repleta de Compaixão por todos os seres, infinita, insuperável, imensurável, livre de inimizade e de maus pensamentos.

“Ele permanece com a mente repleta de Alegria em ver a felicidade dos outros seres, percorrendo o primeiro quadrante com a mente repleta de Alegria em ver a felicidade dos outros seres, e assim também percorre o segundo,  o terceiro, o quarto; também acima, abaixo, em volta e em todas as direções, com Alegria em ver a felicidade dos outros seres e também por si mesmo,  ele expande pelo mundo todo a mente repleta de Alegria em ver a felicidade dos outros seres, infinita, insuperável, imensurável, livre de inimizade e de maus pensamentos

“Ele permanece com a mente repleta de Equanimidade de conceitos, percorrendo o primeiro quadrante com a mente repleta de Equanimidade de conceitos, e assim também percorre o segundo,  o terceiro, o quarto; também acima, abaixo, em volta e em todas as direções, com Equanimidade de conceitos e também por si mesmo,  ele expande pelo mundo todo a mente repleta de Equanimidade de conceitos, infinita, insuperável, imensurável, livre de inimizade e de maus pensamentos

 “Agora Kálámás, aquele que é um nobre praticante do cultivo mental – sua mente livre de inimizade, livre de maus pensamentos, sem obstáculos e pura – obtém quatro garantias no aqui e agora:

“’Se existe um outra existência após a morte nesta vida, se existem resultados dos bons e maus karmas praticados, então esse é o fundamento pelo qual, após a extinção  do corpo, após a morte, o praticante renasce num destino feliz, em outra esfera existencial.’ Essa é a primeira das garantias.

“Mas, se não houver uma nova existência após a morte, se não existem resultados dos bons e maus karmas praticados, então nesta vida o praticante do cultivo mental estará tranquilo – livre de inimizade, livre de maus pensamentos, livre de obstáculos.” Esta é a segunda garantia.

“Se maus resultados surgem para os que praticam mau karma, eu, porém, não penso em praticar o mal, portanto, como poderiam os maus resultados surgir para mim? Essa é a terceira das garantias.”

“Mas, se maus resultados não surgem para os que praticam mau karma, de qualquer forma, já estou purificado. Essa é a quarta garantia.”

“Aquele que é um nobre praticante do cultivo mental, que tem a mente livre de inimizades, livre de maus pensamentos, livre de obstáculos, recebe as quatro garantias aqui e agora.”

 “É realmente assim, Bhagaván (título do Buddha). O nobre praticante do cultivo mental, que tem a mente livre de inimizade, livre de maus pensamentos, livre de obstáculos, recebe as quatro garantias aqui e agora.”

Magnífico, Mestre Gáutam! Magnífico! O Mestre Gáutam explicou o Dharma (Ensinamento) de diversas formas, como se tivesse desvirado o que estava de cabeça para baixo, revelado o que estava oculto, mostrado o Caminho para alguém perdido ou como se segurasse uma lamparina no escuro para os que conseguem enxergar, vissem as diversas formas! Nós tomamos Refúgio (Tomar Refúgio, significa tornar-se oficialmente buddhista, na condição de leigo) no Bhagaván, no Dharma ensinado pelo Bhagaván e na Sangha (Comunidade de Monges Buddhistas) do Bhagaván. Que o Bhagaván sempre se lembre de nós como seguidores leigos, que Nele tomaram Refúgio para o resto da vida.”

MN 59 

O BAHUVÊDANÍYA SUTRA

O Ensinamento sobre os Muitos Tipos de Sentimentos

Traduzido do Páli para o Inglês pelo Ven. Nyanipònika Therô

Reescrito em Português, em Linguagem Simples e com Explicações

por Bhantê Sunanthô Bhikshú

fonte: access to insight

 

“Assim me foi transmitido oralmente.”

erta ocasião, o Bhagaván (o Buddha) estava passando um tempo em Shrávasthi, no Bosque de Djetá, no Monastério doado pelo milionário Anathapindíka. Então o Carpinteiro das Cinco Ferramentas foi ver o Venerável Udáyi. Após saúda-lo respeitosamente, sentou-se na posição de respeito. Assim sentado, perguntou ao Ven. Udáyi:

“Bhantê, quantos tipos de sentimentos foram ensinados pelo Bhagaván?”

“Três tipos de sentimentos, Carpinteiro, foram ensinados pelo Bhagaván, agradáveis, dolorosos e neutros. Estes são os três sentimentos ensinados pelo Bhagaván.”

Após estas palavras, o Carpinteiro das Cinco Ferramentas disse. “Não foram três os tipos de sentimentos ensinados pelo Bhagaván, Bhantê Udáyi, São dois tipos de sentimentos enumerados pelo Bhagaván: agradáveis e dolorosos. Os sentimentos neutros foram mencionados pelo Bhagaván como pertencentes à alegria pacífica e sublime.”

Mas o Venerável Udáyi respondeu: “Não são dois os tipos de sentimento ensinados pelo Bhagaván, são três: agradáveis, dolorosos e neutros.”

Ainda por mais uma vez e uma terceira vez essa discordância de opiniões se repetiu, mas nem o Carpinteiro das Cinco Ferramentas nem o Venerável Udáyi foram capazes de convencer um ao outro. Então, aconteceu que o Venerável Ánanda (primo e Atendente Pessoal do Buddha) estava ouvindo a conversa e decidiu ir ao Bhagaván. Após saudar o Buddha com três prostrações, sentou-se na posição de respeito. Assim sentado, repetiu toda a conversa que ouviu entre o Carpinteiro das Cinco Ferramentas e o Ven. Udáyi.

O Buddha disse: “Ánanda, a resposta dada por Udáyi ao Carpinteiro, a qual não o convenceu, está realmente correta. Mas também a opinião do Carpinteiro das Cinco Ferramentas, que não convenceu a Udáyi está igualmente correta. Em uma única explanação eu tenho falado de dois tipos de sentimento e de outras formas tenho falado de três tipos, de seis tipos, de dezoito tipos, de trinta e seis tipos e de cento e oito tipos de sentimentos. Assim o Dharma (Ensinamento do Buddha) tem sido apresentado de diferentes modos.

 

Com relação ao Dharma mostrado por mim de diferentes formas, se há os que não concordam, não consentem, não aceitam o que foi corretamente dito e corretamente falado, é de se esperar que haja discussões, brigas e disputas, uns ferindo aos outros com palavras rudes.

 

Com relação ao Dharma, assim exposto de diferentes modos, se há os que concordam, consentem e aceitam o que foi corretamente dito e corretamente falado, é de se esperar que vivam em concordância e amizade, sem disputas, como o leite, que facilmente se mistura à água, olhando uns aos outros com olhares amigáveis.

 

“Há cinco categorias de desejos dos sentidos. Quais estas cinco? As formas, reconhecíveis pelo olho, que são cobiçáveis, desejáveis, agradáveis e queridas, conduzentes ao desejo sensual e à luxúria. Os sons reconhecíveis pelo ouvido, que são cobiçáveis, desejáveis, agradáveis e queridaos, conduzentes ao desejo sensual e à luxúria. Os aromas reconhecíveis pelo nariz, que são cobiçáveis, desejáveis, agradáveis e queridos, conduzentes ao desejo sensual e à luxúria. Os sabores que são reconhecíveis pela língua, que são cobiçáveis, desejáveis, agradáveis e queridos, conduzentes ao desejo sensual e à luxúria. Os contatos reconhecíveis pela pele do corpo, que são cobiçáveis, desejáveis, agradáveis e queridos, conduzentes ao desejo sensual e à luxúria. Estas são as cinco categorias dos sentidos. Os prazeres e alegrias que surgem, dependem dessas cinco categorias de desejos dos sentidos, a isto se chama prazer sensual.

 

“Agora, se alguém dissesse: “Este é o maior prazer e alegria que se pode experimentar”, eu não concordaria. E por que não? Porque há outro tipo de prazer que supera aquele prazer e é mais sublime. E que prazer é esse? Aqui, quieto e afastado do prazer sensual, recolhido dos estados impuros da mente, um praticante entra e se estabelece no primeiro estado meditativo (chamados de Jhana), que é acompanhado pelo pensamento conceitual  e do pensamento discursivo e tem nele alegria e prazer, nascidos do isolamento. Este é o outro tipo de prazer que supera aquele dos prazeres sensuais e é mais sublime.

