A todos, Namaste!

OS PRECEITOS FAZEM O MONGE (PRECEPTS MAKE THE MONK)

hindu_primer-alpha-Quando o Buddha idealizou sua Comunidade Monástica (chamada de Mahá Sangha) ele não se preocupou muito – apenas chamava para que o acompanhassem, aquelas pessoas nas quais via interesse sincero em praticar o Ensinamento transmitido por ele. Para o Bhagaván, parecia bastante natural que todos raspassem a cabeça, se vestissem somente com os mantos, que eram trapos sujos e rasgados, comessem somente na parte da manhã e mendigassem o próprio alimento… Enfim, ele achava que isso estava claro para todos e que não precisaria mais que isso. Vivendo somente o MOMENTO PRESENTE, sem usar de seus poderes paranormais para visualizar o futuro, ele não se preocupou, de início, em criar regras. Mas, com o passar do tempo, viu que a mente humana era mais perigosa do que parecia e, à medida que os monges foram aumentando de número – nem todos com a mesma disposição de renunciar aos prazeres mundanos, surgiu a necessidade de estabelecer um Código de Disciplina, que fosse seguido por todos, sem exceção! Assim surgiu o que hoje conhecemos como PRATIMÔKSHA ou PATTIMÔKHA, que regula nossa vida monástica – tanto para monges quanto para monjas.

Foi graças ao Pratimôksha que o Buddhismo chegou aos nossos tempos! Embora as várias Tradições tenham alterado e anulado várias das 227 regras para homens e 311 para mulheres, o Código Disciplinar, em sua essência, foi mantido, preservando a integridade da Mahá Sangha e, se hoje o Dharma (Ensinamento) é acessível a vocês leigos, estejam certos: foi somente graças ao Pratimôksha, ou a Comunidade Monástica teria se extinguido ao longo dos quase 3000 anos, desde a morte do Buddha!

Os Preceitos nos protegem! Eles não existem para nos escravizar, mas sim para nos lembrarem, a todo tempo, do que somos, de quem somos, de como somos! Eles são um constante lembrete da diferença que há entre leigos e nós monges, que OPTAMOS por uma vida diferente, afastada das coisas que vocês tanto gostam e das quais muitas vezes até dependem para se sentirem felizes!

Seguindo os Preceitos, estamos garantindo a nós mesmos e a vocês leigos, a QUALIDADE do Dharma que está sendo transmitido e isso é de importância fundamental, porque, se essa qualidade começar a decair, certamente chegará ao fim em curto prazo! Por que??? Porque o ser humano, em geral, tem uma forte tendência a gostar do vulgar, do baixo, do mundano, do sujo e inferior! Poucos são os que não se deixam atrair por prazeres sensuais, muito poucos são os que realmente cultivam a mente, na busca da Purificação, do Nobre, do elevado. Assim, se nós monges nos deixarmos atrair e envolver pelos prazeres, em vez de alertarmos a vocês leigos sobre o perigo deles, estaremos nos afastando do Dharma!

Para quem está envolvido com as coisas do mundo, cego por elas, com a mente iludida por elas, pode parecer muito natural que um monge ou monja se entregue também às coisas vulgares e mundanas. A idéia inicial (e compreensível) é: “Bah! Aquele monge (ou monja) é tri legal! Vem conosco para o bar, toma uma cervejinha… É que nem a gente! Buddhismo é muito legal mesmo… Não pensei que fosse assim!” Para quem pouco ou nada sabe sobre Preceitos Monásticos, aparentemente é muito natural que um monge buddhista dance, beba, fume e talvez até faça sexo! Portanto, cabe a nós monges assumir o controle de nossas vidas, guiando-as pelos Preceitos que juramos seguir!

Mas, se são tão envolventes os prazeres do mundo e tão rígidos os nossos Preceitos, como então segui-los e fazer com que eles preservem nossa integridade monástica? É exatamente aí que entra a importância da participação de vocês LEIGOS na nossa vida!! Mesmo o Buddha, já totalmente iluminado, sem qualquer risco de se envolver com prazeres sensuais, ainda assim, sempre viveu perto de aldeias, de vilas e cidades, onde pudesse receber alimentos para manter a si próprio e às centenas de monges que o acompanhavam. A Mahá Sangha, desde o início, sempre foi, é e será DEPENDENTE dos leigos para sobreviver e preservar o DHARMA.

Se for rejeitada, mal interpretada, abandonada à própria sorte, nós monges cada vez mais teremos que nos envolver com as coisas do mundo, na tentativa de sobrevivência! Para nos alimentarmos e mantermos nossos templos, teremos que procurar modos de ganhar dinheiro que, cedo ou tarde não estarão de acordo com o Pratimôksha e, inevitavelmente, estaremos quebrando cada vez mais Preceitos, até perdermos nosso rumo, até sujarmos nosso manto com as coisas do mundo.

Só o “Mestre Google” não vai sustentar o Dharma. Por mais que as pessoas possam achar que têm todas as respostas facilmente encontráveis, sem a Mahá Sangha, o Dharma se torna desconfiável, incerto, sujeito a falsas interpretações. Nós monges – e aqui me refiro aos verdadeiros e sinceros – somos os protetores do Dharma, porque abandonamos a vida mundana com o objetivo de nos dedicarmos a ele. Porém, sem a interação, sem a constante generosidade de vocês leigos, que, por direito e justiça, passaram a ser chamados de SANGHA (Comunidade Leiga), não teremos opção a não ser o constante DESRESPEITO ao Pratimôksha, num esforço para continuarmos nossa missão.

Na medida em que vocês forem capazes de manter isso em mente e continuarem praticando a generosidade, continuarão recebendo o mais puro DHARMA, capaz de ajudar a todos – monges e leigos – no Caminho seguro e confiável para o fim de Dukkha e alcance do objetivo final: a mente em Estado de Nirváña.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

Doações
hindu_primer-alpha-Qs ensinamentos do Buddha não são cobrados. O Vihara oferece seus serviços como Dána, que significa simplesmente generosidade.
Pratico Dána ao oferecer os Ensinamentos sem cobranças de valores para participar das atividades regulares. Você pode oferecer Dána em dinheiro, serviço, tempo ou trabalho. Sua doação colabora para que eu possa continuar oferecendo os Ensinamentos para os outros. Para manter o espaço do Vihara vivo e acolhedor há custos e necessidades materiais. Não tenho financiamento de qualquer organização governamental ou não governamental. A manutenção do Vihara e das atividades poderia ser realizada exclusivamente através das contribuições de pessoas que se tornassem membros mensalistas, membros doadores/beneméritos, visitantes e venda de itens, se eu conseguisse manter no Vihara uma lojinha.

Dana significa generosidade, liberalidade, oferecimento, dádivas. Especificamente dar para satisfazer qualquer uma das quatro necessidades dos monásticos. Em termos mais gerais, a inclinação para a generosidade, sem esperar qualquer forma de recompensa por parte de quem recebe.
Dana é também o primeiro tema no sistema de treinamento gradual do Buddha (anupubbi-katha), a primeira das dez perfeições ou dez paramis, um dos sete tesouros (dhana: as sete qualidades de convicção, virtude, vergonha e temor de cometer transgressões, aprendizado, generosidade e sabedoria), e o primeiro dos três fundamentos para atos meritórios: moralidade, generosidade e cultivo da mente, ou cultura mental.

Se você tiver interesse/sentir-se inspirado em colaborar com o Vihara fazendo uma doação financeira, pode-se fazê-lo por depósito bancários (dados abaixo) ou pelo sistema Paypal deste Blog .
Caso tenha interesse/sinta-se inspirado, você também pode se tornar um sócio contribuinte mensalista, doando mensalmente a quantia de R$20 (apenas vinte reais).

NOTA: Para que eu não seja injustamente acusado de ser um monge que pede dinheiro às pessoas, o que é contra os Preceitos Monásticos, este texto foi copiado do site de uma Tradicional Instituição do Buddhismo Theravada e, mantendo o mesmo molde, substituído pelo nome do Vihara em suas condições atuais (ainda não há sócios contribuintes, nem uma lojinha etc.). Espero, assim, conseguir levar adiante minha missão, livre de pessoas que tentem denegrir minha imagem. Fiquem todos em Paz e protegidos!

No momento, o Vihara necessita de muita ajuda e doações:

Móveis usados – cadeiras, armários, mesa etc.
Utensílios domésticos.
Incenso e velas.

भन्तो सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

TODO TIPO DE DOAÇÃO é sempre muito bem-vindo e necessário. Qualquer pessoa pode exercitar a prática da virtude da generosidade, doando alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal etc.

Doações financeiras, de qualquer valor, podem ser feitas diretamente no Vihara ou, também, através de depósito bancário:

BANCO BRADESCO
(SÃO FRANCISCO DE PAULA – RS)
AGÊNCIA: 0932 6
CONTA POUPANÇA: 1001036-5
VIA 01
TIPO 00

ENGLISH VERSION:

DONATIONS

hindu_primer-alpha-The Teachings of the Buddha are free of charge. The Vihara offers its services as DANA, what means simply generosity.

I practice Dana whenever I offer service without charging any value for people to join the activities. You can offer Dana with money, service, time or work. Your donation helps me to continue offering the Teachings to the others. In order to maintain the Vihara alive and neat there are costs and material needs. I don´t have any financial support from any governmental or non-governmental institution or organization, The Vihara maintenance could be made exclusively through the monthly contribution of people willing to become members – donors and supporters, visitors and through the selling of items, if I could keep a mini-shop in the Vihara.
Dana means generosity, liberality, offering, giving. Specifically donating to satisfy the four main needs of monastic people. Generally speaking, the tendence to generosity, without expecting any kind of reward from the receiver.

Dana is also the first subject in the gradual training system established by the Buddha (anupubbi-katha), the first of the Tem Perfections (Dasa Paramita), one of the Seven Treasures (the seven qualities of confidence, virtue, shame and fear of committing transgressions, learning, generosity and wisdom), and the first of the Three Meritorious Deeds: morality, generosity and mental cultivation.

If you are interested/feels inspired to co-operate with the Vihara making financial donatios, it can be done through bank deposit (see data bellow)  or by Paypal system of this Blog.In case you are interested, you can also collaborate by becoming a monthly-donator member, donating the amount of R$20 (20 Brazilian Real, around US$10, only).
NOTE: In order not to be unfairly blaimed of being a monk that asks people for money, what is against the Monastic Precepts, this text was copied from the website of a traditional institution of Theravada Buddhism in Brazil and, keeping the same style, its name was replaced by the Vihara in its actual conditions (we still don´t have permanent donator-members, neither a mini-shop etc.).

This way, I hope to keep my mission going on, free from people that tries to give me a bad name. May all of you be in Peace and protected!

By now, the Vihara needs a lot of help and donations:

Used pieces of furniture – chairs, cabinets, tables etc.

