TRADIÇÃO


A todos, Namaste!

 Um estudo sobre os SEIS GRANDES CONCÍLIOS BUDDHISTAS está pronto e poderá ser postado na caixa de mensagens dos eventuais interessados, bastando que solicitem a postagem.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

 Dear all, Namaste!

A study (in Portuguese only) about the Six Great Buddhist Councils is ready and can be posted in the mail-boxes of those interested in it, as soon as the posting is requested.

May all of you be in Peace and protected!

   

hindu_primer-alpha-Para os iniciantes no Buddhismo, cabe aqui esclarecer que o Buddha nunca deixou por escrito nem ao menos uma palavra, dos 84.000 (oitenta e quatro mil) discursos e Ensinamentos que transmitiu durante os 45 anos entre a Iluminação e sua morte, esteve entre nós, ensinando incessantemente a todo tipo de ouvintes, sobre os mais variados temas possíveis.

Aos discípulos – principalmente os monges já iluminados que acompanhavam o Mestre – coube a difícil tarefa e grande responsabilidade de manter na memória os Ensinamentos, preservando-os para as gerações futuras. O sucesso de uma missão tão importante vemos hoje, no chamado Cânone Páli, a coletânea das Escrituras Buddhistas que são o guia de nossas vidas, a herança nos deixada pelo Buddha.

A história de como tais Ensinamentos foram preservados e, sobrevivendo à própria História da Humanidade, chegaram à nossa era moderna, passa pelos chamados Concílios Buddhistas. É sobre isto que fala a matéria abaixo:

 Concílios Buddhistas já realizados no mundo

 Seis Grandes Concílios Buddhistas já foram realizados desde o “Mahá Parinirváña” (morte) do Buddha, no ano de 2.600 da antiga história Buddhista (ou 600 anos antes do nascimento de Jesus Cristo). Eles foram realizados para manter protegidos os Ensinamentos originais do Buddha, contra pressões internas e externas. Isto ajudou a lidar com todo tipo de gente mal intencionada, erros e distorções nos Ensinamentos e dispersão deles.

 Devemos gratidão e respeito aos devotados e virtuosos monges que transmitiram adiante os Ensinamentos originais do Buddha, na forma de Tradição Oral, desde a morte do Mestre.

Os grandes disciplinadores e educadores do Dharma entre os monges se reuniram para esclarecer quais os Ensinamentos Originais (Sutras), as regras verdadeiras do Código de Disciplina Monástica (Vínaya) e as determinações do Buddha, durante esses Concílios. Isto ajudou a preservar o verdadeiro Buddhismo e passa-lo oralmente para as gerações futuras, com uma quantidade mínima de adulterações. Todos os monges que participaram dos Concílios, tinham a certeza absoluta de que a disciplina na vida monástica era a vida do Buddhismo e, portanto, enquanto as regras disciplinares fossem mantidas, a vida do Buddhismo estaria garantida. Assim sendo, mesmo tendo recebido permissão do próprio Buddha para alterar ou até mesmo abolir determinadas regras menores, os monges decidiram que todas deveriam ser preservadas do modo como o Buddha as instituiu.

Certa vez, o Buddha disse ao Venerável Ánanda (seu primo e Atendente Pessoal) que, após o Parinirváña (a morte do Buddha) seus Ensinamentos e as regras do Código de Disciplina Monástica seriam os únicos guias dos monges. Portanto, preservar a ambos, passou a ser a maior missão de todos os monges. O Buddha não nomeou ninguém como seu sucessor, deixando apenas os Ensinamentos e o Código Disciplinar a serem rigorosamente seguidos.

 Os três primeiros Grandes Concílios Buddhistas foram realizados na Índia. O quarto se passou no Sri Lanka e o quinto e sexto Concílios foram realizados em Mianmar (antiga Birmânia).


1) O primeiro Grande Concílio Buddhista. Realizado em 486 antes da Era Cristã.

 Foi realizado três meses após a morte do Buddha, na entrada de uma caverna chamada “Sapthapárni”, em Rajguir (Rajagriha ou Rajagaha), na Índia, sob o patrocínio do Rei Ajassatta (Adjatassáthu, em Páli). O Concílio foi presidido pelo monge idoso, Venerável Mahá Kashyápa, um Iluminado (o termo para Iluminado é ARAHÁNT ou Arhát) e estavam presentes 500 monges, todos igualmente Arahants.

Diz a Tradição que, até a véspera deste primeiro Concílio, o Ven. Ánanda estava triste e muito preocupado! O problema é que ele, mesmo sendo Atendente Pessoal do Buddha, ainda não tinha atingido a Iluminação – não era um Arahant! Ele se sentia frustrado com isso e sabia que a condição para participar do Concílio era já ser um Arahant.

O Venerável Ánanda andava de um lado para outro, meditava, se esforçava – inutilmente!

Sabendo do que se passava na mente do Ven. Ánanda, o Arahant Mahá Kashyápa foi procurá-lo. “Ánanda,! – disse ele. Você me parece cansado e preocupado… O dia está quase amanhecendo. Por quê não vai se deitar e descansar um pouco?” O Ven. Ánanda aceitou o conselho. No momento que deitou a cabeça para descansar, atingiu a Iluminação!

No dia seguinte, para sua surpresa, o Ven. Ánanda chegou ao local do Concílio e viu que já havia um assento aguardando por ele.

Desde que o grande Buddha começou a ensinar o Dharma e estabeleceu regras monásticas, cada vez que a oportunidade surgiu, nada havia sido organizado ou registrado por escrito. O objetivo do Primeiro Concílio Buddhista foi separar os Ensinamentos e organizá-los.

