MY OWN OPINIONS – MINHAS PRÓPRIAS OPINIÕES


A todos, Namaste!

OS PRECEITOS FAZEM O MONGE (PRECEPTS MAKE THE MONK)

hindu_primer-alpha-Quando o Buddha idealizou sua Comunidade Monástica (chamada de Mahá Sangha) ele não se preocupou muito – apenas chamava para que o acompanhassem, aquelas pessoas nas quais via interesse sincero em praticar o Ensinamento transmitido por ele. Para o Bhagaván, parecia bastante natural que todos raspassem a cabeça, se vestissem somente com os mantos, que eram trapos sujos e rasgados, comessem somente na parte da manhã e mendigassem o próprio alimento… Enfim, ele achava que isso estava claro para todos e que não precisaria mais que isso. Vivendo somente o MOMENTO PRESENTE, sem usar de seus poderes paranormais para visualizar o futuro, ele não se preocupou, de início, em criar regras. Mas, com o passar do tempo, viu que a mente humana era mais perigosa do que parecia e, à medida que os monges foram aumentando de número – nem todos com a mesma disposição de renunciar aos prazeres mundanos, surgiu a necessidade de estabelecer um Código de Disciplina, que fosse seguido por todos, sem exceção! Assim surgiu o que hoje conhecemos como PRATIMÔKSHA ou PATTIMÔKHA, que regula nossa vida monástica – tanto para monges quanto para monjas.

Foi graças ao Pratimôksha que o Buddhismo chegou aos nossos tempos! Embora as várias Tradições tenham alterado e anulado várias das 227 regras para homens e 311 para mulheres, o Código Disciplinar, em sua essência, foi mantido, preservando a integridade da Mahá Sangha e, se hoje o Dharma (Ensinamento) é acessível a vocês leigos, estejam certos: foi somente graças ao Pratimôksha, ou a Comunidade Monástica teria se extinguido ao longo dos quase 3000 anos, desde a morte do Buddha!

Os Preceitos nos protegem! Eles não existem para nos escravizar, mas sim para nos lembrarem, a todo tempo, do que somos, de quem somos, de como somos! Eles são um constante lembrete da diferença que há entre leigos e nós monges, que OPTAMOS por uma vida diferente, afastada das coisas que vocês tanto gostam e das quais muitas vezes até dependem para se sentirem felizes!

Seguindo os Preceitos, estamos garantindo a nós mesmos e a vocês leigos, a QUALIDADE do Dharma que está sendo transmitido e isso é de importância fundamental, porque, se essa qualidade começar a decair, certamente chegará ao fim em curto prazo! Por que??? Porque o ser humano, em geral, tem uma forte tendência a gostar do vulgar, do baixo, do mundano, do sujo e inferior! Poucos são os que não se deixam atrair por prazeres sensuais, muito poucos são os que realmente cultivam a mente, na busca da Purificação, do Nobre, do elevado. Assim, se nós monges nos deixarmos atrair e envolver pelos prazeres, em vez de alertarmos a vocês leigos sobre o perigo deles, estaremos nos afastando do Dharma!

Para quem está envolvido com as coisas do mundo, cego por elas, com a mente iludida por elas, pode parecer muito natural que um monge ou monja se entregue também às coisas vulgares e mundanas. A idéia inicial (e compreensível) é: “Bah! Aquele monge (ou monja) é tri legal! Vem conosco para o bar, toma uma cervejinha… É que nem a gente! Buddhismo é muito legal mesmo… Não pensei que fosse assim!” Para quem pouco ou nada sabe sobre Preceitos Monásticos, aparentemente é muito natural que um monge buddhista dance, beba, fume e talvez até faça sexo! Portanto, cabe a nós monges assumir o controle de nossas vidas, guiando-as pelos Preceitos que juramos seguir!

Mas, se são tão envolventes os prazeres do mundo e tão rígidos os nossos Preceitos, como então segui-los e fazer com que eles preservem nossa integridade monástica? É exatamente aí que entra a importância da participação de vocês LEIGOS na nossa vida!! Mesmo o Buddha, já totalmente iluminado, sem qualquer risco de se envolver com prazeres sensuais, ainda assim, sempre viveu perto de aldeias, de vilas e cidades, onde pudesse receber alimentos para manter a si próprio e às centenas de monges que o acompanhavam. A Mahá Sangha, desde o início, sempre foi, é e será DEPENDENTE dos leigos para sobreviver e preservar o DHARMA.

Se for rejeitada, mal interpretada, abandonada à própria sorte, nós monges cada vez mais teremos que nos envolver com as coisas do mundo, na tentativa de sobrevivência! Para nos alimentarmos e mantermos nossos templos, teremos que procurar modos de ganhar dinheiro que, cedo ou tarde não estarão de acordo com o Pratimôksha e, inevitavelmente, estaremos quebrando cada vez mais Preceitos, até perdermos nosso rumo, até sujarmos nosso manto com as coisas do mundo.

Só o “Mestre Google” não vai sustentar o Dharma. Por mais que as pessoas possam achar que têm todas as respostas facilmente encontráveis, sem a Mahá Sangha, o Dharma se torna desconfiável, incerto, sujeito a falsas interpretações. Nós monges – e aqui me refiro aos verdadeiros e sinceros – somos os protetores do Dharma, porque abandonamos a vida mundana com o objetivo de nos dedicarmos a ele. Porém, sem a interação, sem a constante generosidade de vocês leigos, que, por direito e justiça, passaram a ser chamados de SANGHA (Comunidade Leiga), não teremos opção a não ser o constante DESRESPEITO ao Pratimôksha, num esforço para continuarmos nossa missão.

Na medida em que vocês forem capazes de manter isso em mente e continuarem praticando a generosidade, continuarão recebendo o mais puro DHARMA, capaz de ajudar a todos – monges e leigos – no Caminho seguro e confiável para o fim de Dukkha e alcance do objetivo final: a mente em Estado de Nirváña.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

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MEDITAÇÃO BUDDHISTA

Por Bhantê Sunanthô Bhikshú

 

editar não é uma exclusividade do Buddhismo. Na verdade, o Buddha só meditou porque as várias técnicas de Meditação já faziam parte de sua cultura, através do Hinduísmo, onde os praticantes já meditavam há milhares de anos, como parte da Tradição de um dos povos mais antigos do Mundo.

No Buddhismo, há, basicamente, três principais tipos de Meditação: Vipáshyana (ou Vipássana, em Páli), Meditação Andando e Meditação Ánápánássati, que é a que veremos neste estudo. “Ánápáná” significa “entrada e saída de ar” e “satí” significa “atenção plena, foco, concentração”, portanto, o nome deste tipo de Meditação, literalmente quer dizer “concentração na entrada e saída do ar” ou, em outras palavras: foco no fenômeno da respiração.