 

“Agora, se alguém dissesse: “Este é o maior prazer e alegria que se pode experimentar”, eu não concordaria. E por que não? Porque há outro tipo de prazer que supera aquele prazer e é mais sublime. E que prazer é esse? Aqui, com o acalmar do pensamento conceitual e do pensamento discursivo, um praticante entra e se estabelece no segundo estado meditativo (segundo Jhana), na esfera da infinidade do espaço, na esfera da infinidade da consciência, na esfera do não-haver, na esfera da nem-percepção-nem-não-percepção.”

 

“Agora, se alguém dissesse: “Este é o maior prazer e alegria que se pode experimentar”, eu não concordaria. E por que não? Porque há outro tipo de prazer que supera aquele prazer e é mais sublime. E que prazer é esse? Aqui, após ultrapassar completamente a esfera da nem-percepção-nem-não-percepção, o praticante entra e se estabelece na cessação da percepção e do sentimento. Este é outro tipo de prazer que supera aquele prazer e é mais sublime.”

 

“Pode ocorrer, Ánanda, que os Andarilhos de outras seitas digam assim: “O praticante Gáutam fasla da Cessação da Percepção e do Sentimento e as descreve como prazer. O que é prazer e como é esse prazer?”

 

“Aos que falam assim, deveríamos dizer: “O Bhagaván descreve como prazer não apenas o sentimento de prazer. Mas um Tathágata (título que o Buddha usava para si mesmo) descreve como prazer toda vez que e onde quer que ele seja obtido.”

 

Foi isto que o Bhagaván disse. O Venerável Ánanda ficou satisfeito e deliciado com as palavras do Buddha.

 

 

Nota: “Do quarto Jhana em diante, é o nem-prazeroso-nem-doloroso-sentimento, que está presente nesses estados meditativos. Mas este sentimento neutro também é chamado de “prazer” (Sukha, em Páli), por ser um estado pacífico e sublime.

 

MN 59 

The BAHUVÊDANÍYA SUTRA

The Teaching about the Many Kinds of Fellings

Translated from Pali into English by Ven. Nyaniponika Thero.

Rewritten in Portuguese, in Simple Language and with Explanations by Bhante Sunantho Bhikshu

Source: access to insight

“Thus have I heard. ”

nce the Blessed One was staying at Savatthi, in Jeta’s Grove, Anathapindika’s monastery. Then Carpenter Fivetools went to see the Venerable Udayi. Having saluted him respectfully, he sat down at one side. Thus seated, he asked the Venerable Udayi:

“How many kinds of feelings, reverend Udayi, were taught by the Blessed One?”

“Three kinds of feelings, Carpenter, were taught by the Blessed One: pleasant, painful and neutral feelings. These are the three feelings taught by the Blessed One.”

After these words, Carpenter Fivetools said: “Not three kinds of feelings, reverend Udayi, were taught by the Blessed One. It is two kinds of feelings that were stated by the Blessed One: pleasant and painful feelings. The neutral feeling was said by the Blessed One to belong to peaceful and sublime happiness.”

But the Venerable Udayi replied: “It is not two feelings that were taught by the Blessed One, but three: pleasant, painful and neutral feelings.”

(This exchange of views was repeated for a second and a third time,) but neither was Carpenter Fivetools able to convince the Venerable Udayi, nor could the Venerable Udayi convince Carpenter Fivetools. It so happened that [the] Venerable Ananda had listened to that conversation and went to see the Blessed One about it. Having saluted the Blessed One respectfully, he sat down at one side. Thus seated, he repeated the entire conversation that had taken place between the Venerable Udayi and Carpenter Fivetools.

The Blessed One said: “Ananda, Udayi’s way of presentation, with which Carpenter Fivetools disagreed, was correct, indeed. But also Carpenter Fivetool’s way of presentation, with which Udayi disagreed, was correct. In one way of presentation I have spoken of two kinds of feelings, and in other ways of presentation I have spoken of three, of six, of eighteen, of thirty-six, and of one hundred and eight kinds of feelings. So the Dhamma has been shown by me in different ways of presentation.

“Regarding the Dhamma thus shown by me in different ways, if there are those who do not agree with, do not consent to, and do not accept what is rightly said and rightly spoken, it may be expected of them that they will quarrel, and get into arguments and disputes, hurting each other with sharp words.

“Regarding the Dhamma thus shown by me in different ways, if there are those who agree with, consent to, and accept what is rightly said and rightly spoken, it may be expected of them that they will live in concord and amity, without dispute, like milk (that easily mixes) with water, looking at each other with friendly eyes.

“There are five strands of sense desire. What are these five? Forms cognizable by the eye that are wished for, desirable, agreeable and endearing, bound up with sensual desire and tempting to lust. Sounds cognizable by the ear… odors cognizable by the nose… flavors cognizable by the tongue… tangibles cognizable by the body, that are wished for, desirable, agreeable and endearing, bound up with sense desire, and tempting to lust. These are the five strands of sense desire. The pleasure and joy arising dependent on these five strands of sense desire, that is called sensual pleasure.

“Now, if someone were to say: ‘This is the highest pleasure and joy that can be experienced,’ I would not concede that. And why not? Because there is another kind of pleasure which surpasses that pleasure and is more sublime. And what is this pleasure? Here, quite secluded from sensual desires, secluded from unwholesome states of mind, a monk enters upon and abides in the first meditative absorption (jhana), which is accompanied by thought conception and discursive thinking and has in it joy and pleasure born of seclusion. This is the other kind of pleasure which surpasses that (sense) pleasure and is more sublime.

“If someone were to say: ‘This is the highest pleasure that can be experienced,’ I would not concede that. And why not? Because there is another kind of pleasure which surpasses that pleasure and is more sublime. And what is that pleasure? Here, with the stilling of thought conception and discursive thinking… a monk enters upon and abides in the second meditative absorption… in the sphere of the infinity of space… of the infinity of consciousness… of no-thingness… of neither-perception-nor-non-perception.

“If someone were to say: ‘This is the highest pleasure that can be experienced,’ I would not concede that. And why not? Because there is another kind of pleasure which surpasses that pleasure and is more sublime. And what is this pleasure? Here, by completely surmounting the sphere of neither-perception-nor-non-perception, a monk enters upon and abides in the cessation of perception and feeling. This is the other kind of pleasure which surpasses that pleasure and is more sublime.

“It may happen, Ananda, that Wanderers of other sects will be saying this: ‘The recluse Gotama speaks of the Cessation of Perception and Feeling and describes it as pleasure. What is this (pleasure) and how is this (a pleasure)?’

“Those who say so, should be told: ‘The Blessed One describes as pleasure not only the feeling of pleasure. But a Tathagata describes as pleasure whenever and whereinsoever it is obtained.'”

That is what the Blessed One said. The venerable Ananda was satisfied and delighted in the Blessed One’s words.

Note: “From the fourth jhana onwards, it is the neither-painful-nor-pleasant feeling (that is present in these meditative states). But this neutral feeling, too, is called ‘pleasure’ (sukha), on account of its being peaceful and sublime.

भन्तोसुनन्थोभिक्षु

 Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

TODO TIPO DE DOAÇÃO é sempre muito bem-vindo e necessário. Qualquer pessoa pode exercitar a prática da virtude da generosidade, doando alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal etc.

Doações financeiras, de qualquer valor, podem ser feitas, também através do sistema PAYPAL do Blog, ou depósito bancário:

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SN 1.42 

Kindada Sutta: A Giver of What

translated from Pali into English by Ven. Thanissaro Bhikshú

Translated from English into Portuguese by Sunanthô Bhikshú

  Deva asked:

 

A giver of what is a giver of strength?

A giver of what, a giver of beauty?

A giver of what, a giver of ease?

A giver of what, a giver of vision?

And who is a giver of everything?

            Being asked, please explain this to me.

 

And The Buddha answered:

 

A giver of food is a giver of strength.

A giver of clothes, a giver of beauty.

A giver of a vehicle, a giver of ease.

A giver of a lamp, a giver of vision.

And the one who gives a residence,

is the one who is a giver of everything.

                        But the one who teaches the Dhamma

                        is a giver of

                        the Deathless.

 

SN – 1.42

KINDADA SUTRA – O DOADOR DO QUÊ?

Traduzido do Páli para o Inglês pelo Ven. Thanissarô Bhikshú

Traduzido do Inglês para o Português por Rev. Sunanthô Bhikshú

 

m Ser de uma Dimensão Paralela, perguntou:

Um doador do quê é um doador de força?