Os grandes discursos do Buddha, os Sutras, foram todos repetidos oralmente pelo recém-iluminado Venerável Arahánt Ánanda. Ele, que antes de se tornar o Atendente Pessoal do Buddha, havia imposto como condição para assumir a função, que o Mestre repetisse para ele todos os discursos que fizesse, estando o Ven. Ánanda presente ou ausente. Então, era o único monge que, já tendo adquirido a memória de um Iluminado, podia se lembrar de todos os Sutras.

Os Sutras foram então separados em cinco Grupos (a palavra em Páli é NIKÁYA). Estes cinco formaram o SUTRA PITÁKA (a palavra Pitaka, significa cesto ou vaso – os três (TI ou TRI) recipientes onde foram guardadas as Escrituras buddhistas). Porém, as Escrituras continuaram sendo preservadas oralmente apenas – NADA FOI ESCRITO. Elas foram repassadas a cinco grupos de monges, todos Iluminados, para serem preservadas e transmitidas oralmente, mantendo a Tradição.

São os seguintes, os Grupos que formam o Sutra Pitáka, o Cestos de Escrituras:

 1 – DIGHA NIKÁYA – A palavra Digha significa “longo”. Portanto, Digha Nikáya significa Grupo dos Sutras Longos. Este grupo foi entregue ao Ven. Arahánt Ánanda e seus alunos, para que tomassem conta e o transmitissem oralmente.


2 – MAJJHIMA NIKÁYA (se pronuncia “madj-djhíma”) – A palavra significa “de tamanho médio”. Portanto, é o Grupo de Sutras de Médio Comprimento” e este grupo foi entregue ao Venerável Shariputra (ou Sariputta) e seus alunos, para serem transmitidos oralmente às gerações futuras.


3 – ANGUTHARA NIKÁYA – São discursos que foram separados um a um, numericamente, em ordem crescente.
Esse Grupo foi confiado ao Ven. Arahánt Anuruddha e seus alunos, para preservação e transmissão às futuras gerações.


4 – SAMYUTHA NIKÁYA – Forma o Grupo de discursos interconectados, sobre o Dharma. Esse Grupo foi entregue aos cuidados do Ven. Arahánt Mahá Kashyápa e seus alunos.

 

5 – KHÚDDAKA NIKÁYA – A palavra, em Páli, significa “curto”, portanto, esse é o Grupo formado por discursos curtos. Nele estão incluídos vários discursos que “sobraram” por não se enquadrarem nos outros Grupos e também está o famoso DHAMMAPÁDA (ou Dharmapada). O Khuddaka Nikáya ficou a cargo de todos os monges, para ser preservado, não sendo entregue a nenhum Arahánt em particular.


Estudiosos acreditam que o “ABHIDHAMMA PITÁKA”, o Tratado de Psicologia Buddhista, no qual o Buddha analisa minuciosamente o funcionamento e comportamento da mente humana, também foi recitado como Dharma, neste mesmo Concílio.

 O Venerável Arahánt Upáli recitou todas as regras do Pratimôksha, o Código Disciplinar Monástico e as Diretrizes dele. Esses dois formaram, após divididos em Cinco Grupos, o chamado “VÍNAYA PITÁKA” do Cânone Páli. O Cesto do Vínaya é voltado para nós monges e monjas, porque trata das regras, estabelecidas pelo próprio Buddha, que devemos que seguir, na vida monástica:

Os Quatro PARAJIKÁ (se pronuncia “paradjiká”) são as quatro regras do Pratimôksha que, quando quebradas por um monge ou monja, significam que ele ou ela, imediatamente, está expulso da Comunidade Monástica, não podendo nunca mais se tornar monge.

Todas as demais regras do Pratimôksha, quando quebradas, são sujeitas a julgamento, confissão, punições, afastamento etc.

 PATCHITTIYÁ, CHULLAWAGGA, MAHAWAGGA e PARIVÁRA – São capítulos com regras monásticas que nós monges e monjas devemos seguir, tanto para a preservação individual quanto coletiva da vida monástica.

2) O Segundo Grande Concílio Buddhista (aproximadamente 386 Antes da Era Cristã)

 Foi realizado cem anos após a morte do Buddha, no Templo Valukárama, na cidade de Vessali – Índia, sob o patrocínio do Rei Kalassôka.

O Venerável Rêvata Therô foi o presidente desse Concílio, do qual participaram 700 monges altamente instruídos.

 Um grupo de monges, chamados “Vajjians” estava quebrando regras monásticas e um certo monge visitante, chamado Ven. Yássa, notou isso. As regras quebradas foram:

Guardar sal em chifres de animais, usados como saleiro, para melhorar o sabor da comida, sempre que achassem necessário.

 Fazer refeições após o meio-dia.

 Terminar uma refeição e, então, sair de novo para mais uma ronda de coletar alimentos.

 Realizar a Cerimônia da Lua Cheia (Upôssatha) no mesmo prédio onde os monges habitam (em vez de usarem a Sala do Altar para isso).

 Realizar a Cerimônia de Vínaya (recitação do Código Monástico – Pratimôksha), quando alguns monges ainda não estavam presentes.

 Realizar certas práticas determinadas por outros monges ou tutores.

Comer coalhada após a refeição do meio-dia.

 Beber vinho.

 Usar tapetes ou assentos fora do tamanho padrão. (passam a ser considerados como artigo de luxo e ostentação)

 Aceitar e usar dinheiro, ouro ou prata.