Home utensils.

Incense and candles.

BANK ACCOUNT INFORMATION:

Bank name: BANCO BRADESCO
City and Brazilian state: (SÃO FRANCISCO DE PAULA – RS)
Bank branch: AGÊNCIA: 0932 6
Savings account: CONTA POUPANÇA: 1001036-5
VIA 01
TIPO 00

भन्तो सुनन्थो भिक्षु

A todos, Namaste!

 Um estudo sobre os SEIS GRANDES CONCÍLIOS BUDDHISTAS está pronto e poderá ser postado na caixa de mensagens dos eventuais interessados, bastando que solicitem a postagem.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

 Dear all, Namaste!

A study (in Portuguese only) about the Six Great Buddhist Councils is ready and can be posted in the mail-boxes of those interested in it, as soon as the posting is requested.

May all of you be in Peace and protected!

   

hindu_primer-alpha-Para os iniciantes no Buddhismo, cabe aqui esclarecer que o Buddha nunca deixou por escrito nem ao menos uma palavra, dos 84.000 (oitenta e quatro mil) discursos e Ensinamentos que transmitiu durante os 45 anos entre a Iluminação e sua morte, esteve entre nós, ensinando incessantemente a todo tipo de ouvintes, sobre os mais variados temas possíveis.

Aos discípulos – principalmente os monges já iluminados que acompanhavam o Mestre – coube a difícil tarefa e grande responsabilidade de manter na memória os Ensinamentos, preservando-os para as gerações futuras. O sucesso de uma missão tão importante vemos hoje, no chamado Cânone Páli, a coletânea das Escrituras Buddhistas que são o guia de nossas vidas, a herança nos deixada pelo Buddha.

A história de como tais Ensinamentos foram preservados e, sobrevivendo à própria História da Humanidade, chegaram à nossa era moderna, passa pelos chamados Concílios Buddhistas. É sobre isto que fala a matéria abaixo:

 Concílios Buddhistas já realizados no mundo

 Seis Grandes Concílios Buddhistas já foram realizados desde o “Mahá Parinirváña” (morte) do Buddha, no ano de 2.600 da antiga história Buddhista (ou 600 anos antes do nascimento de Jesus Cristo). Eles foram realizados para manter protegidos os Ensinamentos originais do Buddha, contra pressões internas e externas. Isto ajudou a lidar com todo tipo de gente mal intencionada, erros e distorções nos Ensinamentos e dispersão deles.

 Devemos gratidão e respeito aos devotados e virtuosos monges que transmitiram adiante os Ensinamentos originais do Buddha, na forma de Tradição Oral, desde a morte do Mestre.

Os grandes disciplinadores e educadores do Dharma entre os monges se reuniram para esclarecer quais os Ensinamentos Originais (Sutras), as regras verdadeiras do Código de Disciplina Monástica (Vínaya) e as determinações do Buddha, durante esses Concílios. Isto ajudou a preservar o verdadeiro Buddhismo e passa-lo oralmente para as gerações futuras, com uma quantidade mínima de adulterações. Todos os monges que participaram dos Concílios, tinham a certeza absoluta de que a disciplina na vida monástica era a vida do Buddhismo e, portanto, enquanto as regras disciplinares fossem mantidas, a vida do Buddhismo estaria garantida. Assim sendo, mesmo tendo recebido permissão do próprio Buddha para alterar ou até mesmo abolir determinadas regras menores, os monges decidiram que todas deveriam ser preservadas do modo como o Buddha as instituiu.

Certa vez, o Buddha disse ao Venerável Ánanda (seu primo e Atendente Pessoal) que, após o Parinirváña (a morte do Buddha) seus Ensinamentos e as regras do Código de Disciplina Monástica seriam os únicos guias dos monges. Portanto, preservar a ambos, passou a ser a maior missão de todos os monges. O Buddha não nomeou ninguém como seu sucessor, deixando apenas os Ensinamentos e o Código Disciplinar a serem rigorosamente seguidos.

 Os três primeiros Grandes Concílios Buddhistas foram realizados na Índia. O quarto se passou no Sri Lanka e o quinto e sexto Concílios foram realizados em Mianmar (antiga Birmânia).


1) O primeiro Grande Concílio Buddhista. Realizado em 486 antes da Era Cristã.

 Foi realizado três meses após a morte do Buddha, na entrada de uma caverna chamada “Sapthapárni”, em Rajguir (Rajagriha ou Rajagaha), na Índia, sob o patrocínio do Rei Ajassatta (Adjatassáthu, em Páli). O Concílio foi presidido pelo monge idoso, Venerável Mahá Kashyápa, um Iluminado (o termo para Iluminado é ARAHÁNT ou Arhát) e estavam presentes 500 monges, todos igualmente Arahants.

Diz a Tradição que, até a véspera deste primeiro Concílio, o Ven. Ánanda estava triste e muito preocupado! O problema é que ele, mesmo sendo Atendente Pessoal do Buddha, ainda não tinha atingido a Iluminação – não era um Arahant! Ele se sentia frustrado com isso e sabia que a condição para participar do Concílio era já ser um Arahant.

O Venerável Ánanda andava de um lado para outro, meditava, se esforçava – inutilmente!

Sabendo do que se passava na mente do Ven. Ánanda, o Arahant Mahá Kashyápa foi procurá-lo. “Ánanda,! – disse ele. Você me parece cansado e preocupado… O dia está quase amanhecendo. Por quê não vai se deitar e descansar um pouco?” O Ven. Ánanda aceitou o conselho. No momento que deitou a cabeça para descansar, atingiu a Iluminação!

No dia seguinte, para sua surpresa, o Ven. Ánanda chegou ao local do Concílio e viu que já havia um assento aguardando por ele.

Desde que o grande Buddha começou a ensinar o Dharma e estabeleceu regras monásticas, cada vez que a oportunidade surgiu, nada havia sido organizado ou registrado por escrito. O objetivo do Primeiro Concílio Buddhista foi separar os Ensinamentos e organizá-los.

Os grandes discursos do Buddha, os Sutras, foram todos repetidos oralmente pelo recém-iluminado Venerável Arahánt Ánanda. Ele, que antes de se tornar o Atendente Pessoal do Buddha, havia imposto como condição para assumir a função, que o Mestre repetisse para ele todos os discursos que fizesse, estando o Ven. Ánanda presente ou ausente. Então, era o único monge que, já tendo adquirido a memória de um Iluminado, podia se lembrar de todos os Sutras.

Os Sutras foram então separados em cinco Grupos (a palavra em Páli é NIKÁYA). Estes cinco formaram o SUTRA PITÁKA (a palavra Pitaka, significa cesto ou vaso – os três (TI ou TRI) recipientes onde foram guardadas as Escrituras buddhistas). Porém, as Escrituras continuaram sendo preservadas oralmente apenas – NADA FOI ESCRITO. Elas foram repassadas a cinco grupos de monges, todos Iluminados, para serem preservadas e transmitidas oralmente, mantendo a Tradição.

São os seguintes, os Grupos que formam o Sutra Pitáka, o Cestos de Escrituras:

 1 – DIGHA NIKÁYA – A palavra Digha significa “longo”. Portanto, Digha Nikáya significa Grupo dos Sutras Longos. Este grupo foi entregue ao Ven. Arahánt Ánanda e seus alunos, para que tomassem conta e o transmitissem oralmente.


2 – MAJJHIMA NIKÁYA (se pronuncia “madj-djhíma”) – A palavra significa “de tamanho médio”. Portanto, é o Grupo de Sutras de Médio Comprimento” e este grupo foi entregue ao Venerável Shariputra (ou Sariputta) e seus alunos, para serem transmitidos oralmente às gerações futuras.


3 – ANGUTHARA NIKÁYA – São discursos que foram separados um a um, numericamente, em ordem crescente.
Esse Grupo foi confiado ao Ven. Arahánt Anuruddha e seus alunos, para preservação e transmissão às futuras gerações.


4 – SAMYUTHA NIKÁYA – Forma o Grupo de discursos interconectados, sobre o Dharma. Esse Grupo foi entregue aos cuidados do Ven. Arahánt Mahá Kashyápa e seus alunos.

 

5 – KHÚDDAKA NIKÁYA – A palavra, em Páli, significa “curto”, portanto, esse é o Grupo formado por discursos curtos. Nele estão incluídos vários discursos que “sobraram” por não se enquadrarem nos outros Grupos e também está o famoso DHAMMAPÁDA (ou Dharmapada). O Khuddaka Nikáya ficou a cargo de todos os monges, para ser preservado, não sendo entregue a nenhum Arahánt em particular.


Estudiosos acreditam que o “ABHIDHAMMA PITÁKA”, o Tratado de Psicologia Buddhista, no qual o Buddha analisa minuciosamente o funcionamento e comportamento da mente humana, também foi recitado como Dharma, neste mesmo Concílio.

 O Venerável Arahánt Upáli recitou todas as regras do Pratimôksha, o Código Disciplinar Monástico e as Diretrizes dele. Esses dois formaram, após divididos em Cinco Grupos, o chamado “VÍNAYA PITÁKA” do Cânone Páli. O Cesto do Vínaya é voltado para nós monges e monjas, porque trata das regras, estabelecidas pelo próprio Buddha, que devemos que seguir, na vida monástica:

Os Quatro PARAJIKÁ (se pronuncia “paradjiká”) são as quatro regras do Pratimôksha que, quando quebradas por um monge ou monja, significam que ele ou ela, imediatamente, está expulso da Comunidade Monástica, não podendo nunca mais se tornar monge.

Todas as demais regras do Pratimôksha, quando quebradas, são sujeitas a julgamento, confissão, punições, afastamento etc.

 PATCHITTIYÁ, CHULLAWAGGA, MAHAWAGGA e PARIVÁRA – São capítulos com regras monásticas que nós monges e monjas devemos seguir, tanto para a preservação individual quanto coletiva da vida monástica.

2) O Segundo Grande Concílio Buddhista (aproximadamente 386 Antes da Era Cristã)

 Foi realizado cem anos após a morte do Buddha, no Templo Valukárama, na cidade de Vessali – Índia, sob o patrocínio do Rei Kalassôka.

O Venerável Rêvata Therô foi o presidente desse Concílio, do qual participaram 700 monges altamente instruídos.

 Um grupo de monges, chamados “Vajjians” estava quebrando regras monásticas e um certo monge visitante, chamado Ven. Yássa, notou isso. As regras quebradas foram:

Guardar sal em chifres de animais, usados como saleiro, para melhorar o sabor da comida, sempre que achassem necessário.

 Fazer refeições após o meio-dia.

 Terminar uma refeição e, então, sair de novo para mais uma ronda de coletar alimentos.

 Realizar a Cerimônia da Lua Cheia (Upôssatha) no mesmo prédio onde os monges habitam (em vez de usarem a Sala do Altar para isso).