Embora muitas pessoas enfatizem a técnica de Vipáshyana, foi usando Ánápánássati que Siddharth Gáutam, naquele anoitecer solitário, debaixo da figueira indiana, se sentou e, depois de passar a noite toda meditando, quando o dia estava clareando, atingiu a Iluminação, o Estado Mental de Nirváña, tornando-se O Buddha. Portanto, não há como menosprezar essa técnica, nem como duvidar de sua eficácia.

O modo como vou ensinar aqui é o tradicional, explicado por todos os grandes mestres de Meditação, porém, por experiência própria, algo parecia não funcionar para mim desse jeito que me foi ensinado. Por alguma razão eu não conseguia sentir o fenômeno da respiração nem na ponta do nariz, nem no subir e descer da barriga, muito menos no lábio superior! Eu sempre me perguntava o que havia de errado comigo e, por vezes, cheguei a desistir de meditar, me considerando um caso perdido!

Foi então que surgiu a explicação do Venerável Ajahn Brahmavamsô, o famoso “Ajahn Brahm”, de quem tive a sorte de me tornar amigo. A explicação dele para a Meditação, realmente mudou minha vida, já que ele ensina os praticantes a NÃO seguirem o método tradicional e, em vez disso, observarem a presença do ar, entrando e saindo, dentro do corpo como inteiro, sem se prender a nenhum ponto específico (nem nariz, nem lábio, nem barriga). Quando passei a seguir essa orientação, minhas meditações se tornaram um sucesso e eu, que já havia perdido a esperança de meditar bem, ganhei novo ânimo.

De qualquer forma, como eu disse, ensinarei aqui o método tradicional, porém os que, assim como eu, não se sentirem à vontade com ele, já sabem que há a alternativa acima e não precisam desanimar, muito menos desistir da prática. Então, sem mais delongas, vamos ao método!

 

Ánápánássati é o primeiro tipo de Meditação exposta pelo Buddha no Mahá Satipatthána Sutra, o Grande Ensinamento sobre os Fundamentos da Atenção Plena. O Buddha enfatizou bastante esta Meditação, por ser a porta de entrada para o Estado Mental do Nirváña e porque, segundo a Tradição, foi o método adotado por todos os buddhas do passado, como a base principal para atingir a Buddheidade. Quando o Bhagaván (o Buddha) se sentou debaixo da Árvore Bodhi e resolveu só se levantar quando atingisse a Iluminação, com esta técnica atingiu os Quatro Estágios Meditativos (chamados de JHÁNA), tomou conhecimento de todas as suas vidas anteriores, desvendou a natureza do Samsára (o mundo de renascimentos no qual somos todos prisioneiros), experimentou sucessivos conhecimentos introspectivos e, quando o dia estava raiando, os 100.000 Universos tremeram e ele alcançou a Iluminação, livrando-se de todos os últimos obstáculos mentais que ainda o impediam de se tornar O Buddha, um ser em cuja mente está contida toda a Sabedoria do Universo, sem qualquer resquício de dúvida ou erro.

É por ter percorrido todo esse Caminho e nos ter deixado o trajeto como herança, que devemos a Ele toda a gratidão e todo o respeito.

 

No texto original do Sutra, o Buddha começa a explicação do seguinte modo: “Aqui, Bhikshús (monges), um Bhikshú que tenha ido à floresta, ou ao pé de uma árvore ou a um lugar vazio, se senta de pernas cruzadas, mantendo a coluna ereta, fazendo surgir a Atenção Plena.” Tal explicação não se restringe aos monges e monjas, mas a qualquer um dos quatro tipos de pessoas mencionados nesse Ensinamento: Bhikshú (monge), Bhikshuní (monja), Upássaká (leigo seguidor do Buddhismo) ou Upássiká (leiga seguidora do Buddhismo), que queiram sinceramente praticar a Meditação. Portanto, devem procurar uma floresta, ou uma árvore num local tranqüilo e afastado ou uma moradia silenciosa. Então, deverá sentar-se com as pernas cruzadas, mantendo a coluna ereta, fixar a Atenção Plena na ponta do nariz, como lugar e objeto da Meditação.

Se fizer uma inalação prolongada, deverá observar este ato com Atenção Plena. Se fizer uma exalação prolongada, também a deverá observar com Atenção Plena. O mesmo deverá se passar para uma inalação curta e uma exalação curta – ambas deverão ser observadas com Atenção Plena. Disse o Bhagaván: “Inala experimentando o corpo em sua totalidade, exala experimentando o corpo em sua totalidade.”

Isto é, com Atenção Plena bem situada, vê o princípio, o meio e o final da inalação e da exalação. Conforme pratica a observação da inalação e exalação, usando da Atenção Plena, ambas as funções se acalmarão e tranqüilizarão.

O Bhagaván usou de um símile para ilustrar esse processo: Quando um carpinteiro e seu aprendiz trabalham a madeira na carpintaria, observam o trabalho com atenção. Ao fazerem um giro longo ou curto com o torno, sabem qual é o longo e qual é o curto. Da mesma maneira, se o praticante da Meditação inala profundamente, compreende como longa a inalação; se exala profundamente, também a compreende como longa; se a inalação for curta, ele tem consciência de que foi curta e se for uma inalação curta, ele a compreende como sendo curta. A mesma compreensão ele pratica para as exalações.

Ele exercita a Atenção Plena de tal forma, que vê o princípio, o meio e o final das funções de inalação e exalação. Compreende com Sabedoria a tranquilização dos dois aspectos: a inalação e a exalação.

Ao compreender desta forma as funções da inalação e exalação em si mesmo, ele também as compreende em outras pessoas. Também compreende as duas funções em si mesmo e nas outras pessoas em rápida alternação. Compreende também a causa do surgimento da inalação e o surgimento da exalação e a causa da cessação da inalação e da exalação, o momento exato do surgimento da inalação e da exalação.

Assim, o praticante se dá conta de que seu corpo, o qual está exercitando as duas funções, é somente um corpo, não é um ego ou um “Eu”. Esta Atenção Plena e Sabedoria são úteis para desenvolver uma melhor e mais profunda Sabedoria, tornando o praticante capaz de deixar de lado os conceitos errados sobre as coisas, em termos de “Eu” e “meu”. Então, chega à capacidade de viver com Sabedoria, respeito ao corpo e sem se apegar a nada do mundo, sem cobiça e sem distorção de pontos de vista. Vivendo sem apego, o praticante da Meditação percorre o Caminho até o Estado Mental do Nirváña, através da contemplação da natureza do corpo.