Um doador do quê é um doador de beleza?

Um doador do quê é um doador de facilidade?

Um doador do quê é um doador de visão?

E quem é um doador de tudo?

Assim perguntado, por favor, me explique.

 

E O Buddha respondeu:

Um doador de comida é um doador de força.

Um doador de roupas é um doador de beleza.

Um doador de um veículo é um doador de facilidade.

Um doador de uma lamparina é um doador de visão.

Um doador de uma residência é um doador de tudo.

Mas aquele que doa o Ensinamento do Buddha é doador da imortalidade.

 

भन्तो सुनन्थो भिक्षु

 Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

TODO TIPO DE DOAÇÃO é sempre muito bem-vindo e necessário. Qualquer pessoa pode exercitar a prática da virtude da generosidade, doando alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal etc.

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A todos, Namaste!

 Abaixo, segue um conto buddhista, um dos “JÁTAKA”. Jatakas, são parte da literatura buddhista e relatam as histórias (se legendárias ou não fica a critério de cada um) das vidas passadas do Buddha e daqueles que conviveram com ele. Leiam e tirem suas próprias conclusões!

travessando a selva para chegar ao Monastério de Djetavaná, perto de Shravatthi, onde o Buddha estava passando um tempo, o banqueiro milionário Anathapindika fez três prostrações em respeito ao Bhagaván. Seus servos estavam carregando grande quantidade de flores, perfume, manteiga, óleo, mel, panos e mantos. Anathapindika prestou respeito ao Buddha, apresentou as oferendas e se sentou, respeitosamente.

Naquela ocasião, Anathapindika estava acompanhado por quinhentos amigos, todos seguidores de outras seitas. Eles também prestaram respeito ao Bhagaván e se sentaram próximos do banqueiro.

A face do Buddha brilhava como a Lua Cheia e seu corpo estava rodeado de uma aura brilhante. Sentado num assento de pedra vermelha, ele parecia um jovem leão, rugindo com a voz clara e nobre, enquanto ensinava com palavras doces e boas de se ouvir.

Após ouvirem o Ensinamento do Bhagaván, os quinhentos amigos de Anathapindika abandonaram suas práticas incorretas e tomaram Refúgio na Jóia Tríplice: O Buddha, o Dharma e a Sangha. A partir de então, passaram a acompanhar Anathapindika regularmente, para fazerem oferendas de flores e incenso e ouvirem o Ensinamento. Passaram a seguir os Preceitos e diligentemente observaram o Dia de Upôssatha. Porém, quando o Buddha deixou Shrávatthi e retornou a Radjagriha, os homens abandonaram o Dharma e retornaram às suas crenças anteriores.

Sete ou oito meses mais tarde, o Buddha voltou a Djetavaná. Novamente, Anathapindika trouxe seus amigos para visitarem o Buddha. Eles prestaram respeito ao Bhagaván, mas o milionário explicou que seus amigos haviam abandonado o Dharma e voltado às suas crenças originais.

O Buddha perguntou: “É verdade que vocês abandonaram o Refúgio na Jóia Tríplice para se refugiarem em outros ensinamentos?” A voz do Bhagaván era clara e podia ser claramente ouvida a milhares de eons de distância, porque ele só falava a Verdade.

Quando aqueles homens ouviram isso, não puderam esconder a verdade: “Sim, Bhantê!” eles confessaram – “É verdade!”

“Seguidores”, o Buddha disse: “em lugar algum entre o mais baixo dos Infernos e o mais alto dos Céus, em lugar algum em todos os mundos infinitos que se alastram para a direita e para a esquerda, há alguém igual, muito menos superior ao Buddha. É incalculável a excelência que brota da obediência aos Preceitos e da prática da conduta virtuosa.”

Enão, o Bhagaván declarou as virtudes da Jóia Tríplice: “Ao tomar Refúgio na Jóia Tríplice, a pessoa está livre de renascer nos renascimentos inferiores da inquietação mental.” Em seguida, o Bhagaván explicou que a Meditação na Jóia Tríplice conduz aos quatro estados da Iluminação.

 “Ao abandonarem tal Refúgio” – o Buddha advertiu – “vocês certamente erraram. No passado, também, muitos homens tolos confundiram o verdadeiro refúgio com refúgios falsos, encontraram o desastre. Na verdade, eles se tornaram presas para os Yakshas – espíritos maus – na selva e foram destruídos. Em contraste, os homens que se mantiveram na Verdade, não apenas sobreviveram, mas também prosperaram na mesma selva.”

Anathapindika levou as mãos juntas até a altura da testa, enalteceu o Buddha e pediu-lhe que contasse uma história do passado.

 “A fim de dispersar a ignorância do mundo e conquistar a inquietação mental,” disse o Bhagaván, “eu pratiquei as Dez Perfeições por incontáveis eons. Ouçam atentamente, eu vou falar.”

Com todos prestando atenção, o Buddha tornou claro como a Lua que sai detrás das nuvens o que o renascimento havia escondido deles.

 Muito tempo atrás, quando Brahmádatta estava reinando em Baranassi, o Bodhissattva nasceu na família de um mercador e, quando cresceu, tornou-se um grande negociante. Naquele tempo, na mesma cidade, havia outro mercador, um homem muito estúpido, que não tinha clareza alguma de raciocínio.

Um dia, aconteceu de cada um dos mercadores carregarem quinhentas carroças com produtos caros de Baranassi e se preparassem para partir na mesma direção, exatamente ao mesmo tempo. O mercador sábio pensou, “Se esse jovem tolo viajar comigo e nossas mil carroças estiverem juntas na Estrada, será demais. Será difícil encontrarmos água e comida para os homens e não haverá pasto suficiente para os bois. Ou eu ou ele terá que ir primeiro.”

“Olhe,” disse ele ao outro mercador, “nós dois não podemos viajar juntos. Você prefere ir antes ou depois de mim?”

O mercador tolo pensou, “Haverá muitas vantagens se eu for primeiro. Vou pegar uma estrada desimpedida, Meus bois vão ter bastante pasto. Meus homens poderão escolher as melhores ervas para fazer curry. A água estará límpida. E o melhor de tudo, eu poderei estabelecer meu preço para as mercadorias.” Considerando tantas vantagens, ele disse: “Vou antes de você, meu amigo.”

 O Bodhissáttva ficou contente ao ouvir isso, porque ele viu muitas vantagens em partir depois. Raciocinou, “Aquelas carroças indo antes, vão aplainar a Estrada onde ela é desnivelada, e poderei atravessar a estrada já plana. Os bois dele vão comer a grama velha, enquanto que meus bois vão aproveitar a grama fresca e nova que vai brotar após a passagem das carroças dele. Meus homens, também vão encontrar ervas frescas para o curry, depois que a caravana dele colher as ervas antigas. Onde não houver água, os homens dele terão que cavar para abrir poços e nós poderemos usar os poços já cavados. Negociar preços é uma tarefa cansativa. Eu deixarei que ele faça isso por mim e, quando chegar lá, já terei os preços antecipadamente estabelecidos para vender meus produtos.

“Muito bem, meu amigo,” ele disse, “por favor, vá primeiro.”

 “Vou sim,” disse o mercador tolo. Preparou suas carroças e partiu. Após algum tempo de travessia, chegou ao fim da selva. Encheu as grandes jarras d´água antes de atravessar as sessenta yodjánas (cerca de sete milhas) de deserto que tinha pela frente.

 Um Yaksha que caçava naquela floresta estava observando a caravana. Quando ela tinha chegado ao meio, ele usou poderes mágicos para crier uma carruagem puxada por jovens touros broncos. Com um séquito de dezenas de Yakshas disfarçados, carregando espadas e escudos, ele seguiu em sua carruagem, como se fosse um nobre poderoso. Seus cabelos e roupas estavam molhados e tinha uma coroa de flores de lotus azuis e lírios na cabeça. Seus atendentes também estavam molhados e usavam guirlandas. Até mesmo os cascos dos bois e as rodas da carruagem estavam cheios de lama.

Como o vento estava soprando de frente, o mercador e o mercador vinha na primeira carroça da caravana, estava se protegendo da poeira. O Yaksha dirigiu sua carruagem para perto do mercador e o cumprimentou gentilmente. O mercador respondeu ao cumprimento e moveu sua carroça para o lado, dando passagem ao Yaksha, enquanto conversavam.