 Realizar a Cerimônia de Vínaya (recitação do Código Monástico – Pratimôksha), quando alguns monges ainda não estavam presentes.

 Realizar certas práticas determinadas por outros monges ou tutores.

Comer coalhada após a refeição do meio-dia.

 Beber vinho.

 Usar tapetes ou assentos fora do tamanho padrão. (passam a ser considerados como artigo de luxo e ostentação)

 Aceitar e usar dinheiro, ouro ou prata.

  Quando, mesmo após serem advertidos, os Vajjians não deram ouvidos, o Venerável Yassa foi denunciá-los ao monge superior, na época, o Venerável Rêvata, que decidiu formar um novo Concílio. As regras que haviam sido desobedecidas foram consideradas como ilegais e isso não foi aceito pelos Vajjians. Como eles se recusaram a aceitar a decisão do Concílio, houve o primeiro “GRANDE CISMA” no Buddhismo e os Vajjians se separaram da Comunidade Monástica, fundando seu próprio grupo.

 Os monges radicais do grupo Vajjian foram expulsos da Comunidade Monástica (Mahá Sangha) original e fundaram sua própria ordem monástica, à qual chamaram de MAHÁ SANGHIKÁ (a “Grande Comunidade”), enquanto que os que respeitaram as regras criadas pelo Buddha, defendidas pelo Ven. Rêvata, passaram a ser chamados de STHAVARIVADIM, ou “COMUNIDADE DOS SÁBIOS ANCIÂOS”, conhecida também como TRADIÇÃO THERAVADA. (á qual eu pertenço)

 3) O Terceiro Grande Concílio Buddhista

(aproximadamente 250 Antes da Era Cristã)

Foi realizado cerca de 200 anos após a morte do Buddha, no Templo Assokárama, em Pataliputra – Índia, sob o patrocínio do Imperador ASHÔKA, O GRANDE. Ele é considerado como o maior Imperador de todos os tempos e o maior divulgador do Buddhismo em toda a História. Antes um sanguinário, que unificou a Índia, formando um grande Império, às custas de destruição, inclusive do Clã ao qual o Buddha pertencia, o Imperador Ashôka converteu-se ao Buddhismo e mudou sua vida.


O Terceiro Grande Concílio foi presidido pelo Venerável Moggaliputtatissa Therô e 100 monges altamente instruídos estiveram presentes.

A grande generosidade do Imperador Ashôka com a Comunidade Buddhista e, especialmente, para a Mahá Sangha (Comunidade Monástica), despertou inveja e preconceito de outras pessoas contra os monges. Ao mesmo tempo, muita gente queria se infiltrar na Comunidade Monástica, buscando regalias e conforto. Outros achavam que, infiltrando-se na Comunidade Monástica, seriam capazes de enfraquece-la até que terminasse destruída. Assim, havia cerca de 60 mil falsos monges e impostores, espalhando visões distorcidas dos Ensinamentos Originais do Buddha.

Percebendo o imenso dano que isso estava causando ao Buddhismo verdadeiro, o Imperador Ashôka pediu a interferência do Venerável e famoso Moggaliputttatissa Therô, para por fim a essa triste situação.

 Todos os impostores foram chamados, arguídos, expostos publicamente e expulsos da Comunidade Monástica.

O “KATHAVATHTHU PAKÁRANA”, um documento que analisa e contradiz os pontos de vista errados, criados pelos impostores, foi redigido pelo Venerável Moggaliputtatissa Therô e anexado ao “ABHIDHAMMA PITAKA” em forma de Quinto Livro.

Monges missionaries foram enviados às nove regiões da Índia, por ordem do Imperador Ashôka, para divulgar o verdadeiro Buddhismo, no programa chamado de “Dharma Widjáya”.


4) O Quarto Grande Concílio Buddhista (cerca de 29 Antes da Era Cristã – Ano 100 da Era Cristã)


Foi realizado durante o reinado do Rei Walagamba (Vattagamini Abháya), sob o patrocínio de um governador local, no “Alu Vihara” em Matale, no Sri Lanka.

O Venerável Maharakkhitha Therô foi o presidente e 500 monges, altamente instruídos, participaram.

Aconteceu logo após uma invasão estrangeira e uma enorme epidemia de fome, que quase destruiu a economia do país e o Buddhismo. A maioria dos monges já tinha deixado o país e o Buddhismo transmitido apenas por Tradição Oral estava em risco de extinção. Isto levou os monges buddhistas do “Mahá Vihara”, que vinham preservando os Ensinamentos e protegendo a Árvore da Iluminação, uma descendente da árvore original, levada ao Sri Lanka, a tomar medidas necessárias e urgentes.

Pela primeira vez na História do Buddhismo, decidiram que os Ensinamentos não mais poderiam permanecer de forma oral, mas deveriam ser registrados por escrito.

 Com o retorno do Rei Walagamba ao poder, o fim da fome e da invasão estrangeira, os monges que estavam no exílio retornaram ao país e 500 dos mais altamente instruídos se reuniram em Assembléia para formar o Quarto Grande Concílio Buddhista. Eles, pela primeira vez na História, redigiram todos os Ensinamentos do Buddha – o Tripitáka, do Cânone Páli, em folhas ÔLA (um tipo de palmeira daquela região). Foi o maior passo dado em toda a História do Buddhismo.

Assim, foi preservado o Ensinamento Original do Buddha. Diz a Tradição, que, por não haver na época tinta disponível para escrever, os monges fizeram cortes em seus dedos polegares e usaram o próprio sangue para escrever sobre as folhas. Não há confirmação histórica de tal fato, tampouco se sabe em que lingual o Tripitaka original foi redigido.

Atualmente, as Escrituras Buddhistas Originais (O Tripitáka), no Cânone Páli, encontram-se traduzidas em vários idiomas e disponíveis ao mundo todo.

5) O Quinto Grande Concílio Buddhista (em 1871 da Era Cristã)

 Foi realizado em Mandalei, em Mianmar (antiga Birmânia), sob o patrocínio do Rei Mindon. O Venerável Djagarabhivamsa Therô foi o presidente e 2.400 monges, altamente instruídos, participaram.


Foi um Concílio especificamente burmês, no qual todos os Ensinamentos foram recitados e revisados, para assegurar que não estavam sendo distorcidos ou mal-interpretados em sua transmissão e nenhum estava sendo esquecido ou desprezado.

Após a revisão dos Ensinamentos, o Tripitaka completo (Cânone Páli) foi todo inscrito em 729 pedras de mármore que ainda podem ser vistas no Kuthodaw Pagoda, ao pé da Colina de Mandalei..

6) O Sexto Grande Concílio Buddhista (em 1954) – o último realizado até os dias de hoje.

Também foi realizado em Mianmar, na capital Yangon, sob patrocínio do governo burmês e conduzido pelo Primeiro Ministro U Nu.

O Venerável Mahassi Sayadó Therô foi o presidente e 2.500 monges, altamente instruídos, de vários países: Mianmar, Sri Lanka, Índia, Camboja, Nepal, Laos, Tailândia e Vietnã, participaram.

 O Concílio teve como objetivo confirmar e preserver o Dharma e o Vínaya (Código Monástico) da Ordem Buddhista. Dois anos de meticulosa inspeção e correção chegaram ao rascunho final, que foi aprovado por unanimidade pelo Concílio e impresso por métodos modernos.

Ao final do Concílio, todos os países participantes, menos a Índia, tiveram o Cânone Páli traduzido para suas línguas nativas.

 

Trabalho de pesquisa realizado por Bhantê Sunanthô Bhikshú

A todos,  Namaste!

hindu_primer-alpha-Já está aberto o novo Vihara, aguardando sua visita!

As atividades, por enquanto, estão limitadas ao Púja (Ritual) da manhã e da tarde, respeitando os horários de abertura e fechamento dos portões do Loteamento:

PÚJA DA MANHÃ – 08:00 h.

PÚJA DA TARDE – 17:00 h.

Ambos são seguidos de Ensinamentos e Meditação sentada. Aconselho que as pessoas venham com roupas confortáveis que facilitem sentar no chão. Cadeiras podem ser arranjadas para quem tiver dificuldades físicas. Doações de incensos e velas, usados diariamente, são sempre bem vindas e necessárias!

Além do Púja, o Vihara tem livros à venda – confira!

Outra atividade, com início programado para o mês de Fevereiro/2013 é o ensino de idiomas, em pequenos Grupos de, no máximo, 5 pessoas por preços bastante acessíveis, para que ninguém fique fora! Consulte o Facebook ou faça contato por este Blog para maiores informações.

Breve estarei iniciando o CURSO BÁSICO DE BUDDHISMO, as inscrições podem ser feitas desde já.

O Vihara é para beneficiar todas as pessoas – buddhistas ou não! Toda e qualquer doação: alimentos, material de limpeza e de higiene pessoal, utensílios (mesmo que de segunda mão), até doações financeiras, são fundamentais para que o local continue funcionando e servindo a todos. Pratique a generosidade!!

Todos são sempre muito bem-vindos e igualmente aguardados!

Para maiores detalhes ou agendar uma conversa com direito a chimarrão, ligue: (54) 99906012 – Reverendo Sunanthô

Fiquem todos em Paz e protegidos!

Kālāma Sutra (também chamado: o Kālām Sutta; Sânscrito: Kālāma Sūtra;  Tailandês: กาลามสูตร, Kalama Sut, or Kesamutti SuttaPāliKesamuttisuta), é um Ensinamento do Buddha, encontrado no Aṅguttara Nikaya of the Tripiṭáka, a coletânea de Escrituras Buddhistas, equivalente à Bíblia para os Cristãos. É um Ensinamento aceito por todas as Tradições do Buddhismo, como um exemplo dado pelo próprio Buddha da liberdade de questionamento.

O  Kālāma Sutta também é usado para mostrar a necessidade de prudência, cautela, através do uso da razão para questionar a prática que conduz à busca da verdade, Sabedoria e conhecimento, seja ele religioso ou não. Ou seja, o Kālāma Sutra mostra claramente o quanto o Buddhismo é contrário à fé cega, dogmatismo e crença sem questionamento.

Este Ensinamento foi transmitido ao povo da aldeia de Kessaputra, numa das ocasiões em que o Buddha e seus discípulos visitaram aquele lugar.

Anguttara Nikaya 3 – 65

Kálámá Sutra

O Ensinamento aos Kálámás

“Assim me foi transmitido oralmente.”

hindu_primer-alpha-Certa ocasião, o Bhagaván (O Buddha) estava passando um tempo no Reino de  Kossalá com um grande número de Bhikshús (monges) e juntos andaram até a aldeia de Kessaputra, habitada pelo povo do Clã dos Kálámás. Eles já sabiam que o Bhagaván, de nome Gáutam, que largara o Clã dos Shakyas para tornar-se um mendigo, estava em Kessaputra, junto com muitos Bhikshús.