Esta é uma explicação com base na passagem do Mahá Satipatthána Sutra sobre Ánápánássati. Esta forma de Meditação pode ser explicada de DEZESSEIS formas diferentes em vários outros Sutras. Das dezesseis formas, quatro foram explicadas aqui, mas estas quatro são os fundamentos das dezesseis formas em que se pode praticar Ánápánássati.

 

PRELIMINARES DA PRÁTICA

 

Vamos então verificar quais as práticas preliminares deste tipo de Meditação. Primeiramente, o Bhagaván instruiu que devemos procurar um lugar isolado para praticar Ánápánássati. O Sutra diz que pode ser uma floresta, debaixo de uma árvore ou um lugar vazio. Lugar vazio pode ser uma cabana (KUTÍ, em Páli), como a que nós monges encontramos nos Templos de Floresta, mas, claro que na vida da cidade é quase impossível encontrar um lugar assim, portanto, podemos considerar como lugar vazio um Templo onde haja uma Sala de Meditação ou mesmo a casa da pessoa, desde que não haja outras pessoas nem barulho para perturbar a prática da Meditação.

No caso de um Templo ou Centro Buddhista, se todos permanecerem calados e com o único objetivo de meditar, pode-se considerar como “um lugar vazio”. O Bhagaván mencionou estes três tipos de local porque para praticar Ánápánássati, o silêncio é fundamental. O meditador praticante encontrará mais facilidade para desenvolver a concentração mental na respiração se estiver em total silêncio. No caso de não poder encontrar um local com silêncio absoluto, deve-se escolher um local tranqüilo no qual haja privacidade.

O Bhagaván explicou a Meditação sentada, mas, na verdade há quatro posturas que podem ser usadas na Meditação Ánápánássati: de pé, sentado, deitado ou caminhando. De todas, a postura mais adequada para a prática e a Meditação Sentada.

O ideal é sentar-se com as pernas cruzadas. Para os Bhikshús e homens leigos, o Buddha recomendou a postura de pernas cruzadas. Esta não é uma posição fácil para todos, mas pode ser dominada gradualmente. A posição de meia perna cruzada é recomendada para Bhikshunís e mulheres leigas. É a postura sentada, com uma perna dobrada. Melhor ainda seria se tanto homens quanto mulheres pudessem adotar a posição de “lótus completo”, com as solas de ambos os pés viradas para cima, com os pés colocados sobre as coxas. É uma postura muito difícil para a maioria das pessoas e seria preciso treinar desde criança para sentar com naturalidade como adulto. Na impossibilidade, basta sentar-se normalmente, com as pernas cruzadas.

Na prática de Ánápánássati, é fundamental sentar-se com o corpo direito. O torso deve manter-se ereto, porém nem muito relaxado nem contraído. Só pode-se cultivar corretamente esta Meditação se todos os ossos da coluna vertebral estiverem retos, alinhados. Portanto, esta orientação do Bhagaván de manter a coluna reta, deve ser bem compreendida e seguida corretamente.

As mãos devem ser postas sobre o colo, suavemente, as costas da mão direita sobre a palma da mão esquerda, os polegares se tocando suavemente. Os olhos podem estar tranquilamente fechados ou ligeiramente entreabertos, conforme for mais confortável para o praticante.

A cabeça deve estar direita, ligeiramente inclinada para frente, perpendicular ao umbigo. O fator seguinte é o local onde fixar a Atenção Plena. Para cultivar o  Ánápánássati, deve-se estar claramente focado no local onde o ar entra e sai, tocando as fossas nasais. Isto se sentirá como um ponto debaixo das fossas nasais ou sobre o lábio superior, onde estiver presente o contato do ar ao entrar e sair das fossas nasais, sendo sentido com maior precisão. É nesse ponto que deve ser fixada a Atenção Plena, como um sentinela tomando conta de uma porta.

O Bhagaván explica a maneira de cultivar o Ánápánássati: Deve-se inalar atentamente, exalar atentamente. Desde que nascemos até  o momento de nossa morte, a função de inalar e exalar continua, ininterruptamente, sem uma única pausa, mas não refletimos nem temos consciência disso. Nem sequer nos damos conta da presença da respiração. Se o fizermos, poderemos obter muito benefício, por meio da calma e da introspecção. Portanto, o Buddha nos aconselhou a estarmos sempre atentos à função da respiração.

O praticante da Meditação que observa conscientemente a respiração desta maneira, não deve NUNCA controlar sua respiração ou prende-la com esforço. Se fizer isso, vai se cansar e a concentração será afetada e interrompida. DEVE-SE RESPIRAR NATURALMENTE. A chave da Meditação bem sucedida é a Atenção Plena na respiração natural e no ponto onde se sente melhor a entrada e saída do ar, no fenômeno da inalação e exalação. É importante manter a concentração no ponto de contato do ar nas fossas nasais, mantendo a Atenção Plena na forma mais contínua e consistente possível.

 

OS OITO PASSOS

 

Para ajudar os praticantes a desenvolverem esta Meditação, os comentaristas e mestres de Meditação indicam oito passos progressivos na prática.  Esses oitos passos, vou primeiramente mencionar e depois explicar como funcionam no processo meditativo real.

Seus nomes são:

CONTAGEM – GANANÁ

SEGUIMENTO – ANUBANDHANÁ

CONTATO – P´HUSSANÁ

FIXAÇÃO – THÁPANA

OBSERVAÇÃO – SALLAKKHANÁ

DISTANCIAMENTO – VIVATTANÁ

PURIFICAÇÃO – PARISSUDDHI

e

RETROSPECÇÃO – PATIPASSANÁ

 

Os oito passos cobrem o percurso completo do desenvolvimento do processo meditativo, até alcançar o Estado de Arahant – um Arahant é um ser que atinge em vida a Iluminação, alguém cuja mente já está no Estado Mental do Nirváña, já cultivada neste mundo.

 

1 – CONTAGEM (gananá)

 

A contagem é indicada para aquelas pessoas que nunca praticaram Ànápánássati. Não é um passo necessário para quem já pratica Meditação durante algum tempo. Mesmo assim, é bom tomar conhecimento da contagem e entender como funciona.

Quando um meditador se senta para praticar Ànápánássati, fixa a Atenção Plena na ponta do nariz e observa atentamente a inalação e exalação. Nota quando o ar entra e quando o ar sai, tocando a ponta do nariz ou o lábio superior. Neste momento, começa a contar os movimentos.