 “Estamos vindo de Baranassi, senhor”, explicou o mercador, “vejo que o senhor e seus homens estão todos molhados, enlameados e com flores de lótus e lírios. Choveu na estrada? Passaram por lagos com flores de lotus e lírios?”

“O que você quer dizer? Exclamou o Yaksha. “Lá adiante há uma floresta muito verde. Além dela, há uma enorme fartura de água. Sempre chove lá e há muitos lagos com lotus e lírios.” Então, fingindo estar interessado nos negócios, perguntou: “O que você está carregando nas carroças?”

 “Mercadorias caras,” respondeu o mercador tolo.

“O que há naquela carroça, que parece tão pesada?” Perguntou o Yakshá, vendo a última carroça passar.

 “Está com um carregamento de água.”

“Você foi esperto em carregar tanta água até aqui, mas não há mais necessidade dela, já que a água é tão abundante mais adiante. Poderá viajar muito mais depressa e leve sem o peso dessas jarras. Deveria quebrá-las e jogar for a água. Bem, tenha um bom dia”, disse ele de repente, enquanto movia a carruagem. “Temos que seguir viagem. Já paramos por muito tempo.” Ele partiu rapidamente, com seus homens. Tão logo sumiram de vista, virou e pegou o caminho para sua própria cidade.

 O mercador era tão tolo que seguiu o conselho do Yaksha. Quebrou todas as jarras d´água, sem deixar nem um copo e ordenou aos homens que seguissem viagem rapidamente. Claro que não encontraram nenhuma água e logo estavam exaustos e com sede. Ao por do Sol, formaram um círculo com as carroças e soltaram os bois para que pastassem. Mas não havia água para os animais cansados. Sem água, os homens não puderam cozinhar o arroz. Caíram no chão e adormeceram. Logo que caiu a noite, os Yakshas atacaram, matando todos os homens e os animais. Devoraram a todos, deixando apenas os ossos e partiram. Havia esqueletos em todas as direções, mas as quinhentas carroças permaneceram intocadas. Portanto, o jovem mercador tolo foi o único responsável pela destruição da caravana toda.

 Após deixar passar seis semanas desde que o mercador tolo havia partido, o Bodhissáttva seguiu viagem, com suas quinhentas carroças. Quando chegou ao fim da selva, encheu de água suas jarras. Então, reuniu seus homens e comunicou, “Não usem a água sem minha permissão. Além disso, há plantas venenosas nesta selva. Não comam nenhuma folha ou flor ou fruto que nunca tenham comido antes, sem me mostrarem.” Tendo alertado seus homens, guiou a caravana pela selva adentro.

Quando haviam chegado ao meio da selva, o Yaksha apareceu no caminho, exatamente como antes. O mercador notou seus olhos vermelhos e seu jeito destemido e suspeitou que algo estranho estava acontecendo. “Eu sei que não há água neste deserto”, disse para si mesmo. “Além disso, esse estranho não tem sombra. Só pode ser um Yaksha. Ele provavelmente enganou aquele mercador tolo, mas ainda não notou o quanto eu sou inteligente.”

“Saia já daqui!”  Gritou para o Yaksha. “Somos comerciantes. Não vamos jogar fora nossa água até que saibamos onde encontrar mais.!”

 Sem dizer uma palavra, os Yakshas seguiram viagem.

 Tão logo eles foram embora, os homens do mercador se aproximaram e lhe disseram: “Senhor, aqueles homens estavam usando flores de lótus e lírios na cabeça. Suas roupas e cabelos estavam molhados. Eles nos disseram que mais adiante há uma imensa floresta onde sempre chove. Vamos jogar fora a água para ganharmos velocidade com as carroças mais leves.”

O mercador ordenou uma parada para reunião com seus homens. “Algum de vocês já tinha ouvido, antes de hoje, sobre a existência de um lago ou poço nesse deserto?”

 “Não, senhor, nunca. É conhecido como o deserto sem água”

“Uns estranhos acabaram de nos dizer que há uma floresta chuvosa mais adiante. Qual o alcance do vento de chuva?”

“Um yojana, senhor.”

“Algum de vocês viu pelo menos uma única nuvem de chuva?”

“Não, senhor.”

“A que distância pode ser visto um relâmpago?”

 “Quatro ou cinco yojanas, senhor.”

“Algum de vocês viu, pelo menos um relâmpago?”

“Não, senhor.”

“A que distância pode alguém ouvir o estrondo de um trovão?”

“Dois ou três yojanas, senhor.”

“Algum de vocês ouviu, pelo menos um trovão?”

“Não, senhor.”

“Aqueles não eram homens, mas sim Yakshas” disse o mercador a seus homens. “Eles esperavam que jogássemos fora nossa água. Então, quando estivéssemos fracos e desmaiados, voltariam para nos devorar. Já que o jovem mercador que partiu antes de nós não era nada esparto, é bem provável que tenha sido enganado pore les. Devemos encontrar suas carroças, do jeito que foram carregadas. Provavelmente, vamos vê-las hoje. Vamos acelerar o máximo que pudermos, sem jogar fora nada da água!”

 Exatamente como o mercador havia previsto, sua caravana logo achou as quinhentas carroças com os esqueletos dos homens e dos bois por toda parte. Ele ordenou aos homens para formarem um círculo com as carroças, que tomassem conta dos bois e preparassem logo cedo a refeição para todos. Após homens e animais se instalarem em segurança, o mercador e seus homens, com espadas na mão, montaram guarda a noite toda.

Ao raiar do dia, o mercador substituiu suas carroças mais fracas pelas mais fortes e também as mercadorias próprias mais baratas pelas mais valiosas, abandonadas pelo mercador tolo. Quando chegou ao seu destino, foi capaz de negociar seus produtos por um valor três vezes maior. Voltou para sua cidade sem perder nem um homem de sua caravana.

 Esta história terminou, disse o Bhagaván, “Assim foi, leigos, que no passado, o tolo foi destruído, enquanto que os que se mantiveram na Verdade, escaparam das mãos dos Yakshas, alcançaram com segurança o objetivo e retornaram ao lar em segurança.

 “Mantendo-se na Verdade, não apenas garante segurança para o renascimento no Reino de Brahma, mas também conduz ao estado de Arahant (Iluminado em vida). Seguindo o que não é verdadeiro, conduz ao renascimento, tanto nos Reinos Inferiores, quanto na forma humana na mais baixa das condições.” Após o Buddha ter exposto as Quatro Nobres Verdades, aqueles quinhentos seguidores se estabeleceram no Fruto do Primeiro Caminho.

 O Buddha concluiu esta lição, identificando o Renascimento de seus personagens assim: “O mercador jovem e tolo era Devadatta (o primo e cunhado do Buddha que vivia tentando mata-lo) e seus homens eram os seguidores de Devadatta (monges tolos que decidiram seguir Devadatta quando ele causou a divisão da Comunidade Monástica). Os homens do mercador sábio eram os seguidores do Buddha e eu mesmo era o mercador sábio.”

ENGLISH VERSION:

 rossing the Wilderness while the Buddha was staying at Jetavana Monastery near Savatthi, the wealthy banker, Anathapindika, went one day to pay his respects. His servants carried masses of flowers, perfume, butter, oil, honey, molasses, cloths, and robes. Anathapindika paid obeisance to the Buddha, presented the offerings he had brought, and sat down respectfully. At that time, Anathapindika was accompanied by five hundred friends who were followers of heretical teachers. His friends also paid their respects to the Buddha and sat close to the banker. The Buddha’s face appeared like a full moon, and his body was surrounded by a radiant aura. Seated on the red stone seat, he was like a young lion roaring with a clear, noble voice as he taught them a discourse full of sweetness and beautiful to the ear.

 After hearing the Buddha’s teaching, the five hundred gave up their heretical practices and took refuge in the Triple Gem: the Buddha, the Dhamma, and the Sangha. After that, they went regularly with Anathapindika to offer flowers and incense and to hear the teaching. They gave liberally, kept the precepts, and faithfully observed the Uposatha Day.  Soon after the Buddha left Savatthi to return to Rajagaha, however, these men abandoned their new faith and reverted to their previous beliefs.

Seven or eight months later, the Buddha returned to Jetavana. Again, Anathapindika brought these friends to visit the Buddha. They paid their respects, but Anathapindika explained that they had forsaken their refuge and had resumed their original practices.