Também sabia que o Bhagaván era totalmente iluminado, um verdadeiro Mestre de seres humanos e celestiais, insuperável em seu Ensinamento, perfeitamente iluminado por esforço próprio. Então, o povo de Kessaputra foi ver o Bhagaván e seus monges.. Alguns prestaram respeito a ele e se sentaram, outros o cumprimentaram e se sentaram, outros ainda, com as palmas das mãos juntas prestaram respeito antes de se sentarem. Alguns preferiram anunciar seus nomes e a que Clã pertenciam. Outros, porém, sentaram-se em silêncio. Após se acomodarem, dirigiram-se ao Bhagaván, dizendo: “Bhantê, há muitos brâmanes (Sacerdotes hinduístas) e praticantes do cultivo mental que vêm a Kessaputra. Ensinam e exaltam suas próprias doutrinas, mas, em relação às dos outros, as criticam, desaprovam, depreciam e desdenham. Então, outros brâmanes e praticantes do cultivo mental também chegam a Kessaputra. Eles ensinam e exaltam suas próprias doutrinas, mas, em relação às dos outros, as criticam, desaprovam, depreciam e desdenham. Com isto, ficamos confusos e em dúvida sobre quais dizem a verdade e quais têm uma visão incorreta.

Então, o Bhagaván disse aos Kálámás: “Por certo vocês estão confusos, Kálámás. Porque é natural que haja dúvida em qualquer tema que cause perplexidade. Neste caso, Kálámás, não se deixem influenciar por relatos, tradições, boatos, pelo que está nas antigas Escrituras, pela razão ou pela inferência, nem pela analogia, pela confiabilidade da pessoa que ensina, nem pelo respeito por ela ou pelo pensamento dela. Vocês não devem simplesmente dizer: “Este praticante do cultivo mental é meu mestre.” Toda vez que souberem por si próprios que “Essas qualidades não são habilidosas, são censuráveis, podem ser criticadas pelos Sábios, quando postas em prática levam ao mal e à inquietação mental!” Sempre que isto acontecer, vocês devem rejeita-las.

 O que vocês pensam, Kálámás? Quando surge a cobiça em alguém, ela faz a essa pessoa mal ou bem?”

“Faz mal, Bhantê!”

“Então, quando a pessoa que se deixou dominar pela cobiça, tem a mente obcecada por ela, mata outros seres vivos, se apropria do que não lhe foi dado, tem desejo sexual pela mulher dos outros, mente e leva os outros a mentirem, pratica somente o que é danoso e causa inquietação mental por muito tempo.”

“Sim, Bhantê!”

O que vocês pensam, Kálámás? Quando surge a raiva em alguém, ela faz a essa pessoa mal ou bem?”

“Faz mal, Bhantê!”

“Então, quando a pessoa que se deixou dominar pela raiva, tem a mente obcecada por ela, mata outros seres vivos, se apropria do que não lhe foi dado, tem desejo sexual pela mulher dos outros, mente e leva os outros a mentirem, pratica somente o que é danoso e causa inquietação mental por muito tempo.”

“Sim, Bhantê!”

O que vocês pensam, Kálámás? Quando surge a ilusão em alguém, ela faz a essa pessoa mal ou bem?”

“Faz mal, Bhantê!”

“Então, quando a pessoa que se deixou dominar pela ilusão, tem a mente obcecada por ela, mata outros seres vivos, se apropria do que não lhe foi dado, tem desejo sexual pela mulher dos outros, mente e leva os outros a mentirem, pratica somente o que é danoso e causa inquietação mental por muito tempo.”

“Sim, Bhantê!”

O que vocês pensam, Kálámás? Essas situações são habilidosas ou sem habilidade?”

“Sem habilidade, Bhantê!”

“Censuráveis ou isentas de censura?”

“Censuráveis, Bhantê!”

“Quando praticadas, conduzem ou não ao mal e à inquietação mental?”

“Conduzem ao mal e à inquietação mental, Bhantê!”

 “Portanto, Kálámás, conforme lhes disse, não se deixem influenciar por relatos, tradições, boatos, pelo que está nas antigas Escrituras, pela razão ou pela inferência, nem pela analogia, pela confiabilidade da pessoa que ensina, nem pelo respeito por ela ou pelo pensamento dela. Vocês não devem simplesmente dizer: “Este praticante do cultivo mental é meu mestre.” Toda vez que souberem por si próprios que “Essas qualidades não são habilidosas, são censuráveis, podem ser criticadas pelos Sábios, quando postas em prática levam ao mal e à inquietação mental!” Sempre que isto acontecer, vocês devem rejeita-las.

 “De agora em diante, Kálámás, não se deixem influenciar por relatos, tradições, boatos, pelo que está nas antigas Escrituras, pela razão ou pela inferência, nem pela analogia, pela confiabilidade da pessoa que ensina, nem pelo respeito por ela ou pelo pensamento dela. Vocês não devem simplesmente dizer: “Este praticante do cultivo mental é meu mestre.” Somente quando vocês souberem por si próprios que “Essas qualidades  são habilidosas, não são censuráveis, não são criticadas pelos Sábios, quando postas em prática levam ao bem e à tranquilidade mental!” Sempre que isto acontecer, vocês devem acolhe-las e permanecer com elas.

O que vocês pensam, Kálámás? Quando surge a ausência de cobiça em alguém, ela faz a essa pessoa mal ou bem?”

“Faz bem, Bhantê!”

 “Então, quando a pessoa que não se deixou dominar pela cobiça, não tem a mente obcecada por ela, não mata outros seres vivos, nem se apropria do que não lhe foi dado, não tem desejo sexual pela mulher dos outros, não mente e tampouco leva os outros a mentirem, pratica somente o que é bom e causa tranquilidade mental por muito tempo.”

 “Sim, Bhantê”

O que vocês pensam, Kálámás? Quando surge a ausência de raiva em alguém, ela faz a essa pessoa mal ou bem?”

 “Para o bem, Bhantê!

“Então, quando a pessoa que não se deixou dominar pela raiva, não tem a mente obcecada por ela, não mata outros seres vivos, nem se apropria do que não lhe foi dado, não tem desejo sexual pela mulher dos outros, não mente e tampouco leva os outros a mentirem, pratica somente o que é bom e causa tranquilidade mental por muito tempo.”

 “Sim, Bhantê”

“O que vocês pensam, Kálámás? Quando surge a ausência de ilusão em alguém, ela faz a essa pessoa mal ou bem?”

 “Para o bem, Bhantê!

 “Então, quando a pessoa que não se deixou dominar pela ilusão, não tem a mente obcecada por ela, não mata outros seres vivos, nem se apropria do que não lhe foi dado, não tem desejo sexual pela mulher dos outros, não mente e tampouco leva os outros a mentirem, pratica somente o que é bom e causa tranquilidade mental por muito tempo.”

 “Sim, Bhantê”

“Então Kálámás o que vocês pensam. Essa qualidades são habilidosas ou não habilidosas?”

“Habilidosas, Bhantê.”

“Censuráveis ou isentas de censura?”

“Isentas de censura, Bhantê!”

 “Criticadas ou elogiadas pelos Sábios?”

“Elogiadas pelos Sábios, Bhantê.”

“Quando praticadas, conduzem  ao mal e à inquietação mental ou conduzem ao bem e à tranqüilidade mental?”

“Conduzem ao bem e à tranquilidade mental, Bhantê!”

 “Portanto, Kálámás, conforme lhes disse, não se deixem influenciar por relatos, tradições, boatos, pelo que está nas antigas Escrituras, pela razão ou pela inferência, nem pela analogia, pela confiabilidade da pessoa que ensina, nem pelo respeito por ela ou pelo pensamento dela. Vocês não devem simplesmente dizer: “Este praticante do cultivo mental é meu mestre.” Toda vez que souberem por si próprios que “Essas qualidades são habilidosas, não são censuráveis, não podem ser criticadas pelos Sábios, quando postas em prática levam ao bem e à tranquilidade mental!” Sempre que isto acontecer, vocês devem aceita-las “Agora Kálámás, aquele que é um nobre praticante do cultivo mental – portanto livre da cobiça, livre da má vontade, não mais iludido, com Atenção Plena e plena consciência – permanece com a mente repleta de Amor Incondicional por todos os seres, percorrendo o primeiro quadrante com a mente repleta de Amor Incondicional por todos os seres, e assim também percorre o segundo,  o terceiro, o quarto; também acima, abaixo, em volta e em todas as direções, com Amor Incondicional por todos os seres e também por si mesmo,  ele expande pelo mundo todo a mente repleta de Amor Incondicional por todos os seres, infinito, insuperável, imensurável, livre de inimizade e de maus pensamentos .

“Ele permanece com a mente repleta de Compaixão por todos os seres, percorrendo o primeiro quadrante com a mente repleta de Compaixão por todos os seres, e assim também percorre o segundo,  o terceiro, o quarto; também acima, abaixo, em volta e em todas as direções, com Compaixão por todos os seres e também por si mesmo,  ele expande pelo mundo todo a mente repleta de Compaixão por todos os seres, infinita, insuperável, imensurável, livre de inimizade e de maus pensamentos.

“Ele permanece com a mente repleta de Alegria em ver a felicidade dos outros seres, percorrendo o primeiro quadrante com a mente repleta de Alegria em ver a felicidade dos outros seres, e assim também percorre o segundo,  o terceiro, o quarto; também acima, abaixo, em volta e em todas as direções, com Alegria em ver a felicidade dos outros seres e também por si mesmo,  ele expande pelo mundo todo a mente repleta de Alegria em ver a felicidade dos outros seres, infinita, insuperável, imensurável, livre de inimizade e de maus pensamentos

“Ele permanece com a mente repleta de Equanimidade de conceitos, percorrendo o primeiro quadrante com a mente repleta de Equanimidade de conceitos, e assim também percorre o segundo,  o terceiro, o quarto; também acima, abaixo, em volta e em todas as direções, com Equanimidade de conceitos e também por si mesmo,  ele expande pelo mundo todo a mente repleta de Equanimidade de conceitos, infinita, insuperável, imensurável, livre de inimizade e de maus pensamentos

 “Agora Kálámás, aquele que é um nobre praticante do cultivo mental – sua mente livre de inimizade, livre de maus pensamentos, sem obstáculos e pura – obtém quatro garantias no aqui e agora:

“’Se existe um outra existência após a morte nesta vida, se existem resultados dos bons e maus karmas praticados, então esse é o fundamento pelo qual, após a extinção  do corpo, após a morte, o praticante renasce num destino feliz, em outra esfera existencial.’ Essa é a primeira das garantias.

“Mas, se não houver uma nova existência após a morte, se não existem resultados dos bons e maus karmas praticados, então nesta vida o praticante do cultivo mental estará tranquilo – livre de inimizade, livre de maus pensamentos, livre de obstáculos.” Esta é a segunda garantia.