  Quando, mesmo após serem advertidos, os Vajjians não deram ouvidos, o Venerável Yassa foi denunciá-los ao monge superior, na época, o Venerável Rêvata, que decidiu formar um novo Concílio. As regras que haviam sido desobedecidas foram consideradas como ilegais e isso não foi aceito pelos Vajjians. Como eles se recusaram a aceitar a decisão do Concílio, houve o primeiro “GRANDE CISMA” no Buddhismo e os Vajjians se separaram da Comunidade Monástica, fundando seu próprio grupo.

 Os monges radicais do grupo Vajjian foram expulsos da Comunidade Monástica (Mahá Sangha) original e fundaram sua própria ordem monástica, à qual chamaram de MAHÁ SANGHIKÁ (a “Grande Comunidade”), enquanto que os que respeitaram as regras criadas pelo Buddha, defendidas pelo Ven. Rêvata, passaram a ser chamados de STHAVARIVADIM, ou “COMUNIDADE DOS SÁBIOS ANCIÂOS”, conhecida também como TRADIÇÃO THERAVADA. (á qual eu pertenço)

 3) O Terceiro Grande Concílio Buddhista

(aproximadamente 250 Antes da Era Cristã)

Foi realizado cerca de 200 anos após a morte do Buddha, no Templo Assokárama, em Pataliputra – Índia, sob o patrocínio do Imperador ASHÔKA, O GRANDE. Ele é considerado como o maior Imperador de todos os tempos e o maior divulgador do Buddhismo em toda a História. Antes um sanguinário, que unificou a Índia, formando um grande Império, às custas de destruição, inclusive do Clã ao qual o Buddha pertencia, o Imperador Ashôka converteu-se ao Buddhismo e mudou sua vida.


O Terceiro Grande Concílio foi presidido pelo Venerável Moggaliputtatissa Therô e 100 monges altamente instruídos estiveram presentes.

A grande generosidade do Imperador Ashôka com a Comunidade Buddhista e, especialmente, para a Mahá Sangha (Comunidade Monástica), despertou inveja e preconceito de outras pessoas contra os monges. Ao mesmo tempo, muita gente queria se infiltrar na Comunidade Monástica, buscando regalias e conforto. Outros achavam que, infiltrando-se na Comunidade Monástica, seriam capazes de enfraquece-la até que terminasse destruída. Assim, havia cerca de 60 mil falsos monges e impostores, espalhando visões distorcidas dos Ensinamentos Originais do Buddha.

Percebendo o imenso dano que isso estava causando ao Buddhismo verdadeiro, o Imperador Ashôka pediu a interferência do Venerável e famoso Moggaliputttatissa Therô, para por fim a essa triste situação.

 Todos os impostores foram chamados, arguídos, expostos publicamente e expulsos da Comunidade Monástica.

O “KATHAVATHTHU PAKÁRANA”, um documento que analisa e contradiz os pontos de vista errados, criados pelos impostores, foi redigido pelo Venerável Moggaliputtatissa Therô e anexado ao “ABHIDHAMMA PITAKA” em forma de Quinto Livro.

Monges missionaries foram enviados às nove regiões da Índia, por ordem do Imperador Ashôka, para divulgar o verdadeiro Buddhismo, no programa chamado de “Dharma Widjáya”.


4) O Quarto Grande Concílio Buddhista (cerca de 29 Antes da Era Cristã – Ano 100 da Era Cristã)


Foi realizado durante o reinado do Rei Walagamba (Vattagamini Abháya), sob o patrocínio de um governador local, no “Alu Vihara” em Matale, no Sri Lanka.

O Venerável Maharakkhitha Therô foi o presidente e 500 monges, altamente instruídos, participaram.

Aconteceu logo após uma invasão estrangeira e uma enorme epidemia de fome, que quase destruiu a economia do país e o Buddhismo. A maioria dos monges já tinha deixado o país e o Buddhismo transmitido apenas por Tradição Oral estava em risco de extinção. Isto levou os monges buddhistas do “Mahá Vihara”, que vinham preservando os Ensinamentos e protegendo a Árvore da Iluminação, uma descendente da árvore original, levada ao Sri Lanka, a tomar medidas necessárias e urgentes.

Pela primeira vez na História do Buddhismo, decidiram que os Ensinamentos não mais poderiam permanecer de forma oral, mas deveriam ser registrados por escrito.

 Com o retorno do Rei Walagamba ao poder, o fim da fome e da invasão estrangeira, os monges que estavam no exílio retornaram ao país e 500 dos mais altamente instruídos se reuniram em Assembléia para formar o Quarto Grande Concílio Buddhista. Eles, pela primeira vez na História, redigiram todos os Ensinamentos do Buddha – o Tripitáka, do Cânone Páli, em folhas ÔLA (um tipo de palmeira daquela região). Foi o maior passo dado em toda a História do Buddhismo.

Assim, foi preservado o Ensinamento Original do Buddha. Diz a Tradição, que, por não haver na época tinta disponível para escrever, os monges fizeram cortes em seus dedos polegares e usaram o próprio sangue para escrever sobre as folhas. Não há confirmação histórica de tal fato, tampouco se sabe em que lingual o Tripitaka original foi redigido.

Atualmente, as Escrituras Buddhistas Originais (O Tripitáka), no Cânone Páli, encontram-se traduzidas em vários idiomas e disponíveis ao mundo todo.