Há quatro métodos de contagem, o mais fácil deles eu explico assim: Na prmeira inalação e exalação, se conta “um – um”, na segunda se conta “dois – dois”, na terceira “três – três” e assim por diante até chegarmos ao “dez – dez”. Depois voltamos ao “um – um” e repetimos o processo até o “dez – dez”.

Esse processo de contagem não é Meditação, mas sim um método auxiliar essencial para quem começa a Meditação. Alguém que nunca meditou tem que usar algo que a ensine a natureza da mente e, sem usar a contagem, poderia pensar que está meditando enquanto a mente corre livremente, sem qualquer condicionamento. A contagem é um método fácil para controlar a mente divagante.

Se o praticante fixa bem a Atenção Plena na Meditação, pode manter corretamente a contagem. Se a mente voa em várias direções e ela perde a contagem, se confunde e, com isso, se dá conta de que a mente está divagando. Se a mente perde a contagem, o meditador deve começar novamente do princípio, mesmo que perca a contagem mil vezes.

Conforme a prática vai se desenvolvendo, pode acontecer da inalação e a exalação se tornarem mais freqüentes e não ser possível repetir o mesmo número muitas vezes. Então, o praticante tem que contar rapidamente “um”, “dois”, “três” etc. Quando conta desta maneira, pode compreender a diferença entre a inalação e a exalação prolongadas e a inalação e exalação breves.

 

2 – SEGUIMENTO (anubandhaná)

 

“Seguimento” significa seguir a respiração com a mente. Quanto a mente foi submetida pela contagem e está fixa na inalação e exalação, a contagem pode ser parada e substituída pelo seguimento mental do curso da respiração. Isto foi explicado pelo Bhagaván da seguinte maneira:

“Quando o meditador inala profundamente, compreende que está inalando profundamente; e quando está exalando profundamente, compreende que está exalando profundamente.”

 

Neste caso, a pessoa não força uma inalação ou exalação profundas, mas sim compreende a realidade do que está acontecendo naturalmente.

 

Neste trecho, o Buddha explica como o meditador treina a si próprio, pensando:

 

“Inalarei experimentando a totalidade do corpo e exalarei experimentando a totalidade do corpo.”

 

No caso, “totalidade do corpo” significa o ciclo completo do processo de inalação e exalação. O meditador deve fixar a Atenção Plena de tal modo que possa ver o princípio, meio e fim de cada ciclo da respiração. A esta prática se chama “experimentar a totalidade do corpo.”

 

O princípio, meio e fim da respiração devem ser entendidos corretamente. É errado considerar a ponta do nariz como o princípio da respiração, o peito como o meio e o umbigo como o final. Se alguém tentar rastrear a respiração desde o nariz através do peito, até a barriga, ou segui-la no trajeto de saída, desde a barriga, passando pelo peito, até chegar ao nariz, a concentração da pessoa será interrompida e a mente se tornará agitada. O princípio da inalação, quando corretamente entendido, é o início da inalação em si, o meio é a continuação do processo de inalação e o fim é quando ela se completa. Da mesma forma, acontece quanto à exalação em seu início, meio e finalização. Portanto, “Experimentar a totalidade do corpo” é estar alerta para o ciclo completo de cada inalação e exalação, mantendo a mente fixa no ponto em torno das fossas nasais, ou no lábio superior, onde se sinta a entrada e saída do ar com mais clareza.

Este trabalho de contemplação da respiração na área que circunda as fossas nasais, sem seguir a entrada e saída do corpo, é ilustrada pelo Bhagaván nos comentários com os exemplos do guardião da porta e do uso do serrote.

Assim como o guardião examina cada pessoa que entra e sai da cidade somente enquanto a pessoa passa pela porta, sem a seguir dentro ou fora da cidade, também o meditador deve estar atento a cada respiração somente enquanto o ar passa através das fossas nasais, sem seguir o ar no interior ou exterior do corpo.

Assim como um homem que está serrando um tronco, mantém sua atenção fixa no ponto onde os dentes do serrote cortam através da madeira, sem seguir os movimentos dos dentes até adiante e atrás, assim também o meditador deve observar a respiração como vai e vem em torno das fossas nasais, sem deixar que sua Atenção Plena se distraia com a passagem interior e exterior da respiração através do corpo.

Quando uma pessoa medita seriamente desta forma, vendo o processo por inteiro, um prazer suave toma conta de sua mente. E, já que a mente não mais divaga, todo o corpo se acalma, sentindo-se fresco e confortável.

 

3 – CONTATO (p´hússana) e 4 – FIXAÇÃO (thápana)

 

Estes dois aspectos da prática indicam o forte desenvolvimento de uma concentração mais forte. Quando se mantém a Atenção Plena na respiração, ela mesma se torna cada vez mais sutil e tranquila. Como resultado, o corpo se acalma e cessa a sensação de fadiga. A dor física e a dormência desaparecem e o corpo passa a sentir um conforto estimulante, como se tivesse sido tocado por uma brisa fresca e suave.

Nesse momento, devido à tranqüilidade da mente, a respiração se torna cada vez mais sutil, até que pareça que a pessoa parou de respirar. É uma sensação incrível, ter certeza de que ainda continua respirando, porém, sem sentir o fenômeno da respiração. Às vezes, essa sensação chega a durar dez minutos. Algumas pessoas se assustam com isso, pensando que pararam de respirar, mas não é verdade.  A respiração continua, porém de forma muito delicada e sutil. Não importa o quanto ela se torne sutil, deve-se manter a Atenção Plena no contato (p´hússana) do ar com as fossas nasais, sem perder a noção dele. A mente se libera então dos Cinco Obstáculos – desejo sensual, repulsa, sonolência, agitação e dúvida. Como resultado, surge uma calma profunda e prazer.

Esta é a etapa em que surgem os “SINAIS”. O nome técnico deles, em Páli, é NIMÍTTA). São formações mentais que indicam a vitória da concentração sobre a divagação da mente. Primeiro vêm os sinais da aprendizagem (úggaha-nimítta), depois os sinais de contrapartida (patibhága-nimítta). Podem aparecer de diversas formas. Para alguns surgem em forma de luz, ou uma corrente de prata, como neblina ou uma roda. Para o Buddha, apareceram como uma luz brilhante, como o Sol do meio-dia.

O Nimítta do aprendizado é instável, se move de cá para lá, de cima para baixo. Mas o Nimítta que da contrapartida que aparece no ponto onde terminam as fossas nasais, é fixo, quieto, sem movimento.  Nesse momento não há mais obstáculos, a mente está extremamente tranquila. Esta etapa foi explicada pelo Bhagaván quando Ele diz que a pessoa inala tranquilizando a atividade do corpo e exala tranquilizando a atividade do corpo.