 The Buddha asked, “Is it true that you have abandoned refuge in the Triple Gem for refuge in other doctrines?” The Buddha’s voice was incredibly clear because throughout myriad aeons He had always spoken truthfully.

When these men heard it, they were unable to conceal the truth. “Yes, Blessed One,” they confessed. “It is true.”

“Disciples,” the Buddha said “nowhere between the lowest of hells below and the highest heaven above, nowhere in all the infinite worlds that stretch right and left, is there the equal, much less the superior, of a Buddha. Incalculable is the excellence which springs from obeying the Precepts and from other virtuous conduct.”

Then he declared the virtues of the Triple Gem. “By taking refuge in the Triple Gem,” He told them, “one escapes from rebirth in states of suffering.” He further explained that meditation on the Triple Gem leads through the four stages to Enlightenment.

“In forsaking such a refuge as this,” he admonished them, “you have certainly erred. In the past, too, men who foolishly mistook what was no refuge for a real refuge, met disaster. Actually, they fell prey to yakkhas — evil spirits — in the wilderness and were utterly destroyed. In contrast, men who clung to the truth not only survived, but actually prospered in that same wilderness.”

Anathapindika raised his clasped hands to his forehead, praised the Buddha, and asked him to tell that story of the past.

 “In order to dispel the world’s ignorance and to conquer suffering,” the Buddha proclaimed, “I practiced the Ten Perfections for countless aeons. Listen carefully, and I will speak.”

Having their full attention, the Buddha made clear, as though he were releasing the full moon from behind clouds, what rebirth had concealed from them.

Long, long ago, when Brahmadatta was reigning in Baranasi, the Bodhisatta was born into a merchant’s family and grew up to be a wise trader. At the same time, in the same city, there was another merchant, a very stupid fellow, with no common sense whatsoever.

One day it so happened that the two merchants each loaded five hundred carts with costly wares of Baranasi and prepared to leave in the same direction at exactly the same time. The wise merchant thought, “If this silly young fool travels with me and if our thousand carts stay together, it will be too much for the road. Finding wood and water for the men will be difficult, and there won’t be enough grass for the oxen. Either he or I must go first.”

“Look,” he said to the other merchant, “the two of us can’t travel together. Would you rather go first or follow after me?”

The foolish trader thought, “There will be many advantages if I take the lead. I’ll get a road which is not yet cut up. My oxen will have the pick of the grass. My men will get the choicest wild herbs for curry. The water will be undisturbed. Best of all, I’ll be able to fix my own price for bartering my goods.” Considering all these advantages, he said, “I will go ahead of you, my friend.”

The Bodhisatta was pleased to hear this because he saw many advantages in following after. He reasoned, “Those carts going first will level the road where it is rough, and I’ll be able to travel along the road they have already smoothed. Their oxen will graze off the coarse old grass, and mine will pasture on the sweet young growth which will spring up in its place. My men will find fresh sweet herbs for curry where the old ones have been picked. Where there is no water, the first caravan will have to dig to supply themselves, and we’ll be able to drink at the wells they have dug. Haggling over prices is tiring work; he’ll do the work, and I will be able to barter my wares at prices he has already fixed.”

 “Very well, my friend,” he said, “please go first.”

“I will,” said the foolish merchant, and he yoked his carts and set out. After a while he came to the outskirts of a wilderness. He filled all of his huge water jars with water before setting out to cross the sixty yojanas (about seven miles) of desert which lay before him.

The yakkha who haunted that wilderness had been watching the caravan. When it had reached the middle, he used his magic power to conjure up a lovely carriage drawn by pure white young bulls. With a retinue of a dozen disguised yakkhas carrying swords and shields, he rode along in his carriage like a mighty lord. His hair and clothes were wet, and he had a wreath of blue lotuses and white water lilies around his head. His attendants also were dripping wet and draped in garlands. Even the bulls’ hooves and carriage wheels were muddy.

 As the wind was blowing from the front, the merchant was riding at the head of his caravan to escape the dust. The yakkha drew his carriage beside the merchant’s and greeted him kindly. The merchant returned the greeting and moved his own carriage to one side to allow the carts to pass while he and the yakkha chatted.

“We are on our way from Baranasi, sir,” explained the merchant. “I see that your men are all wet and muddy and that you have lotuses and water lilies. Did it rain while you were on the road? Did you come across pools with lotuses and water lilies?”

“What do you mean?” the yakkha exclaimed. “Over there is the dark-green streak of a jungle. Beyond that there is plenty of water. It is always raining there, and there are many lakes with lotuses and water lilies.” Then, pretending to be interested in the merchant’s business, he asked, “What do you have in these carts?”

“Expensive merchandise,” answered the merchant.

“What is in this cart which seems so heavily laden?” the yakkha asked as the last cart rolled by.

“That’s full of water.”

 “You were wise to carry water with you this far, but there is no need for it now, since water is so abundant ahead. You could travel much faster and lighter without those heavy jars. You’d be better off breaking them and throwing the water away. Well, good day,” he said suddenly, as he turned his carriage. “We must be on our way. We have stopped too long already.” He rode away quickly with his men. As soon as they were out of sight, he turned and made his way back to his own city.

The merchant was so foolish that he followed the yakkha’s advice. He broke all the jars, without saving even a single cupful of water, and ordered the men to drive on quickly. Of course, they did not find any water, and they were soon exhausted from thirst. At sunset they drew their carts into a circle and tethered the oxen to the wheels, but there was no water for the weary animals. Without water, the men could not cook any rice either. They sank to the ground and fell asleep. As soon as night came, the yakkhas attacked, killing every single man and beast. The fiends devoured the flesh, leaving only the bones, and departed. Skeletons were strewn in every direction, but the five hundred carts stood with their loads untouched. Thus the heedless young merchant was the sole cause of the destruction of the entire caravan.

 Allowing six weeks to pass after the foolish trader had left, the Bodhisatta set out with his five hundred carts. When he reached the edge of the wilderness, he filled his water jars. Then he assembled his men and announced, “Let not so much as a handful of water be used without my permission. Furthermore, there are poisonous plants in this wilderness. Do not eat any leaf, flower, or fruit which you have never eaten before, without showing it to me first.” Having thus carefully warned his men, he led the caravan into the wilderness.

 When they had reached the middle of the wilderness, the yakkha appeared on the path just as before. The merchant noticed his red eyes and fearless manner and suspected something strange. “I know there is no water in this desert,” he said to himself. “Furthermore, this stranger casts no shadow. He must be a yakkha. He probably tricked the foolish merchant, but he doesn’t realize how clever I am.”

“Get out of here!” he shouted at the yakkha. “We are men of business. We do not throw away our water before we see where more is to come from!”

Without saying any more, the yakkha rode away.

As soon as the yakkhas had left, the merchant’s men approached their leader and said, “Sir, those men were wearing lotuses and water lilies on their heads. Their clothes and hair were wringing wet. They told us that up ahead there is a thick forest where it is always raining. Let us throw away our water so that we can proceed quicker with lightened carts.”

The merchant ordered a halt and summoned all his men. “Has any man among you ever heard before today,” he asked, “that there was a lake or a pool in this wilderness?”

“No, sir,” they answered. “It’s known as the ‘Waterless Desert.’ “

“We have just been told by some strangers that it is raining in the forest just ahead. How far does a rain-wind carry?”

“A yojana, sir.”

“Has any man here seen the top of even a single storm-cloud?”

“No, sir.”

“How far off can you see a flash of lightning?”

“Four or five yojanas, sir.”

“Has any man here seen a flash of lightning?”

“No, sir.”

“How far off can a man hear a peal of thunder?”

“Two or three yojanas, sir.”

“Has any man here heard a peal of thunder?”

“No, sir.”

“Those were not men, but yakkhas,” the wise merchant told his men. “They are hoping that we will throw away our water. Then, when we are weak and faint, they will return to devour us. Since the young merchant who went before us was not a man of good sense, most likely he was fooled by them. We may expect to find his carts standing just as they were first loaded. We will probably see them today. Press on with all possible speed, without throwing away a drop of water!”

Just as the merchant had predicted, his caravan soon came upon the five hundred carts with the skeletons of men and oxen strewn in every direction. He ordered his men to arrange his carts in a fortified circle, to take care of the oxen, and to prepare an early supper for themselves. After the animals and men had all safely bedded down, the merchant and his foremen, swords in hand, stood guard all through the night.