5) O Quinto Grande Concílio Buddhista (em 1871 da Era Cristã)

 Foi realizado em Mandalei, em Mianmar (antiga Birmânia), sob o patrocínio do Rei Mindon. O Venerável Djagarabhivamsa Therô foi o presidente e 2.400 monges, altamente instruídos, participaram.


Foi um Concílio especificamente burmês, no qual todos os Ensinamentos foram recitados e revisados, para assegurar que não estavam sendo distorcidos ou mal-interpretados em sua transmissão e nenhum estava sendo esquecido ou desprezado.

Após a revisão dos Ensinamentos, o Tripitaka completo (Cânone Páli) foi todo inscrito em 729 pedras de mármore que ainda podem ser vistas no Kuthodaw Pagoda, ao pé da Colina de Mandalei..

6) O Sexto Grande Concílio Buddhista (em 1954) – o último realizado até os dias de hoje.

Também foi realizado em Mianmar, na capital Yangon, sob patrocínio do governo burmês e conduzido pelo Primeiro Ministro U Nu.

O Venerável Mahassi Sayadó Therô foi o presidente e 2.500 monges, altamente instruídos, de vários países: Mianmar, Sri Lanka, Índia, Camboja, Nepal, Laos, Tailândia e Vietnã, participaram.

 O Concílio teve como objetivo confirmar e preserver o Dharma e o Vínaya (Código Monástico) da Ordem Buddhista. Dois anos de meticulosa inspeção e correção chegaram ao rascunho final, que foi aprovado por unanimidade pelo Concílio e impresso por métodos modernos.

Ao final do Concílio, todos os países participantes, menos a Índia, tiveram o Cânone Páli traduzido para suas línguas nativas.

 

Trabalho de pesquisa realizado por Bhantê Sunanthô Bhikshú

A todos, Namastê!

 exercício da GENEROSIDADE (chamada DÁNA, no Buddhismo) é de fundamental importância, tanto para o praticante quanto para a sobrevivência de nós monges, especialmente na rígida Tradição Theravada, à qual pertenço, onde os monges não tem permissão de trabalhar e temos nosso sustento inteiramente dependente de doações dos leigos.

Para expressarmos gratidão, sempre que algo nos é doado, nós, monges Theraváda, fazemos no ato do recebimento, uma pequena recitação, na qual transferimos ao doador a energia positiva, criada pelo bom karma. Assim, quem doou recebe em troca a energia positiva do monge beneficiado.

Ontem, o jovem Daniel Macan, através de meu filho Kauan, fez uma generosa doação de vários alimentos. Kauan chegou em casa com muitas sacolas de supermercado!

Sem ter conhecimento da prática buddhista da “Transferência de Méritos”, conforme expliquei acima, Daniel, que deixou meu filho em casa, sem ter saído do carro, acabou indo embora sem que eu lhe transmitisse meu bom karma! Assim, tornando público meu agradecimento por mais esse bom ato do incansável Macan, segue abaixo o texto da recitação em Língua Páli, com a garantia de que fiz a Transferência!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

YATHÁ WARIWAHÁ PURÁ PARIPURÊNTI SÁAGUERÃN. ÊWA MÊWA ITÔ T´HINÁN PÊÊTANÃN UPEKAPATÍ ITCHIT´HÁN PATIT´HÁN TUIHÁN KIPAMÊWA SAMIDJETÙ SÁABE PURÊNTU DJITESÃNKHAPÁ, DJ´HANTÔ PANERASSÔ YAT´HÁ MANI DJÔ TIRASSÔ YAT´HÁ. SAPPITIYÔ WIWÁ DJ´HANTÙ SÁABBE RÔGO WINÁ DJET´HÚ MÁATÊ BHAWAT´TWANTERÁYU SUGGIDIGÁYU GOB´HAWÊ. BHAWANTU SABBE MANGALAM RAKKHANTU SABBE DEWATÁ, SABBE BUDDHÁNU BHAWENA SADDHA SOTTHI BHAWANTU TÊ, BHAWANTU SABBE MANGALAM RAKKHANTU SABBE DEWATÁ, SABBE DHAMMÁNU BHAWENA SADDHA SOTTHI BHAWANTU TÊ, BHAWANTU SABBE MANGALAM RAKKHANTU SABBE DEWATÁ, SABBE SANGHÁNU BHAWENA SADDHA SOTTHI BHAWANTU TÊ,

 Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

A todos, Namastê!

A MATEMÁTICA DA GENEROSIDADE

a ótica Buddhista, o que nos prende às sucessivas vidas neste mundo, renascendo como prisioneiros de um ciclo contínuo, é principalmente o APEGO às coisas materiais. O Buddha sempre enfatizou a necessidade de não nos apegarmos tanto àquilo que conseguimos ter, pois tudo, absolutamente tudo o que temos é passageiro, impermanente e sujeito a desaparecer.

A prática da GENEROSIDADE é um contínuo exercício do desapego, portanto, um meio hábil de nos conduzir à Iluminação. Há diversas formas de sermos generosos, porém, o próprio Buddha sempre afirmou que quem doa algo a um monge buddhista, é como se doasse ao próprio Buddha, sendo assim a maior das doações, já que nós monges somos a garantia de preservação do Ensinamento do Buddha, a ser transmitido para benefício de todos os seres.

Um dos principais obstáculos para a divulgação do Buddhismo no Brasil é, com certeza, a falta de conscientização das pessoas sobre a necessidade de doações financeiras.