“Se maus resultados surgem para os que praticam mau karma, eu, porém, não penso em praticar o mal, portanto, como poderiam os maus resultados surgir para mim? Essa é a terceira das garantias.”

“Mas, se maus resultados não surgem para os que praticam mau karma, de qualquer forma, já estou purificado. Essa é a quarta garantia.”

“Aquele que é um nobre praticante do cultivo mental, que tem a mente livre de inimizades, livre de maus pensamentos, livre de obstáculos, recebe as quatro garantias aqui e agora.”

 “É realmente assim, Bhagaván (título do Buddha). O nobre praticante do cultivo mental, que tem a mente livre de inimizade, livre de maus pensamentos, livre de obstáculos, recebe as quatro garantias aqui e agora.”

Magnífico, Mestre Gáutam! Magnífico! O Mestre Gáutam explicou o Dharma (Ensinamento) de diversas formas, como se tivesse desvirado o que estava de cabeça para baixo, revelado o que estava oculto, mostrado o Caminho para alguém perdido ou como se segurasse uma lamparina no escuro para os que conseguem enxergar, vissem as diversas formas! Nós tomamos Refúgio (Tomar Refúgio, significa tornar-se oficialmente buddhista, na condição de leigo) no Bhagaván, no Dharma ensinado pelo Bhagaván e na Sangha (Comunidade de Monges Buddhistas) do Bhagaván. Que o Bhagaván sempre se lembre de nós como seguidores leigos, que Nele tomaram Refúgio para o resto da vida.”

MEDITAÇÃO BUDDHISTA

Por Bhantê Sunanthô Bhikshú

 

editar não é uma exclusividade do Buddhismo. Na verdade, o Buddha só meditou porque as várias técnicas de Meditação já faziam parte de sua cultura, através do Hinduísmo, onde os praticantes já meditavam há milhares de anos, como parte da Tradição de um dos povos mais antigos do Mundo.

No Buddhismo, há, basicamente, três principais tipos de Meditação: Vipáshyana (ou Vipássana, em Páli), Meditação Andando e Meditação Ánápánássati, que é a que veremos neste estudo. “Ánápáná” significa “entrada e saída de ar” e “satí” significa “atenção plena, foco, concentração”, portanto, o nome deste tipo de Meditação, literalmente quer dizer “concentração na entrada e saída do ar” ou, em outras palavras: foco no fenômeno da respiração.

Embora muitas pessoas enfatizem a técnica de Vipáshyana, foi usando Ánápánássati que Siddharth Gáutam, naquele anoitecer solitário, debaixo da figueira indiana, se sentou e, depois de passar a noite toda meditando, quando o dia estava clareando, atingiu a Iluminação, o Estado Mental de Nirváña, tornando-se O Buddha. Portanto, não há como menosprezar essa técnica, nem como duvidar de sua eficácia.

O modo como vou ensinar aqui é o tradicional, explicado por todos os grandes mestres de Meditação, porém, por experiência própria, algo parecia não funcionar para mim desse jeito que me foi ensinado. Por alguma razão eu não conseguia sentir o fenômeno da respiração nem na ponta do nariz, nem no subir e descer da barriga, muito menos no lábio superior! Eu sempre me perguntava o que havia de errado comigo e, por vezes, cheguei a desistir de meditar, me considerando um caso perdido!

Foi então que surgiu a explicação do Venerável Ajahn Brahmavamsô, o famoso “Ajahn Brahm”, de quem tive a sorte de me tornar amigo. A explicação dele para a Meditação, realmente mudou minha vida, já que ele ensina os praticantes a NÃO seguirem o método tradicional e, em vez disso, observarem a presença do ar, entrando e saindo, dentro do corpo como inteiro, sem se prender a nenhum ponto específico (nem nariz, nem lábio, nem barriga). Quando passei a seguir essa orientação, minhas meditações se tornaram um sucesso e eu, que já havia perdido a esperança de meditar bem, ganhei novo ânimo.

De qualquer forma, como eu disse, ensinarei aqui o método tradicional, porém os que, assim como eu, não se sentirem à vontade com ele, já sabem que há a alternativa acima e não precisam desanimar, muito menos desistir da prática. Então, sem mais delongas, vamos ao método!

 

Ánápánássati é o primeiro tipo de Meditação exposta pelo Buddha no Mahá Satipatthána Sutra, o Grande Ensinamento sobre os Fundamentos da Atenção Plena. O Buddha enfatizou bastante esta Meditação, por ser a porta de entrada para o Estado Mental do Nirváña e porque, segundo a Tradição, foi o método adotado por todos os buddhas do passado, como a base principal para atingir a Buddheidade. Quando o Bhagaván (o Buddha) se sentou debaixo da Árvore Bodhi e resolveu só se levantar quando atingisse a Iluminação, com esta técnica atingiu os Quatro Estágios Meditativos (chamados de JHÁNA), tomou conhecimento de todas as suas vidas anteriores, desvendou a natureza do Samsára (o mundo de renascimentos no qual somos todos prisioneiros), experimentou sucessivos conhecimentos introspectivos e, quando o dia estava raiando, os 100.000 Universos tremeram e ele alcançou a Iluminação, livrando-se de todos os últimos obstáculos mentais que ainda o impediam de se tornar O Buddha, um ser em cuja mente está contida toda a Sabedoria do Universo, sem qualquer resquício de dúvida ou erro.

É por ter percorrido todo esse Caminho e nos ter deixado o trajeto como herança, que devemos a Ele toda a gratidão e todo o respeito.

 

No texto original do Sutra, o Buddha começa a explicação do seguinte modo: “Aqui, Bhikshús (monges), um Bhikshú que tenha ido à floresta, ou ao pé de uma árvore ou a um lugar vazio, se senta de pernas cruzadas, mantendo a coluna ereta, fazendo surgir a Atenção Plena.” Tal explicação não se restringe aos monges e monjas, mas a qualquer um dos quatro tipos de pessoas mencionados nesse Ensinamento: Bhikshú (monge), Bhikshuní (monja), Upássaká (leigo seguidor do Buddhismo) ou Upássiká (leiga seguidora do Buddhismo), que queiram sinceramente praticar a Meditação. Portanto, devem procurar uma floresta, ou uma árvore num local tranqüilo e afastado ou uma moradia silenciosa. Então, deverá sentar-se com as pernas cruzadas, mantendo a coluna ereta, fixar a Atenção Plena na ponta do nariz, como lugar e objeto da Meditação.

Se fizer uma inalação prolongada, deverá observar este ato com Atenção Plena. Se fizer uma exalação prolongada, também a deverá observar com Atenção Plena. O mesmo deverá se passar para uma inalação curta e uma exalação curta – ambas deverão ser observadas com Atenção Plena. Disse o Bhagaván: “Inala experimentando o corpo em sua totalidade, exala experimentando o corpo em sua totalidade.”

Isto é, com Atenção Plena bem situada, vê o princípio, o meio e o final da inalação e da exalação. Conforme pratica a observação da inalação e exalação, usando da Atenção Plena, ambas as funções se acalmarão e tranqüilizarão.

O Bhagaván usou de um símile para ilustrar esse processo: Quando um carpinteiro e seu aprendiz trabalham a madeira na carpintaria, observam o trabalho com atenção. Ao fazerem um giro longo ou curto com o torno, sabem qual é o longo e qual é o curto. Da mesma maneira, se o praticante da Meditação inala profundamente, compreende como longa a inalação; se exala profundamente, também a compreende como longa; se a inalação for curta, ele tem consciência de que foi curta e se for uma inalação curta, ele a compreende como sendo curta. A mesma compreensão ele pratica para as exalações.

Ele exercita a Atenção Plena de tal forma, que vê o princípio, o meio e o final das funções de inalação e exalação. Compreende com Sabedoria a tranquilização dos dois aspectos: a inalação e a exalação.

Ao compreender desta forma as funções da inalação e exalação em si mesmo, ele também as compreende em outras pessoas. Também compreende as duas funções em si mesmo e nas outras pessoas em rápida alternação. Compreende também a causa do surgimento da inalação e o surgimento da exalação e a causa da cessação da inalação e da exalação, o momento exato do surgimento da inalação e da exalação.

Assim, o praticante se dá conta de que seu corpo, o qual está exercitando as duas funções, é somente um corpo, não é um ego ou um “Eu”. Esta Atenção Plena e Sabedoria são úteis para desenvolver uma melhor e mais profunda Sabedoria, tornando o praticante capaz de deixar de lado os conceitos errados sobre as coisas, em termos de “Eu” e “meu”. Então, chega à capacidade de viver com Sabedoria, respeito ao corpo e sem se apegar a nada do mundo, sem cobiça e sem distorção de pontos de vista. Vivendo sem apego, o praticante da Meditação percorre o Caminho até o Estado Mental do Nirváña, através da contemplação da natureza do corpo.

Esta é uma explicação com base na passagem do Mahá Satipatthána Sutra sobre Ánápánássati. Esta forma de Meditação pode ser explicada de DEZESSEIS formas diferentes em vários outros Sutras. Das dezesseis formas, quatro foram explicadas aqui, mas estas quatro são os fundamentos das dezesseis formas em que se pode praticar Ánápánássati.

 

PRELIMINARES DA PRÁTICA

 

Vamos então verificar quais as práticas preliminares deste tipo de Meditação. Primeiramente, o Bhagaván instruiu que devemos procurar um lugar isolado para praticar Ánápánássati. O Sutra diz que pode ser uma floresta, debaixo de uma árvore ou um lugar vazio. Lugar vazio pode ser uma cabana (KUTÍ, em Páli), como a que nós monges encontramos nos Templos de Floresta, mas, claro que na vida da cidade é quase impossível encontrar um lugar assim, portanto, podemos considerar como lugar vazio um Templo onde haja uma Sala de Meditação ou mesmo a casa da pessoa, desde que não haja outras pessoas nem barulho para perturbar a prática da Meditação.

No caso de um Templo ou Centro Buddhista, se todos permanecerem calados e com o único objetivo de meditar, pode-se considerar como “um lugar vazio”. O Bhagaván mencionou estes três tipos de local porque para praticar Ánápánássati, o silêncio é fundamental. O meditador praticante encontrará mais facilidade para desenvolver a concentração mental na respiração se estiver em total silêncio. No caso de não poder encontrar um local com silêncio absoluto, deve-se escolher um local tranqüilo no qual haja privacidade.

O Bhagaván explicou a Meditação sentada, mas, na verdade há quatro posturas que podem ser usadas na Meditação Ánápánássati: de pé, sentado, deitado ou caminhando. De todas, a postura mais adequada para a prática e a Meditação Sentada.