At daybreak the merchant replaced his own weak carts for stronger ones and exchanged his own common goods for the most costly of the abandoned merchandise. When he arrived at his destination, he was able to barter his stock of wares at two or three times their value. He returned to his own city without losing a single man out of all his company.

This story ended, the Buddha said, “Thus it was, laymen, that in times past, the foolish came to utter destruction, while those who clung to the truth escaped from the yakkhas’ hands, reached their goal in safety, and returned to their homes again.

“This clinging to the truth not only endows happiness even up to rebirth in the Realm of Brahma,  but also leads ultimately to Arahatship. Following untruth entails rebirth either in the four states of punishment or in the lowest conditions of mankind.” After the Buddha had expounded the Four Truths, those five hundred disciples were established in the Fruit of the First Path.

The Buddha concluded his lesson by identifying the Birth as follows: “The foolish young merchant was Devadatta,  and his men were Devadatta’s followers. The wise merchant’s men were the followers of the Buddha, and I myself was that wise merchant.”

 Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

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A todos, Namaste!

Neste Sutra, o Buddha nos mostra que há vários mestres e muitas pessoas que seguem a cada um deles. Porém, é importante seguirmos somente a um Mestre Iluminado, um Buddha, que seja capaz de explicar, sem sombra alguma de erro ou dúvida o Dharma como realmente é. Somente quando explicado na totalidade e sem erros de visão, o Dharma é capaz de nos conduzir à Iluminação.

CULA-SIHANADA SUTRA

(“Tchula-sihanada Sutra”)

O Ensinamento sobre o Rugido do Leão

Traduzido do Páli para o Inglês pelo Ven. Ñanamoli Therá

 e Ven. Bhikkhu Bôdhi

Traduzido do Inglês para o Português, em linguagem simples

Por Bhantê Sunanthô Bhikshú

Fonte: site access to insight

  “Assim me foi transmitido oralmente.” Em certa ocasião, o Bhagaván (o Buddha) estava passando um tempo em Shrávatthi, no Bosque de Djetá, no parque que lhe foi doado pelo milionário Anathapindika. Então, ele disse aos Bhikshús (monges buddhistas): “Bhikshús!” “Bhantê!” – responderam os monges. O Bhagaván continuou:

 “Bhikshús, apenas aqui há um praticante do Cultivo Mental, apenas aqui há um segundo praticante do Cultivo Mental, apenas aqui há um terceiro praticante do Cultivo Mental, apenas aqui há um quarto praticante do Cultivo Mental. O ensinamento dos outros é vazio de praticantes do Cultivo Mental: é assim que vocês devem rugir corretamente o rugido do leão. (“sihanada”, em Páli, significa “rugido do leão”)

 É possível, Bhikshús, que os andarilhos de outras seitas perguntem: “Mas com que argumento ou baseado em qual autoridade os veneráveis monges dizem isso?” Aos andarilhos de outras seitas que perguntarem isso, vocês devem responder deste modo: “Amigos, quatro coisas nos foram declaradas pelo Bhagaván, aquele que sabe e vê, totalmente completo e iluminado; ao vermos isso em nós mesmos, dizemos: “Apenas aqui há um praticante do Cultivo Mental, apenas aqui há um segundo praticante do Cultivo Mental, apenas aqui há um terceiro praticante do Cultivo Mental, apenas aqui há um quarto praticante do Cultivo Mental.” Quais são os quatro? Nós confiamos no Mestre, nós confiamos no Dharma (o Ensinamento do Buddha), nós praticamos totalmente os Preceitos e nossos companheiros no Dharma nos são queridos e agradáveis, tanto os leigos quanto os outros monges. Estas são as quatro coisas que nos foram declaradas pelo Bhagaván, aquele que aquele que sabe e vê, totalmente completo e iluminado. Ao vermos tais coisas em nós mesmos, dizemos aquilo que fazemos.”

 “É possível, Bhikshús, que os andarilhos de outras seitas digam: “Amigos, nós também confiamos no mestre, quer dizer, em nosso mestre; também confiamos no ensinamento, quer dizer, no ensinamento de nosso mestre; também seguimos completamente os preceitos, quer dizer, nossos preceitos; nossos companheiros nos são queridos e agradáveis, tanto os leigos quanto os monges. Qual a diferença aqui, amigos, qual a variação, o que nos diferencia de vocês? Aos andarilhos de outras seitas que perguntarem isso, vocês devem responder deste modo: “Como, então, amigos é o objetivo um só ou menos? Se responderem corretamente, os andarilhos de outras seitas dirão: “Amigos, o objetivo é um, não são muitos.” (embora algumas seitas da época tivessem como objetivo se tornarem deuses em diferentes Reinos Celestiais). Mas, amigos, o objetivo é para alguém livre da luxúria ou ainda influenciado por ela?” “Mas, amigos, o objetivo é para alguém influenciado pelo ódio ou livre do ódio?” Se responderem corretamente, dirão: “Amigos, o objetivo é para os que estão livres da luxúria, não para os que são influenciados por ela.” E, também: “Amigos, o objetivo é para os que estão livres do ódio e não para os que ainda são influenciados por ele” – “Mas, amigos, o objetivo é para os que estão  ainda influenciados pela ilusão ou livres de ilusão?” Se responderem corretamente, dirão: “Amigos, este objetivo é para os que estão livres da ilusão, não para os que ainda são influenciados por ela.”

 “Mas, amigos, o objetivo é para os que estão ainda influenciados pelo apego ou livres do apego?” Se responderem corretamente, dirão: “Amigos, este objetivo é para os que estão livres do apego, não para os que ainda são influenciados pelo apego.” “Mas, amigos, o objetivo é para os que estão ainda influenciados pela cobiça ou livres dela?” Se responderem corretamente, dirão: “Amigos, este objetivo é para os que estão livres da cobiça, não para os que ainda são influenciados pela cobiça.”

 “Mas, amigos, o objetivo é para os que têm visão ou não têm visão?” Se responderem corretamente, dirão: “Amigos, este objetivo é para os que têm visão, não para os que nâo têm visão.”

 “Mas, amigos, o objetivo é para os que favorecem e se opõem ou para os que não favorecem nem se opõem?” Se responderem corretamente, dirão: “Amigos, este objetivo é para os que não favorecem nem se opõem, não para os que ainda favorecem e se opõem.” (favorecem e se opõem, em Páli – “anurôdha pativirôdha”, significa reagirem com prazer à luxúria e com aversão através do ódio)

“Mas, amigos, o objetivo é para os que ainda se deliciam com a proliferação (“papañtcha” em Páli, proliferação dos prazeres pelas coisas do mundo em geral, mas, neste caso, se refere ao apego e à cobiça somente) ou para os que já não se deliciam pela proliferação?” Se responderem corretamente, dirão: “Amigos, este objetivo é para os que estão livres da proliferação, não para os que ainda se deliciam com ela.”

 “Bhikshús, há estes dois pontos de vista: o ponto sobre existir e o ponto sobre não-existir. Qualquer praticante do Cultivo Mental ou Sacerdote (do hinduismo) que confia no ponto de vista sobre existir, adota o ponto de vista sobre existir, aceita o ponto de vista sobre existir, é oposto ao ponto de vista sobre não-existir. Qualquer praticante do Cultivo Mental ou Sacerdote que confia no ponto de vista sobre não-existir, adota o ponto de vista sobre não-existir, aceita o ponto de vista sobre não-existir, é oposto ao ponto de vista sobre existir. (Também aqui, o Buddha se refere à dualidade de “favorecer X se opor)

 “Qualquer praticante do Cultivo Mental ou Sacerdote que não entenda a correta origem (Samúdaya – a Segunda Nobre Verdade), o desaparecimento, a gratificação, o perigo e o escape (a entrada no Caminho que conduz à Iluminação), no caso destes dois pontos de vista, são afetados pela luxúria, afetados pelo ódio, afetados pela ilusão, afetados pelo apego, afetados pela cobiça, sem visão correta, entregues ao favorecer e à oposição e se deliciam  e alegram na proliferação. Não estão livres do renascimento, envelhecer e morte, nem da tristeza, lamentação, dor, luto e desespero; não estão livres da inquietação mental, eu lhes digo.