Não vejo como má vontade ou desinteresse o fato das pessoas não doarem. Ao contrário dos asiáticos que, há centenas de anos, desenvolveram a mentalidade de que é NORMAL manterem os Templos Buddhistas com apoio incondicional, nós ocidentais somos condicionados a só pagar por bens de consumo, normalmente com o dinheiro adquirido através de nosso trabalho. Portanto, o ocidental padrão, nem ao menos se lembra que um Templo ou Grupo de Buddhismo necessita de doações constantes para sobreviver. Na verdade, as pessoas não doam nem mesmo para a Igreja Católica e só recentemente vêm desenvolvendo o hábito de fazer doações para as Igrejas Evangélicas, um fenômeno relativamente novo em nossa sociedade.

O fato é que nós monges temos as mesmas necessidades que qualquer outro ser humano… Qualquer que seja o local onde nos instalemos, há contas e taxas a serem pagas e, inevitavelmente, se não houver generosas doações, não há como continuar divulgando o Buddhismo no país.

É compreensível que as pessoas pensem: “Eu já tenho minha família, minha casa e muitas despesas! Não tenho condições de sustentar sozinho um Templo Buddhista!” É exatamente aí que cabe uma explicação. Não se trata de apenas uma ou duas pessoas arcarem sozinhas com as despesas do Templo! Obviamente isso é inviável e por demais oneroso! Porém, se conseguíssemos, gradativamente, conscientizar todas as pessoas a doarem, mensalmente, uma PEQUENA QUANTIA, como R$20 ou R$30, sem que isso ficasse pesado para ninguém, teríamos todas as despesas do Templo pagas. Isso é matematicamente provável, não é demagogia nem milagre!

Melhor ainda seria se, cada pessoa que vem se beneficiando do Ensinamento do Buddha, divulgasse as mensagens para mais e mais pessoas, sempre acrescentando uma explicação sobre a necessidade de doações financeiras, por menores que sejam! Assim, num efeito multiplicador, o Templo estaria, não só devidamente provido, mas também em condições de manter em crescimento um caixa emergencial. Desta forma, o Projeto Dhamma Vihara, que tem como objetivo ajudar pessoas carentes, poderia finalmente ser iniciado. Na situação atual, mal tenho como me manter, portanto, é totalmente inviável pensar em atuar na área social.

Os que se sentirem motivados a fazer doações de alimentos e/ou financeiras, podem ir diretamente à casa onde estou instalado – Rua Alziro Torres Filho – 255, a rua de acesso ao Lago São Bernardo. Para doações à distância, o Blog tem um sistema próprio (Paypal) para doações de qualquer valor. Sua generosidade é fundamental e qualquer valor doado é igualmente importante!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

भन्ते सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ


A todos, Namastê!

ARAHANT? ARHAT? BODHISSATTVA? BODHISSATTA?

 

RAHAN SAMMASAMBUDDHÔ BHAGAWÁ BUDDHAM, BHAGAWANTAM, ABHIWATÊMI

– É assim que começa todo Púja (ritual ou cerimônia) na Tradição Theravada. A tradução é: “Esse Homem totalmente Iluminado, o que se tornou um buddha sem auxílio de ninguém, totalmente preenchido pela energia do bom karma, ao Buddha eu faço prostrações em respeitoso agradecimento.”

Arahant, a primeira palavra da Recitação, portanto, significa – em língua Páli, usada pelo próprio Buddha – uma pessoa que atingiu o Estado Mental do Nirváña, a Iluminação completa, um BUDDHA. A palavra “Arhat” é o equivalente em Sânscrito, a língua indiana usada no Hinduísmo e também no Buddhismo Mahayana, que surgiu muitos anos após a morte do Buddha. Portanto, um “Arahant” é uma pessoa que, após praticar virtudes e cultivar a Purificação Mental, finalmente atingiu a Iluminação completa, total e irreversível, tornando-se um buddha, tal como aconteceu com o Príncipe Siddhartth Gáutam.

Podemos dizer, então, que um Arahant tem a mente do Nirváña, mas tal mente iluminada ainda está “presa” a um corpo físico, que, como toda matéria, está sujeita a dores, doenças, frio, calor, fome, sede, envelhecimento e todo tipo de dificuldades, desconforto etc. Porém, a grande diferença e que, para um Arahant, nada disso causa inquietação mental. Por já ser um iluminado, o Arahant, embora vivendo entre nós, neste mundo, não mais se altera com coisa alguma: nem boa nem ruim, porque a mente iluminada é livre e desprovida de qualquer conceito!

Na época do Buddha, muitos dos monges que conviveram com ele eram Arahants, totalmente iluminados e com mentes capazes de entender plenamente todos os fenômenos do Universo, sem que isso causasse neles qualquer tipo de alteração, qualquer tipo de inquietação mental! Para nós, que ainda temos um longo caminho a percorrer, isso parece quase impossível, quase inacreditável, mas é assim o fenômeno da Iluminação, ou seja, atingir o Estado Mental de Nirváña.

Mas, então, o que vem a ser o tal BÔDHISSATTVA? A palavra BÔDHI (o “o” é sempre fechado e longo!!), vem do radical “bôdh”, o mesmo de “buddha”, significando “Sabedoria”. “Sattva” é a palavra para “ser vivo”, pessoa ou criatura. Portanto, Bôdhissattva é uma pessoa que tem Sabedoria. O termo “Bôdhissatta” é exatamente a mesma coisa, porém em Língua Páli, usada na Tradição Theravada.