O surgimento do Nimítta da contrapartida e a supressão dos Cinco Obstáculos marca o alcance do acesso à concentração (upatchára-samádhi). Posteriormente, à medida que se desenvolve a concentração, o meditador consegue a completa absorção (appaná-samádhi), começando com o primeiro Jhána. Com a prática do Ànápánássati, pode-se conseguir as Quatro Etapas, que são o primeiro, segundo, terceiro e quarto Jhánas. A estas etapas da concentração profunda, se chama de “fixação” (thápana).

 

5 – OBSERVAÇÃO (sallakkhana) e 8 – RECAPITULAÇÃO (patipassaná)

 

Uma pessoa que tenha alcançado um Jhána não deve parar por aí, mas sim continuar até desenvolver a Meditação da Introspecção – VIPÁSHYANA. Às etapas de introspecção se chama “observação” (sallakhana). Quando a introspecção consegue chegar ao máximo, o meditador alcança os caminhos supramundanos, começando com a etapa de entrada na correnteza que conduz ao Nirváña. Já que estes caminhos nos afastam das algemas que nos prendem ao ciclo de nascimento e morte (Samsára), eles são chamados de “distanciamento” (viváttana).

Os caminhos são seguidos por seus respectivos estados de fruição; a esta etapa, chamamos de “purificação” (parissúddhi) já que a pessoa consegue se limpar de todas as impurezas mentais.

Daí por diante, consegue-se chegar à etapa final, o conhecimento de recapitulação, chamado de “retrospecção” (patipassaná), já que a pessoa vê todo o caminho percorrido, seus progressos e sua totalidade. Esta é uma revisão breve das principais etapas ao longo do Caminho que conduz ao Estado Mental de Nirváña, baseado no método de Meditação Ànápánássati. Agora, vou explicar as Sete Etapas da Purificação.

 

AS SETE ETAPAS DA PURIFICAÇÃO

 

A pessoa que assumiu a prática começa por estabelecer-se num código de moral e ética adequado. Se for um leigo (Upássaká), deverá seguir os Cinco Preceitos de um Leigo Buddhista, ou os Dez Preceitos, normalmente indicados para noviços. Se for um Bhikshú, começa sua Meditação enquanto mantém seu código específico de moralidade. A observância deve ser ininterrupta da purificação da moralidade (Shíla-vissúdhi).

Depois, intensifica sua prática na Meditação e, como resultado, os obstáculos mentais são subjugados e a mente se fixa na concentração. Esta é a purificação da mente (tchitta-vissúdhi) – a mente que já tem seus obstáculos completamente superados – inclui tanto o acesso à concentração quanto os quatro Jhánas.

Quando o meditador está bem firme na concentração, o passo seguinte é voltar sua atenção  para a meditação de introspecção (Vipáshyana). Para desenvolver a introspecção com base de Ànápánássati, o meditador deve primeiro considerar que este processo de inalar e exalar é unicamente forma, uma série de eventos físicos, corporais – não é um “eu” ou um ego. Os fatores mentais que contemplam a respiração são, em troca, só a mente, uma série de eventos mentais, desprovidos de qualquer ego ou individualidade. Esta discriminação de mente e matéria (náma e rúpa) é chamada a Purificação da Visão (ditthi-vissúdhi).

Quem chega a esta etapa, compreende o processo de inalação e exalação por meio das condições de surgimento e cessação dos fenômenos corporais e mentais contidos no processo da respiração. Esse conhecimento, que chega a extender-se a todos os fenômenos corporais e mentais em termos de seu surgimento dependente, se chama a compreensão das condições.

À medida que o entendimento amadurece, se eliminam todas as dúvidas criadas por ele em relação ao passado, futuro e presente, portanto, esta etapa é chamada de “Purificação Através da Transcendência das Dúvidas.”

Depois de ter entendido as relações causais da mente e da matéria, o meditador procede para a Meditação Vipáshyana e em seu momento, surge a Sabedoria “vendo o surgir e cessar de todas as coisas”. Quando o meditador inala e exala, vê os estados corporais e mentais surgindo e deixando de existir momento a momento. Quanto mais clara se torna essa Sabedoria, mais a mente se ilumina e surgem a felicidade e a tranqüilidade, juntas com a confiança em si mesmo, o esforço, a Atenção Plena, a Sabedoria e a equanimidade.

Quando aparecem esses fatores, o meditador reflete sobre eles, observando suas três características de impermanência, inquietação mental e ausência total de ego. À Sabedoria que distingue entre os resultados regozijantes da prática e a tarefa da contemplação sem apego, se chama de Purificação pelo  Conhecimento e Visão do Verdadeiro e do Falso Caminhos”.

Sua mente, purificada assim, vê muito claramente o surgimento e cessação da mente e da matéria.

Logo vê, com cada inalação e exalação o rompimento de todos os fenômenos concomitantes mentais e corporais, os quais aparecem exatamente como a explosão de bolhas em uma panela de arroz fervendo ou como o rompimento de bolhas de ar num lago, quando chove. Esta Sabedoria que vê o rompimento constante de todos os fenômenos mentais e corporais é chamada de “Conhecimento da Dissolução”. Através desta Sabedoria, se adquire a habilidade de ver como todos os fatores da mente e do corpo em todas as partes do Universo surgem e desaparecem.

Logo surge no praticante a Sabedoria que vê todos esses fenômenos como um espetáculo efêmero. Vê que em nenhuma das esferas da existência, nem sequer nos planos das dimensões paralelas ao nosso Universo, há um prazer ou felicidade genuínos e compreende claramente o infortúnio e o perigo.

Então desenvolve uma repugnância por toda existência condicionada. Emerge no praticante um desejo urgente de liberar-se do mundo e um intenso desejo de liberação. Ao considerar os meios para liberar a si mesmo, surge no praticante um estado de Sabedoria que imediatamente capta a impermanência, a inquietação mental e a ausência de ego e conduz a níveis sutis e profundos de introspecção.

Assim, aparece no praticante a compreensão de que os agregados da mente e o corpo que aparecem em todos os sistemas do mundo estão constantemente sujeitos à inquietação mental e se dá conta de que o Estado Mental do Nirváña, que transcende o mundo, é enormemente pacífico e confortante. Quando compreende esta situação, sua mente alcança o conhecimento da equanimidade sobre as formações. Este é o clímax da meditação da introspecção, chamada de “Purificação pelo Conhecimento e Visão do Progresso”.