 “Qualquer praticante do Cultivo Mental ou Sacerdote que entenda corretamente a origem (Samúdaya – a Segunda das Quatro Nobres Verdades), o desaparecimento, a gratificação, o perigo e o escape (a entrada no Caminho que conduz ao Estado Mental do Nirváña), no caso destes dois pontos de vista, não mais são afetados pela luxúria, nem são afetados pelo ódio, não são afetados pela ilusão, nem são afetados pelo apego, também não são afetados pela cobiça, eles têm a visão correta, e não mais são entregues ao favorecer e à oposição, nem se deliciam  e alegram na proliferação. Estão livres do renascimento, do envelhecer e morte,  da tristeza, lamentação, dor, luto e desespero; tornaram-se livres da inquietação mental, eu lhes digo.”

 “Bhikshús, há quatro tipos de apego. Quais os quatro? Apego aos prazeres sensuais, apego aos pontos de vista, apego às regras e observâncias e apego à doutrina de que existe um Ego.” (ou que existe a “alma”)

 “Embora alguns praticantes do Cultivo Mental e sacerdotes afirmem e propaguem que entendem todos os tipos de apego, eles não descrevem completamente o entendimento deles (em Páli, “pahanapariññá” significa abandonar o apego, após o completo entendimento dele). Eles descrevem o completo entendimento do apego aos prazeres sensuais, sem descrever o completo entendimento do apego aos pontos de vista, o apego às regras e observâncias e sem descrever o apego à doutrina de que existe um Ego (ou alma). Por que isto? Esses bons praticantes do Cultivo Mental e sacerdotes, não entendem estas três situações de apego como elas realmente são. Portanto, embora proclamem  que entendem profundamente os quatro tipos de apego, descrevem apenas o entendimento completo sobre o apego aos prazeres sensuais, sem descreverem o entendimento completo do apego aos pontos de vista, o apego às regras e observâncias e o apego à doutrina de que existe um Ego (ou alma).”

 “Embora alguns praticantes do Cultivo Mental e sacerdotes afirmem e propaguem que entendem todos os tipos de apego, eles não descrevem completamente o entendimento deles. Eles descrevem o completo entendimento do apego aos prazeres sensuais e o apego aos pontos de vista, sem descrever completamente o apego às regras e observâncias e sem descrever o apego à doutrina de que existe um Ego (ou alma). Por que isto? Esses bons praticantes do Cultivo Mental e sacerdotes, não entendem estas duas situações de apego como elas realmente são. Portanto, embora proclamem que entendem profundamente os quatro tipos de apego, descrevem apenas o entendimento completo sobre o apego aos prazeres sensuais, descrevem o entendimento completo do apego aos pontos de vista, sem descreverem completamente o apego às regras e observâncias e o apego à doutrina de que existe um Ego (ou alma).”

“Embora alguns praticantes do Cultivo Mental e sacerdotes afirmem e propaguem que entendem todos os tipos de apego, eles não descrevem completamente o entendimento deles. Eles descrevem o completo entendimento do apego aos prazeres sensuais, descrevem o apego aos pontos de vista e também descrevem completamente o apego às regras e observâncias, porém sem descrever completamente o apego à doutrina de que existe um Ego (ou alma). Por que isto? Esses bons praticantes do Cultivo Mental e sacerdotes, não entendem esta situação de apego como ela realmente é. Portanto, embora proclamem que entendem profundamente os quatro tipos de apego, descrevem apenas o entendimento completo sobre o apego aos prazeres sensuais, o entendimento completo do apego aos pontos de vista, descreverem completamente o apego às regras e observâncias mas não descrevem o apego à doutrina de que existe um Ego (ou alma).”

 “Bhikshús, neste Ensinamento (Dharma) e Disciplina, que é pleno de confiança no Mestre e não é corretamente direcionado, que a confiança no Dharma não é corretamente direcionada, que os preceitos não são preenchidos completamente e, no qual a afeição entre os companheiros de prática do Dharma não é corretamente direcionada. Por que é isto? Porque é assim que acontece, quando o Dharma e a Disciplina são mal proclamados, mal expostos, não-libertadores, não condutores à paz, ensinados por alguém que não é completamente iluminado. (Um mestre com erros de visão)

 “Bhikshús, quanto um Tathágata (título que o Buddha usava para si mesmo), completo e totalmente iluminado, proclama o total entendimento dos quatro tipos de apego, ele descreve completamente o total entendimento deles: ele descreve completamente o entendimento do apego aos prazeres sensuais, ele descreve completamente o entendimento do apego aos pontos de vista, o entendimento do apego às regras e observâncias e descreve completamente o entendimento do apego à doutrina de que existe um Ego (ou alma).”

 “Bhikshús, neste Ensinamento (Dharma) e Disciplina, que é pleno de confiança no Mestre e é corretamente direcionado, que a confiança no Dharma é corretamente direcionada, que os preceitos são preenchidos completamente e, no qual a afeição entre os companheiros de prática do Dharma é corretamente direcionada. Por que é isto? Porque é assim que acontece, quando o Dharma e a Disciplina são bem proclamados, bem expostos, libertadores, condutores à paz, ensinados por alguém que é completamente iluminado. (Um mestre sem erro algum de visão)

 “Agora, estes quatro tipos de obstrução têm o que como fonte, o que é a origem deles, do que são nascidos e produzidos? Estes quatro tipos de obstrução têm o apego como fonte, o apego como origem, são nascidos e produzidos pelo apego. O apego tem o sentimento como fonte, como origem, é nascido e produzido pelo sentimento. O sentimento tem o quê como fonte? O sentimento tem o contato (entre os órgãos dos sentidos e seus respectivos objetos dos sentidos) como fonte, o contato como origem, é nascido e produzido pelo contato. O contato tem o quê como fonte? O contato tem a base dos seis órgãos (tato, olfato, paladar, visão, audição e mente) como fonte, a base dos seis órgãos como origem, é nascido e produzido pela base dos seis órgãos. A base dos seis órgãos tem o quê como fonte? A base dos seis órgãos tem a Mentalidade-Materialidade como fonte, tem a Mentalidade-Materialidade como origem, é nascida e produzida pela Mentalidade-Materialidade. A Mentalidade-Materialidade têm o quê como fonte? A Mentalidade-Materialidade têm a Consciência como fonte. Têm a Consciência como origem, são nascidas e produzidas pela Consciência. A Consciência tem o quê como fonte? A Consciência tem as formações (mentais) como fonte. Tem as formações como origem, é nascida e produzida pelas formações. As formações têm o que como fonte? As formações têm a ignorância (sobre as coisas como realmente são, sem ilusões) como fonte. Têm a ignorância como origem, são nascidas e produzidas pela ignorância.

 “Bhikshús, quando a ignorância é abandonada e o verdadeiro conhecimento surge em um Bhikshú (ou num praticante leigo do Cultivo Mental), então, com o desaparecer da ignorância e o surgimento do verdadeiro conhecimento, ele não mais se apega aos prazeres sensuais, não mais se apega aos pontos de vista, não mais se apega às regras e observâncias, não mais se apega à doutrina de que existe um Ego (ou alma). Quando ele não mais se apega, não mais há agitação mental. Quando não mais se agita, ele pessoalmente atinge o Estado Mental do Nirváña. Ele entende: “O renascimento foi destruído, a vida do Cultivo Mental foi vivida, o que tinha a ser feito, foi feito, não mais vir a ser, não mais estado de ser.”

 Isto foi o que o Bhagaván disse. Os Bhikshús ficaram satisfeitos e se deliciaram com as palavras do Bhagaván.

 Fiquem todos em Paz e protegidos!

 Bhantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

A todos, Namaste!

uem recita muito as Escrituras mas, com a mente desatenta, não pratica o que elas dizem, é como um vaqueiro contando as cabeças de gado dos outros. Ele não compartilha do Cultivo Mental.

Quem quase não recita as Escrituras, mas segue o Ensinamento (Dharma), de acordo com o Dharma, abandonando as paixões, a aversão e a ilusão, está alerta, com a mente liberada, não se apegando a nada – nesta e na próxima vida, é alguém que pratica o Cultivo Mental.

 

If someone recites many Scriptures, but – heedless man – does not do what they say, like a cowherd counting the cattle of others, does not share the Mental Cultivation.

If someone recites almost nothing of the Scriptures, but follows the Teachings (Dharma), according to the Dharma, abandoning passion, aversion, delusion, being mindful, with a liberated mind, not clinging to anything, either this and next life this someone shares the Mental Cultivation.