Assim, qualquer pessoa que pratique o cultivo mental, que desenvolva as virtudes nobres de um ser humano digno, é, em maior ou menor grau de desenvolvimento, um Bôdhissattva! Vocês leitores, são Bôdhissattvas, eu sou Bôdhissattva, a Venerável Monja Coen e S.S. o Dalai Lamá são Bôdhissattvas e o mendigo da esquina, se realmente cultivar virtudes, também está no time dos Bôdhissattvas!

Acho que até aqui, está tudo bem definido e esclarecido, não é? Muito bem! Só que, para complicar as coisas, o Buddhismo Mahayana (todas as Tradições que não são Theravada) interpretou errado isso tudo e inverteu o nome das coisas… No Mahayana se ensina que Arahant é alguém que não está iluminado, sendo, portanto, “menos” que Bôdhissattva. Para complicar ainda mais a situação, criaram vários seres imaginários: Bôdhissattva da Compaixão, da Sabedoria, da Luz Infinita e tantos outros, num panteão de Bôdhissattvas quase igual aos santos da Igreja Católica ou as divindades do Hinduísmo!

Para o ser humano, que já vive à procura de figuras superiores às quais adorar, transferir a culpa por seus fracassos e encher de pedidos, isso é uma invenção perfeita e bastante conveniente, porém, nada tem a ver com o que o Buddha realmente nos ensinou: “Tudo depende unicamente de nosso próprio esforço e de nenhuma força superior externa!”

Quanto aos Veneráveis Arahants – Ven. Shariputra, Ven. Maudgalyalyana, Ven. Mahá Kashyapa e tantos outros monges totalmente Iluminados que conviveram com o Buddha e eram líderes da Comunidade Monástica (Mahá Sangha), o Buddhismo Mahayana os trata como se fossem pessoas normais, na busca da Iluminação, inferiores aos Bôdhissattvas, do modo como esse tipo de Buddhismo os conceitua.

O objetivo de um buddhista seguidor do Ensinamento Original do Buddha, ou seja, da Tradição Theravada, é se tornar um ARAHANT, um Iluminado em vida, aguardando apenas a morte física, para nunca mais renascer de forma alguma. Já o ensinamento Mahayana, prega que devemos nos tornar Bôdhissattvas e, uma vez atingido este objetivo, teremos que “atrasar” nossa própria Iluminação, em função de salvar todos os seres e, só então, alcançarmos o Estado Mental do Nirváña. Eu, através de tantos anos de estudo e vivência do Buddhismo em suas várias formas, continuo certo de que a Tradição Theravada é o Caminho que o Buddha nos deixou explicado e claro. Cabe a cada um investigar e decidir o que acha correto.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

 भन्ते सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

 

A todos, Namastê!

NÃO SE DEIXE ENGANAR SOBRE O SAMSARA!

ste ano de 2012 é do tipo que dá trabalho a quem se dedica ao ensino sério de um Caminho… São tantas as interferências de superstições, crendices, previsões e uma infinidade de outras “certezas” ao longo do ano que muita gente já deve estar com medo até de sair de casa!

Não é a primeira vez que um ano assim ocorre. Baseadas na crença de que “o mundo passa de mil, não passa de 2000”, o ano de 1999, até acabar, foi um problema na vida de muita gente. Nada aconteceu e os que juravam que seria o fim da Humanidade, frustrados, acabaram voltando à rotina de um mundo que não acabou…

Nostradamus, o problemático causador de confusões, com suas profecias não cumpridas, acabou caindo na descrença e pouco ainda se ouve falar sobre ele. Acabou substituído pelo tal Calendário Maia, o terrorista psicológico da vez. Soma-se a ele um suposto Tsunami que reduzirá a já populosa parte seca de nosso planeta a poucas ilhotas onde se espremerão os eventuais sobreviventes da catástrofe!

O Irã tira o sono da Europa e América, com seu misterioso Programa Nuclear. A Coréia do Norte talvez ainda esteja chorando a morte de seu ditador, mas já não frequenta os noticiários, até ameaçar de novo o mundo. Os europeus e os japoneses – que nem se recuperaram do acidente nuclear – morrem debaixo de toneladas de neve como nunca vista antes, sendo a Europa um continente à beira do caos econômico que, cedo ou tarde, deve respingar em países emergentes como o nosso…

Como se não fosse bastante o surto de Dengue, a América do Sul parece viver também um surto de CÂNCER em suas autoridades e presidentes! Violência, doenças, ameaças nucleares, previsões de tragédias… Enfim… O Samsara (nome dado ao mundo onde renascemos sucessivamente) continua exatamente do jeito que o Buddha o definiu, quase 3000 anos atrás, mas, apesar disto, as pessoas preferem crer nos Maias! Aliás, esse povo, tal como todas as chamadas civilizações précolombianas, era desenvolvido em muitos aspectos, porém, no quesito compaixão e cultivo de virtudes, deixou muito a desejar! Atacavam e escravizavam outros povos, faziam sacrifícios humanos aos deuses e todo tipo de barbaridades, nada dignas de serem respeitadas, muito menos seguidas como exemplo! Apesar disto, as pessoas ouvem mais aos Maias que ao Buddha…

Há também pessoas que sofrem de algo que eu chamaria de “síndrome do avestruz”! Enfiam as cabeças na areia e, em vez de Tsunamis ou fim do planeta, pregam o início de uma Nova Era de Paz e harmonia, quando todas as evidências mostram que nada vai melhorar no Samsara! Não importa o que possam dizer os astros ou os números, sinceramente falando, não há indício algum que este ano, especificamente, seja o início de qualquer melhoria na situação da Humanidade!