O ideal é sentar-se com as pernas cruzadas. Para os Bhikshús e homens leigos, o Buddha recomendou a postura de pernas cruzadas. Esta não é uma posição fácil para todos, mas pode ser dominada gradualmente. A posição de meia perna cruzada é recomendada para Bhikshunís e mulheres leigas. É a postura sentada, com uma perna dobrada. Melhor ainda seria se tanto homens quanto mulheres pudessem adotar a posição de “lótus completo”, com as solas de ambos os pés viradas para cima, com os pés colocados sobre as coxas. É uma postura muito difícil para a maioria das pessoas e seria preciso treinar desde criança para sentar com naturalidade como adulto. Na impossibilidade, basta sentar-se normalmente, com as pernas cruzadas.

Na prática de Ánápánássati, é fundamental sentar-se com o corpo direito. O torso deve manter-se ereto, porém nem muito relaxado nem contraído. Só pode-se cultivar corretamente esta Meditação se todos os ossos da coluna vertebral estiverem retos, alinhados. Portanto, esta orientação do Bhagaván de manter a coluna reta, deve ser bem compreendida e seguida corretamente.

As mãos devem ser postas sobre o colo, suavemente, as costas da mão direita sobre a palma da mão esquerda, os polegares se tocando suavemente. Os olhos podem estar tranquilamente fechados ou ligeiramente entreabertos, conforme for mais confortável para o praticante.

A cabeça deve estar direita, ligeiramente inclinada para frente, perpendicular ao umbigo. O fator seguinte é o local onde fixar a Atenção Plena. Para cultivar o  Ánápánássati, deve-se estar claramente focado no local onde o ar entra e sai, tocando as fossas nasais. Isto se sentirá como um ponto debaixo das fossas nasais ou sobre o lábio superior, onde estiver presente o contato do ar ao entrar e sair das fossas nasais, sendo sentido com maior precisão. É nesse ponto que deve ser fixada a Atenção Plena, como um sentinela tomando conta de uma porta.

O Bhagaván explica a maneira de cultivar o Ánápánássati: Deve-se inalar atentamente, exalar atentamente. Desde que nascemos até  o momento de nossa morte, a função de inalar e exalar continua, ininterruptamente, sem uma única pausa, mas não refletimos nem temos consciência disso. Nem sequer nos damos conta da presença da respiração. Se o fizermos, poderemos obter muito benefício, por meio da calma e da introspecção. Portanto, o Buddha nos aconselhou a estarmos sempre atentos à função da respiração.

O praticante da Meditação que observa conscientemente a respiração desta maneira, não deve NUNCA controlar sua respiração ou prende-la com esforço. Se fizer isso, vai se cansar e a concentração será afetada e interrompida. DEVE-SE RESPIRAR NATURALMENTE. A chave da Meditação bem sucedida é a Atenção Plena na respiração natural e no ponto onde se sente melhor a entrada e saída do ar, no fenômeno da inalação e exalação. É importante manter a concentração no ponto de contato do ar nas fossas nasais, mantendo a Atenção Plena na forma mais contínua e consistente possível.

 

OS OITO PASSOS

 

Para ajudar os praticantes a desenvolverem esta Meditação, os comentaristas e mestres de Meditação indicam oito passos progressivos na prática.  Esses oitos passos, vou primeiramente mencionar e depois explicar como funcionam no processo meditativo real.

Seus nomes são:

CONTAGEM – GANANÁ

SEGUIMENTO – ANUBANDHANÁ

CONTATO – P´HUSSANÁ

FIXAÇÃO – THÁPANA

OBSERVAÇÃO – SALLAKKHANÁ

DISTANCIAMENTO – VIVATTANÁ

PURIFICAÇÃO – PARISSUDDHI

e

RETROSPECÇÃO – PATIPASSANÁ

 

Os oito passos cobrem o percurso completo do desenvolvimento do processo meditativo, até alcançar o Estado de Arahant – um Arahant é um ser que atinge em vida a Iluminação, alguém cuja mente já está no Estado Mental do Nirváña, já cultivada neste mundo.

 

1 – CONTAGEM (gananá)

 

A contagem é indicada para aquelas pessoas que nunca praticaram Ànápánássati. Não é um passo necessário para quem já pratica Meditação durante algum tempo. Mesmo assim, é bom tomar conhecimento da contagem e entender como funciona.

Quando um meditador se senta para praticar Ànápánássati, fixa a Atenção Plena na ponta do nariz e observa atentamente a inalação e exalação. Nota quando o ar entra e quando o ar sai, tocando a ponta do nariz ou o lábio superior. Neste momento, começa a contar os movimentos.

Há quatro métodos de contagem, o mais fácil deles eu explico assim: Na prmeira inalação e exalação, se conta “um – um”, na segunda se conta “dois – dois”, na terceira “três – três” e assim por diante até chegarmos ao “dez – dez”. Depois voltamos ao “um – um” e repetimos o processo até o “dez – dez”.

Esse processo de contagem não é Meditação, mas sim um método auxiliar essencial para quem começa a Meditação. Alguém que nunca meditou tem que usar algo que a ensine a natureza da mente e, sem usar a contagem, poderia pensar que está meditando enquanto a mente corre livremente, sem qualquer condicionamento. A contagem é um método fácil para controlar a mente divagante.

Se o praticante fixa bem a Atenção Plena na Meditação, pode manter corretamente a contagem. Se a mente voa em várias direções e ela perde a contagem, se confunde e, com isso, se dá conta de que a mente está divagando. Se a mente perde a contagem, o meditador deve começar novamente do princípio, mesmo que perca a contagem mil vezes.

Conforme a prática vai se desenvolvendo, pode acontecer da inalação e a exalação se tornarem mais freqüentes e não ser possível repetir o mesmo número muitas vezes. Então, o praticante tem que contar rapidamente “um”, “dois”, “três” etc. Quando conta desta maneira, pode compreender a diferença entre a inalação e a exalação prolongadas e a inalação e exalação breves.

 

2 – SEGUIMENTO (anubandhaná)

 

“Seguimento” significa seguir a respiração com a mente. Quanto a mente foi submetida pela contagem e está fixa na inalação e exalação, a contagem pode ser parada e substituída pelo seguimento mental do curso da respiração. Isto foi explicado pelo Bhagaván da seguinte maneira:

“Quando o meditador inala profundamente, compreende que está inalando profundamente; e quando está exalando profundamente, compreende que está exalando profundamente.”

 

Neste caso, a pessoa não força uma inalação ou exalação profundas, mas sim compreende a realidade do que está acontecendo naturalmente.

 

Neste trecho, o Buddha explica como o meditador treina a si próprio, pensando:

 

“Inalarei experimentando a totalidade do corpo e exalarei experimentando a totalidade do corpo.”

 

No caso, “totalidade do corpo” significa o ciclo completo do processo de inalação e exalação. O meditador deve fixar a Atenção Plena de tal modo que possa ver o princípio, meio e fim de cada ciclo da respiração. A esta prática se chama “experimentar a totalidade do corpo.”

 

O princípio, meio e fim da respiração devem ser entendidos corretamente. É errado considerar a ponta do nariz como o princípio da respiração, o peito como o meio e o umbigo como o final. Se alguém tentar rastrear a respiração desde o nariz através do peito, até a barriga, ou segui-la no trajeto de saída, desde a barriga, passando pelo peito, até chegar ao nariz, a concentração da pessoa será interrompida e a mente se tornará agitada. O princípio da inalação, quando corretamente entendido, é o início da inalação em si, o meio é a continuação do processo de inalação e o fim é quando ela se completa. Da mesma forma, acontece quanto à exalação em seu início, meio e finalização. Portanto, “Experimentar a totalidade do corpo” é estar alerta para o ciclo completo de cada inalação e exalação, mantendo a mente fixa no ponto em torno das fossas nasais, ou no lábio superior, onde se sinta a entrada e saída do ar com mais clareza.

Este trabalho de contemplação da respiração na área que circunda as fossas nasais, sem seguir a entrada e saída do corpo, é ilustrada pelo Bhagaván nos comentários com os exemplos do guardião da porta e do uso do serrote.

Assim como o guardião examina cada pessoa que entra e sai da cidade somente enquanto a pessoa passa pela porta, sem a seguir dentro ou fora da cidade, também o meditador deve estar atento a cada respiração somente enquanto o ar passa através das fossas nasais, sem seguir o ar no interior ou exterior do corpo.

Assim como um homem que está serrando um tronco, mantém sua atenção fixa no ponto onde os dentes do serrote cortam através da madeira, sem seguir os movimentos dos dentes até adiante e atrás, assim também o meditador deve observar a respiração como vai e vem em torno das fossas nasais, sem deixar que sua Atenção Plena se distraia com a passagem interior e exterior da respiração através do corpo.

Quando uma pessoa medita seriamente desta forma, vendo o processo por inteiro, um prazer suave toma conta de sua mente. E, já que a mente não mais divaga, todo o corpo se acalma, sentindo-se fresco e confortável.

 

3 – CONTATO (p´hússana) e 4 – FIXAÇÃO (thápana)

 

Estes dois aspectos da prática indicam o forte desenvolvimento de uma concentração mais forte. Quando se mantém a Atenção Plena na respiração, ela mesma se torna cada vez mais sutil e tranquila. Como resultado, o corpo se acalma e cessa a sensação de fadiga. A dor física e a dormência desaparecem e o corpo passa a sentir um conforto estimulante, como se tivesse sido tocado por uma brisa fresca e suave.

Nesse momento, devido à tranqüilidade da mente, a respiração se torna cada vez mais sutil, até que pareça que a pessoa parou de respirar. É uma sensação incrível, ter certeza de que ainda continua respirando, porém, sem sentir o fenômeno da respiração. Às vezes, essa sensação chega a durar dez minutos. Algumas pessoas se assustam com isso, pensando que pararam de respirar, mas não é verdade.  A respiração continua, porém de forma muito delicada e sutil. Não importa o quanto ela se torne sutil, deve-se manter a Atenção Plena no contato (p´hússana) do ar com as fossas nasais, sem perder a noção dele. A mente se libera então dos Cinco Obstáculos – desejo sensual, repulsa, sonolência, agitação e dúvida. Como resultado, surge uma calma profunda e prazer.

Esta é a etapa em que surgem os “SINAIS”. O nome técnico deles, em Páli, é NIMÍTTA). São formações mentais que indicam a vitória da concentração sobre a divagação da mente. Primeiro vêm os sinais da aprendizagem (úggaha-nimítta), depois os sinais de contrapartida (patibhága-nimítta). Podem aparecer de diversas formas. Para alguns surgem em forma de luz, ou uma corrente de prata, como neblina ou uma roda. Para o Buddha, apareceram como uma luz brilhante, como o Sol do meio-dia.

O Nimítta do aprendizado é instável, se move de cá para lá, de cima para baixo. Mas o Nimítta que da contrapartida que aparece no ponto onde terminam as fossas nasais, é fixo, quieto, sem movimento.  Nesse momento não há mais obstáculos, a mente está extremamente tranquila. Esta etapa foi explicada pelo Bhagaván quando Ele diz que a pessoa inala tranquilizando a atividade do corpo e exala tranquilizando a atividade do corpo.