Conforme se torna imutável, aumenta a capacidade meditativa e quando suas faculdades estão totalmente maduras, entra o processo cognitivo do caminho de entrada na correnteza (sotápatti). Como caminho de entrada na correnteza, ele vislumbra o Estado Mental do Nirváña e compreende diretamente as Quatro Nobres Verdades (o Coração do Ensinamento do Buddha). O caminho é seguido por dois ou três momentos do frutoda entrada na correnteza, pelos quais o praticante desfruta dos frutos que conseguiu obter. Daí por diante, surge o conhecimento da recapitulação, por meio do qual ele reflete sobre seu progresso e o que conseguiu alcançar.

Se continuar na Meditação com séria aspiração, desenvolverá de um novo modo etapas do conhecimento de introspecção e percorrerá os três mais elevados caminhos e seus frutos: do que retorna a este mundo só mais uma vez (apenas mais um renascimento antes de se iluminar), do que não mais retorna e o do Arahant (apenas aguardando a morte física, para nunca mais renascer). Tais conquistas, junto com a entrada na correnteza, formam a sétima etapa da Purificação pelo Conhecimento e a Visão. Com cada uma destas conquistas, consegue perceber claramente as Quatro Nobres Verdades, que até então não estavam totalmente claras, ao longo da permanência no ciclo de renascimentos (Samsára). Como resultado, todas as impurezas contidas na mente são arrancadas e destruídas e a mente do praticante se torna pura e limpa. Então o praticante alcança o Estado Mental do Nirváña no qual ele está liberado de toda inquietação mental, sofrimento, nascimento, envelhecimento, morte, pesar, lamentação, dor, aflição e desespero.

 

CONCLUSÃO

 

Nascimentos como os nossos são raros no Samsára. Considere quantos bilhões e trilhões de seres de tantas espécies são mais numerosos que nós humanos neste planeta! Somente os insetos e peixes no oceano já seriam mais numerosos que nossa espécie. Portanto, por mais numerosos que pareçamos ser, é possível dizer que é uma grande benção ter nascido como Humano.

Temos ainda a sorte de, na forma humana, podermos ouvir a mensagem do Buddha, de desfrutar da companhia de bons amigos, de ter a oportunidade de ouvir o Dharma.

Com tantas bênçãos e oportunidades, se permitirmos que nossas aspirações amadureçam, podemos alcançar ainda nesta vida o Estado Mental do Nirváña, através da entrada gradual na correnteza que conduz à Iluminação, a correnteza de quem retorna apenas uma vez a este mundo, de quem não retorna mais e do estado de Arahant.

Portanto, é importante desenvolver regularmente a Meditação Ánápánássati, depois de receber as instruções de como praticar corretamente este método, deve-se purificar a própria vida, seguindo os Preceitos de Moralidade estabelecidos pelo Buddha, seguindo o Caminho da Jóia Tríplice (Buddha, o Ensinamento e a orientação da Comunidade Monástica)

É importante reservar um tempo e local específicos, a cada dia, para a prática da Meditação, não desperdiçando o renascimento humano, esta grande oportunidade de alcançarmos o Nirváña!

 

Bhantê Sunanthô Bhikshú

 

A todos, Namaste!

em que haja uma gradativa CONSCIENTIZAÇÃO quanto à necessidade de DOAR recursos para o novo Vihara, mesmo depois de pronto, ele não terá condições de sobreviver!
Não se trata de “pedir dinheiro”, como algumas pessoas já insinuaram, tentando levantar suspeitas sobre minha integridade como pessoa e como monge. Pedir dinheiro é dizer a alguém “me dê tal quantia” ou “compre isso ou aquilo para mim!” Isso realmente NÃO É permitido a um monge, que só pode aceitar o que lhe for oferecido, de coração! Apenas estou tentando fazer com que as pessoas entendam que o Vihara É PARA TODOS, para o BENEFÍCIO de todos e, como qualquer outra INSTITUIÇÃO, religiosa, social ou recreativa, depende de doações para ser mantida.
Os que acharem por bem fazer doações ou, melhor ainda, contribuir REGULARMENTE com o Vihara, podem fazer depósitos na conta abaixo. As pessoas devem me comunicar toda vez que doarem qualquer quantia, a fim de que eu, segundo a Tradição Theravada, faça o Ritual de Transferência de Méritos, pelo bom karma praticado.
Tenho por hábito, divulgar os nomes das pessoas que fizeram qualquer doação. De alimentos, remédios, dinheiro etc. Quem preferir se manter ANÔNIMO, deve comunicar somente a mim a doação, pedindo que o nome não seja divulgado. Fiquem todos em Paz e protegidos!

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

TODO TIPO DE DOAÇÃO é sempre muito bem-vindo e necessário. Qualquer pessoa pode exercitar a prática da virtude da generosidade, doando alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal etc.

Doações financeiras, de qualquer valor, podem ser feitas, também através do sistema PAYPAL deste Blog, ou depósito bancário:

BANCO BRADESCO

(SÃO FRANCISCO DE PAULA – RS)

AGÊNCIA: 0932 6

CONTA POUPANÇA: 1001036-5

VIA 01

TIPO 00

A todos, Namaste!

Gostaria de tornar público meu agradecimento a THUANI FARIAS, seguidora através do Facebook, pelas generosas doações que tem feito. Possa a energia do bom karma praticado ser transferida, beneficiando todos os seres!

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

A todos, Namaste!

 

proxima-se, cada vez mais, a data em que São Chico terá seu Vihara – Templo Buddhista. É uma novidade não somente na cidade, mas, principalmente, na cultura local e, portanto, muito natural que alguns olhem com desconfiança, outros com temor e, a grande maioria com curiosidade.

Longe de ser uma cidade com contato com o Buddhismo, a população tem total direito de receber esclarecimentos e orientação sobre o que veio se instalar nela. Com base nisto, hoje vou falar sobre a interdependência entre um monge e as pessoas que se propõem a receber dele os Ensinamentos do Buddha, aos quais chamamos de DHARMA.

Desde que o Buddha idealizou a formação de uma Comunidade de Monges, começando por seus Cinco Primeiros Seguidores, ele pensou na prática do desapego aos bens materiais, na humildade e na total dependência da ajuda das pessoas que o quisessem ouvir. Assim, decidiu que, tanto ele quanto todos os que se tornassem monges, seriam BHIKSHÚS. O termo BHIKSHÚ, que acompanha meu nome, significa “aquele que mendiga o próprio alimento”. Portanto, o próprio Buddha determinou que sua Comunidade seria de MONGES QUE MENDIGAM ALIMENTO.

Na Ásia, assim como em TODOS os países onde o Buddhismo original (a Tradição que eu pratico) está presente, as pessoas interessadas em aprender e seguir o Dharma, aos poucos passam a entender como funciona esta coisa de MENDIGAR ALIMENTO e que relação elas têm com isso.