Curiosamente, para a alegria das vítimas da “síndrome do avestruz”, tenho notado a grande tendência ao fortalecimento da “Tradição Poliana de Buddhismo”. Para quem não sabe, Poliana é a personagem de um romance antigo. A tal menina sofria mais que jegue de beduíno! Todos a maltratavam, e, apesar disso, tinha um otimismo em relação à vida que, de tão utópico, chegava a irritar os leitores! Acabou se tornando um rótulo para quem exagera na dose de otimismo… Pois bem, o que eu chamo de Buddhismo Poliânico parece ter esse tipo de visão em relação ao Samsara.

Pregar que o mundo vai se tornar um lugar melhor, que tudo vai mudar através da prática do Buddhismo, é uma boa estratégia de marketing para atrair seguidores. Também há a possibilidade de quem ensina tais coisas REALMENTE acreditar nelas, por alguma distorção dos Ensinamentos do Buddha. Na verdade, quero crer que não é com má intenção que determinados monges e monjas dizem a seus seguidores que somos capazes de acabar com o Samsara, transformando-o num mundo ideal!

À luz do que o Buddha realmente nos ensinou, o Samsara é IRREMEDIAVELMENTE do jeito que é! Aliás, ninguém melhor do que o Buddha para falar sobre o assunto!

Devemos nos lembrar que Siddharttha Gáutam nasceu e cresceu cercado de “profissionais em fantasiar o Samsara”. Tinha a seu dispor todo tipo de prazeres materiais e sensuais, todo tipo de truques para que pensasse no mundo como um lugar perfeito para se viver! Mesmo assim, a tristeza e inquietação profundas dentro de seu peito, não permitiram que se deixasse enganar sobre o Samsara e, graças a isso, hoje temos o Buddhismo, afinal, foi motivado pela CERTEZA de que o mundo nunca mudará que Siddharttha deixou o palácio de seu pai, na busca de um modo de se livrar de uma vez por todas da vida no Samsara. Foi esse Ensinamento que ele tanto se empenhou em nos transmitir!

Diante disso, não é realmente correto, em nome do Buddha, divulgar algo utópico e ilusório de que vivemos neste mundo com o OBJETIVO de mudá-lo até que se torne perfeito e bom para vivermos nele! Claro que devemos, sim, praticar o bem constantemente. Devemos nos esforçar ao máximo para conviver em harmonia com as pessoas e todos os outros seres do planeta. Temos que ser tolerantes, pacíficos, éticos, educados e constantemente desenvolver as virtudes da nossa mente. Mas não por causa do Calendário Maia nem de qualquer tipo de profecia que venha a ser descoberta quando 2012 passar. O cultivo mental deve ser praticado simplesmente como algo natural e inerente, já que cada um de nós já é um buddha em potencial e tem em si as condições necessárias para atingirmos a Iluminação.

O Samsara existe para ser superado. Seus obstáculos não surgem diante de nós para serem transformados “num mar de rosas”, mas sim para NOS tornarmos fortes e experientes, capazes de ver nossas dificuldades como realmente são, sem fantasias nem ilusões e, somente assim, somos capazes de superá-los, seguindo adiante, até o fim de nossa jornada rumo à Iluminação.

Não importa quantas distorções tenham surgido após a morte do Buddha, mas o fato é que ele nunca nos instruiu a transformarmos o mundo para que todas as criaturas vivam nele. Não é esse o papel de um seguidor do Buddhismo!

O Buddha nos disse que devemos mudar A NÓS MESMOS. Apenas! Ao fazermos isso, sem tentativas de convencer, converter ou salvar outras pessoas, mas sim servindo de EXEMPLO para elas, não fazemos com que o Samsara se transforme, mas conseguimos nos livrar dele, nunca mais renascendo nele, atingindo a Paz Eterna e inabalável do Nirváña, um Estado Mental de absoluta pureza, inimaginável para seres humanos comuns, mas que é possível de ser atingido aqui e agora, exatamente como aconteceu com o Buddha e muitos dos monges TOTALMENTE ILUMINADOS que o acompanharam, os chamados ARAHÁNTS, que estavam aguardando somente a morte física para nunca mais renascerem no Samsara. Isto é Buddhismo claro e simples, do modo como o Mestre Shakya Múni – O Buddha – nos ensinou. Distorcer isso é criar falsas expectativas que, quando não atingidas, levarão o praticante do Buddhismo a se afastar, decepcionado, o que realmente é lamentável. Enquanto imaginarmos que seremos capazes de salvar todos os seres do planeta e, pior que isso – acreditarmos que essa é nossa missão no mundo, estaremos atrasando nosso real objetivo, em função de algo utópico e impossível. Assim, não estaremos nem efetivamente salvando os outros nem seguindo o verdadeiro Ensinamento do Buddha: Conhecer a si próprio, praticar a compaixão, o amor incondicional, a generosidade e o desapego aos conceitos e bens materiais, cultivar as virtudes do Nobre Caminho Óctuplo e, uma vez iluminado, unicamente através do nosso exemplo, outras pessoas – SE ASSIM QUISEREM – seguirão o mesmo Caminho! Quanto ao Samsara, é e sempre será o enorme palco de infinitos momentos de alegria e felicidade, intercalados com todo tipo de descontentamento, decepção, catástrofes e inquietação mental, protagonizados por nós humanos e todos os demais seres vivos. Fiquem todos em Paz e protegidos!

 Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

 

A todos, Namastê!