O surgimento do Nimítta da contrapartida e a supressão dos Cinco Obstáculos marca o alcance do acesso à concentração (upatchára-samádhi). Posteriormente, à medida que se desenvolve a concentração, o meditador consegue a completa absorção (appaná-samádhi), começando com o primeiro Jhána. Com a prática do Ànápánássati, pode-se conseguir as Quatro Etapas, que são o primeiro, segundo, terceiro e quarto Jhánas. A estas etapas da concentração profunda, se chama de “fixação” (thápana).

 

5 – OBSERVAÇÃO (sallakkhana) e 8 – RECAPITULAÇÃO (patipassaná)

 

Uma pessoa que tenha alcançado um Jhána não deve parar por aí, mas sim continuar até desenvolver a Meditação da Introspecção – VIPÁSHYANA. Às etapas de introspecção se chama “observação” (sallakhana). Quando a introspecção consegue chegar ao máximo, o meditador alcança os caminhos supramundanos, começando com a etapa de entrada na correnteza que conduz ao Nirváña. Já que estes caminhos nos afastam das algemas que nos prendem ao ciclo de nascimento e morte (Samsára), eles são chamados de “distanciamento” (viváttana).

Os caminhos são seguidos por seus respectivos estados de fruição; a esta etapa, chamamos de “purificação” (parissúddhi) já que a pessoa consegue se limpar de todas as impurezas mentais.

Daí por diante, consegue-se chegar à etapa final, o conhecimento de recapitulação, chamado de “retrospecção” (patipassaná), já que a pessoa vê todo o caminho percorrido, seus progressos e sua totalidade. Esta é uma revisão breve das principais etapas ao longo do Caminho que conduz ao Estado Mental de Nirváña, baseado no método de Meditação Ànápánássati. Agora, vou explicar as Sete Etapas da Purificação.

 

AS SETE ETAPAS DA PURIFICAÇÃO

 

A pessoa que assumiu a prática começa por estabelecer-se num código de moral e ética adequado. Se for um leigo (Upássaká), deverá seguir os Cinco Preceitos de um Leigo Buddhista, ou os Dez Preceitos, normalmente indicados para noviços. Se for um Bhikshú, começa sua Meditação enquanto mantém seu código específico de moralidade. A observância deve ser ininterrupta da purificação da moralidade (Shíla-vissúdhi).

Depois, intensifica sua prática na Meditação e, como resultado, os obstáculos mentais são subjugados e a mente se fixa na concentração. Esta é a purificação da mente (tchitta-vissúdhi) – a mente que já tem seus obstáculos completamente superados – inclui tanto o acesso à concentração quanto os quatro Jhánas.

Quando o meditador está bem firme na concentração, o passo seguinte é voltar sua atenção  para a meditação de introspecção (Vipáshyana). Para desenvolver a introspecção com base de Ànápánássati, o meditador deve primeiro considerar que este processo de inalar e exalar é unicamente forma, uma série de eventos físicos, corporais – não é um “eu” ou um ego. Os fatores mentais que contemplam a respiração são, em troca, só a mente, uma série de eventos mentais, desprovidos de qualquer ego ou individualidade. Esta discriminação de mente e matéria (náma e rúpa) é chamada a Purificação da Visão (ditthi-vissúdhi).

Quem chega a esta etapa, compreende o processo de inalação e exalação por meio das condições de surgimento e cessação dos fenômenos corporais e mentais contidos no processo da respiração. Esse conhecimento, que chega a extender-se a todos os fenômenos corporais e mentais em termos de seu surgimento dependente, se chama a compreensão das condições.

À medida que o entendimento amadurece, se eliminam todas as dúvidas criadas por ele em relação ao passado, futuro e presente, portanto, esta etapa é chamada de “Purificação Através da Transcendência das Dúvidas.”

Depois de ter entendido as relações causais da mente e da matéria, o meditador procede para a Meditação Vipáshyana e em seu momento, surge a Sabedoria “vendo o surgir e cessar de todas as coisas”. Quando o meditador inala e exala, vê os estados corporais e mentais surgindo e deixando de existir momento a momento. Quanto mais clara se torna essa Sabedoria, mais a mente se ilumina e surgem a felicidade e a tranqüilidade, juntas com a confiança em si mesmo, o esforço, a Atenção Plena, a Sabedoria e a equanimidade.

Quando aparecem esses fatores, o meditador reflete sobre eles, observando suas três características de impermanência, inquietação mental e ausência total de ego. À Sabedoria que distingue entre os resultados regozijantes da prática e a tarefa da contemplação sem apego, se chama de Purificação pelo  Conhecimento e Visão do Verdadeiro e do Falso Caminhos”.

Sua mente, purificada assim, vê muito claramente o surgimento e cessação da mente e da matéria.

Logo vê, com cada inalação e exalação o rompimento de todos os fenômenos concomitantes mentais e corporais, os quais aparecem exatamente como a explosão de bolhas em uma panela de arroz fervendo ou como o rompimento de bolhas de ar num lago, quando chove. Esta Sabedoria que vê o rompimento constante de todos os fenômenos mentais e corporais é chamada de “Conhecimento da Dissolução”. Através desta Sabedoria, se adquire a habilidade de ver como todos os fatores da mente e do corpo em todas as partes do Universo surgem e desaparecem.

Logo surge no praticante a Sabedoria que vê todos esses fenômenos como um espetáculo efêmero. Vê que em nenhuma das esferas da existência, nem sequer nos planos das dimensões paralelas ao nosso Universo, há um prazer ou felicidade genuínos e compreende claramente o infortúnio e o perigo.

Então desenvolve uma repugnância por toda existência condicionada. Emerge no praticante um desejo urgente de liberar-se do mundo e um intenso desejo de liberação. Ao considerar os meios para liberar a si mesmo, surge no praticante um estado de Sabedoria que imediatamente capta a impermanência, a inquietação mental e a ausência de ego e conduz a níveis sutis e profundos de introspecção.

Assim, aparece no praticante a compreensão de que os agregados da mente e o corpo que aparecem em todos os sistemas do mundo estão constantemente sujeitos à inquietação mental e se dá conta de que o Estado Mental do Nirváña, que transcende o mundo, é enormemente pacífico e confortante. Quando compreende esta situação, sua mente alcança o conhecimento da equanimidade sobre as formações. Este é o clímax da meditação da introspecção, chamada de “Purificação pelo Conhecimento e Visão do Progresso”.

Conforme se torna imutável, aumenta a capacidade meditativa e quando suas faculdades estão totalmente maduras, entra o processo cognitivo do caminho de entrada na correnteza (sotápatti). Como caminho de entrada na correnteza, ele vislumbra o Estado Mental do Nirváña e compreende diretamente as Quatro Nobres Verdades (o Coração do Ensinamento do Buddha). O caminho é seguido por dois ou três momentos do frutoda entrada na correnteza, pelos quais o praticante desfruta dos frutos que conseguiu obter. Daí por diante, surge o conhecimento da recapitulação, por meio do qual ele reflete sobre seu progresso e o que conseguiu alcançar.

Se continuar na Meditação com séria aspiração, desenvolverá de um novo modo etapas do conhecimento de introspecção e percorrerá os três mais elevados caminhos e seus frutos: do que retorna a este mundo só mais uma vez (apenas mais um renascimento antes de se iluminar), do que não mais retorna e o do Arahant (apenas aguardando a morte física, para nunca mais renascer). Tais conquistas, junto com a entrada na correnteza, formam a sétima etapa da Purificação pelo Conhecimento e a Visão. Com cada uma destas conquistas, consegue perceber claramente as Quatro Nobres Verdades, que até então não estavam totalmente claras, ao longo da permanência no ciclo de renascimentos (Samsára). Como resultado, todas as impurezas contidas na mente são arrancadas e destruídas e a mente do praticante se torna pura e limpa. Então o praticante alcança o Estado Mental do Nirváña no qual ele está liberado de toda inquietação mental, sofrimento, nascimento, envelhecimento, morte, pesar, lamentação, dor, aflição e desespero.

 

CONCLUSÃO

 

Nascimentos como os nossos são raros no Samsára. Considere quantos bilhões e trilhões de seres de tantas espécies são mais numerosos que nós humanos neste planeta! Somente os insetos e peixes no oceano já seriam mais numerosos que nossa espécie. Portanto, por mais numerosos que pareçamos ser, é possível dizer que é uma grande benção ter nascido como Humano.

Temos ainda a sorte de, na forma humana, podermos ouvir a mensagem do Buddha, de desfrutar da companhia de bons amigos, de ter a oportunidade de ouvir o Dharma.

Com tantas bênçãos e oportunidades, se permitirmos que nossas aspirações amadureçam, podemos alcançar ainda nesta vida o Estado Mental do Nirváña, através da entrada gradual na correnteza que conduz à Iluminação, a correnteza de quem retorna apenas uma vez a este mundo, de quem não retorna mais e do estado de Arahant.

Portanto, é importante desenvolver regularmente a Meditação Ánápánássati, depois de receber as instruções de como praticar corretamente este método, deve-se purificar a própria vida, seguindo os Preceitos de Moralidade estabelecidos pelo Buddha, seguindo o Caminho da Jóia Tríplice (Buddha, o Ensinamento e a orientação da Comunidade Monástica)

É importante reservar um tempo e local específicos, a cada dia, para a prática da Meditação, não desperdiçando o renascimento humano, esta grande oportunidade de alcançarmos o Nirváña!

 

Bhantê Sunanthô Bhikshú

 

MN 59 

O BAHUVÊDANÍYA SUTRA

O Ensinamento sobre os Muitos Tipos de Sentimentos

Traduzido do Páli para o Inglês pelo Ven. Nyanipònika Therô

Reescrito em Português, em Linguagem Simples e com Explicações

por Bhantê Sunanthô Bhikshú

fonte: access to insight

 

“Assim me foi transmitido oralmente.”

erta ocasião, o Bhagaván (o Buddha) estava passando um tempo em Shrávasthi, no Bosque de Djetá, no Monastério doado pelo milionário Anathapindíka. Então o Carpinteiro das Cinco Ferramentas foi ver o Venerável Udáyi. Após saúda-lo respeitosamente, sentou-se na posição de respeito. Assim sentado, perguntou ao Ven. Udáyi:

“Bhantê, quantos tipos de sentimentos foram ensinados pelo Bhagaván?”

“Três tipos de sentimentos, Carpinteiro, foram ensinados pelo Bhagaván, agradáveis, dolorosos e neutros. Estes são os três sentimentos ensinados pelo Bhagaván.”