Monges não devem trabalhar. Por mais estranho que isso possa parecer, é assim que nós monges vivemos há quase 3.000 anos! Quando um monge não trabalha, ele se torna totalmente dependente da generosidade dos outros. Ele não produz renda para se manter, portanto, não pode se entregar ao consumismo, ao luxo, às vontades e desejos que a mente cria pelas coisas atraentes do mundo! Ao contrário, ele tem que receber de coração tudo aquilo que lhe for doado, sem reclamar, sem pedir nada, sem desenvolver preferências, limitando-se a aceitar com humildade e mantendo em mente que as pessoas se esforçaram para lhe dar algo que, portanto, deve ser bem aproveitado, cuidado e nunca desperdiçado!

Ao mesmo tempo, nós monges devemos sempre ter em mente o seguinte posicionamento: “Esta pessoa veio aqui me doar algo. Isto é porque ela confia na minha vida monástica. Ela espera que eu continue sendo um bom monge, seguindo uma vida simples e sem ostentação. Portanto, eu tenho o DEVER de me esforçar cada vez mais para ajudar as pessoas, mantendo atualizados meus conhecimentos sobre Buddhismo, para sempre ser humilde, grato e capacitado para continuar minha missão!”

Tudo o que nós monges recebemos, estamos prontos para retribuir através de ENSINAMENTOS. Assim, as pessoas que doam coisas a nós, não estão DANDO ESMOLA, nem “sustentando vagabundo” mas sim realizando uma troca, mantendo uma interdependência! O Dharma, o Ensinamento do Buddha, é precioso, de valor incalculável e inegociável. Portanto, quem doa a nós monges, está, antes de mais nada, praticando o DESAPEGO dos bens materiais, criando méritos para si próprio, no processo de Purificação da Mente e, ao mesmo tempo, permitindo que nós monges – detentores do Treinamento Monástico para servir aos outros, estejamos em condições físicas e mentais para continuarmos beneficiando a quem nos faz as doações! Entendem como funciona esta interdependência? Os leigos nos doam seus bens materiais e nós retribuímos com a transmissão de Ensinamentos que beneficiam a todos. Isto os ajuda, os fazem sentir bem, resolvem seus problemas, diminuem a inquietação mental, melhora suas vidas e os estimula a continuar doando, para que nós monges continuemos ensinando e assim por diante! Nesse sistema perfeito e bem elaborado, Monges e Leigos se beneficiam mutuamente e assim o Buddhismo se mantém ativo no mundo, para o bem de todos os seres.

Há várias formas de doação e todas elas ajudam na prática do desapego! Por exemplo, algumas pessoas gostam de doar alimentos, que elas mesmas compram no supermercado. Outras já preferem preparar algum prato em casa e o oferecer ao monge, levando a comida ao Vihara (templo). Também tem gente que prefere fazer doações em dinheiro, algumas até especificando o que deve ser feito com a quantia doada: para pagamento da conta de luz ou para compra de gás etc. Algumas pessoas vão mais além e decidem doar uma quantia determinada, todos os meses!

Produtos de higiene pessoal, remédios, todo tipo de doação é necessária e muito bem vinda! Na verdade, há um pequeno ritual que deve ser feito toda vez que nós monges recebemos qualquer doação. Se chama TRANSFERÊNCIA DE MÉRITO, ou seja, nós monges transmitimos mentalmente para o doador, toda e qualquer energia positiva que temos, do BOM KARMA que praticamos, como forma de agradecimento. Além disso, quem vem nos fazer qualquer doação, tem TOTAL DIREITO de pedir uma explicação sobre determinado tema ou esclarecimento, dentro da ótica buddhista, sobre qualquer assunto que desejarem! Da parte de nós monges, não é favor algum, sentar e conversar com a pessoa. ISTO É A NOSSA MISSÃO e nossa forma de retribuir pela doação que estamos recebendo. Portanto, o ideal é que o doador venha até o Vihara praticar sua generosidade, em vez de nós monges irmos apanhar a doação onde quer que seja. No Vihara, haverá espaço apropriado e calmo onde quem fizer a doação poderá se sentar, tomar chá (ou chimarrão!) e ouvir a mensagem do Buddha. Na casa onde estou no momento, isso ainda não é possível por falta de espaço e privacidade.

A vida monástica não é fácil. Requer estudo, aprofundamento, cultivo mental, paciência, compaixão, tolerância, gentileza e o desenvolvimento constante de várias virtudes, ao mesmo tempo que temos que combater os desejos e devaneios que toda mente humana ainda mantém! Quanto mais nós monges sentimos que as pessoas estão aceitando e entendendo nosso modo de viver. Quanto mais notamos que as doações estão sendo o reconhecimento de nosso esforço, menos difícil se torna nossa vida monástica, nosso contínuo Treinamento e, portanto, mais pessoas irão se beneficiar de nossa escolha de vida.

Espero que esta matéria seja esclarecedora para o povo de São Chico e todos os que a lerem, possibilitando que o Vihara que agora começo a construir, seja sempre um refúgio de Paz e Harmonia para todos – buddhistas ou não – que o procurarem. Se mais pessoas se conscientizarem da importância de DOAR, minha missão terá continuidade, mais monges poderão ser ordenados aqui mesmo no Brasil ou trazidos da Ásia e, mesmo após minha morte, o Buddhismo continuará presente em São Chico, para o bem de todos, somando – nunca dividindo. Unindo, jamais separando. Que todos possam entender isso e participar deste processo!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

  भन्ते सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

TODO TIPO DE DOAÇÃO é sempre muito bem-vindo e necessário. Qualquer pessoa pode exercitar a prática da virtude da generosidade, doando alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal etc.

Doações financeiras, de qualquer valor, podem ser feitas através do sistema PAYPAL do Blog, ou depósito bancário:

BANCO BRADESCO

(SÃO FRANCISCO DE PAULA – RS)

AGÊNCIA: 0932 6

CONTA POUPANÇA: 1001036-5

VIA 01

TIPO 00

A todos, Namaste!

 baleia é um mamífero! O elefante também!

Alguém pode dizer: a baleia tem o cérebro e o coração enormes! Mas, também o elefante os tem!

A memória da baleia é tão boa, que ela volta, de tempos em tempos, exatamente ao mesmo local, para ter seus filhos! Sim, é fato! Mas a memória do elefante é tão impressionante que a usamos como exemplo, para definir alguém com excelente memória!

Há muitas pessoas que dedicam suas vidas a salvar as baleias, porque elas estão em extinção… O mesmo acontece com o elefante, que encontra em vários humanos seus protetores contra a extinção!