“AÑJALÍ” –  ALGUNS SEGUNDOS DE ATENÇÃO PLENA

hama-se “Añjalí” o ato de saudar alguém, juntando as palmas das mãos, à altura do peito, baixando levemente a cabeça e, de preferência, com um sorriso, dizer: “Namastê!”

Esse é o padrão indiano de cumprimentar, mas é usado no Nepal, Bangladesh e tantos outros países asiáticos, inclusive a Tailândia. Na outra matéria que está no Blog, expliquei a diferença e forma de uso entre “Namastê!” e “Namaskár!”, sendo o segundo o correto para leigos se referirem a nós monges.

Para os ocidentais, pouco acostumados à formalidade, esse tipo de cumprimento pode se tornar algo casual, como dizer “Oi” ou “Tudo bem?” No dia a dia, a maioria das pessoas usa estas expressões automaticamente, sem qualquer tipo de sentimento ou respeito…

Namastê e Namaskár são um ato de REVERÊNCIA, de homenagem. Ao usarmos este tipo de cumprimento, estamos, por alguns segundos, reverenciando o que há de SAGRADO E PURO na mente do outro ser humano, portanto, devemos usar de Atenção Plena para este tipo de saudação. Se não formos capazes de realmente estarmos presentes, com nossa mente focada no ato, é melhor cumprimentarmos do jeito ocidental, com um simples “Oi” ou equivalente.

Muitas vezes, quando as pessoas me encontram na rua, por falta de conhecimento, dizem: “Oi, monge, tudo bem? Namastê! – acenando com uma das mãos… Obviamente, têm a intenção de serem educadas e simpáticas e eu entendo perfeitamente isto. Porém, se formos capazes de usar o cumprimento do modo correto, estaremos reverenciando a pessoa, sendo reverenciados por ela, em retorno e praticando a Atenção Plena – quanto mais a praticarmos, mais próximos estaremos da Purificação Mental e, consequentemente, Estado Mental do Nirváña.

Um detalhe importante, também relacionado à Atenção Plena, é NÃO cumprimentar com Añjalí alguém que esteja com as mãos ocupadas. Assim, quando ando pela rua, com várias sacolas de supermercado, por exemplo, não é conveniente que me cumprimentem com “Namaskár!”, afinal, trata-se de uma reverência interativa, que merece retorno e não terei como largar tudo no chão e saudar o que há de sagrado dentro de quem me cumprimentou.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

 Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

 

A todos, Namaste!

omo vocês já devem saber, ontem (2a. feira) iniciamos o Ano Novo Chinês, que, seguindo a ordem dos Doze Animais do Horóscopo Oriental, é a vez do DRAGÃO.
Diz a Tradição oriental que o Buddha teria convidado para uma reunião alguns animais e, atendendo ao chamado do Mestre, um a um eles foram se apresentando. De acordo com o ordem de chegada, o Buddha presenteou a cada um com um ano, que se repete a cada 12 anos. Obviamente, há outras inúmeras curiosidades e explicações sobre o ano de cada animal, suas características e variações de acordo com os Quatro Grandes Elementos (água, terra, fogo e ar), que definem as características da personalidade de cada pessoa (hora de nascimento e outros fatores influenciam na personalidade: Dragão da Água ou da Terra, Fogo etc.).
Astrologia à parte, no Buddhismo o Dragão pertence aos seres mitológicos conhecidos como NÁGA. Há Nagas que voam pelos céus, Nagas nos rios e oceanos, Nagas que são invisíveis e etéreos, habitando o ar… O fato é que são conhecidos como protetores do DHARMA (o Ensinamento do Buddha) e, portanto, são criaturas do BEM, nunca do mal!
Várias lendas estão presentes na Tradição Buddhista. Uma delas diz que, no momento do nascimento do Buddha, ainda como o bebê Siddharttha Gáutam, dois dragões (Nagas) desceram à terra, pegaram o bebê e  o levaram até os céus, onde o banharam, com água fria e quente, para que ficasse totalmente puro…
Outra lenda narra que um Naga, muito interessado em seguir o Dharma, decidiu tornar-se monge. Assim, usando de poderes mágicos, assumiu a forma humana e, enganando os monges que conviviam com o Buddha, conseguiu a ordenação monástica. Aconteceu, porém, que, enquanto estava dormindo, perdeu o controle de sua magia e retornou à forma de dragão! Quando os monges viram aquele Naga adormecido, foram contar ao Buddha o que havia acontecido, ou seja, a mentira que o Naga tinha pregado a fim de ser ordenado monge. O Buddha chamou o Naga, o repreendeu e disse que somente nós, seres humanos, podemos nos tornar monges. Ainda segundo a Tradição, foi a partir desse fato que mais uma pergunta foi incluída durante a Cerimônia de Ordenação Monástica. O Preceptor (monge que está dando a ordenação a um noviço), faz perguntas do tipo: “Você está se tornando monge para fugir de uma dívida financeira?”, “Você está se tornando monge para fugir de uma desilusão amorosa?” etc. etc. Após o ocorrido com o Naga, o Buddha mandou que fosse incluída a pergunta “MANUSSÔSSI?” Que significa: “Você é humano?” à qual respondemos: “ÁMA VANTÊ!” – “Sim, Venerável Senhor!”
Como vocês podem ver, há mais curiosidades sobre o Dragão do que simples fogos de artifício para celebrar o Ano Novo… Portanto, a todos desejo um Feliz Ano Novo do Dragão! Fiquem todos em Paz e protegidos!

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