Após estas palavras, o Carpinteiro das Cinco Ferramentas disse. “Não foram três os tipos de sentimentos ensinados pelo Bhagaván, Bhantê Udáyi, São dois tipos de sentimentos enumerados pelo Bhagaván: agradáveis e dolorosos. Os sentimentos neutros foram mencionados pelo Bhagaván como pertencentes à alegria pacífica e sublime.”

Mas o Venerável Udáyi respondeu: “Não são dois os tipos de sentimento ensinados pelo Bhagaván, são três: agradáveis, dolorosos e neutros.”

Ainda por mais uma vez e uma terceira vez essa discordância de opiniões se repetiu, mas nem o Carpinteiro das Cinco Ferramentas nem o Venerável Udáyi foram capazes de convencer um ao outro. Então, aconteceu que o Venerável Ánanda (primo e Atendente Pessoal do Buddha) estava ouvindo a conversa e decidiu ir ao Bhagaván. Após saudar o Buddha com três prostrações, sentou-se na posição de respeito. Assim sentado, repetiu toda a conversa que ouviu entre o Carpinteiro das Cinco Ferramentas e o Ven. Udáyi.

O Buddha disse: “Ánanda, a resposta dada por Udáyi ao Carpinteiro, a qual não o convenceu, está realmente correta. Mas também a opinião do Carpinteiro das Cinco Ferramentas, que não convenceu a Udáyi está igualmente correta. Em uma única explanação eu tenho falado de dois tipos de sentimento e de outras formas tenho falado de três tipos, de seis tipos, de dezoito tipos, de trinta e seis tipos e de cento e oito tipos de sentimentos. Assim o Dharma (Ensinamento do Buddha) tem sido apresentado de diferentes modos.

 

Com relação ao Dharma mostrado por mim de diferentes formas, se há os que não concordam, não consentem, não aceitam o que foi corretamente dito e corretamente falado, é de se esperar que haja discussões, brigas e disputas, uns ferindo aos outros com palavras rudes.

 

Com relação ao Dharma, assim exposto de diferentes modos, se há os que concordam, consentem e aceitam o que foi corretamente dito e corretamente falado, é de se esperar que vivam em concordância e amizade, sem disputas, como o leite, que facilmente se mistura à água, olhando uns aos outros com olhares amigáveis.

 

“Há cinco categorias de desejos dos sentidos. Quais estas cinco? As formas, reconhecíveis pelo olho, que são cobiçáveis, desejáveis, agradáveis e queridas, conduzentes ao desejo sensual e à luxúria. Os sons reconhecíveis pelo ouvido, que são cobiçáveis, desejáveis, agradáveis e queridaos, conduzentes ao desejo sensual e à luxúria. Os aromas reconhecíveis pelo nariz, que são cobiçáveis, desejáveis, agradáveis e queridos, conduzentes ao desejo sensual e à luxúria. Os sabores que são reconhecíveis pela língua, que são cobiçáveis, desejáveis, agradáveis e queridos, conduzentes ao desejo sensual e à luxúria. Os contatos reconhecíveis pela pele do corpo, que são cobiçáveis, desejáveis, agradáveis e queridos, conduzentes ao desejo sensual e à luxúria. Estas são as cinco categorias dos sentidos. Os prazeres e alegrias que surgem, dependem dessas cinco categorias de desejos dos sentidos, a isto se chama prazer sensual.

 

“Agora, se alguém dissesse: “Este é o maior prazer e alegria que se pode experimentar”, eu não concordaria. E por que não? Porque há outro tipo de prazer que supera aquele prazer e é mais sublime. E que prazer é esse? Aqui, quieto e afastado do prazer sensual, recolhido dos estados impuros da mente, um praticante entra e se estabelece no primeiro estado meditativo (chamados de Jhana), que é acompanhado pelo pensamento conceitual  e do pensamento discursivo e tem nele alegria e prazer, nascidos do isolamento. Este é o outro tipo de prazer que supera aquele dos prazeres sensuais e é mais sublime.

 

“Agora, se alguém dissesse: “Este é o maior prazer e alegria que se pode experimentar”, eu não concordaria. E por que não? Porque há outro tipo de prazer que supera aquele prazer e é mais sublime. E que prazer é esse? Aqui, com o acalmar do pensamento conceitual e do pensamento discursivo, um praticante entra e se estabelece no segundo estado meditativo (segundo Jhana), na esfera da infinidade do espaço, na esfera da infinidade da consciência, na esfera do não-haver, na esfera da nem-percepção-nem-não-percepção.”

 

“Agora, se alguém dissesse: “Este é o maior prazer e alegria que se pode experimentar”, eu não concordaria. E por que não? Porque há outro tipo de prazer que supera aquele prazer e é mais sublime. E que prazer é esse? Aqui, após ultrapassar completamente a esfera da nem-percepção-nem-não-percepção, o praticante entra e se estabelece na cessação da percepção e do sentimento. Este é outro tipo de prazer que supera aquele prazer e é mais sublime.”

 

“Pode ocorrer, Ánanda, que os Andarilhos de outras seitas digam assim: “O praticante Gáutam fasla da Cessação da Percepção e do Sentimento e as descreve como prazer. O que é prazer e como é esse prazer?”

 

“Aos que falam assim, deveríamos dizer: “O Bhagaván descreve como prazer não apenas o sentimento de prazer. Mas um Tathágata (título que o Buddha usava para si mesmo) descreve como prazer toda vez que e onde quer que ele seja obtido.”

 

Foi isto que o Bhagaván disse. O Venerável Ánanda ficou satisfeito e deliciado com as palavras do Buddha.

 

 

Nota: “Do quarto Jhana em diante, é o nem-prazeroso-nem-doloroso-sentimento, que está presente nesses estados meditativos. Mas este sentimento neutro também é chamado de “prazer” (Sukha, em Páli), por ser um estado pacífico e sublime.

 

MN 59 

The BAHUVÊDANÍYA SUTRA

The Teaching about the Many Kinds of Fellings

Translated from Pali into English by Ven. Nyaniponika Thero.

Rewritten in Portuguese, in Simple Language and with Explanations by Bhante Sunantho Bhikshu

Source: access to insight

“Thus have I heard. “

nce the Blessed One was staying at Savatthi, in Jeta’s Grove, Anathapindika’s monastery. Then Carpenter Fivetools went to see the Venerable Udayi. Having saluted him respectfully, he sat down at one side. Thus seated, he asked the Venerable Udayi:

“How many kinds of feelings, reverend Udayi, were taught by the Blessed One?”

“Three kinds of feelings, Carpenter, were taught by the Blessed One: pleasant, painful and neutral feelings. These are the three feelings taught by the Blessed One.”

After these words, Carpenter Fivetools said: “Not three kinds of feelings, reverend Udayi, were taught by the Blessed One. It is two kinds of feelings that were stated by the Blessed One: pleasant and painful feelings. The neutral feeling was said by the Blessed One to belong to peaceful and sublime happiness.”

But the Venerable Udayi replied: “It is not two feelings that were taught by the Blessed One, but three: pleasant, painful and neutral feelings.”

(This exchange of views was repeated for a second and a third time,) but neither was Carpenter Fivetools able to convince the Venerable Udayi, nor could the Venerable Udayi convince Carpenter Fivetools. It so happened that [the] Venerable Ananda had listened to that conversation and went to see the Blessed One about it. Having saluted the Blessed One respectfully, he sat down at one side. Thus seated, he repeated the entire conversation that had taken place between the Venerable Udayi and Carpenter Fivetools.

The Blessed One said: “Ananda, Udayi’s way of presentation, with which Carpenter Fivetools disagreed, was correct, indeed. But also Carpenter Fivetool’s way of presentation, with which Udayi disagreed, was correct. In one way of presentation I have spoken of two kinds of feelings, and in other ways of presentation I have spoken of three, of six, of eighteen, of thirty-six, and of one hundred and eight kinds of feelings. So the Dhamma has been shown by me in different ways of presentation.

“Regarding the Dhamma thus shown by me in different ways, if there are those who do not agree with, do not consent to, and do not accept what is rightly said and rightly spoken, it may be expected of them that they will quarrel, and get into arguments and disputes, hurting each other with sharp words.

“Regarding the Dhamma thus shown by me in different ways, if there are those who agree with, consent to, and accept what is rightly said and rightly spoken, it may be expected of them that they will live in concord and amity, without dispute, like milk (that easily mixes) with water, looking at each other with friendly eyes.

“There are five strands of sense desire. What are these five? Forms cognizable by the eye that are wished for, desirable, agreeable and endearing, bound up with sensual desire and tempting to lust. Sounds cognizable by the ear… odors cognizable by the nose… flavors cognizable by the tongue… tangibles cognizable by the body, that are wished for, desirable, agreeable and endearing, bound up with sense desire, and tempting to lust. These are the five strands of sense desire. The pleasure and joy arising dependent on these five strands of sense desire, that is called sensual pleasure.

“Now, if someone were to say: ‘This is the highest pleasure and joy that can be experienced,’ I would not concede that. And why not? Because there is another kind of pleasure which surpasses that pleasure and is more sublime. And what is this pleasure? Here, quite secluded from sensual desires, secluded from unwholesome states of mind, a monk enters upon and abides in the first meditative absorption (jhana), which is accompanied by thought conception and discursive thinking and has in it joy and pleasure born of seclusion. This is the other kind of pleasure which surpasses that (sense) pleasure and is more sublime.

“If someone were to say: ‘This is the highest pleasure that can be experienced,’ I would not concede that. And why not? Because there is another kind of pleasure which surpasses that pleasure and is more sublime. And what is that pleasure? Here, with the stilling of thought conception and discursive thinking… a monk enters upon and abides in the second meditative absorption… in the sphere of the infinity of space… of the infinity of consciousness… of no-thingness… of neither-perception-nor-non-perception.

“If someone were to say: ‘This is the highest pleasure that can be experienced,’ I would not concede that. And why not? Because there is another kind of pleasure which surpasses that pleasure and is more sublime. And what is this pleasure? Here, by completely surmounting the sphere of neither-perception-nor-non-perception, a monk enters upon and abides in the cessation of perception and feeling. This is the other kind of pleasure which surpasses that pleasure and is more sublime.

“It may happen, Ananda, that Wanderers of other sects will be saying this: ‘The recluse Gotama speaks of the Cessation of Perception and Feeling and describes it as pleasure. What is this (pleasure) and how is this (a pleasure)?’

“Those who say so, should be told: ‘The Blessed One describes as pleasure not only the feeling of pleasure. But a Tathagata describes as pleasure whenever and whereinsoever it is obtained.'”

That is what the Blessed One said. The venerable Ananda was satisfied and delighted in the Blessed One’s words.

Note: “From the fourth jhana onwards, it is the neither-painful-nor-pleasant feeling (that is present in these meditative states). But this neutral feeling, too, is called ‘pleasure’ (sukha), on account of its being peaceful and sublime.

भन्तोसुनन्थोभिक्षु

 Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

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