A baleia e o elefante são majestosos, muito antigos, descendentes de seres gigantescos, impressionam e são queridos por muita gente, em todas as partes do planeta…

Então, alguém poderia sugerir: “Por que não pomos a baleia e o elefante juntos, já que ambos têm tantas coisas em comum? Poderiam formar uma dupla perfeita!

Tolice!!! A baleia jamais seria capaz de correr pelas savanas africanas, afinal, nem ao menos tem pernas! Tampouco daria certo se jogássemos o pobre do elefante no meio do oceano, tão logo avistássemos uma baleia! A tromba pode até parecer um periscópio, mas o elefante não é um submarino!

Baleias e elefantes, não importa quantas coisas em comum possam ter, são incompatíveis! Não falam a mesma língua, não vivem no mesmo lugar, têm hábitos diferentes, realidades totalmente diferenciadas e propósitos de vida que não coincidem! Da mesma forma, caro leitor desta matéria, MESTRES diferentes também são incompatíveis! Não cabe a nós tentar estabelecer paralelos ou fazer competições “bairristas” para decidir quem foi o maior ou quem é o melhor! Como o elefante e a baleia, cada um foi ou é bom em sua própria área de atuação, mas, também como os dois maiores gigantes do planeta, os diversos mestres não podem ser misturados, nem ao menos POSTOS JUNTOS, porque “um sempre será da savana e o outro do oceano”.

Para um buddhista, o Buddha sempre será o maior Mestre da História, se assim não fosse, não se chamaria de buddhista, não parece óbvio? Da mesma forma, quem se considera cristão, tem em Jesus Cristo, o maior Mestre de todos os tempos… Nada mais normal!

O mesmo acontece com outras tentativas de “parceria”, como Lao Tse e Jesus Cristo, Buddha e Mohammad (Maomé), Jesus Cristo e Lao Tse etc. etc. Não importa qual seja a tentativa de combinação, sempre vai ser “elefante com baleia”!

Assim, faça um favor a si mesmo: Toda vez que pensar em misturar ensinamentos, sejam de que Mestre eles forem; toda vez que tentar comparar ou igualar os Grandes Mestres da História, lembre-se do elefante e da baleia. Dê um sorriso, arranje coisa melhor para fazer e, se não conseguir definir a qual deles seguir, deixe cada um deles bem quietinho em um canto…

Fiquem todos em Paz e protegidos!

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

A todos, Namaste!

 

ala-se muito, dentro do Buddhismo, na figura do BODHISSATTVA, praticantes do Ensinamento do Buddha que, ao estarem prontos para atingirem a Iluminação, por vontade própria, abrem mão de se tornarem definitivamente buddhas, optando por ajudarem a todos os seres do Universo e, até que o último deles se ilumine, não querem libertar-se da prisão do ciclo de renascimentos, atingindo o Estado Mental de Nirvana!

Muito nobre, poético e inspirador mas, desde meu primeiro contato com o Buddhismo, nunca acreditei nisso e, de modo prático e realista, acho que, se já foi possível algum dia, no mundo moderno e voraz em que vivemos isso é cada vez mais utópico!

Prefiro crer em Bodhissáttvas modernos, palpáveis, encontráveis e visíveis ao longo de nossa caminhada por este mundo, reais e não utópicos. Estes sim, são exemplos, são inspiradores, são incentivadores e o que podemos chamar de KALIYÁNA MITTRA, que significa – Companheiro Sincero de Jornada, o amigo que nos fortalece através de seu bom exemplo.

Há muitos tipos de generosidade. Várias formas de doação. Há quem doe alimentos, outros podem doar medicamentos, poucos são os que doam dinheiro e, mais raros ainda são os que doam TEMPO e FORÇA FÍSICA, no reino do capitalismo onde “tempo é dinheiro” e o maior esforço físico que as pessoas fazem é “apertar teclas de computador”… É por estas razões que me impressionaram muito, nesse período que tenho estado preocupado com a construção de meu pequeno Vihara, as atitudes de dois cidadãos gaúchos, o Prof. RODRIGO CAMBARÁ e o Sr. JÚLIO STELMACH. Eles não são buddhistas. Não são meus amigos de longa data, aliás, nem me conhecem bem! Poderiam até mesmo duvidar de meu caráter ou de minha personalidade mas, sem cobrar absolutamente NADA de mim, nem ao menos um “obrigado”, de repente, os vi totalmente entregues ao trabalho de preparar o terreno onde será erguido o Vihara!

Correndo atrás da documentação necessária, fazendo tudo rigorosamente dentro da lei, subindo em árvores, cortando galhos, replantando xaxins que foram carregados em seus ombros, “se transformando” em mudas de árvores que já foram doadas para replantio. Fazendo de graça e sem qualquer interesse oculto, o que muita gente não faria nem recebendo um bom dinheiro!

Inútil e lerdo diante de tanta atividade, enquanto suavam suas camisas, resolvi observa-los e tirar alguma lição buddhista que pudesse servir aos outros, em minha missão monástica de transmitir a Mensagem do Buddha. Foi assim que me veio à mente: Não é essa a característica do Bodhissáttva? Doar-se em benefício da Iluminação alheia, sem esperar nada em troca? Não é isso que se espera de tais seres, aptos a se tornarem Iluminados?

De repente, quando mais precisei de ajuda, quando mais estive sozinho diante de situações com as quais não lidei antes – nunca tive que construir uma casa, numa terra ainda nova para mim – a vida aqui é bastante diferente da que tinha em Copacabana – aparecem duas criaturas incrivelmente boas e generosas, surgidas sabe-se lá de onde, para me ajudar tanto, tão rápido e tão desinteressadamente!

É grande a generosidade de doar alimentos. Também a de doar medicamentos e, com certeza é muito generoso quem doa dinheiro! Mas, quem doa seu precioso tempo (e foram muitas horas doadas!) e a força física, para a construção de um local de Paz, de harmonia e Sabedoria, onde muitas gerações “da gauchada” poderá se beneficiar dos Ensinamentos do Buddha, alcança um mérito incalculável, a energia positiva de um bom karma de imenso valor, pelo qual não tenho palavras para expressar minha gratidão! Seja o próprio Caminho ao longo da vida o portador do agradecimento pela generosidade de vocês, Prof. Rodrigo Cambará e Sr. Júlio Stelmach. Enquanto monge, só tenho a dizer três palavras, no modo da Tradição Theravada agradecer: “Sádhu! Sádhu! Sádhu!” (Eu entendo que é bom para mim e, por isso, recebo!)

Fiquem em Paz e protegidos!

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

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