 

यहां (इस लेक में) शोक करता है, मरणोपरांत (परलेक में) शोक करता है, पाप करने वाला (व्यकित) दोनों जगह शोक करता है। वह अपने कर्मों की मलिनता देख कर शोकापत्र होता है, संतापित होता है।

यहां (इस लोक में) संतप्त होता है, प्रण छोड़ कर (परलोक में) संतप्त होता है। पापकारी दोनों जगह संतप्त होता है। “मैंने पाप कि याहै” इस (चिंतन) से संतप्त होता है (और) दुगॆति को प्राप्त होकर और भी (अधिक) संतप्त होता है।

 यहां (इस लोक में) आनंदित होता है, प्रण छोड़ कर (परलोक में) आनंदित होता है। पुण्यकारी दोनों जगह आनंदित होता है (और) सुगति कोप्राप्त होने पर और भी (अधिक) आनंदित होता है।

यहां (इस लेक में) शोक करता है, मरणोपरांत (परलेक में) शोक करता है, पाप करने वाला (व्यकित) दोनों जगह शोक करता है। वह अपने कर्मों की शुद्धता (पुण्यकमॆसंपत्ति) देख कर मुदित होता है, प्रमुदित होता है।

O Buddha / The Buddha / बुद्धजी

 

भन्ते सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

TODO TIPO DE DOAÇÃO é sempre muito bem-vindo e necessário. Qualquer pessoa pode exercitar a prática da virtude da generosidade, doando alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal etc.

Doações financeiras, de qualquer valor, podem ser feitas através do sistema PAYPAL do Blog, ou depósito bancário:

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A todos, Namastê!

 o Sutra (Ensinamento do Buddha) abaixo, nos é explicado um treinamento, dirigido aos monges, porém totalmente válido para praticantes leigos. Trata-se de um exercício de Atenção Plena nas atitudes capazes de purificar a mente, o que, conforme o Buddha sempre nos orientou, conduz à Iluminação. Vamos ao Sutra…

 A N VIII.39

Abhissanda Sutra

O Ensinamento sobre Recompensas

Traduzido para o Português em Linguagem Simples

e com explicações entre parênteses

Por Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

 Assim me foi transmitido oralmente. Certa ocasião, o Bhagaván disse aos monges de sua Comunidade: “Bhikshús, há essas oito recompensas do mérito, recompensas da habilidade, alimento para a felicidade, de nobre pureza, que resultam na felicidade, conduzem a um estado mental semelhante a um paraíso, conduzem ao que é desejável, prazeroso e atraente, para o bem-estar e a felicidade. Quais oito?

“É o caso em que um nobre discípulo buscou refúgio no Buddha. Essa é a primeira recompensa do mérito, recompensas da habilidade, alimento para a felicidade, de nobre pureza, que resultam na felicidade, conduzem a um estado mental semelhante a um paraíso, conduzem ao que é desejável, prazeroso e atraente, para o bem-estar e a felicidade.

“Além disso, o nobre discípulo buscou refúgio no Dharma (Ensinamento do Buddha). Essa é a segunda recompensa do mérito, recompensas da habilidade, alimento para a felicidade, de nobre pureza, que resultam na felicidade, conduzem a um estado mental semelhante a um paraíso, conduzem ao que é desejável, prazeroso e atraente, para o bem-estar e a felicidade.

“Além disso, o nobre discípulo buscou refúgio na Mahá Sangha (Comunidade de Monges Buddhistas). Essa é a terceira recompensa do mérito, recompensas da habilidade, alimento para a felicidade, de nobre pureza, que resultam na felicidade, conduzem a um estado mental semelhante a um paraíso, conduzem ao que é desejável, prazeroso e atraente, para o bem-estar e a felicidade.

“Agora, há essas cinco dádivas, cinco grandes dádivas – originais, que existem há muito tempo, tradicionais, antigas, sem que tenham sido alteradas, não adulteradas desde o princípio – que não estão sujeitas à suspeita, nunca estarão sujeitas à suspeita, e não são criticáveis pelos Sábios praticantes do cultivo mental e Brahmin (sacerdotes hindús). Quais cinco?

“É o caso em que um nobre discípulo, abandonando o hábito de matar outros seres, se abstém de tirar a vida. Agindo assim, ele se liberta do perigo, se liberta da animosidade,  liberta da opressão um incontável número de seres. Se libertando do perigo, se libertando da animosidade, libertando da opressão um incontável número de seres, ele ganha uma parcela na ilimitada liberdade do perigo, liberdade da animosidade e liberdade da opressão. Essa é a primeira dádiva, a primeira grande dádiva – original, que existe há muito tempo, tradicional, antiga, sem que tenha sido alterada, não adulterada desde o princípio – que não está sujeita à suspeita, nunca estará sujeita à suspeita, e não é criticável pelos Sábios praticantes do cultivo mental e Brahmin (sacerdotes hindús).

“Além disso, abandonando o hábito de tomar o que não lhe foi dado pelo dono, o nobre discípulo se abstém de tomar o que não é dado. Agindo assim, ele se liberta do perigo, se liberta da animosidade, liberta da opressão um incontável número de seres. Libertando do perigo, libertando da animosidade, libertando da opressão um incontável número de seres, ele ganha uma parcela na ilimitada liberdade do perigo, liberdade da animosidade e liberdade da opressão. Essa é a segunda dádiva , a segunda grande dádiva – original, que existe há muito tempo, tradicional, antiga, sem que tenha sido alterada, não adulterada desde o princípio – que não está sujeita à suspeita, nunca estará sujeita à suspeita, e não é criticável pelos Sábios praticantes do cultivo mental e Brahmin.

“Além disso, abandonando a conduta sexual desleal à pessoa com quem se tem um compromisso (no caso de buddhistas leigos), o nobre discípulo se abstém de todo tipo de conduta sexual (monges não podem praticar nenhum tipo de sexo!). Agindo assim, ele se liberta do perigo, se liberta da animosidade, liberta da opressão um incontável número de seres. Libertando do perigo, libertando da animosidade, libertando da opressão um incontável número de seres, ele ganha uma parcela na ilimitada liberdade do perigo, liberdade da animosidade e liberdade da opressão. Essa é a terceira dádiva, a terceira grande dádiva – original, que existe há muito tempo, tradicional, antiga, sem que tenha sido alterada, não adulterada desde o princípio – que não está sujeita à suspeita, nunca estará sujeita à suspeita, e não é criticável pelos Sábios praticantes do cultivo mental e Brahmin.

“Além disso, abandonando a mentira, as palavras sujas e vulgares, a linguagem falsa  que causa discórdia e ilusão, o nobre discípulo se abstém de usar incorretamente as palavras . Agindo assim, ele liberta do perigo, liberta da animosidade, liberta da opressão um incontável número de seres. Libertando do perigo, libertando da animosidade, libertando da opressão para um incontável número de seres, ele ganha uma parcela na ilimitada liberdade do perigo, liberdade da animosidade, e liberdade da opressão. Essa é a quarta dádiva, a quarta grande dádiva – original, que existe há muito tempo, tradicional, antiga, sem que tenha sido alterada, não adulterada desde o princípio – que não está sujeita à suspeita, nunca estará sujeita à suspeita, e não é criticável pelos Sábios praticantes do cultivo mental e Brahmin.

“Além disso, abandonando o uso de qualquer substância que altere o estado puro da mente, o nobre discípulo se abstém de todo tipo de substância que possa causar vício. Agindo assim, ele liberta do perigo, liberta da animosidade, liberta da opressão um incontável número de seres. Libertando do perigo, libertando da animosidade, libertando da opressão um incontável número de seres, ele ganha uma parcela na ilimitada liberdade do perigo, liberdade da animosidade, e liberdade da opressão. Essa é a quinta dádiva, a quinta grande dádiva – original, que existe há muito tempo, tradicional, antiga, sem que tenha sido alterada, não adulterada desde o princípio – que não está sujeita à suspeita, nunca estará sujeita à suspeita, e não é criticável pelos Sábios praticantes do cultivo mental e Brahmin. E essa é a quinta recompensa de mérito, recompensa da habilidade, alimento da felicidade, celestial, resultando na felicidade, que conduz ao paraíso, conduz ao que é desejável, prazeroso e atraente; para o bem estar e a felicidade.”

(Estas cinco dádivas, mencionadas pelo Buddha, são exatamente os Cinco Preceitos – “Pañtcha Shila” – sobre os quais há matéria no Blog. Seguir estes Cinco Preceitos, entregues em Cerimônia especial por nós monges, é a condição para que alguém se torne “oficialmente” um buddhista)

 

भन्ते सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

 

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